4.5 Statisk likevekt
4.5.1 Opplagret bjelke med last
Das nove concepções do empreendedorismo, apenas a do empre- endedorismo como Empreendedor Individual adota o indivíduo como nível de análise (ver Quadro 5). Os estudos dessa concepção são realiza- dos, de um lado, por economistas, e de outro, por psicólogos e socioló- gicos. Os estudos realizados pelos economistas tomam o empreendedor e seus traços como dispositivos metodológicos para simplificar e desen- volver teorias (ROCHA; BIRKINSHAW, 2007). As características dos empreendedores não são empiricamente testadas. Para superar essa la- cuna, psicólogos e sociólogos têm procurado identificar traços da perso- nalidade que diferenciam empreendedores de não empreendedores. Tra- ços são características fixas que não são passíveis de serem desenvolvi- das na fase adulta. Apesar dos esforços desses pesquisadores, os estudos dos traços do empreendedor têm se mostrado inconclusivos (GARTNER, 1988).
Uma alternativa recente para o estudo do empreendedor é a pers- pectiva da aprendizagem empreendedora. Essa perspectiva surgiu atra- vés de estudos realizados dentro da concepção do empreendedorismo como Pequeno e Médio Empreendimento. Pesquisadores dessa concep- ção verificaram que o empreendedor aprende continuamente, no proces- so empreendedor (COPE, 2005). A partir disso, eles passaram a conside- rar a aprendizagem como uma parte integral do processo empreendedor (RAE, 2005); e o empreendedor, um tornar-se empreendedor (RAE, 2000).
Dois tipos de estudos da aprendizagem empreendedora são co- muns. O primeiro é realizado através de entrevistas focadas na história de vida (life story) dos empreendedores (RAE, 2000). Como resultado, esse tipo de estudo tem elaborado modelos conceituais da aprendizagem empreendedora e dividido a carreira do empreendedor em diferentes fases (RAE, 2000, 2005; RAE; CARSWELL, 2000; 2001). Cope (2005), por exemplo, divide a aprendizagem em dois momentos: antes e
durante o empreendimento (COPE, 2005). A aprendizagem anterior diz respeito às experiências de vida e profissional que ocorreram antes do empreendimento iniciar (RAE, 2000) e indica o grau de “prontidão em- preendedora”, isto é, o quão preparado está o empreendedor para iniciar o empreendimento. Por outro lado, a aprendizagem durante o empreen- dimento é aquele que acontece a partir do início do processo. O conteú- do da aprendizagem depende do contexto e do grau de prontidão empre- endedora (COPE, 2005).
O segundo tipo de estudo está relacionado à compreensão da a- prendizagem. Esses estudos focam em eventos críticos que ocorrem na história do empreendimento e do empreendedor. Os seus resultados têm ajudado para uma melhor compreensão de como os empreendedores aprendem a partir de eventos críticos (COPE; WATTS, 2000).
Portanto, a perspectiva da aprendizagem empreendedora avança tanto os estudos econômicos quanto os dos traços do empreendedor. Quando comparada aos estudos econômicos, verifica-se que ela é basea- da em pesquisas empíricas, e não em formulações teóricas, e foca no comportamento do empreendedor, e não nos resultados de suas ações. Em relação aos estudos dos traços, ela avança ao considerar que o em- preendedor é um tornar-se empreendedor, e não uma entidade estática.
Contudo, ela também está sujeita a críticas. Primeiro, ela foca, exclusivamente, em um tipo de evento, aquele relacionado à aprendiza- gem do empreendedor, e desconsidera outras ações e atividades realiza- das pelo empreendedor ao longo do processo. Segundo, a maior parte dos estudos não considera a série de aprendizagens (história) do empre- endedor, mas somente uma única aprendizagem, geralmente a mais marcante na perspectiva do empreendedor, relacionada a um evento crí- tico. Terceiro, os estudos analisam a aprendizagem de um único empre- endedor, em cada empreendimento investigado.
A alternativa é analisar o empreendedor sob o ponto de vista evo- lucionário. A evolução, na perspectiva da complexidade, é um processo indeterminado e dependente do caminho. Ela pode ser vista como uma sequência de atividades, ações e eventos que se revelam ao longo do tempo (PETTIGREW et al., 2001). É sob esse ponto de vista que os três empreendedores da PROSPERO – João, Maria e Milton – são analisa- dos. Para isso, os processos de evolução de cada um dos três empreen- dedores foram identificados a partir de um exame da descrição da mi- crocultura da PROSPERO, e são representados pelas Figuras 2, 3 e 4.
