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Quase sua contemporânea, a Marquesa de Alorna, (1750 -10-31 – 1839 – 10-11) embora esta lhe sobreviva quase 34 anos, de seu nome D. Leonor de Almeida, é considerada a iniciadora do Romantismo literário em Portugal, sendo os seus salões de S. Domingos de Benfica frequentados durante toda a época das lutas civis e ainda da vitória liberal por literatos de gerações diferentes, coexistindo os últimos árcades com os primeiros românticos, como é o caso de Herculano que declara dever-lhe o gosto pelo romantismo alemão.

(Idem, Idem: 642)

Com uma vida atribulada, desde o encerramento com a irmã no Convento de Chelas, aos oito anos enquanto o pai cumpria pena de prisão no forte da Junqueira à ordem de Pombal, onde se inicia no “convívio literário” com homens iluminados, amigos e pretendentes, até um casamento com um nobre germânico, o conde de Oeynhausen, que a leva a largas estadias em Viena e depois em Londres “reforçam o seu progressismo, aliás relativamente moderado, e o gosto pela poesia sentimentalista ou descritiva. Quando herda o título porque é conhecida, por falecimento do irmão primogénito que se batera ao lado de Napoleão, vão surgir os seus célebres salões de S. Domingos de Benfica, que foram frequentados durante toda a época das lutas civis e já depois da vitória liberal por literatos de gerações diferentes, desde os últimos árcades até aos primeiros românticos.

 

 

A sua extensa obra, bem como uma cultura muito peculiar, é um misto de diversas tendências, que vão desde o arcadismo, quantitativamente predominante com o seu pseudónimo Alcipe, mas talvez o mais significativo, até pela sua acção directa e pessoal, numa perspectiva histórico-literária, das versões pré- românticas, com a tentativa de poesia cientista e “composições funebremente sentimentais ou insinuantemente melancólicas. A publicação por Hernâni Cidade de uma sua autobiografia e de cartas inéditas, escritas numa prosa verdadeiramente familiar, deu mais revelo ainda aos aspectos mais elevados e comunicativos do seu espírito.” (Idem, Idem: 642)

 

 

Capítulo VI

O ROMANTISMO

1 As Transformações Profundas que Mudaram o Mundo

E neste percurso, feito através de breves incursões na nossa poesia lírica e ao longo da nossa história, qual fio condutor, da tentativa de ligar a segunda metade do século XI e o início do XXI, chegamos ao século XIX, século decisivo, não só pelos protagonistas, mas, talvez sobretudo por novecentos ser um período de profundas transformações de toda a sociedade, quer em toda a Europeia, quer em Portugal, o que tem as suas repercussões necessariamente na literatura, e mais especificamente na poesia. É também neste século que terá surgido o fado, que nos interessa para o nosso estudo, nomeadamente o Fado de Coimbra, que posteriormente toma também a designação de Canção de Coimbra – mas esse assunto será tratado num próximo capítulo.

Falar do século XIX, e de finais do anterior, é falar de Romantismo, mas também da Revolução Francesa, das guerras napoleónicas, da Restauração bourbónica francesa de 1815, das revolução de 1830 e de 1848 e das suas repercussões, da Comuna de Paris, da Revolução Industrial, das Revoluções de 1820 e de Setembro de 1836 em Portugal, do aparecimento de uma nova classe social, o operariado, em grandes proporções na Inglaterra e dos pensadores pré- socialistas, ou socialistas utópicos (Proudhom) e do grande surto doutrinal com Karl Marx (O Capital, 1867) e com Friedrich Engels, ainda hoje com uma grande influência no pensamento filosófico e político, mas então praticamente ignorados pela então cultura burguesa dominante.

