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Oppstart av kundeforhold

4. Resultat

4.1 Oppstart av kundeforhold

necessidades ditas essenciais para a manutenção da vida. A sociedade moderna, permeada de incertezas, dirige aos sujeitos enquanto consumidores um padrão optimum de vida. É preciso, para ser feliz, consumir marcas globais nos shopping-centers, acessar internet pelo celular, ter computador de última geração (Ipad) etc.

Hoje, podemos falar de necessidades globais de consumo que culminam no desperdício global. “Une caisse de biscuits, c’est tout un mois de paresse et de vie. Des pots de viande confite et des couffes de fibre bourrées de graines et de noix sont um Tresor de quietude; tout um hiver tranquille est puissance dans leur parfum...”(Baudrillard, 1970, p. 50).

Verificamos, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial, mudanças substanciais no modo de consumir alimentos. É possível, a partir desse período, pontuar dois padrões do que é ser e agir moderno em relação ao consumo de produtos alimentícios. Primeiro, nas décadas de 1970 e 1980, ser moderno significava comer nas redes de fast-food, experimentar sabores universais. Os ingredientes do sanduiche “Big-Mac” era o símbolo maior desse padrão de alimentação globalizado100. Em fins do século XX até os dias atuais, presenciamos uma miscelânia de sabores e atitudes dos consumidores de comida. Além das cadeias de fast-food, verifica-se, sobretudo nos países de economia desenvolvida, a expansão do consumo de produtos Bio (abreviação de biológico), ou seja, que possuem um selo no qual garante que os ingredientes utilizados não oferecem riscos tanto ao consumidor, como aos trabalhadores envolvidos no processo produtivo.

De acordo com Baudrillard (1970), essas mudanças nada mais são que o grande mote da sociedade do consumo, que tem como estratégia integrar a produção com os valores da sociedade vigente. Se os valores mudarem, mudam também os hábitos de consumo. Para o autor, essa sociedade só se sustenta pela indução, sendo a propaganda a responsável por impor o consumo de supérfluos, e com isso a pemanência da sociedade do simulacro,

do irreal, do criado, da ilusão. As necessidades são vendidas como verdades únicas e o consumidor se sente “acuado” por não seguir as regras impostas.

100FONTENELLE, Isleide. O nome da marca. MacDonald’s, fetichismo e cultura descartável.

Ortiz (1994) afirma que o aumento do consumo dos produtos alimentícios101 industrializados está associado à “modernidade-mundo”. Há o predomínio do tempo rápido, sendo que a satisfação do alimento será dada pela praticidade, mais que pela particularidade proveniente do sabor. Assim,

[...] os alimentos deslocam de suas territorialidades para serem distribuidos em escala mundial. Não existe nenhuma “centralidade” nas cervejas, chocolates, biscoitos, refrigerantes. Trata-se de produtos consumidos mundialmente e distribuidos por grupos multinacionais [...]. No mundo funcional da modernidade-mundo, os alimentos perdem a fixidez dos territórios e dos costumes. Eles se adequam às circunstâncias que os envolvem. Neste contexto, a veracidade dos mapas alimentares se esvai, pois seus traços essenciais são informações ajustadas à polissemia dos contextos. Não há mais centralidade, a mobilidade das fronteiras dilui a oposição entre autóctone e o estrangeiro [...]. [...] rompe-se assim a relação entre lugar e alimento; a cozinha industrial não possui nenhum vínculo territorial (p. 80, 87).

Os desafios da humanidade até a Segunda Guerra Mundial era manter o equilíbrio entre a produção de alimentos e o aumento da população. Isso justificava, inclusive, a fome nos países que não dispunham de técnica e de instrumentos tecnológicos destinados à produção alimentícia humana. Após a modernização agrícola102, essas preocupações deixaram de ser foco de discussões entre os profissionais do meio acadêmico, político e da sociedade em geral, pois a ciência proporcionou o desenvolvimento de instrumentos que culminaram em aumento da produtividade, melhoramento genético de gêneros agrícolas, ampliação das relações de comércio exterior103 entre os países e uma grande modificação entre as relações homem-natureza.

Atualmente, o debate que predomina na escala mundial não é aquele que questiona a necessidade de aumentar a produção de alimentos, como descreveu Josué de Castro (2008104). Verifica-se após a década de 1970 que o foco recai sobre os novos padrões alimentares como pilares da sociedade

101Para Poulain (2006), caracteriza-se alimento como “produtos naturais culturalmente construídos e valorizados, transformados e consumidos respeitando um protocolo de uso fortemente socializado” (p. 19). Por sua vez, Baudrillard (1970), afirma que os produtos alimentícios industrializados são supérfluos criados pela “sociedade do consumo”.