Algumas observações são realizadas a partir de uma análise das três figuras acima. Primeiro, a evolução de cada um dos três empreen- dedores representa uma história única de ações, atividades e eventos, da primeira à última fase do empreendimento. Ou seja, os três empreende- dores apresentam trajetórias evolucionárias distintas. Uma das diferen- ças encontradas foi no dinamismo das trajetórias, isto é, na sua quanti- dade de ações, atividades e eventos. A trajetória de João, nas primeiras cinco fases do empreendimento, foi mais dinâmica do que as dos outros dois empreendedores. Isso não ocorreu na sexta fase, onde as três traje- tórias apresentaram um grau similar de dinamismo. O conteúdo das tra- jetórias também foi distinto. Um exemplo são as dificuldades enfrenta- das pelos empreendedores. As maiores dificuldades de João estiveram relacionadas às suas crises de estresse; as de Maria, às ausências de João e ao processo de tornar-se coordenadora; e as de Milton, às altas expec- tativas de João e ao processo de identificar o seu papel no empreendi- mento. Embora distintas, as três trajetórias mostraram-se, em muitos aspectos, complementares. Por exemplo, João, na maior parte do tempo, esteve focado em atividades externas, voltadas para o mercado, à medi- da que Maria e Milton estiveram focados, predominantemente, em ativi- dades internas.
Duas conclusões podem ser obtidas, a partir do que foi exposto acima. Primeiro, não existe um único tipo de empreendedor. As trajetó- rias distintas são, em parte, reflexo das características únicas de cada empreendedor. Segundo, o empreendedor não é uma entidade fixa, ca- racterizado pelos seus traços, mas um tornar-se empreendedor, em con- formidade com a perspectiva da aprendizagem empreendedora (RAE, 2000; COPE, 2005). A noção de que os empreendedores possuem carac- terísticas particulares e evoluem ajusta-se à ideia da abordagem da com- plexidade de que a realidade é composta de sistemas heterogêneos em evolução (STACEY et al., 2000).
Uma segunda observação que se faz é que, embora as Figuras 2, 3 e 4 apresentem a evolução dos três empreendedores no processo empre- endedor, a evolução deles no empreendimento foi iniciada antes do seu início. João tivera uma experiência anterior como empreendedor, quan- do aprendeu sobre a necessidade de ter um bom produto. Milton, por sua vez, fora sócio de outra empresa, onde aprendeu sobre os aspectos legais da criação de uma nova empresa e a gerir o relacionamento com clien- tes. Além das experiências como empreendedores, João e Milton tive- ram outras experiências profissionais e pessoais que foram importantes para a evolução deles no empreendimento. Maria não tivera experiência anterior como empreendedora, embora tivesse outras com a informática,
as quais foram importantes para a sua evolução no empreendimento. Outra observação, a terceira, refere-se à tendência dos empreen- dedores para aumentarem o seu repertório de comportamentos à medida que evoluem. No empreendimento investigado, os empreendedores ad- quiram novos conhecimentos e habilidades, que foram somados aos co- nhecimentos e habilidades existentes, aumentando o seu repertório de comportamentos. João, por exemplo, aprendeu sobre a suinocultura e desenvolveu a capacidade de negociar. Isso elevou suas possibilidades de ação, o que está relacionado à noção da abordagem da complexidade de que os sistemas tendem a se tornar sistemas complexos. O compor- tamento desses sistemas é mais difícil de ser descrito, em comparação ao de outros sistemas (MAINZER, 2004; NICOLIS; PRIGOGINE, 1989). Contudo, os conhecimentos e habilidades do empreendedor podem ou não ser colocados em prática, dependendo de suas motivações e atribui- ções momentâneas. Nos momentos em que esteve em crise, por exem- plo, João usou pouco do seu repertório de comportamentos. Isso indica que, embora o repertório de comportamentos tenda a aumentar, o com- portamento efetivo pode variar entre estados de maior e menor comple- xidade, ao longo da evolução.
A quarta e última observação diz respeito à transformação do empreendedor. A noção de transformação é tomada da perspectiva da aprendizagem empreendedora, que faz uma distinção entre aprendiza- gem incremental e transformacional (COPE, 2003). A primeira ocorre a partir de eventos relacionados a atividades rotineiras e habituais. O de- senvolvimento, por parte de João, da capacidade de negociar é um e- xemplo de aprendizagem incremental. A segunda ocorre em função de eventos descontínuos, críticos. Ela mostra que os comportamentos habi- tuais do empreendedor não funcionam mais (COPE, 2003). Quando en- gajado nesse tipo de transformação, o empreendedor questiona as supo- sições pessoais dadas como certas (COPE, 2005). Esse tipo de aprendi- zagem ocorreu com João, em função de suas crises de estresse. Elas o fizeram refletir sobre sua forma de ser, que tinha sido eficiente até aque- le momento. Esse episódio com João indica que a aprendizagem trans- formacional tem relação com o uso do repertório de conhecimentos. Em momentos de transformação, como os que João vivenciou, o indivíduo pode fazer um menor uso do seu repertório de conhecimentos, fato que ocorreu com João. Conclui-se, assim, que a aprendizagem transformaci- onal pode diminuir, momentaneamente, o uso do repertório de compor- tamentos do indivíduo.