Á primeira e imediata leitura, por vezes associa-se Romantismo a um regresso ao passado medievo e da consciência da nacionalidade, a valorização do particular, do local, do individual, na esteira de uma liberdade de invenção, proscrevendo os cânones clássicos, que pressupõe a introdução de um princípio revolucionário na arte, tão bem resumido por Victor Hugo: «Romantismo é a liberdade na arte» (Idem, Idem: 661)

 

 

Mas não podemos esquecer que o progresso económico, político e social da burguesia está nas origens remotas do Romantismo, assim como no seu termino contribuíram decisivamente as consequências da grande revolução industrial que a partir de meados de novecentos e em menos de meio século transforma completamente a vida na Europa.

O aperfeiçoamento tipográfico, resultante de um conjunto de invenções no século XVIII - estereotipia (1739), embranquecimento pelo cloro (1774), impressão da folha inteira de uma só vez (1781) e do seu aceleramento a partir de 1798, ano em que se inaugura a imprensa Stanhope, que multiplica a rapidez das tiragens. Assim, em 1812, o «Times» já é impresso numa imprensa cilíndrica com motor a vapor (máquina koeing), enquanto, tanto em Inglaterra como no continente, nos séculos XVIII e XIX surgem e difundem-se as bibliotecas ambulantes e os gabinetes de leitura.

Ainda reportando-nos à Europa, o rápido desenvolvimento do jornalismo a partir do século XVII é impulsionado por esta massa de leitores que surgem sobretudo nos dois séculos seguintes, estando cada tempo histórico intimamente relacionado com as particularidades de cada país. Em Portugal só em meados e na segunda metade de novecentos se dá este invulgar incremento, mas em Leipzig o primeiro jornal diário surge em 1660 e em Londres, que em 1815 tinha um milhão de habitantes, existiam oito diários da manhã e oito da tarde, para além de vários semanários. A multiplicação dos gabinetes de leitura e dos livros de aluguer, principalmente em Inglaterra tem a ver com o preço relativamente elevado de livros e jornais, mas estes, a partir de 1836 tornam-se mais baratos.

“(…) Este público, possibilitado pela invenção da imprensa e pelo crescimento das camadas médias, está, aliás, a formar-se um pouco por toda a parte. O público popular, não alfabetizado, também beneficia da imprensa, visto que certas obras, como é o caso do D. Quixote de Cervantes, se liam oralmente em círculos de ouvintes. A um público burguês e também popular se destinam por exemplo, na Península Ibérica, os folhetos de cordel; e por ele se popularizam géneros literários à margem da tradição clássica, como o romance picaresco espanhol. É principalmente na Inglaterra que um grande público ganha consistência e assiduidade de interesses. É lá, com efeito, que se consolida a

 

 

nova literatura de forma e intenção burguesas, o que se conjuga perfeitamente com o avanço da sociedade mercantil neste país, com o precoce aburguesamento da parte da sua aristocracia e com a revolução industrial iniciada no século XVIII. O desenvolvimento do romance, o género mais adequado ao novo público, porque alcança uma população vasta e dispersa, constitui um dos principais sintomas desta transformação .(….)” (Idem, Idem: 655 e 656)

“(…) As grandes camadas burguesas crentes na capacidade de criar riqueza e de providenciar o destino individual encontram-se então numa fase de combatividade ideológica, animadas de uma confiança na natureza e no futuro da Humanidade que se manifesta na teoria da harmonia universal, justificativa da livre concorrência individual no jogo económico.”

(…)

“É uma grande massa que pede ao escritor, acima de tudo, ideias e sentimentos orientadores e que animem certos novos valores. O escritor encontra assim, em certas fases e países, na 1ª metade do século XIX, oportunidades sem precedentes para se fazer ouvir, para espalhar sementeiras doutrinárias ou para provocar correntes emocionais de simpatia até então só acessíveis aos pregadores religiosos.

