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Oppsummering og konklusjon

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Na parte que trata das retomadas da categoria da Consciência, Weil traça algumas considerações sobre a filosofia e a ciência. Vimos que, para a Consciência, o homem se volta para o Eu, procurando se consolidar como sujeito e não como objeto da ciência. A ocupação da ciência se dá nas condições externas do objeto. Todavia a Consciência não abandona a ciência, ela procura ir além dos seus limites.

Ao homem não bastava somente conhecer o dado, ou o fenômeno da natureza física. Ele precisava compreender o que ele é. A categoria Deus53 havia

dado o impulso para que o homem avançasse além da ciência da condição. Na categoria do Eu54, o homem volta para si mesmo, mas ainda falta algo importante na

descoberta de si mesmo. Com isso, no homem, a consciência de seu valor como ser humano torna-se fundamental em sua busca de sentido para si mesmo e para o mundo.

A Consciência, como categoria da filosofia, fez nascer a filosofia moral. A Consciência deve conduzir o homem à reflexão de si mesmo e do mundo em que ele vive. Além da reflexão, a Consciência deve conduzir o homem à crítica filosófica. A reflexão e a crítica se juntam para dar suporte ao filósofo. A crítica se dirige à tradição filosófica, não para destruí-la, mas para restabelecê-la por meio da reflexão. Por meio do uso da crítica e da reflexão, o homem toma consciência de seus atos, assim ele procura por esse meio agir de maneira consciente (LP: 255).

Para Weil, três perguntas guiaram o pensamento de Kant durante sua vida. São elas: “Que posso saber? Que devo fazer? Que me é permitido esperar?” (LP: 258). Essas perguntas “são as questões do eu concreto, do homem no mundo e elas comportam as respostas essencialmente negativas, antes mesmo que elas sejam resolvidas enquanto problemas filosóficos: há o desconhecido, há o proibido, há o incerto” (LP: 258). Para Kant, a primeira questão responde à metafísica; a segunda, à moral; a terceira, à religião. Porém, é importante lembrar que, em Kant, há uma quarta pergunta: “O que é o homem?” Para ele, essa última pergunta quem responde é a antropologia.

Com isso, as três primeiras questões poderiam se confluir na última, dando a entender que, no fundo, a filosofia se volta para o homem. Portanto, para Kant, a filosofia deve determinar: 1. A fonte do saber humano, 2. O entendimento do uso possível e útil de todo saber e, 3. Os limites da razão55. Weil retoma essas questões kantianas, na tentativa de construir um sistema filosófico cuja maior preocupação é o homem. Há um sentido antropológico envolto de toda a obra

53 A categoria Deus antecede a Condição e a Consciência. Ela se encontra no capítulo VIII da

Logique de la philosophie.

54 A categoria do Eu (Moi) se encontra no capítulo VII da Logique.

55 Cf. AK, IX, 24-25. Logique. Trad. Francesa de L. Guillermit. Paris, J. Vrin, 1997, p. 25. A maioria

dos intérpretes de Kant é unânime em afirmar que essas quatro perguntas formam a base de todo o seu sistema filosófico, sendo que as três primeiras se unem na última, cuja maior preocupação se refere ao homem.

weiliana, procurando não apenas saber quem é o homem, mas qual o sentido de sua existência no mundo.

Weil sustenta que o homem historicamente entendeu que ele e a natureza são criaturas divinas. Com isso, ele descobriu que nele há um potencial capaz de dominar a natureza externa. Sendo consciência de sua capacidade de dominar a natureza, ele percebeu que devia possuir uma ciência. Porém, ele compreendeu que, além de sua capacidade técnica e científica de domínio da natureza, ele é coração, e não se contenta só com aquilo que a ciência diz. A ciência não fala de bondade, mas do ser condicionado e não se importa com a reflexão.

O homem, como ser condicionado e ainda sem reflexão, deixaria de se ver como criatura, deixaria de se ver como sujeito no mundo e do mundo. A consciência da liberdade que é a consciência moral perderia o seu valor. Todavia o homem “se conhece como responsável de seus atos, como ser livre, por isso, ele se conhece como criatura, ser limitado, mas destinado a um fim” (LP: 258).

A Filosofia da Consciência considera o homem como sujeito no mundo. O homem toma conhecimento de que ele é sempre determinado no mundo e que ele sempre estará no mundo. Ele se conhece como consciência, que possui uma moral, é sábio no mundo, mas não é infinito. Assim, a Filosofia da Consciência se apresenta ao homem como a expressão do seu Eu. E, como expressão do Eu, ela não deixa de ser científica pelo seu caráter universal. Esse caráter científico da Filosofia não é o mesmo das outras ciências, como exemplo a ciência física. A busca pelo Eu não é uma preocupação da Ciência Física, mas da Filosofia Científica (LP: 261).

A Filosofia é Científica pela sua exigência de sistema e de coerência. Se, por um lado, a Ciência necessita compreender a subjetividade humana caso ela queira se constituir como universal, por outro, ela precisa encarar o homem não como objeto, mas principalmente como sujeito. “A limitação do eu, a separação do entendimento e da razão indicam somente que o homem ainda não é tudo aplicado à ciência [...]” (LP: 261).

A categoria Consciência dá as bases fundamentais para a filosofia moral na qual “tudo se encontra: a ciência, o progresso, o sacrifício que o indivíduo faz de si mesmo à ciência, sua transformação pela educação” (LP: 261). Vale ressaltar que “o homem se mantém em seu ser como aquele que transcende não somente a natureza, mas ainda a ciência [...]” (LP: 261).

A categoria da Consciência conduziu a uma reflexão sobre o homem moderno, em que a moral segue os modelos empregados por Kant. Sabemos das inúmeras dificuldades de se conceber a moral nos parâmetros da modernidade. Weil esteve atento a essas dificuldades. A moral concebida durante uma tradição ainda vale para os dias atuais? É notável que a moral tenha evoluído até hoje. No entanto, os fundamentos morais da tradição jamais deverão ser esquecidos e Weil esteve ciente disso. O seu artigo Faudra-t-il de nouveau parler de morale? é uma pergunta válida para os dias de hoje. Afinal, a moral saiu de cena? Perdeu a sua razão de ser?

Na realidade, cremos que a moral está mais viva do que nunca. E a exigência de uma consciência moral tornou-se essencial quando se trata de educação. Mesmo porque as escolas passaram a perceber que a violência aplicada pelos alunos uns contra os outros e contra os professores não deixa de ser um reflexo da própria sociedade. Nessa perspectiva, é preciso mudar não apenas a escola, não apenas os alunos e professores que frequentam a escola, mas a sociedade como um todo. Esse é um desafio para o filósofo e para a filosofia, empreender uma transformação social por meio de uma educação moral, em que as pessoas se tornem cada vez mais razoáveis e menos violentas.

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