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One Step Reaction with Adsorption and Diffusion

No livro “Spaces Speak, are you listening?”, Blesser & Salter (2007) diferenciam os espaços como espaço acústico e espaço auditivo, sendo o primeiro projetado considerando o efeito que o espaço terá na distribuição do som, sua reflexão e como este (som) atuará no espaço; e o segundo dirigindo-se à experiência vivida pelos utilizadores do mesmo espaço, e como o som os irá influenciar, baseando-se entre outros fatores, nas experiências culturais dos ‘ouvintes’. Existe ainda, segundo os mesmos autores, experiência emocional e comportamental do espaço que se reflete no utilizador do mesmo, a sua experiência pessoal, alteração de estado de espírito e o seu comportamento com o meio envolvente.

A CIF_OMS descreve a perceção auditiva como um conjunto de “funções mentais envolvidas na discriminação de sons, tons, intensidade e outros estímulos acústicos.” (CIF_OMS, 2004, p.56).

As experiências pré-adquiridas, ‘background’ cultural e memória auditiva tornam-se bastante relevantes no decorrer da experiência de ouvir um espaço. Sendo a ‘iluminação’ deste feita através de ‘sonic events’86 determinados pelas ações da

pessoa (ouvinte) que habita o espaço (i.e., o bater dos pés no chão, estalar de dedos, assobiar, ou o próprio diálogo), permitem uma maior reverberação do som, ‘iluminando auditivamente’ desta forma o espaço que rodeia o seu utilizador.

84 T.L.: “Acústica, de origem grega de ‘akoustikos’ e significando que aquilo que pertence à audição, agora

refere-se maioritariamente ao comportamento das ondas sonoras (vibrações) em sólidos, líquidos, ou gases.”

85 T.L. “Todos os sons são o resultado de ação dinâmica, vibrações periódicas, impactos súbitos, ou

oscilações de ressonância.”

86 “Sonic Events – which result from inconsistent human activities producing unpredictable sonic

illumination.” (Blesser & Salter, 2007, p.17)

T.L.: “Eventos sónicos (sonoros) – que resultam de actividades humanas inconsistentes, produzindo iluminação sónica (sonora) imprevisível.”

133 Consultámos também os alunos com deficiência visual, do CHK, acerca da perceção acústica dos espaços (sala de aula) e de que forma a audição e o ruído de espaços interiores e exteriores influenciavam nessa mesma perceção. Apesar de a maioria referir o barulho dos colegas como foco de distração e ‘interferência’, por causar confusão no processo de deslocação, outros indicam o mesmo barulho como ponto de referência, ao identificar entradas e saídas de sala, espaços habitados ou vazios, ou até como forma de identificar a sua sala, por reconhecerem as vozes dos colegas. Referenciam também o aumento do ruído que se sente ao longo do dia e apresentam algumas soluções para eliminar, ou diminuir o ruído. Os resultados são apresentados no conjunto de gráficos 4.

Graf. 4 Gráficos elaborados pela autora, com o resultado das entrevistas, CHK, Lisboa, Portugal, 2016. 8% 15% 31% 23% 8% 15%

Soluções para diminuir o ruído

Alterar o recreio

Borrachas nos pés da cadeira Colegas fazerem menos barulho

Painéis de cortiça nas paredes Preocupação acústica na construção 23% 16% 23% 15% 23%

Ruído aumenta ou diminui ao longo do dia? Aumenta ao almoço Aumenta na saída Aumenta de tarde Constante Depende dos dias 11% 31% 8% 8% 23% 8% 11%

Ruído no exterior que incomoda? Arrastar de cadeiras Barulho nos corredores Ginásio Pavões Recreio Sala de EM 15% 15% 62% 8%

Sente dificuldade em ouvir na sala de aula? Arrastar de cadeiras Barulho ar condicionado Barulho dos colegas Máquina de Braille 8% 38% 15% 8% 31%

Audição interfere na deslocação? Barulho nos corredores confunde Não

Sim - ecolocalização

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“The center of space is my own body. From this center, the world is divided into ‘here’ and ‘there’, ‘near’ and ‘far’, and, according to a body- related system of orientation, ‘left’ and ‘right’, ‘above’ and ‘below’, and ‘front’ and ‘back’. The center contains what G.H. Mead (1934) has called ‘the manipulatory sphere’. Around it we can find layers of reach tied to particular sensory fields, such as ‘the world within my visual reach’, ‘the world within my acoustic reach’, or ‘the world within my olfactory reach’, etc.” (Saerberg, 2010, p. 367)87

É através desta capacidade auditiva que a pessoa tem noção da sua orientação espacial num determinado espaço, aprendendo a reconhecer sons que ajudam na localização e orientação espacial e, no caso de pessoas com deficiência visual, servindo de guia para uma deslocação mais eficaz, ajudando a criar um mapa mental do espaço em que se encontram.