Por outro lado, o público do Romantismo não tem uma grande preparação especificamente literária. Ignora as convenções e os padrões da literatura clássica (mitologia, história antiga, tópicos e figuras da tradição retórica, regras de géneros, etc.). Não compreende os valores literários clássicos. Aprecia mais a emoção que a finura; gosta da expressão concreta imediatamente acessível, das imagens e símbolos que dão corpo bem sensível ao pensamento. Está enraizado em vivências locais e regionais: a terra, a rua, a paisagem local, o lar burguês, os objectos familiares, que já se revelam na pintura holandesa do século XVII. Tem uma noção mais sensorial que os literatos de salão do mundo ambiente, o que o leva a apreciar o realismo descritivo. A sua própria impreparação estética torna- o sugestionável pela peripécia romanesca, pela simples intensidade e diversidade das impressões. (…)” (Idem, Idem: 657)

 

 

Pelo que daqui advêm algumas das características atribuídas ao Romantismo, a saber: o estilo declamatório; o gosto das hipérboles e das exclamações que possibilitam forma tribunícia ao pensamento; o gosto das imagens que o popularizam e concretizam; o uso dum vocabulário onde encontramos a introdução de dados captados no ambiente porque sendo rico em alusões concretas e menos selecto é, por outro lado mais sensorial e mais familiar e correntio; “(…) a presença física de personagens humanas, dos interiores e das paisagens (realismo descritivo, cor local, etc.); o recurso ao romanesco, à peripécia que prende a imaginação, e a certos ingredientes fáceis e de quilate duvidoso, mas de resultados garantidos (exotismo, fantasmagoria do romance negro, também chamado romance gótico); o tom de mensagem ao próximo que assume a obra literária, convertida em meios de comunicação e não já expressa de um mundo fechado de valores. Tais são as características formais que encontramos nas figuras mais representativas do Romantismo, como Vítor Hugo, Dickens, Balzac ou Michelet, características que o tornam inconfundível, tanto com o Classicismo como com o Barroco, embora certos estudiosos o aproximem deste último.(…)” (Idem, Ibidem)

2 As Escolas Românticas

As teorias românticas de arte exprimem a reacção emotiva a certos momentos e condições históricas de toda a amplitude da transformação literária operada e procuram para ela uma fundamentação filosófica de acordo com certas condições locais e epocais. “(…)Tal como a encontramos em Frederico Schlegel, a teoria do Romantismo é inaplicável, por exemplo, às obras de um Vítor Hugo, de um Balzac, de um Dickens, de um Michelet, ou mesmo de um Goethe na sua fase romântica(ele seria depois a figura central de um classicismo germânico oitecentista). Essas teorias correspondem a circunstâncias que condicionam diversos grupos, tertúlias e personalidades adiante aludidas, e de que resultaram, em cada caso, sentidos ideológicos especiais.”(Idem, Idem: 658 )

 

 

E se as chamadas Escolas Românticas, variam cronologicamente conforme os contextos históricos de cada país, por outro lado “as escolas «realistas» e «naturalistas» sucedem às escolas «românticas» no sentido restrito, mas pode dizer-se que o Romantismo, em sentido lato, as abrange a todas e só chega ao seu termo no final do século XIX, quando surge o simbolismo. Os escritores realistas e naturalistas não trazem alterações radicais quanto ao estilo; e as suas relações com o público, são as já características dos escritores que os precedem. Zola, George Eliot, tal como Hugo e Michelet, consideram-se antes de tudo semeadores de ideias, aferem o valor das palavras pelo poder comunicativo, apreciam os grandes efeitos, têm a consciência de desempenhar uma autoridade espiritual, estão animados de confiança no Progresso.

Esta confiança encontrava, aliás, novo encorajamento de rápida transformação que se estava dando nas condições de vida: a partir de meados do século recebe grande impulso no Continente a construção dos caminhos de ferro; abrem-se os primeiros túneis e canais, generaliza-se a navegação a vapor e o telégrafo. À roda de 80 acumulam-se vários acontecimentos: descoberta do telefone, iluminação eléctrica da Exposição Internacional de Paris (1878), primeiros veículos automóveis.” (…)” a produção do carvão, do ferro, do aço, do petróleo está a aumentar extraordinariamente. O desenvolvimento do maquinismo tende a destruir a produção artesanal e a dominar a pequena empresa; por algum tempo a sociedade parece polarizar-se a ter de um lado um proletariado cada vez mais numeroso e do outro um nova burguesia industrial e financeira, reduzida em número, mas mais poderosa que qualquer outro grupo dirigente antes conhecido; enquanto, por outra banda, se sedimenta uma nova aristocracia burguesa, mais interessada na fruição dos privilégios adquiridos, do que na conquista de novas posições económicas. A «classe média» é o modelo social dos românticos e o seu público, mas tende a decompor-se em camadas instáveis e dispersas.” (…) “ A palavra torna-se um material de arte; o escritor, pesquisador de ritmos, equilíbrios formais, regressa à concepção seiscentista da obra literária como sistema de valores que vive sobre si mesmo. “ (Idem, Idem 658 e 659)