102GRAZIANO NETO, Francisco. Questão Agrária e Ecologia: Crítica da Agricultura Moderna. São Paulo: Brasiliense, 1985. KAGEYAMA, Ângela (org.) O Novo Padrão Agrícola Brasileiro:

do complexo rural aos complexos agro-industriais. Campinas: S/N, 1987.

103LABORDE-DEBUCQUET, David et BOUET, Antoine. L’autosuffisance alimentaire n’est pas

un rempart contre la crise. In: Revue Problèmes Économiques. Paris: La documentation française. Mercredi 3 février, 2010 (bimensuel, no. 2988).

moderna. São ressaltados tanto as qualidades, como as problemáticas do consumo de produtos alimentares industrializados, como enfatizam MARTINELLI JÚNIOR (1999); POULAIN (2004); MOURIAUX (2006); FUMEY (2008, 2010).

As normatizações elaboradas e exigidas pelos organismos internacionais de saúde humana, tais como Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAOe pelas Agências de Saúde nacionais, no caso brasileiro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, nunca atuaram de maneira tão intensa no que concerne à fiscalização dos produtos que são consumidos pela população105.

De acordo com Martinelli Jr. (2009),

No âmbito legal e regulatório, a indústria alimentária está crescentemente submetida a dois âmbitos de controle. O primeiro advém dos próprios consumidores, que estão, em geral, mais organizados institucionalmente, e mais exigentes no que tange à qualidade lato sensu dos produtos e de seus ingredientes e processos produtivos. O segundo tipo de controle, estritamente vinculado ao anterior, advém das instituições e organismos públicos – nacionais e internacionais – que buscam maior rigor na fiscalização e regulamentação na produção, comercialização, e no consumo de alimentos com maior grau de processamento industrial. O crescimento de controle nesses dois âmbitos é decorrente tanto dos perigos à saúde pública, associados ao uso de ingredientes nocivos à saúde já conhecidos (e.g. contaminação de alimentos por algum tipo de bactéria), bem como pelo uso de novos ingredientes com pouco conhecimento científico sobre seus efeitos na saúde humana e ambiental (e.g. uso de ingredientes derivados de engenharia genética, transgenia etc) (p. 36).

Atualmente, sob pena de descomprimento de normas, as empresas que manipulam e processam gêneros alimentícios são obrigadas a fornecer aos consumidores informações referentes à origem, ao conteúdo e aos valores nutricionais dos alimentos106. Todavia, mesmo diante das normatizações e do

105Desde 2009, existe uma norma implementada pela ANVISA que proibe as empresas

alimentícias de consumo final a realizar propaganda direcionada às crianças, a fim de estimular o consumo de produtos alimentícios com “quantidade elevada de açucar, gorduras (saturada e trans); sódio e com baixo valor nutricional; usar desenhos, personalidades e personagens que sejam cativos ou admirados pelas crianças e agregar brindes, prêmios e bonificações condicionadas à compra do produto”. In: Jornal Folha de São Paulo. Caderno Cotidiano. Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009.

106De acordo com Martinelli Jr. (2009), as empresas estão sujeitas a cumprir as regras

estabelecidas nos marcos regulatórios dos órgãos e instituições reguladoras. No Brasil, são seguidos os padrões técnicos “convergentes com a tendência internacional”. “Num plano mais geral pode-se destacar as regras do Codex Alimentarius, que é um fórum internacional de

controle de qualidade implantado pelos órgãos de fiscalização, verificamos comumente o lado perverso da produção de alimentos industrializados107.

El Instituto de Salud Pública confirmó la presencia de pesticidas en los colados Ciruela Pasa y Durazno de Nestlé en dosis mayores que las detectadas previamente por el laboratorio Andes Control y muy altas según la Norma Europea. Esto luego de que el organismo tomara muestras de este alimento para bebés. Pese a lo anterior, la autoridad sanitaria llamó a la tranquilidad de los consumidores, porque “como no existe una norma chilena que regule el tema, se puede seguir consumiendo este producto”. Además se indicó que la norma europea era muy estricta y para todos los pesticidas en general, no para lo que se encontró en estos colados Nestlé. Según el ISP, la presencia de pesticidas supera la norma europea e incluso se detectó una dosis mayor a la descubierta por el Laboratorio Andes Control. La acción fue motivada tras una denuncia de la Liga Ciudadana de Consumidores, basada en un estudio encargado en el Laboratorio Andes Control. Dic ha investigación señala que los colados Ciruela Pasa, Tutifruti y Durazno de Nestlé, presentan altas dosis de fungicidas, tóxicos para el ser humano. Por su parte la empresa sostuvo que la norma europea indica que ante la falta de evidencia que avale valores específicos de riesgo para pesticidas, se establece un valor muy estricto y cercano al límite de detección que rige sólo como precaución (http://www.radiobiobio.cl/2011/01/04/isp- confirma-alta-presencia-de-pesticidas-en-colados-nestle/ - publicado em 4 de janeiro de 2011).