Se o espaço acústico potencia muita reflexão e reverberação de som, o discurso e perceção espacial e auditiva podem tornar-se quase nulos.

No seu estudo, Saerberg (2010) fala-nos da procura do seu alcance acústico, algo que para um cego, como o autor, se torna fundamental no processo de orientação e mobilidade em segurança.

“Sounds amplify the world within my potential reach. All sounds serve as concrete schemes of interpretation, acoustic images you might call them.” (Saerberg, 2010, p.370)88

Ainda Saerberg (2010), no seu artigo “Just go straight ahead”, explana aquilo que considera o ‘blind space’, um exercício que lhe permite ‘testar’ a sua orientação percecional e movimentação em determinado espaço. Descreve então o ‘blind space’ da seguinte forma:

“My own body is my center of spatial orientation. As I move from ‘here’ to ‘there’, its boundary is shifting in space and time; the world within my actual reach. Via a sense of my own body, I divide the world into a close and distant, left and right, above and below, and in front and in back. My body is linked pragmatically to the environment via its actions. As a blind person, I obtain orientation and generate movement by creating a multimodal space of related sensory perception in a sensed unity of the

87 T.L.: “O centro do espaço é o meu próprio corpo. A partir deste centro, o mundo está dividido em ‘aqui’

e ‘ali’, ‘perto’ e ‘longe’, e de acordo com o sistema de orientação diretamente relacionado com o corpo, à ‘esquerda’ e à ‘direita’, ‘acima’ e ‘abaixo’, e à ‘frente’ e ‘atrás’. O centro contém o que G.H. Mead (1934) chamou de ‘esfera manipulatória’. À sua volta podemos encontrar camadas de alcance ligadas a um particular campo sensorial, tal como ‘o mundo de entre o meu alcance visual’, o mundo dentro do meu alcance acústico’, ou ‘ o mundo dentro do meu alcance olfativo’, etc.”

88 T.L.: “Os sons amplificam o mundo dentro do meu potencial de alcance. Todos os sons servem de

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world within my felt, tactile, acoustic, and olfactory reach.” (Saerberg, 2010, p.369-370)89

Todos os espaços quer de cariz natural quer ‘fabricados’ pelo homem para neste realizar qualquer atividade possuem uma acústica própria que completa a definição das suas características físicas, o que permite ao arquiteto, engenheiro, designer, etc. que projeta o espaço, independentemente deste se tratar de um espaço interior ou exterior, criar uma ‘ambiência’ que se altera de espaço para espaço. Mais comummente se ouve falar do estudo acústico do espaço em situações como auditórios, salas de concerto ou espaços destinados à projeção, propagação e reflexão do som, embora este estudo deva ser aplicado em todos os espaços que projetamos, pois só assim conseguiremos um espaço equilibrado e confortável para os eventuais utilizadores do mesmo.

O trabalho a nível acústico é ainda uma forma de orientar as pessoas durante a circulação e permanência num espaço, podendo permitir, entre outras coisas, uma compreensão mais célere dos pontos de trajeto, permanência ou saídas do mesmo.

A acústica pode ser trabalhada quer a nível de materiais que refletem ou abafam os sons produzidos pelos utilizadores do espaço, quer a nível de posicionamento de paredes ou objetos que auxiliam o processo de ‘apreensão’ de um determinado espaço, tanto para utilizadores normovisuais como para utilizadores com deficiência visual.

O som ou a ausência deste pode também ser utilizado como guia de orientação. O silêncio passa a ser visto como uma escolha intencional para um determinado espaço, deixando de existir assim que o espaço é habitado, (Blesser & Salter, 2007).

“Auditory spatial awareness is more than just the ability to detect that space has changed sounds; it includes as well the emotional and behavioral experience of space.” (Blesser & Salter, 2007, p.11)90

89 T.L.: “O meu próprio corpo é o meu centro de orientação espacial. Enquanto me movo ‘daqui’ para ‘ali’,

a sua fronteira é alterada no espaço e no tempo; o mundo no meu real alcance. Via a sensação do meu próprio corpo, eu divido o mundo em perto e distante, esquerda e direita, acima e abaixo e à frente e atrás. O meu corpo está pragmaticamente ligado ao ambiente envolvente e às suas ações. Enquanto pessoa cega, obtenho a orientação e gero movimento criando o espaço multimodal a partir de perceção sensorial numa unidade sensorial do mundo ‘dentro’ da minha capacidade sensitiva, tática, acústica e olfativa.”

90 T.L.: “Consciência espacial auditiva é mais do que apenas a habilidade para determinar que o espaço

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“By our original definition, auditory spatial awareness is the internal experience of an external environment. A physical space exists in the world, and the experience of that space exists in the listener’s consciousness.”

(Blesser & Salter, 2007, p.131)91