KAPITTEL 2: DERIVATER
2.7 Nytten av derivater
proporcionar indicadores de domínios específicos, designadamente: a Compreensão, a Opinião/Explicação; a Avaliação de narrativas com suportes diferentes e a Imaginação histórica.
5.1 - Primeiro momento de análise: Compreensão e tipo de
narrativas
Nesta secção foram analisadas as tarefas relacionadas com:
a. A compreensão e o tipo de narrativas construídas pelos alunos a partir das
imagens,
b. A compreensão e o tipo de narrativas construídas pelos alunos a partir do
filme;
c. A compreensão e o tipo de narrativas construídas pelos alunos a partir dos
documentos escritos.
Quanto à compreensão e ao tipo de narrativas elaboradas a partir de imagens, os dados empíricos foram obtidos através das respostas dos alunos a três questões do “Questionário Contextualização” (QC), designadamente as questões 7.1, 7.2 e 7.3.
Relativamente ao filme, os dados foram obtidos através da Narrativa Aberta (NA) construída após o visionamento dos excertos do filme “Braveheart - o desafio do guerreiro”.
As respostas a cinco questões das fichas de trabalho forneceram dados sobre a compreensão e tipos de narrativas elaboradas pelos alunos a partir de documentos escritos, designadamente: a questão 1 da ficha “A vida material” (VM); a 1.1 da ficha “O casamento medieval” (CM); a 1.1 da ficha “O tempo dos cavaleiros” (TC) e as 1.1 e 2 da ficha “O rei e os outros” (RO).
a. Compreensão e tipos de narrativas construídas a partir de imagens
A implementação do presente estudo consistiu numa experiência pedagógica em contexto de sala de aula, baseada na abordagem contrutivista de ensino e aprendizagem tal como foi mencionado no capítulo anterior. Tendo por base estes pressupostos desenhou-se um primeiro instrumento - Questionário “Contextualização” (QC), em que a sua segunda parte, teve como objectivo contextualizar a temática em estudo para os alunos e recolher os primeiros dados, relativamente à compreensão de imagens, ao tipo de narrativas e às ideias tácitas.(Ver capítulo IV, Quadro 5).
Com os dados obtidos através do Questionário C pretendeu-se responder às seguintes questões:
- Que tipo de narrativas os alunos constroem a partir das figuras dos três grupos sociais?
- Que ideias tácitas apresentam os alunos?
Numa primeira fase, procedeu-se a uma análise de conteúdo das respostas dos alunos às questões 7.1, 7.2 e 7.3 do QC, designadamente:
7.1 Como seria o dia-a-dia das pessoas representadas na figura A? 7.2 Como seria o dia-a-dia das pessoas representadas na figura B? 7.3.Como seria o dia-a-dia das pessoas representadas na figura C?
Procedemos, então, a uma categorização simples e à indicação da frequência das respectivas ocorrências. A categorização foi elaborada a partir das respostas dos alunos e dos elementos contidos nas figuras. Consideraram-se oito categorias substantivas, designadamente: espaço, personagens, vestuário, mobiliário, alimentação, entretenimento, funções, juízos de valor e elaborações. Há a ressalvar que, nos casos das figuras B e C, respeitante às questões 7.2 e 7.3, não eram explícitas as categorias entretenimento e alimentação. Mas, optou-se pela sua manutenção por dois motivos, a saber: por uma questão metodológica, para facilitar o tratamento e comparação de resultados e porque os alunos poderiam fazer inferências ou manifestar algum conhecimento prévio.
Assim, na questão 7.1, referente à figura A - Imagem sobre a nobreza, as respostas destacaram o entretenimento: o banquete, os jogos, os animadores, etc, e o
mobiliário. As opiniões sobre o modo de vida dos nobres sobressaíram em quase todas as respostas, dando, também, grande destaque ao espaço, personagens e vestuário. As categorias menos referidas foram as funções do grupo social e as elaborações (Ver Gráfico 14).
Gráfico 14: Distribuição dos enunciados por categorias das narrativas a partir da imagem da nobreza (N=41)
Por sua vez, na questão 7.2 sobre a figura B - Imagem sobre o clero, as respostas dos alunos privilegiaram a localização no espaço – a igreja, os personagens, as funções do clero e expressaram algumas opiniões sobre o seu modo de vida. Nas suas respostas não salientaram o vestuário e o mobiliário. Poucas respostas se incluíram nas elaborações. Não se registaram ocorrências na alimentação e nem no entretenimento - aspectos a que a figura não retratava (Ver Gráfico 15).
