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3   R ESULTATER

3.6 Spørsmål om eierskap – et «spleiselag»?

3.7.5 Opplevd effekt

A luta das mulheres pelo seu espaço e seus direitos e os Estudos em CTG tem conseguido inúmeras vitórias. Falta muito para que uma situação ideal seja alcançada, mas não há como negar que os estudos nesta área têm levado a diversos avanços.

Para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura, a UNESCO, há um consenso de que pesquisas são importantes para a melhora da qualidade de vida, das questões sócio-econômicas e ambientais de qualquer país, seja no melhoramento de aspectos nutricionais, gestão de água potável, avanços na saúde, na busca por fontes de energia renovável. De acordo com Etzkowitz (2007) a ciência deixou de ser um elemento acessório da revolução industrial tornando-se essencial para a coesão econômica de países e sociedades que se baseiam no conhecimento. Em outras palavras, a ciência pode ajudar no desenvolvimento social mundial. Mas para este autor, há um grande problema na dificuldade de se aproveitar os recursos humanos disponíveis para a realização das pesquisas e seus trabalhos são no sentido de expor desigualdades de gênero buscando estratégias para resolver este problema.

De acordo com relatório divulgado em 2007 pela UNESCO, práticas de discriminação de gênero realmente limitam a capacidade de redução da pobreza, de crescimento e desenvolvimento de muitos países. As mulheres de diversas regiões do mundo são muitas vezes exímias detentoras de conhecimentos locais e tradicionais. Muito talento tem sido desperdiçado com o distanciamento de meninas e mulheres da ciência e tecnologia. A presença das mulheres em altas posições na ciência e sua maior participação no cotidiano acadêmico pode gerar mudanças na cultura organizacional e populacional (AL-GAZALI et al., 2013).

A equidade de gêneros e valorização da mulher está entre um dos oito objetivos para o milênio da ONU. A entidade tem buscado realizar uma série de ações que buscam minimizar as desigualdades favorecendo o acesso igualitário a todos os níveis da educação, finalmente chegando num aumento da participação feminina em atividades de ciência e tecnologia.

Editais de prêmios, como o L’Oreal/UNESCO “Mulheres na Ciência” que laureiam cientistas com trabalhos considerados de ponta (LOREAL, 2015), programas como o WISE - Women in Science and Engineering - do Reino Unido (WISE, 2015) que busca incentivar mulheres e meninas a seguirem o caminho das tecnologias, ciências, matemática e engenharias além de financiamentos, cursos, e apoio são oferecidos como forma de aumentar o número de mulheres a trilhar estas carreiras11.

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Ações nas instituições de pesquisa também ocorrem. Centros de equidade de gênero estão presentes em algumas universidades de renome ao redor do mundo, como o Instituto Clayman de Pesquisas de Gênero de Stanford que estimula a discussão sobre o assunto e possui projetos de arte sobre a temática de gêneros entre outras ações. O Centro de Equidade de Gênero do Instituto de Tecnologia de Tóquio busca um ambiente de respeito entre homens e mulheres, incentivando uma mudança na consciência sobre igualdade de gêneros. Procura assim garantir a igualdade de oportunidades, ambiente agradável, além da preocupação com os filhos, pois existem políticas que buscam facilitar a puericultura, inclusive com a redução de jornada para cuidado das crianças até que elas atinjam certa idade (STAGES, 2014).

Na Alemanha, foi criado em 2010, o Academia Net12, uma ferramenta online que permite o cadastro de pesquisadoras e de suas realizações funcionando como uma vitrine para futuros convites para comissões, comitês, editoriais e para todo o tipo de publicidade e notícia necessária. Valoriza, assim, grande parcela da comunidade científica que permanecia nas sombras. A proposta desta ferramenta é tornar acessível ao mundo pesquisadoras competentes nas mais diversas áreas do conhecimento científico. O início das atividades do portal foi apenas com currículos de cientistas alemãs, mas desde 2012, aos poucos, ele está se internacionalizando (ACADEMIANET, 2014).

A Universidade de Duisburg-Essen (na Alemanha) é notável por suas atividades e ações pró-equidade de gênero. Preocupada coma participação efetiva das mulheres, a instituição possui um intercâmbio de conhecimentos em questões de gênero, site online de informações de gênero para sua comunidade, um vice-reitor para a gestão da diversidade (MÜHLENBRUCH & JOCHIMSEN, 2013).

Estudos mostram que o uso de TICs tem sido extremamente útil para as mulheres na formação de redes de interação e contatos que só eram possíveis de manter em viagens e programas das quais muitas vezes elas não poderiam participar. Dados recolhidos em pesquisas na Índia e Uganda mostram que as pesquisadoras têm transcendido as distâncias com o uso destas ferramentas. (ETZKOWITZ, GUPTA e KEMELGOR, 2010; MAMANDA, KABONESA e BANTEBYA-KYOMUHENDO, 2007).

O Gender Summits13 é uma cúpula formada por inúmeros participantes de mais de 50 países que buscam incorporar gênero como uma dimensão importante e sem a qual não é possível fazer uma investigação científica e de inovação de qualidade. Conferências são realizadas ao redor do mundo com o tema: “Pesquisa de qualidade e inovação através da igualdade”. Sob uma direção multinacional, formada por representantes de diversos países tanto da Europa como EUA, o Gender Summits produz em suas conferências documentos, recomendações de ações que buscam a igualdade de gênero na investigação científica desde 2011.

Um fórum de discussão e diálogo entre líderes da ciência européia, especialistas em gênero, tomadores de decisões estratégicas em ciência tem sido um espaço com principal objetivo de implementação de planos eficazes de igualdade de gênero em geral (GENDER SUMMIT, 2015). Ao final da primeira fase deste programa, em 2012, o grupo gerador do mesmo continuou os trabalhos como parte do projeto Gender Summits, descrito há pouco14. Seu início se deu com a formação da Comissão Européia, o 7PQ, em 2007. O 7PQ foi o Sétimo Programa Quadro na comunidade européia que desenvolveu atividades em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação na Europa. Com um orçamento vultoso de bilhões de euros, o 7PQ mostra a prioridade dada pela Europa ao sistema de pesquisa, reconhecendo sua importância na competitividade econômica global. Esta Comissão teve um projeto relacionado a gênero financiado e produziu o PRAGES15 – Guideline for Gender Equality Programs in Science – um material que recolheu informações de anos de programas de equidade de gênero na ciência e através de avaliações destes dados traça um guia de informações de conhecimentos disponíveis para a promoção da equidade de gêneros. São informações importantes sobre mudanças na cultura institucional, que resulta em inclusão feminina e melhorias no ambiente de trabalho (PRAGES, 2009).

Recentemente, em setembro de 2014, houve a Oitava Conferência Européia de Igualdade de Gênero na Educação Superior em Viena, Áustria16. Estas conferências vêm ocorrendo regularmente desde 1998, e são um importante espaço de discussão e troca de informações além do compartilhamento de resultados de pesquisas sobre os desafios a serem

13< https://gender-summit.com/> 14 < http://www.genderinscience.org/> 15< http://www.retepariopportunita.it/rete_pari_opportunita/userfiles/progetti/prages/pragesguidelines.pdf> 16 http://gender2014.conf.tuwien.ac.at/

enfrentados sobre gênero e academia, promoção da equidade de gênero e necessidades de intervenções em instituições de ensino superior e de pesquisa.

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