Esta categoria compreende a forma como o professor representa o conteúdo, seu repertório de exemplos, demonstrações, experimentos, metáforas, analogias e atividades que tornam o conteúdo mais acessível ao aluno. A professora P1 teve vinte e três trechos caracterizados como
conhecimento das estratégias instrucionais, dos quais quatro foram extraídos do Relatório de Observação, quatro do CoRe inicial, e os demais, do CoRe final.
Nos trechos do Relatório, estão presentes registros das estratégias que a professora recorreu durante a aplicação da atividade em sala.
(REO4) “a professora entregou a cada grupo uma imagem de célula animal e uma de
célula vegetal retirada de um livro didático para auxiliar na montagem, uma vez que alguns estavam encontrando dificuldades, e também para que pudessem corrigir sua construção inicial, baseando-se na figura.”
Nos trechos do CoRe inicial, a professora relata algumas atividades e estratégias que utiliza em sua prática docente, como a prática de microscopia com raiz de cebola, demonstrando as fases da divisão celular e as diferenças entre as células vegetal e animal, o experimento utilizando salada de folhas e temperos, para explicar osmose, solicitação de pesquisas aos alunos antes de trabalhar alguns conteúdos, entre outras.
Afirma também que, por fazer uso de práticas alternativas ao ensino tradicional, necessita mais tempo do que o previsto para o desenvolvimento dos conteúdos, e não consegue trabalhar tudo o que está previsto para o período.
A professora também considera uma estratégia importante trazer conceitos atuais, como câncer, para trabalhar conceitos específicos da Biologia Celular. Afirma sempre procurar utilizar textos que tragam informações implícitas em suas avaliações, para que seus alunos não encontrem as respostas nos mesmos, mas precisem refletir sobre o que estão estudando.
Ela afirma aplicar avaliações construídas junto aos alunos, com questões dissertativas e objetivas, além de questões de vestibulares, para que estes estudantes já comecem a ser preparados para este tipo de avaliação. Deseja que suas avaliações auxiliem os estudantes na compreensão e na memorização do que foi trabalhado.
P1 relata que suas aulas se iniciam com uma explicação teórica, na lousa, utilizando desenhos simplificados e a explicação do conceito. A professora acredita ser importante trabalhar a parte visual, pois ajuda a fixar o conteúdo. Também considera o uso de atividades práticas muito importante pois permite o contato dos alunos com o que está sendo trabalhado, e afirma
que as atividades devem sempre estar acompanhadas de roteiros, pois estes orientam os alunos durante a atividade.
(CRF20) “trabalhar o visual, eu acho que é uma estratégia interessante, porque fixa,”
A professora acredita que o uso de determinadas analogias não auxilia no entendimento dos conceitos, e prefere não utilizar. Acredita que quanto mais conseguir resumir o conteúdo e mais superficialmente trabalhar, mais fácil será o entendimento do aluno.
A professora P2 teve trinta e quatro trechos identificados nesta categoria, dos quais seis foram extraídos do Relatório, três do CoRe inicial e os demais do CoRe final. Nos trechos do Relatório de Observação estão apresentadas as estratégias utilizadas pela professora durante a aplicação das atividades e sua observação de que o uso do material alternativo foi uma estratégia muito eficaz, pois ajudou os alunos na compreensão dos conceitos, que antes eram vistos como abstratos.
Nos trechos do CoRe inicial, a professora P2 relata as estratégias que utiliza em sua prática, como analogias, uso de modelos, imagens, vídeos, entre outros. A professora afirma que, apesar de não haver a possibilidade de trabalhar com microscópios, busca utilizar imagens com seus alunos, para facilitar a aprendizagem.
(CRI6) “Apesar de não trabalhar com microscopia, tento levar muitas imagens, pois
assim acredito que consigam ultrapassar essa lacuna.”
Nos trechos do CoRe final, a professora continua a descrever estratégias que utiliza para superar as dificuldades de aprendizagem de seus alunos, como exemplos, analogias, uso de materiais alternativos, livro didático com esquemas e figuras. A professora percebe novas maneiras de trabalhar o conceito de Biologia Celular, dentro de outros assuntos da Biologia.
A professora afirma que gostaria de poder trabalhar com seus alunos em um laboratório de Ciências, realizando atividades práticas, e também no laboratório de informática, com jogos e programas de computador que facilitem a transposição dos conceitos.
(CRF28) “Ah... eu gostaria de... fazer aula prática, no laboratório, né, observar a célula,
ter... tem vários tipos de joguinhos, né, tem jogos na internet, tem também o microscópio virtual, que você vai montando e eles conseguem ver... eu até, uma vez eu até levei, eu tenho esse microscópio virtual, mas seria legal eles terem contato.”
A professora percebe que seus alunos não precisam ter conceitos muito aprofundados acerca do conteúdo, como especialistas, mas que compreendam a relação do tipo celular com o desenvolvimento das células embrionárias e o tipo de tecido em que estão alocadas.
A professora afirma que se tivesse condições ideais para trabalhar com seus alunos, buscaria experimentos para trabalhar os conceitos, formas de demonstrar o que está sendo estudado. Em sua avaliação, afirma que utilizaria questões abertas e reflexivas, mas tudo em tom de hipótese, não relatando sua prática habitual.
A professora P2 afirma que o curso de formação continuada abriu sua visão para novas maneiras de aplicar as ideias e trabalhar conceitos com os alunos. Durante a entrevista também percebeu a necessidade de algumas mudanças na aplicação da atividade proposta, para que obtenha um resultado positivo. Sugeriu fotografar o modelo montado pelos alunos, para ter um registro das ideias dos mesmos.