Gráfico 15: Distribuição dos enunciados por categorias das narrativas a partir da imagem do clero (N=41) 0 5 10 15 20 25 30 35 40
Espaço Persona Vestuário Mobil. Aliment. Entret. Funções Juízos valor Elabor. 0 5 10 15 20 25 30 35 40
Espaço Pers. Vest. Mob. Aliment. Entret. Funções Juízos valor
As respostas à questão 7.3 sobre a figura C - Imagem sobre o povo, salientaram as seguintes categorias: o espaço - campo e as casas, as funções do povo e expressaram opiniões pessoais - juízos de valor. Os aspectos do vestuário e as personagens tiveram também ocorrências significativas. A alimentação, o entretenimento e as elaborações foram as categorias com menos ocorrências. Por fim, o mobiliário não foi referenciado em nenhuma resposta, dado também que este aspecto não estava representado na figura (Ver Gráfico 16).
Gráfico 16: Distribuição dos enunciados por categorias das narrativas a partir da imagem do povo (N=41)
A maioria das respostas obtidas descreveu com pormenor as imagens apresentadas, como se pode constatar pela frequência de ocorrências em cada uma das categorias de análise: espaço, personagens, vestuário, mobiliário, alimentação, entretenimento e funções. As respostas privilegiaram todos os aspectos explícitos das imagens, denotando na sua grande maioria uma observação rigorosa das mesmas.
Um número significativo de respostas apresentou juízos de valor, a partir dos elementos contidos nas imagens, sobretudo relativamente às figuras A (nobreza) e C (povo). Das suas respostas notou-se que tinham “consciência” que se tratavam de pessoas com estatuto social muito diferente. A figura B gerou menor frequência de opiniões, destacando o aspecto religioso e a sua capacidade de trabalho - aspecto muito retratado na figura B.
Um número mais reduzido de respostas incluiu-se na categoria Elaborações, onde alguns alunos realizaram inferências quer através de elementos das figuras e/ou do seu conhecimento histórico prévio.
0 5 10 15 20 25 30 35 40
Espaço Pers. Vest. Mob. Aliment. Entret. Funções Juízos valor
De seguida, delineou-se uma categorização das respostas que nos permitisse uma mais fácil análise das respostas dos alunos às questões do presente questionário e efectuar uma organização das respostas dos alunos por padrões gerais de processos cognitivos. Com a finalidade de tipificar as primeiras narrativas construídas pelos alunos, a categorização foi baseada num estudo de Wineburg (1991),(Ver Cap. III) e na leitura interpretativa das respostas dos alunos.
O sistema de categorias utilizado foi o seguinte (Ver Quadro 13):
Quadro 13: Categorias de análise das narrativas construídas a partir de imagens
Após a categorização de todas as respostas, um total de 123, ou seja, três questões para 41 alunos que constituíram a nossa amostra; incluímos 34 respostas na categoria descrição; 61 respostas na categoria opinião e, por fim, 28 respostas na categoria qualificação (Ver Gráfico 17).
Gráfico 17: Distribuição dos enunciados por categorias das narrativas a partir de imagens (Questões 7.1, 7.2 e 7.3) (N=123)
As respostas incluídas na categoria descrição descreveram o conteúdo explícito das figuras, como foi o caso do Jorge e do Camilo. Referiram-se aos elementos
Categorias Indicadores Descrição Os enunciados descrevem sumariamente ou com pormenor os elementos
visuais contidos nas figuras, sem referência ao propósito ou função que a imagem retrata.
Opinião Os enunciados descrevem as gravuras e expressam opiniões pessoais (“bom”;
“mau”; “rico”; “pobre”, etc).
