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Non-Goal-Driven Dialogue Systems (Chatbots)

1.2 Outline

2.1.2 Non-Goal-Driven Dialogue Systems (Chatbots)

A Análise Crítica do Discurso, desde seu surgimento, apresenta em sua proposta a noção de mudança social. No Brasil, seu início se deu a partir da tradução da obra Discurso e

mudança social, de Norman Fairclough, por Izabel Magalhães, em 2001, e reeditada em 2008.

A partir dessa tradução, os estudos na área do discurso, com interesses voltados para as mudanças sociais, aumentaram significativamente. Nessa obra, Fairclough (2008) afirma que “a ocorrência de mudança vai envolver não somente a adaptação de convenções já existentes mas também as formas de transgredi-las, o cruzar das fronteiras, relacionadas às novas combinações e a sua exploração, decorrente da capacidade de atuar ou de agir” das pessoas (FAIRCLOUGH, 2008, p. 127).

Sztompka (2005) complementa essa ideia, ao afirmar que a mudança advém da ideia de formação de sistemas. Para o autor, o conceito básico de mudança social envolve a diferença que ocorre em instantes diversos, envolvendo os estados de um mesmo sistema. Para uma melhor compreensão, vejamos os apontamentos do autor para a significação da expressão “mudança social”:

Mudança social é a transformação da organização da sociedade e de seus padrões de pensamento e comportamento através do tempo; é a modificação ou transformação da maneira como a sociedade é organizada; diz respeito às variações das relações entre indivíduos, grupos, organizações, culturas e sociedades através do tempo e são as alterações dos padrões de comportamento, relações, instituições e estrutura social através do tempo (SZTOMPKA, 2005, p. 30).

Entendemos, pois, que a mudança social é uma peça fundamental nos estudos das Ciências Humanas e Sociais, em especial para nossa abordagem e para esta tese, visto que os discursos sinalizam a transformação da sociedade e das práticas sociais, que, por sua vez, são

56 compostas por relações sociais; de poder, por crenças, desejos e valores, como também, por instituições sociais e pelo discurso (CHOULIARAKI & FAIRCLOUGH, 1999).

Ampliando essa discussão, Bajoit (2008, p. 252) indica que a mudança sociocultural10 é vista como

a modificação de um estado das relações sociais; mudança das co-ações pelas quais se resolvem os problemas vitais da vida comum; mudança dos princípios de sentido invocados para legitimar essas co-ações; mudança das identidades coletivas que resultam da prática das relações sociais; mudança das lógicas de gestão de si, pelas quais os indivíduos resolvem as tensões que atravessam essas identidades coletivas e constroem suas identidades pessoais; e, finalmente, mudança das lógicas de ação com que se comprometem, individualmente ou coletivamente.

Ao colocar em evidência esses conceitos, verificamos a notoriedade da expressão ‘mudança sociocultural’ para os estudos da Sociologia; isso porque diversos segmentos passaram por mudanças sociais, destacando-se a escola, a igreja, o casamento, as relações de amizade, as relações trabalhistas. Esses segmentos indicam, hoje, novas configurações e, em decorrência do processo de globalização, os discursos reproduzidos pelos indivíduos, nesses contextos, também passaram por grandes alterações. A forma como as aulas são ministradas, os sermões do padre ou pastor, a divisão das funções matrimoniais, o surgimento de novas amizades a partir das redes sociais, as relações existentes entre empregador/empregado nos fornecem subsídios para afirmar que houve profundas mudanças na sociedade e que elas são fundamentais na formação das identidades que o sujeito assume ao longo da vida.

As divisões das funções matrimoniais se configuram como uma das principais mudanças no âmbito dos estudos sobre o feminismo, pois as mulheres limitavam-se aos afazeres domésticos e aos cuidados com os filhos. Depois do processo de emancipação feminina, elas passaram a trabalhar fora de casa, investir na carreira acadêmica e, por esse motivo, passou a ter a possibilidade de dividir as tarefas do lar com o cônjuge, antes uma situação inimaginável, visto que, as mulheres que não eram habilidosas, “prendadas” e caprichosas ao arrumar a casa ou cozinhar, não “serviam para casar”. Mas, para que isso pudesse acontecer, outros setores também passaram por transformações, permitindo novos discursos, novas formas de se comportar, novas identidades.

