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Norsk Arkeologisk Selskap

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Em termos de avaliação global deste projeto, pensamos ter demonstrado que os enfermeiros, como nos refere a literatura, pelas competências que detêm na abordagem da pessoa/família, bem como pelo seu trabalho de proximidade, assumem um papel privilegiado no cuidar, no qual o sofrimento e o desconforto são sempre possíveis apelos, e o conforto uma necessidade sempre presente (Vieira, 2007; Nunes, 2011).

A teoria de médio alcance de Katherine Kolcaba encaixa sobremaneira na filosofia dos cuidados de conforto em saúde mental, tendo fornecido explicações interessantes sobre os estados de conforto (alívio, tranquilidade e transcendência) e a influência dos diferentes contextos na vivência do conforto (física, sociocultural, psicoespiritual e ambiental).

Os instrumentos utilizados, em particular a ECIP 51, modificada para este trabalho em particular, permitiu-nos a mensuração de necessidades de conforto no HD e a obtenção resultados que foram consonantes com outros métodos de avaliação subjetiva, tais como a partilha pela palavra e entrevistas semiestruturadas.

Os ganhos em saúde conseguidos permitiram não só demonstrar a importância do diagnóstico e intervenção nas necessidades de conforto no grupo de utentes de HD, como nos orientou para a especificidade de estados de conforto como a tranquilidade e a transcendência, que continuam, à semelhança dos utentes estudados em contexto de clínica psiquiátrica, a ser áreas prioritárias na satisfação do conforto neste grupo abordado neste contexto.

No serviço de internamento, através de métodos como a FMEA e a formação em serviço, foi possível a avaliação da qualidade dos cuidados de conforto e a clarificação fundamentada e objetiva de quando e como os enfermeiros podem promover os cuidados mais adequados. A participação em outros projetos do serviço como o grupo de famílias, PETRARCA e PPAA constituíram uma fonte preciosa de aprendizagem. Em relação à de concretização dos objetivos propostos neste projeto, foi primeiramente nossa pretensão definir que intervenções de cariz psicoterapêutico poderiam ser implementadas pelos enfermeiros, de forma a responder às necessidades do conforto de um grupo de utentes internados em HD.

50 Através dos resultados da ECIP 51 modificada ressaltaram nos contextos físico e psicoespiritual, maiores necessidades de conforto nas dimensões da tranquilidade e transcendência. A implementação de intervenções estruturadas de enfermagem devidamente fundamentadas, com abordagens terapêuticas a nível da promoção da autoestima, espiritualidade, autoconceito, relaxamento muscular e atividade física evidenciaram resultados de enfermagem como controle de sintomas, bem-estar físico, bem-estar psicológico, relaxamento muscular, nível de energia, afeto calmo e tranquilo, sono, humor, autoestima, promoção do exercício, motivação, sentimentos de autoaceitação e autovalorização e identificar múltiplas estratégias de coping. As necessidades detetadas no contexto sociocultural situaram-se a nível do alívio e transcendência, em que intervenções promotoras da assertividade nas relações sociais e familiares parecem ter originado resultados de enfermagem a nível das relações sociais, interação social, comunicação de necessidades e sentimentos apropriadamente, expectativas de resposta pelos outros, aceitação de críticas construtivas e vontade de confrontar outros.

Aquando a reaplicação da ECIP 51 modificada numa avaliação final, apesar de ser um grupo aberto, 44,4% dos utentes permaneciam desde o início, tendo beneficiado de todas as intervenções e todos os elementos beneficiaram pelo menos três intervenções. Verificámos maiores ganhos em saúde no contexto psicoespiritual e físico a nível da tranquilidade e transcendência e no contexto sociocultural, a nível do alívio e transcendência, dimensões essas onde tínhamos verificado maiores necessidades de conforto na avaliação inicial e que foram consequentemente trabalhadas.

Numa segunda instância, quisemos avaliar a qualidade dos cuidados de conforto num serviço de internamento de agudos. A FMEA implementada permitiu-nos principalmente alertar a equipa para indicadores de risco com RPN elevado, que se situaram maioritariamente nos estados da tranquilidade e transcendência. Foram evidentes sentimentos vivenciados pelos utentes como tristeza, medos e receios perante a doença psiquiátrica e seu tratamento e deficiente preparação para a alta e ausência de projeto e sentido da vida. Nas necessidades de alívio obteve-se como fatores de maior risco condições ambientais e estruturais inerentes ao próprio serviço e os internamentos prolongados devido a sintomatologia psiquiátrica grave em utentes idosos com comorbilidade física.