Qualificação Os enunciados apresentam algumas inferências a partir de elementos presentes
nas gravuras ou conjugam esses elementos com o conhecimento histórico prévio. 0 20 40 60 80 100 120
constitutivos das imagens, tais como, o mobiliário, o jogo de xadrez, as actividades, os instrumentos e as casas. Um outro aluno, o Tiago Filipe, “teve o cuidado” de descrever a imagem localizando os diferentes aspectos na respectiva figura: “lá no fundo” e “bem em cima”, mas sem qualquer referência quer à função quer ao propósito da imagem:
“Eles têm uma fogueira para se aquecer, as roupas muito coloridas e boas, têm uma mesa grande para comerem todos ao mesmo tempo. Um tabuleiro de xadrez para eles se entreterem, um quadro com dois cavaleiros e um guarda.”, (Jorge: Fig. A – Nobreza)
“A figura B está lá no fundo uma igreja e bem em cima, um cavalo e um cavaleiro, estão dois padres a rezar e um está com uma hóstia e ainda estão dois frades a escrever em cima de uma mesa e está sentado num banco.”, (Tiago Filipe: Fig. B – Clero)
“Algumas pessoas estavam a lavrar e a semear, ceifar, trabalhavam com animais e as casas eram pequenas, tinham instrumentos como as sacholas e mais coisas.” , (Camilo: Fig. C – Povo)
Considerámos que 61 das respostas obtidas se incluíam na categoria opinião, uma vez que aliaram a descrição dos elementos presentes nas figuras à emissão de opiniões, tais como : “bom”, “mau”, “rico”, “pobre”, etc. Como por exemplo, a Flávia Isabel, que considerou que os nobres eram felizes porque tinham boas condições materiais, aspectos aliás, bem realçados na figura A.
“A vida destas pessoas seria feliz, faziam festas, comiam muitos alimentos, tinham uma fogueira para os aquecer e um animador de festas e guardas para os proteger, tinham boas mobílias e um bom palácio.”, (Flávia Isabel: Fig. A – Nobreza)
O João Carlos achou que os membros do clero eram bons porque eram homens de Deus, servindo-se para a formulação da sua opinião de alguns símbolos , tais como a cruz e a igreja presentes na figura B.
“ O dia-a-dia das pessoas da figura B é rezar na igreja, escrever livros, lutar e devem ser bons pois são homens de Deus.”, (João Carlos: Fig. B – Clero)
Por sua vez, a Raquel considerou que a vida do povo era difícil porque trabalhavam muito e viviam em casas pobres. Esta afirmação deriva do facto das casas constituírem-se como os elementos principais da figura C e das suas concepções acerca da vida rural.
“ O dia-a-dia das pessoas da figura C devia ser difícil porque trabalhavam no campo com sacholas, foices e um arado e viviam em casas pobres, pequenas e com telhados de palha.”, (Raquel: Fig. C – Povo)
As restantes respostas (28) incluíram-se na categoria qualificação, realizando algumas inferências, quer através de alguns elementos presentes na gravura e/ou através do seu conhecimento histórico prévio:
“ Estas pessoas são ricas e nobres, as suas casas são de pedra com uma enorme lareira, têm comida na mesa. Vestem-se bem, têm animais de estimação e um retrato que representa uma cena de guerra, têm cadeiras que naquela quase não existiam, como são ricos quase de certeza que não pagavam impostos, têm diversões, têm um bobo e soldados, também têm tapetes de pele de animais, têm almofadas e cortinas, também têm objectos de decoração.”, (Rita: Fig.A – Nobreza)
“O dia-a-dia era bom e mau, porque iam à guerra (os padres) para lutar ao lado do seu rei contra os infiéis, podiam ser cruzados. Sabiam ler e escrever e seriam professores. Eram cristãos e faziam rezas ao seu rei. Eram clérigos que iam para a guerra lutar pela sua terra e por recompensa recebiam terras novas.”, (Andreia Sofia: Fig. B – Clero)
“Na figura C as pessoas andavam no campo, algumas a ceifar, outras a lavrar, outras a semear, etc. Também tinham casas pequeninas, talvez só com uma divisão e telhado de palha, mas acho que os campos e as casas não eram dessas pessoas e também que as pessoas eram analfabetas, não tinham dinheiro para pagar a escola.”, (Ana Isabel: Fig. C – Povo)
A aluna Rita demonstrou possuir algum conhecimento histórico prévio, pois utilizou conceitos históricos, identificou e caracterizou a nobreza. Realizou também uma inferência a partir dos elementos da figura, “como são ricos quase de certeza que não pagavam impostos”, estabelecendo relação directa entre riqueza e privilégio.
Por sua vez, a Andreia Sofia associou as personagens da figura B aos cruzados que lutavam ao lado do rei e como recompensa recebiam terras. Revelou também possuir conhecimento histórico sobre os clérigos, “sabiam ler e escrever e seriam professores”. A Ana Isabel partiu dos elementos da figura C e realizou algumas inferências, tais como, “mas acho que os campos e as casas não eram dessas pessoas” e estabeleceu uma relação de causalidade entre pobreza e analfabetismo, ou seja, a falta de recursos económicos condicionava um investimento na educação.
Posteriormente, procedeu-se a uma análise cruzada entre as figuras apresentadas e a categorização das respostas dos alunos. Concluímos que a figura que suscitou a formulação de mais respostas incluídas na categoria Descrição foi a figura B - clero.