10 Entendemos que, ao ocorrer mudança social, ocorre também mudança cultural, visto que os modelos culturais são transformados mediante as transformações da sociedade. Assim, adotamos em Meira (2012) a ambivalência desses termos e mantemos aqui nesta tese.

57 Bajoit (2008) salienta que essas transformações caracterizam a 3ª Revolução Industrial e está relacionada à energia nuclear e, sobretudo, às tecnologias de informação. O autor acrescenta que “as inovações tecnológicas ligadas à informação e à comunicação são decisivas para compreender as mutações econômicas e financeiras que vemos atualmente” (BAJOIT, 2008, p. 260). Nesse sentido, é compreensível que essas transformações econômicas foram decisivas para o ingresso, e manutenção, da mulher no mercado de trabalho, pois no período da Segunda Guerra Mundial, quando os homens precisaram se ausentar para servir à pátria, as mulheres passaram a trabalhar fora para complementar a renda, embora, na época, os cargos se caracterizassem como uma extensão dos papéis que legitimavam a submissão feminina, como, por exemplo, professoras, cozinheiras e costureiras. Mais tarde, nas décadas de 1960 e 1970, chegaram a ser vendedoras em lojas de artigos femininos (MEIRA, 2012). Hoje, exercem qualquer função, em qualquer setor, conforme discutiremos no eixo teórico sobre o feminismo.

A Sociologia para Mudança Social trata ainda de um conceito importante no estudo da mudança social, o de processo social. “Por processo entende-se qualquer tipo de movimento, modificação, transformação, alteração ou evolução de um dado sujeito lógico no decorrer do tempo, seja uma mudança de lugar no espaço ou modificação de seus aspectos quantitativos ou qualitativos” (SZTOMPKA, 2005, p. 31).

É a partir disso que frisamos que as mudanças ocorrem, mas novos problemas surgem. Isso se deve à própria imperfeição humana, por não existir sociedade perfeita. Abandona-se, então, a ideia de perfeição, para procurar a melhoria nas estruturas e emerge aí uma nova percepção, centrada no positivismo. Quanto mais o conhecimento avançar, maiores serão os efeitos na sociedade, tornando-a melhor (SACO, 2006). Mas essa também é outra tentativa de colocar a mudança em um patamar elevado. Partindo dessa proposição, Saco (2006) esclarece que “os esforços da aplicação do conhecimento sociológico visam controlar a resistência à mudança protagonizada por indivíduos ou grupos. E quando eu digo controlar a resistência, enfatizo também reforçar, e também provocar e reprimir” (SACO, 2006, p. 18).

Vê-se assim a limitação dos estudiosos e os resultados pouco expressivos das tentativas de mudança controladas, normatizadas por teorias. Isso nos induz à compreensão de que a teoria, por ela mesma, não é capaz de gerar mudanças significativas, embora atue como uma colaboradora. As grandes mudanças são, por excelência, aquelas que tomam seu lugar na história da humanidade de forma não controlada: legitimada pelo povo, com o povo, através do povo. Dentre essas grandes mudanças, ressaltamos os avanços dos direitos femininos na

58 sociedade, cujo primeiro passo foi o direito ao voto, demarcando uma nova era. Na atualidade, as mulheres assumem grandes cargos políticos, inclusive o cargo máximo do poder – a presidência da república.

