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O F'I SKEF'LATEN

In document SANDE VANYLVEN (sider 21-25)

Pargament aborda a avaliação psicológica, dividindo-a em avaliação inicial, avaliação implícita e avaliação explícita. O propósito da avaliação espiritual é estabelecer um plano de ação para incluir a espiritualidade na terapia. Por esta razão deve-se evitar uma aproximação mecânica ao tema, pois: 1) a espiritualidade é profundamente pessoal, e muitos clientes podem não estar prontos para discutir este assunto, tão íntimo, em terapia; 2) é difícil colocar a experiência espiritual em palavras e alguns clientes precisam ser ajudados nisso; 3) os instrumentos de avaliação da espiritualidade ainda estão sendo desenvolvidos; 4) a espiritualidade é um processo, e deve ser conhecida como um processo baseado em uma boa relação terapeuta-cliente.

Por isso, no processo de avaliação ou diagnóstico na PEI, Pargament focaliza alguns elementos importantes:

1. Preparar o caminho para o diálogo sobre a espiritualidade. 2. Realizar uma avaliação inicial sobre a espiritualidade.

A terapia não é a primeira opção de ajuda para a maioria das pessoas e o cliente testa o terapeuta antes de se abrir. Por essas razões o terapeuta precisa ser convidado a entrar no mundo do cliente, e este convite precisa ser conquistado por meio de dois elementos: a) a abertura para aprender e b) a honestidade para compartilhar. O terapeuta não deve imaginar que conhece a espiritualidade de seu cliente porque conhece a sua denominação religiosa: ele deve perguntar ao cliente sobre sua vivência e sobre sua religião. Como Pargament afirma: “uma pequena dose de humildade por parte do terapeuta pode dar autoridade a clientes que no começo da terapia, geralmente creem que têm pouco a ensinar a alguém” (PARGAMENT, 2007). O terapeuta precisa estar aberto ao cliente e ter cuidado e clareza sobre como e quando pode se revelar, e sempre a serviço do cliente.

Para Pargament o cliente tem o direito de saber a religião do terapeuta e até escolhê-lo com base neste dado, assim como pode escolhê-lo pelo sexo, por sua filiação teórica, por sua idade etc. Pargament diz que, quando perguntado, conta que é judeu e pergunta ao cliente como ele se sente ao trabalhar com um judeu. Cada cliente reage de um jeito a essa revelação. Alguns aceitam, outros pedem a indicação de um terapeuta da sua religião, outros ainda perguntam sobre a sua experiência com clientes de outras religiões, ou até mesmo perguntam se ele não vai convertê-los a sua religião.

Pargament diz que o terapeuta sempre deve responder diretamente às questões dos clientes, sem muita profundidade, pois a conversa inicial sobre a espiritualidade não deve ser muito extensa: deve apenas dar informações para o cliente para que ele decida mais claramente se quer trabalhar com ele ou não.

A autorevelação por parte do terapeuta deve ser apropriada para ajudar o cliente a determinar se considera que ele poderá ajudá-lo a alcançar seus objetivos na terapia. Antes de continuar a terapia, o cliente pode desejar saber da posição do terapeuta acerca de temas moralmente polêmicos, como aborto, divórcio, sexo extraconjugal e homossexualidade.

Há três possíveis respostas por parte do terapeuta: 1) no caso mais simples, ele não tem problemas quanto ao tema e pode ajudar com tranquilidade seu cliente; 2) o terapeuta pode ter uma posição forte com relação ao tema, mas ainda assim pensa que poderá ajudar seu cliente a achar

sua própria posição; 3) o terapeuta pode não se sentir apto para atender determinadas demandas por causa de seus valores mais profundos.

A primeira sessão em terapia é geralmente a mais trabalhosa; ela não é uma sessão para aprofundamentos intensos sobre a espiritualidade ou para outras áreas importantes da vida do cliente. Ainda assim, a espiritualidade deve ser abordada, especialmente em quatro áreas importantes:

1. A importância da espiritualidade para o cliente.

2. A importância da afiliação ou da comunidade religiosa para o cliente. 3. A importância da espiritualidade para os problemas que ele vive. 4. A importância da espiritualidade para a solução desses problemas.

Pargament esclarece que ao se levantar essas questões pode-se notar sinais de conflitos e de recursos espirituais. Em uma primeira entrevista elas não devem se destacar demais de outros questionamentos que visam conhecer o cliente e devem ser colocadas no momento adequado da conversa.

No decorrer da avaliação, ocorre de forma implícita um compartilhamento espiritual, pois o terapeuta faz perguntas e elas são feitas pelo uso de palavras psicoespirituais, ou seja, palavras que contenham qualidades sagradas, como paz, coragem, consolo, amparo, devoção, fé, esperança, amor, liberdade, perdão, remorso, desespero e sofrimento, por outro lado, o terapeuta atenta à linguagem espiritual do cliente e pode perceber a mudança da atmosfera da sala, assim como atentar aos processos que caminham paralelamente com a espiritualidade, e como o de perceber se e quando o cliente projeta neles qualidades sagradas.

Por meio do compartilhamento implícito o terapeuta oferece ao cliente uma oportunidade de explorar o domínio do espiritual. Para Pargament preparar o caminho para o diálogo espiritual e conduzir uma avaliação espiritual inicial são passos importantes no processo de conhecer a espiritualidade do cliente. Ainda que sejam importantes, esses passos ainda não fornecem informações completas e detalhadas sobre a espiritualidade e como ela está integrada, ou não, na vida do cliente. Para isto é necessário uma avaliação mais extensa e explícita.

Para fazer uma avaliação explícita da espiritualidade o terapeuta deve focar direta e extensivamente o lugar da espiritualidade na vida do cliente. Aparentemente simples, essas questões levam a outras, mais complexas, sobre como o cliente integra sua espiritualidade no seu todo. Primeiro, o terapeuta deve saber em que parte o cliente está na sua busca pelo sagrado. Segundo, qual o grau de integração da sua espiritualidade. Terceiro, verificar a eficácia da espiritualidade do cliente, incluindo o nível de conforto espiritual e o grau no qual ela leva a resultados valiosos. Finalmente, precisa detectar qual o papel que a espiritualidade poderá ter na terapia.

As informações sobre a espiritualidade podem ser reunidas de diferentes formas:

• colhendo informações sobre a história espiritual do cliente; • percebendo o seu comportamento não verbal;

• usando testes quantitativos; • conhecendo o contexto do cliente.

Como Pargament afirma: “As questões caminham pelos ‘o que é’ da espiritualidade, para os ‘porquês’, os ‘onde’, os ‘quando’ e os ‘como’ da espiritualidade” (PARGAMENT, 2007). A busca pelo sagrado propicia uma série de emoções positivas e negativas. É especialmente importante considerar as negativas, mesmo se as positivas ultrapassarem de longes as negativas, estas são mais poderosas. Mas os conflitos espirituais não levam necessariamente a maus prognósticos, podem também ser prenúncios de crescimento e desenvolvimento espiritual. O terapeuta deve estar atento não só ao que é dito e ao que é sentido, mas também à congruência entre falas, ações e sentimentos.

Para o autor, a avaliação espiritual é um processo que se dá na relação entre o terapeuta e o cliente. Por isso o diálogo espiritual precisa florescer em uma atmosfera de respeito e abertura para escuta e compartilhamento. A avaliação espiritual não é alheia à terapia, é uma parte vital do processo terapêutico.

In document SANDE VANYLVEN (sider 21-25)