Numa perspectiva europeia, faz sentido falar de três grandes escolas românticas: a Alemã, surgida pouca depois da Revolução Francesa, onde surge

 

 

uma forte influência de Rousseau e encontramos autores como Goethe, Schiller e Novalis; a Inglesa, nascida sob o signo da luta antinapoleónica, onde Wordsworth e Coleridge exaltam à sua maneira uma tradição nacional, inspirados directamente na poesia popular e tendo como modelos literários Chaucer e Shakespeare, e os outros autores paradigmáticos são Schelling, Walter Scott, Shelley e Byron; a Francesa, mais tardia que as anteriores, tem inicialmente um mentor em Chateaubriand, mas também Guizot, Thierry, Vítor Hugo, e até Vigny, Nerval e Musset, mas as principais obras são atribuídas a três grandes figuras do Romantismo francês: Balzac, Michelet e Hugo. Mas em fases posteriores e a partir de 1850 encontramos o positivismo de Comte, o experimentalismo de Claude Bernard, o determinismo sociológico e psicológico de Taine, na pintura o realismo de Delacroix (“Barricada”), Courbet, mas também presente no romance com Flaubert, Stendhal e Balzac ou ainda Baudelaire (Fleurs du Mal,1857). Mas Vítor Hugo, regressa nesta última fase (Les Misérables, 1862) que também será marcada por Zola. O naturalismo acaba por conduzir ao impressionismo, quer na literatura quer na pintura. Entretanto surgem os cultores do gosto naturalista no romance russo: Tolstoi (A Guerra e a Paz 1864-69) e Dostoievski (Crime e Castigo, 1866), com as particularidades nacionais e sociais muito diversas da Europa Ocidental, mas que permitiram, no Ocidente uma evolução psicologista, religiosa e anti-racionalista; e, no teatro de Ibsen, Strindberg, Shaw e Hauptamnn. Na França encontramos ainda poetas como Mallarmé, Verlaine e Rimbaud, enquanto de Inglaterra autores como Swinburne, Francis Thompson, Óscar Wilde, G. Moore; Meredith, Samuel Butler ou obras paradigmáticas de Bergson (Ensaio sobre os dados imediatos da consciência, 1888), Nietzsche (Origem da tragédia, 1871, Assim falava Zaratrusta, 1883) e Boutroux (Contingência das leis da natureza, 1874).

 

 

3 O Romantismo em Portugal

Finalmente chegamos a Portugal, começando por contextualizar com alguns factos históricos da maior importância para se ter uma percepção deste período, como aliás aconteceu noutros países europeus já referidos.

Para o início do Romantismo em Portugal pode apontar-se a data de 1836, ano em que Alexandre Herculano publica A Voz do Profeta, segundo o modelo das Paroles d’un Croyant de Lamennais, mas também em que são publicados os Ciúmes do Bardo e a Noite do Castelo de Castilho, que embora não passem de pastiches, denunciam entre nós o triunfo do gosto literário. É ainda nesse ano que o chefe do governo setembrista triunfante, Passos Manuel, possibilita a reforma do teatro português através Almeida Garrett, e ainda o aparecimento de um repertório dramático nacional, inspirado na teoria do drama romântico.

