3. Metode
3.8 Operasjonalisering av variablene
O controlo da despesa pública tem provocado uma mudança na cultura do setor da Saúde, mais preocupada hoje com a produtividade e a eficiência. A incessante procura de eficácia conduziu a profundas mudanças nesta área, marcada pela reorganização de serviços, por reformas e investimentos, como a implementação do PACS.
Este estudo é pertinente na medida em que ajuda a compreender os impactos do sistema PACS, e de que forma este pode contribuir para a tomada de decisão por parte de outras instituições acerca de aquisições futuras desta tecnologia, bem como da sua gestão. Refira-se que estes investimentos podem revelar-se estratégicos para a instituição hospitalar, tornando-se num fator crítico de sucesso (Wetering et al., 2006). Com efeito, através da implementação do PACS, poder-se-á reduzir os custos a vários níveis e aumentar a produtividade e eficiência (Siegel e Reiner, 2002).
Ressalve-se que o facto de o investigador trabalhar com o PACS e a escolha criteriosa do painel de entrevistados permitiram um melhor conhecimento acerca dos benefícios decorrentes da implementação do sistema e foram essenciais para chegar aos seguintes resultados (Quadro 6.1).
Quadro 6.1.Impactos do sistema PACS no CHMA IM PA C T O S P a ra o P a cient e
-Facilidade de acesso às imagens -Melhor diagnóstico
-Redução do tempo de permanência no hospital -Menos repetição exames (redução de radiação) -Fim do extravio de imagens
-Intervenção precoce dos cuidados de saúde
-Menos execução de exames (pelo acesso ao histórico)
-Relatórios + céleres quando conjugado com sistema de reconhecimento de voz. -Prestação de um serviço de qualidade a nível imagiológico
-Uniformização do processo imagiológico -Transferir pacientes sem processo imagiológico
-Aumento do tempo disponível para o clínico atender o paciente.
P a ra o Dia g nó st
ico -Distribuição e comunicação de imagens (24h/365) (serviço descentralizado)
-Acesso ao histórico de imagens
-Manipulação da imagem (contraste, brilho, zoom)
-Radiologista assume o papel de dactilógrafo com sistema voz. -Fim do extravio de imagens
-Menos tempo despendido para ver imagens -Uniformização do processo imagiológico.
P a ra a I ns tit uiçã o -Custos de implementação -Elevados custos de manutenção -Melhoria do fluxo de trabalho
-Fim do extravio de imagens
-Redução de exames realizados não declarados
-Redução de custos em películas, produtos de revelação e envelopes.
-Libertação de espaço em armazém pela eliminação envelopes/películas e químicos. -Reorganização de listas de trabalho
-Redução do tempo de permanência do paciente no hospital -Exigências no grau de profissionalização dos utilizadores; -Vulnerabilidade dos dados digitais;
-Aumento das tarefas do departamento de sistemas de informação -Redução de custos (pela eficiência do sistema)
-Cópia de exames em CD -Fim do processo imagiológico -PACS mais ecológico
-Combinação PACS/Telerradiologia -Redução dos R.H (Datilografos) -Menor repetição de exames -Prestar serviços de qualidade
-Transferir pacientes sem imagens (Uniformização processo)
Como vemos neste quadro, não se observam no CHMA todos os impactos da introdução do PACS num hospital evidenciados na literatura e constatados noutros contextos, nomeadamente nos Estados Unidos, o país de origem desta tecnologia.
isto é, apesar de os profissionais clínicos verem estes exames, por inciativa própria, não há um campo no software para onde os transferir e onde os agrupar.
Também não foi necessário introduzir um hardware a seguir à implementação do PACS pois ele já existia.
Em linhas gerais, o sistema PACS pode simplificar e acelerar o fluxo de trabalho de uma organização. No entanto, alguns aspetos podem variar devido ao contexto, ao período de observação e aos elementos do painel entrevistado no estudo. Neste estudo, verificou-se que, com o PACS, houve uma melhoria do fluxo de trabalho devido à facilitação do acesso às imagens e relatórios que reduziu o tempo de permanência dos pacientes na instituição, salvaguardando, no entanto, que o tempo de permanência está dependente de diferentes decisões internas e, principalmente, da cooperação dos médicos.
Em relação aos Recursos Humanos, e contrariamente ao que vem descrito na literatura, verificámos um aumento efetivo desses em vários sectores, como no Arquivo e no Serviço de Radiologia, pois a implementação do sistema PACS coincidiu com a implementação do sistema EPR (Alert) e a chegada de novos Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica (TC, mamografia e ecografia), resultando numa maior necessidade de RH.
No que diz respeito à redução de recursos financeiros, constata-se um alinhamento com a literatura, pois houve uma redução de custos com películas, químicos de revelação e espaço de armazenamento de películas após o PACS, no CHMA.
Uma vez que a contenção de custos é um aspeto importante no setor da Saúde e, paralelamente, é fundamental proporcionar, ao menor custo, a prestação de cuidados de saúde de qualidade e a satisfação dos pacientes, parece-nos pertinente que a gestão hospitalar olhe para o PACS como um investimento a longo prazo, capaz de gerar vantagem competitiva.
Neste sentido, apesar da implementação do sistema PACS ser dispendiosa, sem retorno financeiro a curto prazo, pode-se através do cofinanciamento levá-la avante.
6.2. Limitações e recomendações do estudo
A principal limitação deste trabalho talvez seja o facto de se tratar de um estudo de caso. É, por isso, importante ter o cuidado adicional de não extrapolar os resultados deste estudo para outras situações, pois cada caso é um caso.
Por outro lado, o painel de apenas oito entrevistados pode significar uma deficiente representatividade de profissionais na análise e interpretação dos impactos do PACS no CHMA. Contudo, devido a restrições orçamentais e de tempo, não foi possível aumentar o número dos envolvidos nas entrevistas, o que teria enriquecido a compreensão do contexto da questão principal da investigação.
Quanto a recomendações para futuros estudos, seria importante analisar os impactos da implementação de um PACS regional para o SNS e para os pacientes. Seria bom também um estudo sobre a inclusão num PACS regional dos Meios Complementares de Diagnóstico e Terapêutica realizados em entidades privadas, abordando aspetos como os requisitos mínimos exigidos ao setor privado na implementação desta solução e os respetivos custos.
Verifica-se também, no domínio das limitações do sistema que estudámos teoricamente e com olhar crítico em contexto, que não há um bom e pleno conhecimento da parte de alguns profissionais acerca do PACS, o que os leva a ter preconceitos infundados relativamente a esta tecnologia (esses profissionais podem fazer uma avaliação negativa da aplicação por falta de saber e de saber-fazer), o que é contraproducente, uma vez que o sistema passa a não ser explorado em todas as potencialidades (por exemplo, a pesquisa de exames no histórico). Isto acontece porque os próprios profissionais, por vezes, não exigem a si próprios um autodidatismo no seguimento da aprendizagem recebida aquando da implementação do PACS, e porque não há mais formação para além da inicial, quando é instalado o sistema, ou seja, não há reciclagem dada pelas marcas porque a instituição hospitalar não pode, sobretudo em contexto de crise económica, suportar custos adicionais com essa aprendizagem e os fornecedores não querem ou não podem disponibilizar gratuitamente o seu conhecimento.