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II. Theory, Methods and Numerical Examples 7

2.3. Detecting stiffness

2.3.5. Numerical Examples

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lembrar de cada detalhe da viagem. Naturalmente, esse tipo de ima- gem pode trazer lembranças diferentes para cada pessoa que a ob- serva – alguém pode ter tido um vaso parecido ou lembrar da avó, que fazia suco num jarro e servia na hora do jantar. São lembranças tão íntimas que, de certa forma, se tornam universais. Pode parecer meio paradoxal, porém acredito que isso aconteça. Uso essas ima- gens imaginadas, retiradas do meu cotidiano visual, para comandar um corpo e conversar com o espaço arquitetônico de outro lugar. Uma vez, numa palestra, me perguntaram se era eu mesma que cria- va as vozes que estão nos vídeos. Disse que sim, quando olho para esses objetos os imagino falando. E me perguntaram: então você ouve vozes? (risos).

Algumas vezes a escolha do objeto também está de acordo com o lugar onde acontecerá a exposição. O vaso que usei em Thus (Pearl Shaped Vase), apresentado em Xangai, foi escolhido porque tinha uma forma de pérola, e essa imagem de algum modo me faz lem- brar a China. A escolha da imagem que funciona como “cérebro” é, então, o momento mais importante do trabalho, muitas vezes cru- cial para fechar uma ideia. Todo o resto só faz sentido por causa dessas imagens. O processo funciona da seguinte forma: gravo o vídeo, movimentando o objeto com minhas próprias mãos, utili- zando luvas pretas e um fundo preto. É tudo feito em casa. Também não uso efeitos, o máximo que posso fazer é um ajuste posterior na imagem, algo bem simples como alterações no brilho ou no con- traste. Chamo meus vídeos de animações por convenção, mas não sei exatamente o que eles são… Nesses vídeos, não faço um quadro a quadro para depois juntar as fotografias, como numa animação stop motion. Trata-se, em princípio, de um vídeo convencional que, posteriormente, acelero e desacelero, altero a velocidade e trabalho com o tempo. O resultado surge com base na deformação do tempo real, e é dessa deformação que surgem as tais imagens imaginadas. Em um determinado momento, durante a gravação, passo sobre o objeto uma luz de emergência que tenho em casa para produzir um

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clarão na imagem do vídeo. É esse clarão que, na projeção contida na instalação, aciona os sensores ldr que estão fixados na bola de isopor, em Então (Vaso Azul). Logo, as bolsas de plástico, antes va- zias, começam a inflar e o corpo da instalação vai preenchendo o espaço da sala. Nesse momento, algumas coisas interessantes po- dem acontecer de forma imprevista no trabalho. Em Pittsburgh-eua, por exemplo, na montagem de Thesethose, um grande saco plástico “engolia” completamente um saco menor quando inflava. Parecia o comportamento de seres vivos! Esse tipo de acontecimento foge completamente do meu controle, é algo totalmente imprevisível (ali- ás, é comum que surpresas desse tipo aconteçam durante a cons- trução da obra e serem incorporadas). No caso de Pittsburgh, foi alguma coisa tão casual e aleatória que ainda não consegui repetir esse comportamento em outros trabalhos, apesar de já ter tentado várias vezes. De alguma forma, vejo o objeto da animação como a inteligência, pois que todos os comandos vêm dali. Como qualquer organismo, nem sempre as coisas acontecem conforme o planeja- do e essas imprevisibilidades me interessam bastante. Entretanto tudo se desenrola a partir de algo que acontece no vídeo, seja o movimento do objeto, seja o som da sua voz. A animação é, conse- quentemente, um centro de acontecimentos, concentra tudo o que acontece no corpo.

Vejo a escolha desse pequeno objeto, parte do seu cotidiano, como um gesto poético muito sutil e mesmo um pouco irônico. Ou seja, você escolhe um objeto tradicional para manipular diretamente com suas próprias mãos, e coloca isso como centro de controle de um organismo tecnológico complexo, que funciona de forma imprevista.

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mariana Isso que você está dizendo me faz lembrar que a Iole de

Freitas, numa das aulas que tive com ela no Parque Lage52, me falou

que eu realizava trabalhos que tinham relação com o toque. Estava começando a desenvolver essa pesquisa, já tinha feito alguns víde- os e fotografias que, de certa maneira, sempre remetiam a objetos pequeninos, feitos para serem manipulados: era o pote que eu se- gurava, a janela que eu abria e fechava. Mesmo a janela da minha casa, que é enorme, manipulo com a ajuda de cordas ou com minhas próprias mãos ao filmá-las para fazer as animações. Em vários ví- deos, minha mão aparece fazendo algum movimento, mas não me interessa apagar essa marca, pois gosto de evidenciar que aquilo foi feito sem preocupação de apagar rastros, nem de usar de algum recurso de computação gráfica. A Iole de Freitas relacionou tudo isso com o fazer manual. Outro exemplo desse trabalho manual, é o uso de tubos de pvc como estrutura para os corpos que eu crio. Ele possibilita construir a estrutura e encaixar as peças como um Lego, devido aos inúmeros tipos de tubos e junções. Além disso, também consigo curvar o tubo utilizando um secador especial, muito potente, que consegue aquecê-lo, o que dá muita liberdade. Finalmente, tudo tem ligação com coisas que estão próximas, que podem ser tocadas,

mexidas e moldadas com as mãos. Roland Barthes53 fala dos objetos

de proxemia, que são os objetos que estão tão próximos que, mes- mo com a luz apagada, você estende a mão e sabe o que tem na sua cabeceira. Por fim, não tenho uma resposta para essas escolhas, é algo intuitivo. Acho que se tivesse respostas para tudo, não precisa- ria mais fazer o que faço.