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Norman Fairclough og kritisk diskurskanalyse

2  Sosiologisk teori

2.2   Norman Fairclough og kritisk diskurskanalyse

As ações educacionais a distância constituem importante estratégia para a produção do conhecimento organizacional, uma vez que desenvolve processos de aprendizagem com baixo custo e grande uniformização de entendimento. Devem proporcionar o desenvolvimento integral dos atores do processo educativo, promovendo a transformação no indivíduo, na organização e na sociedade. Essas ações educacionais objetivam a transformação da realidade por meio da discussão e problematização.

Na educação a distância, é imprescindível analisar as práticas pedagógicas e conhecer as características da aprendizagem virtual, com vistas a estabelecer as competências individuais e organizacionais. Esse processo tem por objetivo desenvolver estratégias que garantam a efetividade da aprendizagem online e garantir a produção do conhecimento organizacional.

É evidente a necessidade de adequação dos docentes e discentes à nova realidade. Não é possível continuar com a postura das aulas presenciais na sala de aula virtual. Segundo Nova e Alves (2003), o ensino a distância é completamente diferente do presencial. O mesmo curso oferecido de forma presencial apresenta diferenças na organização e desenvolvimento na modalidade a distância. Os autores também afirmam que, no ensino a distância, a tecnologia está sempre presente e exige uma nova postura de todos envolvidos no processo.

O docente online deve deter o conhecimento técnico acerca de sua área de atuação, os saberes didático-pedagógicos próprios da atividade docente, além da expertise em tecnologias educacionais e do domínio de informática para que possa mediar o processo de aprendizagem, garantindo, assim, a (re)construção do conhecimento, o desenvolvimento de habilidades e a mobilização de atitudes. Não se pode conceber que os novos processos de aprendizagem fiquem resumidos a atividades mecanicistas e cognitivas; é necessário adequar novas técnicas e métodos às ações educacionais.

Na educação online, o docente age como facilitador, como provocador e instigador da construção do conhecimento. É comum utilizar o termo tutor para designar o docente em educação online. Ainda não existe consenso quanto ao vocábulo: as expressões “professor” e “tutor” são utilizadas para designar o docente online. Independentemente do termo utilizado, as diretrizes a seguir são as mesmas. Etimologicamente, a palavra “tutor” significava guia, aquele que tutela. Hoje é sinônimo de orientador, facilitador, mediador.

Segundo Litwin (2001), o bom tutor deve promover a realização de atividades e apoiar sua resolução, e não apenas mostrar a resposta correta. Também deve oferecer novas fontes de informação e favorecer sua compreensão.

No contexto da educação a distância, o educador passa a ser um arquiteto do conhecimento, projetando o processo de aprendizagem por meio da criação de situações que promovem a construção do saber. Assume a condição de sujeito pesquisador, preocupado com sua a atualização constante. Reconhece seus educandos como parceiros no processo de interlocução e produção de conhecimento por meio de uma relação dialógica.

Conforme Nogueira (2005, p. 78), o educador “gerencia o processo, oferecendo meios, questionando sobre possibilidades, incentivando o aprofundamento, oferecendo auxílio quando necessário”.

O docente online deve exercer função pedagógica, gerencial, técnica e social. Também é sua função motivar os educandos a permanecendo no ambiente virtual de aprendizagem e participarem ativamente.

No ambiente virtual de aprendizagem não há presença física, no entanto, é fundamental humanizar o processo de aprendizagem. Segundo Pallof e Pratt (2002), é difícil, mas não impossível, comunicar sentimentos online. A educação a distância não implica uma relação fria. O grande desafio é construir uma educação sem distância, por meio da afetividade e interação.

O novo papel do docente online estabelece alguns pressupostos, dentre eles: a) utilizar linguagem dialógica e promover a comunicação;

b) otimizar as ferramentas para promover o aprendizado coletivo; c) valorizar a opinião dos educandos;

d) motivar a participação ativa na construção do conhecimento; e) expressar afetividade no relacionamento com os educandos;

f) apresentar problemas contextualizados para resolução e comentários; g) promover reflexões críticas;

h) criar situações nas quais seja possível desenvolver novas teorias e ideias; i) relacionar a discussão teórica com a atividade prática;

h) proporcionar um conhecimento significativo; j) agir preventivamente, evitando evasão;

k) fornecer feedback constantemente;

Nesta perspectiva, o educando também precisa repensar sua prática. Assim como o docente, o educando deve assumir outra postura na educação a distância. Para desempenhar seu papel, ele precisa desenvolver a autonomia, o que nem sempre é um processo fácil. Além da autonomia, a disciplina, a cooperação, o sentimento de coletividade e o pensamento sistêmico passam a ser fundamentais para o educando.

