• No results found

4.4 Sammendrag av samfunnsøkonomiske analyser

4.4.5 Oppsummering og konklusjon av samfunnsøkonomisk analyse

Eis mais uma noção chave para o entendimento

da Hermenêutica do acontecimento : a transformação que exige todo encontro. Você no pode no âmbito da hermenêutica de Claude Romano ficar na sua mesmidade num encontro (como personagem ou como leitor). Você se expõe, como em todo acontecimento, a uma mudança radical. Já foi mencionada indiretamente a « trans-form-ação », como mudança permanente de um si-mesmo impermanente. O « Si-mesmo » foi envolvido reiteradamente em nossa reflexão sobre a « Compreensão ». São termos técnicos desta hermenêutica, que se opõem à concepção enclausurada da identidade, tal como se costumam propalá-la os estudos culturais em sua plataforma política. As obras literárias « significativas » tal como descritas aqui são incompatíveis com uma tal pré-concepção da identidade por fins pré-determinado. Veremos com Romano e Maldiney que o político na literatura entra primeiramente pelo caminho já aberto pela ética.

No presente item, os termos « transformação » e « Si mesmo » se esclarecem à luz da definição do « adveniente ».Portanto é este conceito que vai estar em foco. Pelo critério distintivo deste, transformação e si-mesmo adquirão seu peso específico, não a partir de uma luta estratégica circunscrita no espaço e no tempo, mas dentro de uma ampla aventura humana que se inicio na aurora da humanidade e que segue seu curso sem ponto final prefixado, sem cronologia sendo a própria compreensão, aqui envolvida, espiralada e infindável. Tal é também a aventura da arte verdadeira, da arte de invenção e não da arte simplesmente criativa. O mesmo se deve pensar do Si-mesmo da experiência hermenêutica em pauta.

junto do acontecimento, a noção de adveniente comanda o protocolo da hermenêutica fenomenológica ; ela toma o lugar do « sujeito » da tradição cartesiana considerado doravante impróprio a uma ex-per-iência, a uma movência, a uma trans-formação, a uma re- nascença que exige disponibilidade, « passivização », e não « voluntarismo » ou ativismo. No adveniente, não há esta racionalidade de um Da-sein dono do seu futuro, arquiteto de planos, gestor de projetos e de maquetes ou de simulações de resultados. Flaubert sempre saiu decepcionado de seus planos e resumos prévios de romances. O grande romancista francês François Mauriac, para explicar como os personagens escapuliram ao seu controle e também ao desejo controlador de Flaubert, redigiu o ensaio « O romancista e seus personagens ». A experiência de invenção de Guimarães Rosa é não menos eloquente. Rosa confessa que pensava escrever um poema ao começar Noites do sertão e acabou produzindo uma obra narrativa. Depois destas relembranças, estamos entendendo melhor o que é um « adveniente ». Pelo seu semantismo derivado do latim ad-venire, o adveniente é quem recebe o forte impacto de algo surpreendente, repentino, inesperada, imprevisivel, impacto este que põe a sua vida de pernas para o ar. Por exemplo, a morte de Madalena para Paulo Honório em São Bernardo de Graciliano Ramos, o encontro de Damás com Cristo para Paul de Tharse nos Atos dos Apóstolos (literatura bíblica), o encontro da menina narradora com uma empregada carioca em O Rio e eu de Lygia Bojunga, o assassinato dos pais da adolescente Maria Moura em Memorial de Maria Moura de Raquel de Queiroz. Nos termos de Romano (1998, p.183), é adveniente aquele a quem pode advir algo, o único alcançavel pela pancada dos acontecimentos/ celui à qui il peut arriver quelque chose, seul capable d´événements.

Por ser a leitura uma aventura humana movimentada por acontecimentos e o lugar de uma ex-per-iência (ortografia preferida no original francês), Romano (1998, p.183) toma o cuidado de retomar a formulação da

movimentação da aventura, dizendo : é a experiência que dinamiza a aventura, ela também é uma hermenêutica de etapa em etapa (sem finalismo teológico). Vem logo após uma precisão maior da designação de adveniente. Um « adveniente » é aquele que pode advir a si-mesmo a partir daquilo que lhe advem/ l´advenant est celui qui peut advenir à soi a partir de ce qui lui advient. Ele é, portanto, um autêntico si-mesmo. Por seu lado, a aventura da personagem adquire maior precisão. Em relação ao adveniente, a aventura começa com alguma coisa perturbadora (um acontecimento) que atinge de maneira única e inconfundível o adveniente. Mas o advir- se (grifo nosso) orienta a sensibilidade, os pensamentos, as relações, as ações do adveniente leitor e do adveniente personagem, em direção do amadurecimento de um si-mesmo ainda em andamento, em direção de uma realidade ainda em estado de vir a ser ou de algo a ser feito.

Para esclarecer a situação deste Si-mesmo engajado em tal experiência de amadurecimento, Romano explicita um pouco mais a noção de ex-per-iência. Ela é « uma maneira de se compreender a si mesmo », « uma travessia em direção de uma incessante autocompreensão » sempre diferente daquela que antecede. Compreender- se assim é sempre « se compreender como outro » (ROMANO,1998, p.200). Por que « outro » ? Porque, quando ele sobrevem, um acontecimento nos trans-forma de tal modo que não somos mais o « mesmo » antes e depois / parce qu´un événement quand il survient, nous transforme au point que nous ne soyons plus le « même » avant et après sa survenue (ROMANO, 1999, p.251). Il y a métamorphose de l´advenant et de ses projets/ Há metamorfose do adveniente e de seus projetos (ROMANO, 1999, p.250). É o que evidencia a conversão de Saulo tornado Paulo. Com efeito, partido de Jerusalem para acabar com os primeiros cristãos da Síria, Saulo enfrentou um inesperado abalo à caminho de Damás, foi derrubado e todos os seus planos modificados. Em breve, o perseguidor passou a ser o perseguido. Tornado

hiperzelador da nova causa, multiplicou viagens criando novas comunidades cristãs, escrevendo famosas cartas de exortação que atravessaram séculos, enfrentando prisões e maus tratos, dando a sua vida como mártir da fé que abraçou. Pela sua conversão perto de Damas, ele acabou paulatinamente endossar uma nova ipseidade. Entre outras definições, a ipseidade para Romano (1999, p.249) é como uma qualidade do Si-mesmo sm seu continuo devir, « a disponibilidade para o futuro, a capacidade de abertura à mudança».

10. Obra-acontecimento e responsabilidade