As respostas obtidas através das figuras A e C - nobreza e povo respectivamente suscitaram a formulação de opiniões por parte dos alunos, sobretudo relacionadas com aspectos materiais e valores pessoais. Estas opiniões expressaram-se muitas vezes em oposições binárias, tais como: “ricos/pobres”; “viviam bem/viviam mal”; “vida fácil/vida difícil”, dando a entender que na organização das suas respostas agruparam estas duas imagens e construíram as suas respostas numa espécie de antinomia.
A figura acerca do clero originou, também, mais respostas incluídas na categoria Qualificação, dando a entender que era relativamente a este grupo social que alguns alunos detinham mais conhecimento histórico prévio, como é visível, por exemplo na resposta da Andreia: “(...) lutar ao lado do seu rei contra os infiéis, podiam ser cruzados. Sabiam ler e escrever e seriam professores. (...) Eram clérigos que iam para a guerra lutar pela sua terra e por recompensa recebiam terras novas.” Pela linguagem utilizada pareceu-nos que esse conhecimento histórico prévio advinha dos manuais escolares (ilustrações) e da Guerra da Reconquista, tema leccionado anteriormente. As figuras A e C geraram menos respostas nesta categoria, embora fossem os elementos presentes nas figuras que permitiram a realização de algumas inferências e a formulação de algumas hipóteses explicativas. É o caso da Rita que escreveu o seguinte relativamente à figura A: “(...) como eram ricos quase de certeza que não pagavam impostos (...)” Registaram-se também algumas respostas que denotavam conhecimento histórico prévio no atinente a estes dois grupos sociais, como foi o caso do Rúben, disse o seguinte: “o dia-a-dia dessas pessoas era não trabalharem, viverem em palácios (...) a sua actividade era a guerra e conseguir recompensas e fazer festas (...)”. Este conhecimento pareceu-nos advir da matéria escolar leccionada na unidade anterior, ou seja, a luta de D. Afonso Henriques pela independência do Condado Portucalense.
b. Compreensão e tipos de narrativas construídas a partir do filme
Com o objectivo de analisar o grau de compreensão e o tipo de narrativas construídas pelos alunos a partir dos excertos seleccionados do filme Braveheart - o
As narrativas abertas construídas pelos alunos a partir dos excertos do filme seleccionado continham em média 195 palavras e preencheram cerca de 36 linhas. Algumas ultrapassaram o número de linhas propostas e tiveram necessidade de requisitar uma nova folha, o que vem corroborar os resultados obtidos no QC, ou seja, os alunos possuíam competências de expressão escrita e empenharam-se na execução da tarefa proposta.
Após uma leitura atenta das narrativas, detectámos que estas apresentaram uma
estrutura linear, ou seja, começaram por introduzir a localização no espaço e no tempo, apresentaram as personagens principais, descreveram as diversas acções e concluíram. O desenlace das suas narrativas foi mais heterogéneo, designadamente: 15 narrativas terminavam com a vitória de Robert de Bruce e a independência da Escócia; 14 com a luta dos escoceses após a morte de William Wallace contra os ingleses; 7 com a tortura e condenação à morte de William Wallace e por fim, 5 não apresentaram qualquer final dado o carácter tautológico das suas produções.
De uma maneira geral as narrativas produzidas eram muito descritivas, os alunos apenas mencionaram os aspectos visionados e não proferiram opiniões e nem explicaram as suas afirmações. Utilizaram em maior quantidade palavras plenas, tais como: os verbos, os substantivos e os adjectivos. As palavras instrumento, tais como as conjunções copulativas, adversativas e advérbios aparecem em muito menor quantidade.
Para uma análise sistemática das narrativas abertas (NA) sobre os excertos do filme visionado estabeleceram-se as seguintes categorias substantivas: espaço, tempo, personagens, vida quotidiana, contexto, valores e elaborações. Para a definição de indicadores nas categorias espaço, tempo, personagens e contexto consultámos o dicionário de narratologia de Reis e Lopes (2002), (Ver Quadro 14).
Quadro 14: Categorias de análise das narrativas construídas a partir de filmes
Categorias Indicadores Espaço Referência aos componentes físicos que servem de cenário ao desenrolar da acção e à
movimentação das personagens: países, cidades, aldeia, etc.
Tempo O tempo da história: a sucessão cronológica de eventos susceptíveis de serem
datados, como por exemplo: século, ano, etc.
Personagens Nomeação/ caracterização das diversas personagens em torno das quais gira a acção e
em função das quais se organiza a economia da narrativa.