Como ferramentas utilizadas em ações educacionais a distância, destacam-se, dentre outros: cursos online; fóruns de discussão; chats; espaços de boas práticas; biblioteca digital; vídeos; podcasts; e-books; wiki; mensagens; jogos; diário de bordo; videoconferência; webconferência; teleconferência; softwares interativos; realidade virtual e aumentada.

É primordial que as ferramentas sejam escolhidas em harmonia com a abordagem pedagógica adotada na ação educacional. Dependendo do objetivo a ser alcançado, da infraestrutura disponível e da metodologia adotada, escolhe-se as ferramentas adequadas. No caso da educação a distância, o profissional responsável por estas escolhas é o Designer Instrucional.

Segundo Valente (2002), as diferentes abordagens pedagógicas adotadas na educação a distância podem variar em um contínuo, estando em um extremo o broadcast – que usa os meios tecnológicos para entregar a informação aos educandos – e no outro, o acompanhamento e assessoramento ao processo de construção de conhecimento, mediado pela tecnologia, que recebe a denominação “estar junto virtual”. O autor considera ainda uma abordagem intermediária, consistente na implementação da “escola virtual”, que nada mais é senão o uso de tecnologias para criar a versão virtual da escola tradicional.

O broadcast é uma abordagem pedagógica utilizada em ambientes virtuais de aprendizagem, consistente na organização da informação e seu envio ao educando com a utilização de meios tecnológicos. Como exemplo, pode-se citar os materiais impressos, rádio, televisão ou recursos digitais, como o CD-ROM e a internet. O aspecto principal no broadcast é que o educador não interage com o educando, não existe o feedback de nenhum dos envolvidos no processo de aprendizagem e não há possibilidade de saber se a informação está sendo compreendida ou assimilada pelo educando.

Embora a abordagem broadcast não garanta a construção do conhecimento, ela é bastante eficiente para a disseminação da informação para um grande número de pessoas. Por outro lado, não garante a uniformização no entendimento dessa informação.

A escola virtual é considerada uma alternativa intermediária, que consiste na tentativa de implementar meios tecnológicos nas ações educacionais, porém dentro de uma visão

tradicional. É a virtualização do ensino tradicional. Caracteriza-se por ações centradas no educador que detém a informação e as transmite ao educando. A exemplo do que acontece na sala de aula tradicional, existe alguma interação entre o educando e educador, mediada pela tecnologia, mas uma interação muito limitada. Na escola virtual, existe a possibilidade de verificar se a informação foi ou não processada.

Essa abordagem, em geral, possibilita a construção de conhecimento e o desenvolvimento da autonomia, criatividade e capacidade de aprender continuadamente.

Como aspectos restritivos na escola virtual, aponta-se que mesmo a maior interação educador-educando pode não ser suficiente para criar condições de construir conhecimento e acarretar numa alta taxa de evasão.

Por último, ainda segundo Valente (2002), destaca-se o estar junto virtual, que é uma abordagem que permite a implantação de diversas situações, propiciando a construção do conhecimento. Essa abordagem consiste no acompanhamento e assessoramento constante do educando, propondo desafios e atribuindo significado ao processo de aprendizagem.

Como aspecto positivo, surge a interação via internet. Nesta situação, ao surgir alguma dificuldade ou dúvida, é possível discutir com o educador, situação que facilita o processo de aprendizagem. Essa forma de relacionamento promove interação entre educando-educador, educando-educando, educando-conteúdo e educando-ambiente, constituindo uma verdadeira rede.

Essa interação vai ocorrendo em todos os sentidos, configurando um ambiente de aprendizagem cíclico e sistêmico. Cíclico, pois se estabelece um ciclo de ações que mantém o processo de realização de atividades inovadoras, porém com o suporte do educador. Sistêmico, porque incorpora todos os aspectos envolvidos em uma ação educacional de maneira orgânica e holística.

Embora esta abordagem propicie a construção do conhecimento via telemática, ela implica mudanças profundas no processo educacional e na postura docente e discente, o que nem sempre é um processo fácil.

Não existe uma abordagem melhor que a outra, o que existe é a mais apropriada para determinado contexto. Ou seja, de acordo com o objetivo a ser alcançado, deve-se escolher a estratégia mais adequada.