A expressão teórica do Romantismo esboçara-se entretanto, através de alguns artigos de Herculano publicados no Repositório Literário do Porto (em 1834-35), trabalhos onde se divulgaram algumas ideias do Romantismo alemão, sobretudo de Frederico Schlegel. Herculano publica também no Panorama, entre 1837 a 1840), um conjunto de artigos sobre o teatro medieval e o folclore, enquanto Garrett, por seu lado, nunca se declara inequivocamente romântico.

( Idem, Idem 665 )

Por outro lado “O êxito fulminante de Herculano e de Garrett, o esquecimento rápido e geral em que caíram os géneros clássicos, mostram como este mudança literária correspondia a uma mudança no público. Existia já na realidade um público letrado cujas características e predilecções se podem avaliar pelo êxito de revistas como o Panorama (5000 exemplares vendidos por número em 1837). O jornalismo conhece nesta época uma fase brilhante, dando aos grandes escritores (Garrett e Herculano incluídos) ocasião de comunicar com

 

 

muitos leitores. Homens como Rodrigues Sampaio redactor de A Revolução de Setembro e de O Espectro (1846) viveram profissionalmente como jornalistas de opinião e encontraram larga receptividade no público geral.” (Ibidem: 665-666)

Mas é por volta de 1840 que se situa o apogeu do primeiro Romantismo português, a que necessariamente estará ligada a publicação de, entre outros o Alfageme, Um Auto de Gil Vicente, Eurico, assim como a maior parte das Lendas e Narrativas, o Monge de Cister ou Frei Luís de Sousa. Estes géneros característicos da nova literatura, o romance e o drama histórico, cultivados por Herculano e Garrett, encontram a sua inspiração em W. Scott e Vítor Hugo, sendo que as traduções das obras do primeiro, intensificam-se desde 1837-38.

O surgimento do Romantismo em Portugal tem que contextualizar-se no âmbito de fase moderna da vida económica e social portuguesa que se inicia com a independência económica, cerca de 1807, e a crise aguda, respectivamente em consequência da carta de 1808 e com o tratado de 1810 com a Inglaterra, que abrem as portas do Brasil ao comércio deste país, alterando profundamente a situação da protecção alfandegária, do negócio de produtos brasileiros e da exportação para o mercado brasileiro em que se baseava a economia da burguesia nacional. A Revolução de 1820 e os consequentes decretos de Mouzinho abolindo os direitos senhoriais e as leis de Joaquim António de Aguiar confiscando os bens da Igreja (1832-34) vão criar novas condições sociais no campo e possibilitar o aparecimento de uma nova burguesia de proprietários rurais que vai ascender a novo grupo governante em aliança com um novo capitalismo bancário, e cativando, em seu beneficio até alguns direitos feudais remanescentes como é o caso dos morgadios que subsistem até 1863.

Neste contexto ficam de fora a pequena burguesia industrial e os artesãos e a grande massa de camponeses, que na época, constituíam a esmagadora maioria da população portuguesa. Estes grupos sociais, que quase não beneficiaram da venda dos bens expropriados à nobreza e à Igreja (bens nacionais), “(…) procuram solução para as sua dificuldades, propondo pautas proteccionistas e outras medidas, como as que visam o barateamento do crédito. Esta oposição dá origem a dois partidos que se organizam após a implantação do novo regime; o partido cartista, o dos proprietários rurais aliados aos financistas,

 

 

que contam com a influência do paço, as prerrogativas régias, a limitação censitária do voto; e o partido setembrista, o do artesanato e da pequena burguesia industrial, que conta com o apoio das maiorias eleitorais urbanas e que, na sua breve ditadura de 1836, se apresenta como o paladino proteccionista do fomento económico interno e do brio nacional perante a hegemonia britânica. Não existia ainda entre nós um significativo proletariado industrial. A introdução da nova literatura é uma revolução comparável, pelas suas consequências radicais e pela sua quebra de continuidade com o passado, à revolução política de 1832-34.(…)” ( Idem, Idem: 665)

4 O Primeiro Romantismo Português: Almeida Garrett e Alexandre