A fase de análise dos dados em uma pesquisa qualitativa implica um “conjunto de procedimentos para valorizar, compreender, interpretar os dados empíricos” (MINAYO, 2009, p. 26-27), uma vez que o foco da pesquisa não está em contabilizar, mas em explorar opiniões a respeito de um dado tema no contexto investigado.
Para analisar os materiais coletados nesta pesquisa, optou-se pela análise de conteúdo que, segundo Bardin (2012, p. 48), trata-se de
um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens- indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens.
Nessa direção, buscou-se analisar os significados expressos no conteúdo estudado de modo a compreendê-lo mais profundamente por meio de inferências. Levando em consideração que “o analista tira partido do tratamento das mensagens que manipula para inferir (deduzir de maneira lógica) conhecimentos sobre o emissor da mensagem ou sobre o seu meio” (BARDIN, 2012, p. 45).
A análise do conteúdo se organiza em torno de três etapas: a pré-análise; a exploração do material; inferência e interpretação (BARDIN, 2012). Na pré-análise, seleciona-se documentos, formula-se as hipóteses e os objetivos e prepara-se os indicadores que servirão de norte para a interpretação dos dados. A etapa da exploração dos materiais coletados, para Bardin (2012, p. 131), “longa e fastidiosa, consiste essencialmente em operações de codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras previamente formuladas”, trata-se da efetivação do planejamento realizado na pré-análise. Quanto ao tratamento e interpretação dos resultados, terceira e última etapa, configura-se como o momento em que “o analista, tendo à sua disposição resultados significativos e fiéis, pode então propor inferências e adiantar interpretações a propósito dos objetivos previstos-ou que digam respeito a outras descobertas inesperadas” (BARDIN, 2012, p. 131). A figura 5 resume o percurso para análise dos dados coletados.
Figura 5 - Resumo do Percurso da Análise de Dados
Elaboração própria, (2015).
Portanto, nesta pesquisa, a análise dos dados partiu de uma leitura geral de todo o material coletado, a fim de organizá-lo “de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise” (BARDIN, 2012, p. 125). Em seguida, partiu-se para a construção das categorias a partir dos documentos selecionados e das entrevistas realizadas para, então, iniciar o tratamento dessas informações. Bardin (2012, p. 133) afirma que “a codificação é o processo pelo qual os dados brutos são transformados sistematicamente e agregados em unidades, as quais permitem uma descrição exata das características pertinentes ao conteúdo”. Por fim, na interpretação dos resultados, considerou- se o aporte teórico referente à gestão do conhecimento, gestão escolar e práticas de gestão para uma escola aprendente, no intuito de responder à questão de pesquisa e atender aos objetivos propostos.
2.5.1 Categorias da Pesquisa
As categorias da pesquisa estão relatadas neste tópico e representadas na figura 6, assim como no protocolo de pesquisa (Apêndice F), que relaciona os objetivos geral e específicos e a questão norteadora da pesquisa às categorias e subcategorias. Nesse processo, a escola aprendente é compreendida como elemento central para o qual tudo converge. Visto que, uma gestão escolar pautada em práticas de gestão do conhecimento bem sistematizadas, em um processo contínuo e, amparada em princípios democráticos, garante uma escola na qual, aprendizagens individuais e coletivas se efetivem sempre. E consequentemente, as
Análise do Conteúdo Coletado Seleção dos documentos Transcrição das Entrevistas Leitura Geral Protocolos Construção das Categorias Análise e Discussão
pessoas se desenvolvem prazerosamente, vencendo os desafios e garantindo o sucesso do processo educativo e da escola como um todo.
Figura 6 - Categorias da Pesquisa
Fonte: Elaboração Própria, (2015).
No processo de análise dos dados coletados, procedeu-se conforme as orientações da técnica de Análise de Conteúdo de Bardin (2012) para o tratamento dos documentos e das entrevistas semiestruturadas. Assim, formulou-se as seguintes categorias:
Gestão do Conhecimento, ancorada na Espiral do Conhecimento, modelo de Takeuchi e Nonaka (2008), em que os processos que envolvem a criação de conhecimentos são distribuídos nos parâmetros: construção, partilha, registro, publicização, incorporação e aplicação de novos conhecimentos na escola;
Gestão Escolar, na qual se busca identificar um conjunto de ações voltadas para uma prática democrática, bem como para a constituição de uma escola aprendente, especialmente a partir de falas que opinam a respeito das ações de gestão educacional no âmbito escolar, como também no âmbito do sistema de ensino, no que se refere à gestão do conhecimento.
3 REFERENCIAL TEÓRICO
Este capítulo apresenta a teoria na qual o presente estudo se sustenta. Discute-se, de início, a Sociedade do Conhecimento sob a ótica dos principais autores que versam sobre a temática, abrangendo o papel da educação no contexto exposto. Em seguida, trata-se da gestão do conhecimento, abordando aspectos históricos e conceituais, assim como, alguns modelos teóricos, com ênfase na Espiral do Conhecimento de Nonaka e Takeuchi (2008). Versa-se, ainda, sobre aspectos legais, conceituais e históricos da gestão educacional e suas principais abordagens. Posteriormente, a escola aprendente é discutida a partir de diversos conceitos e é relacionada aos processos de gestão. Por fim, apresenta-se uma descrição do Pacto Pela Educação em Pernambuco e o modo de funcionamento das Escolas de Referência em Ensino Médio no Estado. A figura a seguir apresenta o resumo do referencial teórico.
Figura 7- Mapa Teórico da Gestão Educacional Para Uma Escola Aprendente