Ela relata que o curso proporcionou uma nova visão dos conteúdos, e incentivou o uso da História e Filosofia, inclusive, descreve uma situação em que utilizou o livro de Monteiro Lobato para trabalhar alguns conceitos de Ciências.
(CRF93) “Pensar mais na História e Filosofia, né, por exemplo, eu tava montando as
minhas aulas de Ciências, eu vou trabalhar com astronomia, voltei lá no livro do Monteiro Lobato, né, que e ele... que a Dona Benta conta as histórias e ela mexe um pouquinho com a História da Ciência. Então é uma forma lúdica de trabalhar com eles. Então eu acho que isso vai abrindo a mente. Isso é importante”
A professora afirma ainda ter dificuldades com o uso do ensino por investigação, e costuma usar situações do cotidiano para trabalhar a Biologia.
A professora P3 teve vinte e quatro trechos considerados pertinentes a esta categoria, dos quais sete foram extraídos do Relatório, um do CoRe inicial, e os demais do CoRe final. Assim como as professoras P1 e P2, esta teve trechos do Relatório que apresentam as estratégias utilizadas durante a aplicação das atividades em sala de aula designadas a esta categoria.
No CoRe inicial, o trecho indicado revela as estratégias que a professora relata utilizar em sua prática, as quais escolhe por acreditar que as mesmas fazem com que seus alunos e interessem pelo que está sendo estudado.
(CRI7) “Leitura e analise de imagens e texto, esboço das organelas e células,
maquetes, simulação ou analise de experimentos referentes ao tema, aula explicativa em todos os momentos. Construção da tabelas comparativas, quando possível. Penso que são situações de sensibilizar, relacionar, analise do conteúdo, para que ele possa interessar-se pelo tema.”
No CoRe final estão trechos em que a professora P3 relata as estratégias que emprega em sua prática, como o uso de recursos audiovisuais, leitura e análise de textos, confecção de um vocabulário junto aos alunos, participação dos alunos realizando atividades na lousa, contextualização dos conceitos com o dia-a-dia do aluno, entre outros.
A professora percebe que as aulas tradicionais têm um alcance menor com seus alunos. Relata que em 2013 utilizou a sala de informática com seus alunos, produzindo uma linha do tempo, para estudar os eventos históricos, e teve resultados positivos.
A professora P3 afirma sempre questionar seus alunos, para instigá-los a participar. De acordo com ela, há atividades previstas na apostila que seus alunos não são capazes de realizar, por isso ela faz adaptações nas atividades. Ela percebe que seus alunos esquecem o que foi trabalhado na aula anterior, e isso é um entrave na continuidade dos conteúdos dentro de um mesmo tema.
A professora afirma que seus alunos gostam de participar, de colocar as respostas dos exercícios na lousa, e percebe que os conceitos que podem ser trazidos para o cotidiano dos alunos são mais facilmente aprendidos.
Ao ser questionada acerca das estratégias que utiliza em sua prática, a professora apresenta uma resposta bastante reticente, não exemplificando aquilo que realiza em seu dia-a-dia.
(CRF25) “Quais estratégias de ensino você emprega ao lecionar esse conteúdo, e qual
a razão particular para empregá-la? Bem, aqui... aqui vai... pesquisa do tema em várias fontes, eleição do melhor para a classe.”
Para desenvolver o conteúdo de Biologia Celular, a professora comenta que faz um quadro com o nome de todas as organelas a serem trabalhadas, a função, a estrutura e a localização. Os alunos devem preencher estas informações com base no livro didático. Ela afirma perceber se os alunos compreenderam os conceitos através das respostas dos alunos às atividades realizadas em sala, e procura sempre recapitular os conceitos, onde as estruturas estão localizadas, fazendo com que o aluno perceba do que se trata.
Ao ser questionada sobre no ambiente ideal para suas aulas, a professora descarta a necessidade de um laboratório, e afirma que um equipamento multimídia pronto para ser usado, à sua disposição seria muito mais eficaz em sua prática.
(CRF45) “mas como eu acho que hoje, como a gente não consegue chegar muito com
a palavra, eu acho que a gente tinha que chegar no aluno mais com o visual, mesmo. Se eu tivesse aqui, nessa seis aqui, acho que tudo, se eu tivesse um visual, eu conseguia isso mais ou menos como eu dei aula ano passado, levei várias imagens, aí eu consegui mostrar”
O professor P4 apresentou dezesseis unidades de análise, sete extraídas do Relatório de Observação, um do CoRe inicial e os demais, do CoRe final. As unidades extraídas do Relatório de Observação trazem as estratégias utilizadas pelo professor durante a aplicação da atividade em sala de aula, as quais, de uma forma geral, seguiram o que foi previsto no plano de aula. O professor observou que o material contribuiu para a aula, proporcionando aos alunos a possibilidade de manipular o material, entrando em contato com o que estava sendo estudado, gerando interesse pelo tema.
No CoRe inicial, o professor apresenta algumas estratégias que diz aplicar em suas aulas, como o uso de documentários, do microscópio óptico e as situações de aprendizagem presentes no material didático do Governo.
No CoRe final estão descritas outras estratégias apontadas pelo professor, como leitura de textos, uso de imagens e vídeos, contextualização dos eventos históricos, uso de metáforas e analogias, situações do dia-a-dia, presentes nas redes sociais e mídias em geral.
4.3.4 Conhecimento do contexto