Diante das normatizações, perguntamos por que não alcançamos o título de sociedade saudável do ponto de vista alimentar? Não poderia deixar de expor, pautado em Poulain (2006) que atualmente vivenciamos “uma crise alimentar”, haja vista os assuntos que frequentemente são a nós apresentados

- intoxicação alimentar, aumento da obesidade, doenças gástricas, produtos normatização de alimentos estabelecido pela Organização das Nações Unidas através da FAO (Food and Agriculture Organization) e OMS (Organização Mundial da Saúde). O Codex

Alimentarius tem se tornado um importante balizador para garantir a saúde e a qualidade do comércio de produtos alimentícios. No que tange à implantação dos padrões ISSO (Internacional Organization for Standardization), recentemente o ISO 22000 desenvolveu os padrões de certificação de sistema de gestão da segurança na produção de alimentos em termos internacionais. No plano doméstico, o principal órgão regulador é a ANVISA que faz testes, certifica, regulamenta e esstabelece critérios de fabricação e de uso de moléculas, aditivos, ingredientes, e ingredientes DEC) que pode (via Justiça) proibir, ou exigir modificações na composição dos produtos e/ou de suas embalagens. Além disso, há ainda Programas de Autocontrole que as empresas são sistematicamente submetidas à verificação oficial no que diz respeito aos processos de implantação e de manutenção. Estes programas incluem o Programa de Procedimentos Padrão de Higiene Operacional – PPHO (SSOP), O Programa de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle – APPCC (HACCP), e, num contexto mais amplo, as Boas Práticas de Fabricação – BPFs (GMPs)” (p. 37).

107Tal contexto se faz presente na produção de matéria-prima e nas agroindústrias

processadoras de alimentos destinados à indústria alimentícia de consumo final, discutido por ROBIN, Marie-Monique. Le monde selon MONSANTO. De la dioxine aux OGM, une

multinationale que vous veut du bien. Paris: La Découverte, 2008. PINHEIRO, Sebastião. A

geneticamente modificados, padronização dos hábitos alimentares108, entre outros. De acordo com Poulain (2006),

A listeriose e mais globalmente as intoxicações alimentares são os fatos dos quais se fala comumente nos jornais. Descobre-se, na alimentação de nossas vacas, farinhas animais fabricadas a partir de produtos originários do esquartejamento de outros bovinos; o choque simbólico é imenso. Eis que se fazem animais herbívoros comerem produtos animais e, pior ainda, produtos provenientes de animais da mesma espécie (quando não de placenta humana). Alguns jornais ousam: “da vaca louca à vaca canibal”.

Os problemas relacionados à produção de alimentos industrializados estão inseridos num contexto de compressão espaço-tempo, que tem como prerrogativa o desenvolvimento de objetos técnicos que permitem a aceleração da circulação de pessoas, informações e mercadorias. Entre as mercadorias destacam-se os alimentos que de acordo com Poulain (2006),

[...] deslocam-se de um país para outro e fazem no curso de sua vida, que vai da semente para os vegetais ou do nascimento para os animais, até os pratos cozidos, viagens consideráveis. Para os que dispõem de recursos financeiros, os feijões-verdes do Senegal e as cerejas do Chile, por exemplo, são apresentados nas prateleiras européias em pleno inverno, no mês de dezembro. O suco de laranja produzido na Califórnia chega na Europa como um produto fresco acondicionado em caixinhas. O alimento moderno está deslocado, ou seja, desconectado de seu enraizamento geográfico e das dificuldades climáticas que lhe eram tradicionalmente associadas (p. 29).

