Contributo dos Eventos Enogastronómicos para a Promoção Turística do
Alentejo
Dados do Entrevistado
Nome: António Maria Gomes de Lacerda Atividade: Diretor Executivo
Data: 2015/07/24
Entrevista
1 – Em termos de projeção, que evento enogastronómico realizado, anualmente, no Alentejo destacaria?
Festival das Tasquinhas de Sines.
2 – Considera que os eventos enogastronómicos que se realizam, atualmente, no Alentejo promovem os saberes e os sabores da gastronomia e vinhos alentejanos?
Sim.
3 – Considera que os eventos enogastronómicos que se realizam, atualmente, no Alentejo contribuem para a atratividade turística deste destino?
Apenas em pequena escala, pois pecam por organização tardia, ausência de suportes em idiomas e escasso, ou nulo, trabalho de promoção
4- Na sua perspetiva, existem no Alentejo eventos enogastronómicos com visibilidade a nível nacional e internacional? Qual/Quais?
Maioritariamente não. Numa dimensão global, na sua programação esse objectivo não está presente. Para poderem ter essa visibilidade deveriam ser programados com, pelo menos, um ano de antecedência e incorporarem em todas as suas fases (planeamento, promoção e realização) a preocupação de ir ao encontro de um público estrangeiro.
Tal implica que seja desde logo feita uma prospecção de mercado, para determinar qual ou quais os de maior receptividade ao evento, definir um plano de marketing mercado a mercado, pensada a preparação de suportes em idiomas, incluindo as ementas, definição de preçários que possam ser comunicados um ano antes, capacitar os participantes do eventos para o acolhimento de cidadãos falantes de outros idiomas.
162 4.1 – Ao nível da organização e divulgação destes eventos, que aspetos poderiam ser melhorados?
Todos os antes referidos, isto:
Fase 1 – Planeamento: Avaliação ex-ante da temática especifica do evento e estudo e prospecção para identificar mercados potenciais;
Fase 2 – Escolha de calendário em função da prospecção feita;
Fase 3 – Elaboração e prosseguimento de plano de marketing específico para cada mercado; Fase 4 – Elaboração de regulamento e preçário que possa ser divulgado a par da promoção, por forma a permitir impactar os públicos potenciais;
Fase 5 – Assegurar que na fase de realização é acautelada a existência de informação perceptível por parte dos utentes estrangeiros.
5 - Considera o Alentejo como um destino enogastronómico? Por favor, justifique brevemente.
Sim.
A Dieta Alentejana, enquanto parte integrante da dieta Mediterrânica, que felizmente se encontra disponível numa grande parte dos estabelecimentos de restauração reforça em muito a atractividade do destino e pode mesmo ser entendido como primeira motivação para segmentos específicos da procura.
O excelente trabalho que vem sendo feito na promoção do vinho e dos enoturismos tem criado novos fluxos de turistas, cuja motivação primeira é o experienciar de singularidades da produção vitivinícola deste território
6 - Como avalia o impacte da campanha dirigida ao mercado britânico “Alentejo The Gastronomic Soul of Portugal”, decorrida em 2014?
Reduzido.
A influência de externalidades foi determinante para um menor impacto, com especial relevo para a relação cambial entre a Libra e o Euro, que afastou muitos possíveis clientes, que numa fase inicial ainda efectuaram reservas em número muito considerável, para logo após se registar uma quebra na razão de 5 para 1.
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Contributo dos Eventos Enogastronómicos para a Promoção Turística do
Alentejo
Dados do Entrevistado
Nome: Sofia Vieira /Portuguese Cooking School Atividade: guia interprete
Data: 10-7-2015
Entrevista
1 Conhece eventos enogastronómicos que se realizem no Alentejo?
Sim, sobretudo as semanas temáticas, o congresso das Açordas, a Cozinha dos Ganhões, a Doçaria das Alcáçovas,
1.1- Já organizou programas em torno de eventos enogastronómicos?
Em Évora não, mas tenho um programas construídos e operacionalizados por mim, que em Évora e noutros locais do Alentejo, envolvem a gastronomia, com as aulas de cozinha, com a ida ao mercado e também aos supermercados, com visitas e provas de vinhos em Évora, Reguengos e Estremoz, com a utilização de alguns restaurantes de Évora. A tudo isto, é indispensável a visita ao Património.
Em Portel, várias vezes organizei programas relacionados com o Congresso das Açordas e com a Feira do Montado. Nestes eventos, funcionam muito bem peddy-papper e guiões de
compras de cesto de compras (aconselhando os turistas os produtos que não devem perder). Atualmente as feiras medievais são uma moda que também atrai turistas, mas que começa a vulgarizar-se e até a banalizar-se.
Na aminha opinião, as recriações históricas, em cidades como Évora e outras, continuam a fazer sentido, mas “à séria”, com uma forte componente cultural que atrai em quantidade suficiente para que a parte de gastronomia e vinhos possa resultar. Não adianta criar eventos sem massa crítica para serem sustentáveis e para que quem neles se envolve sinta que valeu a pena.
2 – Em termos de projeção, que evento enogastronómico realizado, anualmente, no Alentejo destacaria?
Congresso das Açordas, Festa da Castanha em Marvão,
3 – Considera que os eventos enogastronómicos que se realizam, atualmente, no Alentejo promovem os saberes e os sabores da gastronomia e vinhos alentejanos?
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No geral, o que há ajuda a criar uma ideia de que a gastronomia no Alentejo vale a pena e ajuda na divulgação dos diversos atores no terreno, mas sendo a região mais genuína do país, acredito que se possa fazer mais. Acredito que quando se divulgar com mais impacto e à vez, cada um dos principais ingredientes dos sabores, indiretamente, o todo sai reforçado.
Sempre ouço os meus clientes da escola de cozinha dizerem que nos seu países não ouve falar do azeite português, mal se ouve falar no vinho do Alentejo, do mel, etc.
Acho que, à vez, todos deveríamos promover estes mesmos produtos, para lhes dar visibilidade e como um bom vinho acompanha “tudo”, como o azeite está presente em “todos” os pratos, o mel adoça quase “todos” os doces…e por aí fora…
4 – Considera que os eventos enogastronómicos que se realizam, atualmente, no Alentejo contribuem para a atratividade turística deste destino?
De certo modo, sim, mas acho que seria interessante quando se realizam estes eventos, chamar chefes de cozinha dos países de onde queremos turistas, para lhes dar conhecimento dos nossos produtos e os pôr a cozinhar connosco. Do mesmo modo, convidar os
responsáveis pelas empresas de importação de vinhos e azeites. Afinal, atrás da comida vem o resto! É o vinho do Porto que torna o vale do Douro tão especial!
5- Considera que existem no Alentejo eventos enogastronómicos com visibilidade a nível nacional e internacional?
A nível nacional sim, mas internacional, não! Ainda não! Claro que não estou a contar a raia para esta avaliação!
5.1 – Ao nível da organização e divulgação destes eventos, que aspetos considera que poderiam ser melhorados?
Dimensão , autenticidade e animação. Aqui há quase tudo a fazer.
6 - Considera o Alentejo como um destino enogastronómico? Por favor, justifique brevemente.
Sim, a nível nacional e um pouco internacional, sobretudo no que toca ao mercado Brasileiro. O conhecimento dos nossos principais ingredientes a nível internacional levaria os turistas a querer conhecer e a provar na origem!
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