2. Bakgrunn
2.1 Offentlige tiltak for inkluderende entreprenørskap
Popper estava consciente do problema discutido na seção 1 desde a época em que publicou pela primeira vez a versão alemã de seu livro The Logic of Scientific Discovery, em 1934. No Capitulo 5 do livro, intitulado “The Problem of the Empirical Base”, ele propõe uma explicação da observação que leva em conta o fato de que observações infalíveis não são dadas diretamente através de percepções sensoriais. Nesta seção, inicialmente sintetizarei sua explicação, e em seguida vou
92 argumentar que ela não salva o falsificacionista das objeções da seção 1.
A posição de Popper salienta a importante distinção entre proposições de observação públicas, por um lado, e experiências perceptivas privadas de observadores individuais, por outro. Estas últimas são num certo sentido “dadas” aos indivíduos no ato de observação, mas não há passagem direta dessas experiências privadas (que vão depender de fatores peculiares a cada
observador individual tais como suas expectativas, conhecimento anterior etc.) para uma proposição de observação que pretende descrever a situação observada. Uma proposição de observação, formulada numa linguagem pública, pode ser testável e aberta à modificação ou rejeição. Observadores individuais podem ou não aceitar uma proposição de observação específica. Sua decisão sobre o assunto será motivada em parte pelas experiências perceptivas relevantes, mas nenhuma experiência perceptiva da parte de um indivíduo será suficiente para estabelecer a validade de uma proposição de observação. Um observador pode ser levado a aceitar alguma proposição de observação com base numa percepção e, no entanto, essa proposição de observação pode ser falsa.
Estes pontos podem ser ilustrados pelos exemplos seguiates. “As luas de Júpiter são visíveis através de um telescópio” e “Marte é quadrado e intensamente colorido” são proposições de observação públicas. A primeira pode muito bem ter sido enunciada por Galileu ou um adepto seu e a segunda foi registrada no caderno de notas de Kepler. Ambas são públicas, no sentido em que podem ser apreciadas e criticadas por qualquer um que tenha a oportunidade de fazê-lo. A decisão de Galileu de defender a primeira foi motivada pelas experiências perceptivas que acompanharam suas visões telescópicas de Júpiter, e a decisão de Kepler de registrar a segunda foi provavelmente baseada em suas experiências perceptivas ao dirigir um telescópio em direção a Marte. Ambas as proposições de observação são testáveis. Os adversários de Galileu insistiam em que as manchas que ele tinha interpretado como as luas de Júpiter eram aberrações atribuíveis ao funcionamento do telescópio. Galileu defendeu sua proposição sobre a visibilidade das luas de Júpiter argumentando que, se as luas fossem aberrações, então deveriam aparecer luas perto dos outros planetas tam-
93 bém. O debate público continuou, e, neste caso específico, conforme os telescópios foram aperfeiçoados e a teoria ótica desenvolvida, a proposição de observação referente às luas de Júpiter sobreviveu à crítica que lhe era dirigida. A maioria dos cientistas finalmente decidiu aceitar a afirmação. Em contraposição, a afirmação de Kepler referente ao formato e à cor de Marte não sobreviveu à crítica e aos testes. Logo, decidiram rejeitar a afirmação. A essência da posição de Popper sobre proposições de observação é de que sua aceitabilidade é aferida pela sua capacidade de sobreviver a testes. Aquelas que falham diante de testes subseqüentes são rejeitadas, enquanto as que sobrevivem a todos os testes são mantidas. Em seu trabalho inicial, ao
menos, Popper enfatiza o papel das decisões feitas por indivíduos e grupos de indivíduos na aceitação ou rejeição do que tenho chamado de proposições de observação, que Popper chama “afirmações básicas”. Assim, ele escreve: “As afirmações básicas são aceitas como o resultado de uma decisão ou acordo, e nesta medida elas são convenções”,(23) e novamente:
Qualquer afirmação científica empírica pode ser apresentada (descrevendo-se os arranjos experimentais etc.) de forma que qualquer um que tenha aprendido as técnicas relevantes possa testá-la. Se, como resultado, ele rejeita a afirmação, não ficaremos então satisfeitos se nos disser tudo sobre seus sentimentos de dúvida ou convicção com suas percepções. O que ele deve fazer é formular uma asserção que contradiga a nossa, e nos fornecer instruções para testá-la. Se ele deixar de fazer isto, nós podemos apenas pedir que dê uma nova e talvez mais cuidadosa olhada em nosso experimento e pense novamente.(24) A ênfase de Popper nas decisões conscientes dos indivíduos introduz um elemento subjetivo que se choca de alguma forma com sua insistência posterior na ciência como “um processo sem um sujeito”. Esta questão será discutida mais exaustivamente em capítulos posteriores. Por enquanto, eu preferiria reformular a posição de Popper sobre as proposições de observação de maneira menos subjetiva, assim: uma proposição de observação é aceitável, experimentalmente, se, num determina-
94 do estágio do desenvolvimento de uma ciência, ela é capaz de passar por todos os testes tornados possíveis pelo estado de desenvolvimento da ciência em questão naquele estágio.
De acordo com a posição popperiana, as proposições de observação que formam a base com respeito à qual os méritos de uma teoria científica devem ser avaliados são elas próprias falíveis. Popper enfatiza sua posição com uma notável metáfora.
A base empírica de uma ciência objetiva não tem assim nada de “absoluto”. A ciência não repousa sobre um sólido leito pedregoso. A audaciosa estrutura de suas teorias ergue-se como se estivesse sobre um pântano. Ela é como um prédio construído
23
K. R Popper, The Logic of Scientiftc Discovery (Londres: Hutchinson, 1968), p. 106.
sobre estacas. Estas são impulsionadas para baixo no pântano, mas não para alguma base natural ou “dada”; e se paramos de impulsionar as estacas mais para o fundo não é porque alcançamos solo firme. Nós simplesmente paramos quando ficamos satisfeitos pelas estacas estarem suficientemente firmes para agüentar a estrutura, ao menos por um tempo(25)
Mas é precisamente o fato de as proposições de observação serem falíveis, e sua aceitação apenas experimental e aberta à revisão que derruba a posição falsificacionista. Às teorias não podem ser conclusivamente falsificadas porque as proposições de observação que formam a base para a falsificação podem se revelar falsas à luz de desenvolvimentos posteriores. O conhecimento disponível na época de Copérnico não permitia uma crítica legítima da observação de que os tamanhos aparentes de Marte e Vênus permaneciam, grosso modo, constantes, de forma que a teoria de Copérnico, tomada literalmente, poderia ser considerada falsificada por essa observação. Cem anos mais tarde, a falsificação pôde ser revogada devido aos novos desenvolvimentos na ótica.
Falsificações conclusivas são descartadas pela falta de uma base observacional perfeitamente segura da qual elas dependem.