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Oppsett og gjennomføring av registreringer

Kapitel 3.0 - Datainnsamling

3.4 Oppsett og gjennomføring av registreringer

A questão seis, “A realidade na sala de aula possibilita a construção destas competências consideradas cruciais? Por quê?”, buscou apontar se os objetivos previstos para a disciplina de Arte, expressos por meios das competências que buscam ser construídas nos alunos, conseguem ser alcançadas considerando o cotidiano e a realidade na sala de aula. Tal questão permite demonstrar as dificuldades que cerceiam o cotidiano escolar nas atividades práticas dos professores a fim de permitir uma análise que vá além das prescrições teóricas, mas que observe também os aspectos práticos cotidianos.

Quando se questiona a “realidade na sala de aula” se busca destacar o aspecto prático e cotidiano do trabalho docente, que está muitas vezes distante dos documentos oficiais de orientação pedagógica dos professores. Foi algo muito comum, durante o período da realização da pesquisa, observar a maneira como estes docentes compreendem a Universidade e a produção acadêmica da mesma. Os professores analisados assumem uma perspectiva em que a Universidade está muito distante de suas práticas diárias, de sua “realidade”. De uma forma mais simples, existe uma distância entre a teoria e a prática na concepção dos professores observados com relação à produção acadêmica e o dia-a-dia das práticas

educativas dos docentes. A teoria é relacionada à produção acadêmica. A prática é compreendida como algo diferente, antagônico à teoria.

No caso desta questão, a maioria dos professores interpretou o sentido da palavra “realidade” como condições materiais e necessárias para a realização de suas práticas. Desse modo, a maior parte dos professores afirmou não ter os materiais básicos para a realização de suas práticas escolares cotidianas. Assim, parece que os professores entendem que a principal falha no processo de construção de competências, e no não cumprimento da construção de competências cruciais, está na escassez de recursos e não nas contradições presentes na teoria pedagógica disseminada pelos órgãos públicos, responsáveis pela construção das diretrizes e orientações para o ensino da disciplina.

A resposta dada pela P1 sobre a questão seis foi a seguinte: “Não. Muitas escolas não

têm materiais adequados, salas adaptadas e alunos sem nenhum conhecimento prévio para a continuação da disciplina”.

A P2 respondeu a questão no mesmo sentido, da seguinte forma: “Não. As salas de aula

da rede pública e municipais oferecem recursos audiovisuais carentes de manutenção. As salas de informática que seriam ótimos recursos estão sucateadas”.

Já a resposta da P3 para essa mesma questão foi uma exceção, soando diferente das anteriores: “Sim. Quando a professora tem uma postura dinâmica, utiliza com propriedade os recursos disponíveis e tem o apoio da direção”.

A P4 seguiu pelo mesmo caminho das duas primeiras: “Infelizmente não. O espaço físico não é adequado, falta materiais e recursos. Do mais, o desinteresse do aluno é um grande agravante para os conteúdos serem explorados de maneira mais ampla”. Assim,

podemos constatar que as competências não conseguem ser construídas de maneira consistente segundo a P4.

Para a P5 a resposta também foi negativa: “Não. O ideal seria os professores de Arte terem uma sala ambiente preparada para o desenvolvimento das práticas artísticas. Nossa realidade não nos possibilita desenvolver toda a prática”. Assim, a carência de um ambiente

específico para o ensino de Arte não possibilita construir de forma significativa as competências indicadas no PCNEM (2000) e a competência considerada crucial por parte da professora.

E, finalmente, a P6 também questionou os problemas encontrados: “Muitas vezes, não,

nossa realidade cultural é outra, os alunos muitas vezes acham que arte é só pintar e desenhar e muitos nunca tiveram contato com teatro, dança ou mesmo artes visuais”. Assim,

considera crucial, entre aquelas apontadas pelo PCNEM (2000). Dessa forma, as aspirações dos documentos oficiais não são ensinadas de forma consistente.

Com a análise das respostas dos professores em relação à questão seis, cinco professores manifestaram explicitamente sua insatisfação com a carência de materiais necessários à produção artística para o desenvolvimento das competências consideradas cruciais. Porém, neste ponto surge uma questão: será que o ensino da disciplina Arte necessita necessariamente da existência de materiais exigidos pelos professores para atingir seus objetivos?

Tal aspecto parece demonstrar que a visão dos professores sobre o ensino da disciplina Arte está mais próxima da execução técnica e prática defendida e delineada pelo documento PCN+ (BRASIL, 2002, p.187). Será que o Ensino de Arte não poderia ser utilizado inclusive como expressão crítica dos problemas da escola pública? A teoria estética de Adorno desenvolveu uma perspectiva teórica que possibilita interpretar a arte e seu ensino na escola pública como mecanismo fundamental de construção de uma consciência crítica.

A partir da análise das respostas foi possível concluir que a P3 foi a única que afirmou categoricamente que as competências são ensinadas, embora tenha afirmado que isso depende do comprometimento e da qualidade do trabalho docente. Neste sentido, a P3 indicou uma possibilidade bastante plausível sobre a não construção das competências exigidas, isto é, pode de fato ser uma falha exclusiva da execução da prática docente.

A P6 respondeu que na maior parte dos casos, devido à falta de conhecimento dos próprios alunos sobre o que é a disciplina Arte, as competências não são consolidadas. Nesse sentido, a P6 indicou uma possibilidade menos plausível, mas que pode ser levantada de forma corriqueira sobre a não construção das competências exigidas: a não construção ou consolidação das competências pode ser por algum tipo de limitação, não digo no sentido intelectual, mas, por exemplo, falta de interesse mínimo dos alunos sobre a disciplina arte.

É obvio que a qualidade e o comprometimento do trabalho docente, tal como mencionou a P3, é de fundamental importância para a construção das competências indicadas pelos documentos, porém, existe o reconhecimento de que, embora a ineficiência da construção das competências exigidas seja uma deficiência de caráter individual dos professores, não se pode eximir ou excluir toda a proposição teórica que envolve tais práticas como isentas de consequências negativas. É claro que a falta de interesse dos jovens sobre os aspectos formativos também pode ser levantado como forma de explicar a não concretização destas competências.

Porém, o objetivo deste trabalho não é apontar qual o agente responsável pela não construção das competências. Muito mais que isto é criar um ponto reflexivo sobre as relações entre teoria e prática estabelecendo a tensão necessária entre elas para que se consolide uma leitura crítica sobre o ensino da Arte.

Todos os demais professores responderam que não conseguem de fato construir as competências que consideram cruciais. A questão que emergiu nesse trabalho de pesquisa relaciona-se às contradições que envolvem a teoria e a prática da atividade docente, e que acaba inviabilizando a construção de uma consciência emancipada, na forma como fora concebida na teoria estética de Adorno.