A tradição é também um importante quesito no estudo da Sociologia para Mudança Social. Sztompka (2005) explica que os seres humanos não podem sobreviver sem tradições, embora se mostrem, constantemente, insatisfeitos com as suas. O autor enfatiza que a tradição é a sabedoria das gerações, pois ela coloca ao nosso alcance as normas, as crenças, os valores e os objetos criados no passado, isso porque as pessoas não podem construir a vida social a partir do nada; planejar tudo como se fosse a primeira vez. Assim, entendemos que a tradição nos fornece elementos construtivos semiacabados possibilitando moldar nosso “mundo” à nossa maneira. Também é função da tradição fornecer símbolos que determinam a formação das identidades coletivas, fortalecer as raízes e revigorar a fidelidade com as nações, as comunidades e os grupos. Por fim, a tradição serve para propiciar a fuga das insatisfações, descontentamentos e frustrações da vida contemporânea.

A nossa pesquisa nos leva a pensar, também, na tradição com uma conotação distinta da apresentada por Sztompka (2005), visto que a permanência, ou seja, a manutenção da ideia que somente as mulheres devem cuidar dos filhos e do lar indicam um sentido negativo para o conceito de tradição. Em nosso capítulo analítico é possível constatar que as postagens e os comentários das leitoras justificam esse posicionamento, comprovando a busca da ruptura com os moldes sociais tradicionais, em que a mulher tem um espaço limitado, secundário.

Um terceiro aspecto merece destaque nesta tese: os movimentos sociais na perspectiva da Sociologia para Mudança Social. Sztompka (2005, p. 463, grifo do autor) afirma que estes são, provavelmente, “a mais poderosa força de mudança em nossa sociedade, pois as mudanças podem vir ‘de baixo’, através das atividades empreendidas por pessoas comuns; ou poderia vir ‘de cima’, por meio de atividades elitizadas, capazes de impor suas preferências aos demais membros da sociedade”.

Nessa perspectiva, os Movimentos Sociais, avaliados a partir da história ocidental, tais como a Revolução Francesa e a Revolução Industrial, mostraram que essa visão não era aplicável. Mesmo teorias bem elaboradas, com profundas reflexões, não eram suficientes para criar uma “sociedade perfeita”. Isso não implica dizer que não haja expoentes em uma “revolução social”, visto que, há agentes mais ou menos influentes em uma mudança social. Para Tejerina (2010), o quadro de participantes em um movimento social pode ser descrito da seguinte maneira:

59 Figura 05 – Participantes dos movimentos sociais. Fonte: TEJERINA, 2010, p. 70

Salientamos que esses níveis de participação são medidos a partir do tipo de compromisso que os indivíduos adquirem com a organização (aqui entendida como célula de mudança social) e seus objetivos. Em outras palavras, queremos dizer que, em momentos históricos, nos quais verificamos fortes mudanças sociais, existia um núcleo mais comprometido com a causa e que, por sua vez, servia como mola impulsionadora da grande massa. Em relação ao feminismo, é possível dizer que, os ativistas se caracterizam como aqueles que mobilizam as causas, reivindicam direitos, protestam e não se acomodam diante dos empecilhos, contando, assim, com a colaboração dos participantes e contribuintes, cujo grau de envolvimento depende da concordância com a causa, com o movimento social em si. Por último, temos os simpatizantes, que comungam com os ideais que regem o movimento sem ter um envolvimento direto.

Por fim, Sztompka (2005) destaca a importância de distinguir mudança social de revolução. Para o autor, as revoluções são manifestações mais espetaculares da mudança social. Elas marcam rupturas fundamentais no processo histórico, remodelam a sociedade humana, desde seu interior, transformando as pessoas. Nada permanece como antes, pois as revoluções fecham épocas e abrem outras novas. Dir-se-ia ser próprio da natureza das revoluções o fato de que elas sempre trazem mudanças que, por mais simples, são capazes de

SIMPATIZANTES

CONTRIBUINTES

PARTICIPANTES

60 atingir todas as dimensões da sociedade (economia, política, cultura, organização social, vida cotidiana, individualidades), uma vez que provocam, em todas essas áreas, mudanças radicais, fundamentais, alcançando o cerne da estrutura e do funcionamento da sociedade. Diante dessa proposição, entendemos que houve uma “revolução feminina”, pois as características evidenciadas acima podem ser comprovadas diante do cenário atual. Detalharemos essas mudanças radicais no eixo destinado à discussão sobre o feminismo.