Vida quotidiana
Aspectos referentes aos rituais visualizados (casamento e armamento de cavaleiro), aspectos da vida material: alimentação, vestuário, objectos, etc.
Contexto Aspectos relacionados com o contexto social (nobreza e povo); político (relações
entre os países e monarquia hereditária); económico e cultural.
Juízo de valor
Emissão de opiniões/pareceres pessoais e críticas; apreciação e formulação de julgamentos.
Elaborações Criação de algumas ideias a partir da visualização do filme e/ou relacionação com
outros conhecimentos
As categorias que obtiveram maior número de ocorrências foram o Espaço, os Personagens e os aspectos da Vida quotidiana. As categorias localização no Tempo e o Contexto tiveram ocorrências significativas. As categorias Valores e Elaborações tiveram menos ocorrências (Ver Gráfico 18).
Gráfico 18: Distribuição dos enunciados por categorias de narrativas a partir do filme (N=41)
Para uma abordagem mais pormenorizada procedemos à descrição dos aspectos que obtiveram maior registo de ocorrências em cada categoria:
0 5 10 15 20 25 30 35 40
Espaço Tempo Pers. Vida Quot.
Na categoria espaço, as narrativas deram relevância à Escócia (58%), não obtendo
a Inglaterra a mesma ordem de importância (42%). Relativamente à Escócia, centraram os seus enunciados na aldeia e no caso da Inglaterra, na cidade de Londres. Poderemos considerar que uma parte significativa das narrativas produzidas pelos alunos centraram a sua atenção na Escócia (Ver Anexo 5, Gráfico 8).
Quanto à categoria tempo, mais de metade da amostra referiu o ano de 1280, que é bem referenciado no primeiro capítulo do filme e 43,90% dos alunos registaram a data de 1314, que correspondia ao último capítulo do filme . Outro tipo de localização, tais como os séculos e partes do dia não registaram praticamente nenhumas ocorrências. Os alunos prestaram maior atenção ao ano do início do conflito e tiveram mais dificuldades noutros sistemas de datação mais abstractos (Ver Anexo 5, Gráfico 9).
Os personagens destacadas foram William Wallace, o protagonista do filme, o príncipe Eduardo e a princesa Isabelle. O pai de William foi também muitas vezes mencionado, sendo o drama familiar talvez a explicação para a importância que os jovens atribuíram a este personagem. O rei Eduardo I e o conde Robert de Bruce registaram também muitas ocorrências. Os personagens constituíram um elemento estruturante nas narrativas dos alunos (Ver Anexo 5, Gráfico 10).
Na categoria vida quotidiana registaram-se muitas ocorrências nos rituais do armamento de cavaleiro e do casamento real. Descreveram com pormenor o vestuário das diversas personagens, destacaram e descreveram a habitação e o mobiliário, mas fizeram poucas referências a objectos. Poderemos considerar que os aspectos da vida quotidiana das pessoas do passado interessaram e despertaram curiosidade nos alunos (Ver Anexo 5, Gráfico 11).
Na categoria contexto, as respostas dos estudantes referenciaram e descreveram os
problemas da monarquia hereditária e os interesses divergentes entre escoceses e ingleses, usando nomeadamente, noções como a invasão e a resistência, apresentando uma maior dificuldade em relacionar os interesses dos diferentes grupos sociais. O facto dos nobres escoceses viverem num dilema entre o apoio ao rei inglês e a defesa da Escócia e as suas atitudes contraditórias ao longo do filme terão contribuído para este resultado, assim como, a complexidade dessas mesmas relações (Ver Anexo 5, Gráfico 12).
Nas narrativas, os alunos exprimiram alguns juízos de valor, tais como: a condenação da guerra como forma de resolução de problemas, a defesa da paz, a importância da liberdade e da independência dos estados. Uma percentagem menor
destacou a noção de honra e de traição entre os vários agentes do filme e ainda um número menor atribuiu o papel de herói a William Wallace. Este surgiu apenas nas narrativas como um elemento importante na luta da Escócia e na defesa dos “ideais” de todos (Ver Anexo 5, Gráfico 13).
Apenas em algumas narrativas se podiam observar algumas elaborações. Estas estavam quase todas relacionadas com a política de casamento na Idade Média e a importância social do armamento de cavaleiro. Por exemplo, a Ana Isabel e a Raquel partiram de informações prestadas pelo filme para fazerem inferências simples, no primeiro caso sobre a importância social dos cavaleiros e no caso da Raquel sobre a