51 Pensamos que a formação em serviço e todo o trabalho com a equipa de enfermagem a este nível constituiu uma estratégia capaz de gerar mudança a nível da qualidade da prestação de cuidados de conforto e de alertar para os vários aspetos do conforto na doença mental e de como os enfermeiros se podem situar nesse contexto. Como refere Dias (2004) esta partilha permitiu refletir em conjunto sobre práticas e cuidados prestados e constituiu um meio capaz de dar resposta às necessidades sentidas pelos profissionais. Permitiu igualmente a atualização de conhecimentos, alertando para a necessidade de manter um espírito aberto à inovação e apelando à criatividade e responsabilidade individual, em particular no que diz respeito à qualidade dos cuidados de conforto prestados e principais áreas a intervir.

Pensamos desta forma ter atingido os objetivos a que nos propusemos para a especificidade dos contextos em questão, tendo obedecido ao que preconiza a metodologia do projeto, que nos permitiu centrar na resolução de problemas reais e pertinentes, como as necessidades de conforto do grupo de HD, criando assim uma relação entre a prática e a teoria (Teoria do conforto de Katherine Kolcaba).

As principais limitações sentidas prenderam-se com a escassa evidência do conforto nos utentes internados em HD / ambulatório. Por outro lado, este facto foi benéfico no sentido em que produzimos conhecimento, usando estratégias como a modificação da escala ECIP 51, de forma a mensurar as necessidades de conforto neste grupo específico e implementar intervenções estruturadas de enfermagem que julgámos ser mais adequadas e com a obtenção de ganhos em saúde.

Seria interessante perceber ao longo do tempo e após intervenções compensadoras instituídas a evolução destes utentes na perspetiva de um dos pressupostos básicos da teoria do conforto de Katherine Kolcaba, em que o conforto melhorado proporciona ânimo aos doentes para empreenderem os comportamentos de procura de saúde (Health Seeking Behaviors), o que não foi possível apurar.

Como propostas futuras pensamos ter todo o interesse a continuidade deste trabalho no HD, no sentido da criação/adaptação de um instrumento para mensuração dos cuidados de conforto neste contexto específico, seguindo assim a inspiração de autores que referem a importância de estudos que continuem a investigação do significado e as necessidades de conforto sob o ponto de vista dos clientes numa variedade de situações, em diferentes grupos etários e géneros (Mussi et al,1996). Mussi (1994), enfatiza que devem ser contemplados os fatores promotores de conforto e quando e como os enfermeiros podem promover e verificar formas apropriadas para

52 avaliar com precisão o grau de satisfação ou insatisfação de uma necessidade de conforto. Remetemos aqui para a importância deste facto principalmente no âmbito do HD, que sendo um contexto rico em experiências complexas de cuidados, o fenómeno do conforto é abordado de forma não objetiva.

Tornou-se claro com este trabalho que independentemente do paradigma conceptual em que um enfermeiro se situe e das exigências institucionais que condicionem a sua prática de cuidados, as necessidades de conforto da pessoa com doença mental é inquestionável e incontornável. O conceito conforto apresenta um elevado interesse e potencial para a enfermagem, (se devidamente utilizado e valorizado), por poder ser considerado, como um resultado sensível à intervenção do enfermeiro, associado quer à gestão e controlo de sintomas (na perspetiva do alívio do desconforto) (Sidani, 2011), quer à satisfação com os cuidados e com os seus resultados (Laschinger, et

al, 2011).

A aquisição e aperfeiçoamento das competências adquiridas e refletidas com espírito crítico permitiu extrapolar para o contexto profissional saberes e conhecimentos específicos no diagnóstico e intervenção do conforto. Tendo demonstrado um efeito que consideramos substancial no aumento do conforto em saúde mental, estas intervenções autónomas de enfermagem, podem e devem ser incluídas no plano de cuidados dos utentes, pois “para agir de forma competente não basta possuir capacidades, motivações, valores ou incentivos aleatoriamente; é necessário integrá-los e articulá-los de forma dinâmica e eficaz, mediante as problemáticas e os contextos” (Mendonça, 2009:61).

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