Estamos diante de uma problemática que no nosso entendimento está inserida num movimento estrutural que incide novos valores, conteúdos e comportamentos à sociedade. Esse movimento, pautado na ciência e na técnica109, amplia a produção de objetos, necessidades e desejos a serem consumidos. A estandardização da produção de alimentos industrializados e o aumento de linha de produtos que para nós são classificados como

108Estamos aqui nos referindo às redes de Fast-foods, mas consideramos que os hábitos

alimentares não se padronizam de maneira homogênea, pois também faz parte da cultura popular. Poulain (2006), afirma que mesmo as grandes redes de comidas prontas, realizam adaptações de acordo com o país onde estão instaladas, por exemplo, “[...] a Nestlé, a líder

mundial do café liofilizado, fabrica várias centenas de misturas para atender aos gostos de diferentes mercados nos quais está implantada. Pois o café para um italiano não tem nada a ver com o que um dinamarquês consome sob o mesmo nome” (p. 32).

109SANTOS, Milton. A natureza do espaço. Técnica, tempo, razão e emoção. São Paulo:

subalimentares, inserem-se nesse contexto. Assim, o que é saudável e o que está na moda dependerão da ideologia dos agentes que ditam as normas do sistema mundializado de produção alimentar.

A expansão das indústrias de alimentos de consumo final é resultado/resultante da aceleração contemporânea. No Brasil, presenciamos em fins do século XX e na primeira década do século XXI, aumento considerável do número de estabelecimentos, de empregos ocupados e do faturamento das empresas alimentícias de consumo final, como podemos verificar em pronunciamento publicado pela Associação das Indústrias de Alimentação110 (ABIA), 2009.

O setor fechou 2009 com faturamento em torno de R$ 290 bilhões. Para se ter ideia do significado de sua contribuição para a produção industrial e a balança comercial do país, as exportações totais brasileiras foram US$ 152,99 bilhões e as importações US$ 127,64 bilhões, com saldo positivo de US$ 25,35 bilhões. As vendas externas de alimentos industrializados totalizaram US$ 30,86 bilhões e as importações US$ 3,16 bilhões, gerando superávit de US$ 27,70 bilhões, ou seja, US$ 2,35 bilhões acima do saldo da balança comercial brasileira. (Entrevista ao Presidente da ABIA, Edmundo Klotz, in: Anuário da ABIA, 2009/2010, p. 3).

De acordo com o Presidente da ABIA, em entrevista publicada no Anuário da instituição (2010), o crescimento da indústria alimentícia no Brasil se mantém em 2010, e apresenta tendências de crescimento para os próximos anos.

O ano de 2010 começou de uma forma muito positiva para a indústria brasileira de alimentos. O bom desempenho da economia no Brasil, proporcionado pelo controle da inflação, aumento da renda da população e estabilidade da moeda, construiu um tripé que contribuiu diretamente para a consolidação do crescimento do País e o fortalecimento do mercado interno. A indústria da alimentação vem seguindo esse ritmo. Mesmo com a crise em 2009, o setor cresceu 1,6% em vendas reais. Em 2010, a perspectiva é de alta de 4% a 5% na produção física, e de 4,5% a 5,5% nas vendas reais. Saldo bastante animador para um ano de plena recuperação econômica. Uma das razões para o bom desempenho da indústria alimentícia

110Vale ressaltar que a ABIA, considera como empresas de alimentação aquelas que envolvem

brasileira está no aumento do consumo no mercado interno. A renda da população melhorou e muitas famílias estão em ascensão socialmente, em razão disso, o brasileiro está gastando mais e melhor. Este fato impulsiona a produção, não somente de itens básicos, como a de produtos de maior valor agregado. Em 2009, as vendas para o mercado interno representaram 78,9% do faturamento total da indústria de alimentos processados. O dado revela que a indústria tem cumprido seu papel de investir em recursos que contribuem para melhorar cada vez mais a oferta de produtos de qualidade aos consumidores. O resultado disso é revertido em satisfação e valorização da produção nacional (p. 6, grifo nosso)

Ainda, de acordo com a ABIA (2010), o faturamento setorial das empresas do ramo alimentício, mesmo em período de crise (2008 e 2009), apresentou índices positivos, como pode ser constatado nos dados da Tabela 16 (p. 164).

Entre as empresas do setor alimentício que participaram de maneira mais intensa no total do faturamento dos anos citados, destacam-se aquelas do ramo de derivados de carne (23,68%); café, chá e cereais (13,3%); açúcares (12,3%); laticínios (11,8%); óleos e gorduras (11,8%); derivados de trigo (7,7%); derivados de frutas e vegetais (6%); diversos - sorvetes, snacks, temperos (6,2%); chocolate, cacau e balas (4%); desidratados e supercongelados (2,3%) e conservas de pescados (0,9%).

TABELA 16: FATURAMENTO SETORIAL EM 2009 E 2008 (R$ BILHÕES)