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4.2 Project results: costs, strategies, quality and collaboration

4.2.1 Participants aims, involvement and priorities

A técnica de análise do conteúdo foi selecionada no momento da elaboração do projeto de pesquisa e, após sua realização, ainda apresentou-se como decisão metodológica adequada para obtenção dos resultados pretendidos. De acordo com Bardin (2006), ela pode ser conceituada como um conjunto de procedimentos de análise das comunicações, que se refere ao estudo tanto dos conteúdos nas figuras de linguagem, reticências, entrelinhas, quanto dos manifestos. Por isso, mostrou-se viável para a caracterização da vulnerabilidade no consumo direcionado aos filhos de famílias monoparentais femininas.

Para seguir os procedimentos de codificação e tratamento dos relatos, a análise do conteúdo foi conduzida de acordo com os passos apresentados por Campos (2004) no Quadro 20.

Quadro 20 - Fases da Análise do Conteúdo por Campos (2004)

FASE DESCRIÇÃO

Transcrição

As entrevistas foram transcritas e organizadas com o apoio das plataformas do Pacote Office da Microsoft (2010) Word e o Excel. Apesar de ser uma ferramenta destinada aos números, no Excel é bem mais simples manusear recortes de textos para agrupá- los em categorias e subcategorias de acordo com os padrões determinados.

Pré-exploração e leituras flutuantes

Ocorreu após a transcrição, com o intuito de familiarizar-se com os discursos, reconhecer as primeiras particularidades das entrevistas, e a provável tendência das respostas.

Seleção das unidades de análise

Buscou-se o evidenciamento das unidades de análise temáticas, que são os recortes do texto. Esta atividade foi feita segundo um processo de análise ora focado na mensagem explícita, ora nas significações não aparentes do contexto. Para tal, foram utilizados os objetivos do trabalho e as teorias como primeiros norteadores.

Codificação Marcação das unidades de análise, com cores que permitiram seu agrupamento posterior (em categorias ou subcategorias). E codificação das entrevistadas, que receberam nomes avulsos para terem suas respectivas identidades protegidas.

Processo de categorização e subcategorização

Momento de definição dos grandes enunciados que abarcam um número variável de temas, segundo seu grau de intimidade ou proximidade, e que puderam por meio de sua análise, exprimir significados e elaborações importantes para aos objetivos de estudo e criar novos conhecimentos. A definição das categorias emergiu do contexto das respostas e de acordo com a relevância implícita, ou seja, poderia ser um tema importante que não se repetia no relato de outros respondentes, mas que guardava em si, riqueza e relevância para o estudo.

Fonte: Baseado em Campos, (2004).

Apesar de, didaticamente, o Quadro 20 aparentar-se como uma sequência lógica, acredita-se que o exercício de compreensão e discussão dos resultados é um processo que pode ser feito conjuntamente aos outros passos da análise, interligando-se, por exemplo, o material coletado ao corpo teórico norteador e às inferências realizadas (CAMPOS, 2004). Dito isto, e de acordo com todos os passos apresentados, a operacionalização prática da pesquisa encontra-se resumida na Figura 9.

Figura 9 - Etapas operacionais da pesquisa

Fonte: Elaboração própria (2016).

E, para condensar todas as informações discutidas no capítulo referente ao Método, o Quadro 21 é apresentado com a Síntese do desenho da pesquisa.

ETAPA 5 - Análise dos resultados

Relatos versus teoria Descrição de novos conhecimentos

ETAPA 4 - Leitura dinâmica

Leitura dinâmica Criação de categorias e subcategorias

ETAPA 3 - Triagem e organização dos relatos

Codificação e organização dos realatos Transcrições

ETAPA 2 - Abordagem dos sujeitos

Convite formal e agendamento Realização das entrevistas

ETAPA 1 - Seleção dos sujeitos

Quadro 21 – Síntese do desenho da pesquisa

Tipo de pesquisa Empírica, exploratória; Campo.

Abordagem Qualitativa.

Método Entrevistas individuais face a face, com roteiro semiestruturado, registradas por meio da captação de áudio.

Sujeitos Famílias monoparentais femininas, fruto do divórcio, com crianças de até 12 anos que estivessem na fase 1 ou 2 do processo, ou filhos maiores de 12 anos, mas que na época do divórcio compreendiam o critério anterior.

Análise Análise do conteúdo.

Fonte: Elaboração própria (2016).

No Capítulo seguinte encontram-se dispostas a análise e a interpretação dos resultados alcançados pelo estudo.

4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

Neste capítulo são apresentadas a análise e a interpretação dos resultados obtidos após a realização da pesquisa. Para manter a conformidade com a divisão das questões atribuída em blocos no roteiro de entrevista, também foram desenvolvidas três categorias principais, sendo elas: reconhecimento geral do processo de divórcio (bloco 1), o consumo da família nuclear versus o consumo da família monoparental (bloco 2), e a caracterização da vulnerabilidade (bloco 3). As subcategorias que emergiram de acordo com os relatos são apresentadas em cada seção.

O Quadro 22 apresenta a organização de categorias e subcategorias:

Quadro 22 - Organização de categorias e subcategorias

Bloco Categorias Subcategorias

Bloco 1 Reconhecimento geral do processo de divórcio -

Bloco 2 O consumo da família nuclear versus o consumo da família monoparental

Negociação e diálogo

Divisão dos gastos e controle orçamentário Conflitos nas decisões de compra

Presentes e “mimos”

Bloco 3 Caracterização da vulnerabilidade Características individuais Estados individuais Fonte: Elaboração própria (2016).

Para entender como se davam as relações de consumo desempenhadas pelas famílias estudadas, inicialmente, a pesquisadora buscou desenvolver um nível favorável de aproximação com o contexto de vida das voluntárias e seus filhos. Dessa forma, o bloco destinado ao reconhecimento geral do processo de divórcio foi utilizado para identificar as características e as modificações consequentes em seus hábitos, costumes e comportamentos de consumo direcionados à criança.

Na ocasião, sete questões foram utilizadas para tentar compreender de maneira abrangente, porém, não invasiva, a realidade que enfrentaram na época da separação, e as situações vivenciadas que pudessem caracterizar a formação de um comportamento vulnerável nas relações de consumo em questão. As análises referentes a esta categoria são descritas a seguir.