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2 Omtale av instituttene med rapport for bruk av basisbevilgningen

2.1 Institutter som omfattes av det resultatbaserte basisfinansieringssystemet

2.1.1 NIBIO

O principal objetivo deste capítulo é, por meio da noção de biopolítica desenvolvida por Michel Foucault, fazer algumas reflexões sobre a análise do poder no interior das organizações empresariais atuais, mais precisamente no que tange aos aspectos relativos àquilo que aqui se denominou “população organizacional”. Seu intuito não é “teorizar” sobre “o poder” nas empresas, mas apresentar e analisar algumas manifestações concretas dessas relações de poder descritas nos capítulos anteriores e seus possíveis reflexos ou impactos na “população de uma organização empresarial”.

É necessário primeiro frisar o cuidado que se deve ter ao se utilizar o pensamento de um filósofo – seja ele qual for – para analisar outros campos de investigação fora dos limites da própria filosofia. Devem-se tomar precauções para não se cair na armadilha do puro reducionismo ou da simplificação da análise. Afinal, a aplicação direta de certo método ou de determinada noção em outro domínio, distinto daquele em que foi usado originalmente, pode levar a interpretações equivocadas, vazias e também superficiais. Entretanto, deve-se levar em conta que um dos aspectos mais relevantes do pensamento de Michel Foucault é o seu uso em outros campos além da filosofia. Os estudos de Foucault serviram de base – e continuam servindo – para investigações em diversas áreas como o direito, a história, a psicologia e também o campo da administração de empresas. Segundo Silveira, “especificamente no campo de análise das organizações, a utilização das noções desenvolvidas de Michel Foucault tem ocorrido desde o início da década de 1980.”189 Mesmo no Brasil, já foram elaborados diversos artigos sobre análise organizacional segundo a ótica de Michel Foucault. Entre estes190, pode-se destacar os de

189

SILVEIRA, R. A. Michel Foucault: poder e análise das organizações, 2005, p.13.

190

Alguns exemplos de artigos sobre poder e organizações:

MOTTA, F.C. Prestes. O poder disciplinar nas organizações formais. Revista de Administração de Empresas, Rio de Janeir, v.21, n.4, 1981

Fernando Prestes Motta como “O poder disciplinar nas organizações formais”, de 1981 e o de Motta com Silveira e Bresler, como “O estrangeiro e o mundo organizacional”, de 2000; além do próprio livro de Rafael Silveira, já mencionado neste trabalho, e que foi resultado da sua dissertação de mestrado, intitulado “Michel Foucault, poder e análise das organizações”, publicado em 2005. Este livro tem como principais objetivos a realização de um inventário sobre a utilização das obras de Foucault no campo das teorias organizacionais, a problematização dessa utilização e a indicação de caminhos futuros possíveis para novos estudos com esse tema.

Outro ponto de destaque das pesquisas de Foucault é que elas não se restringem ao aspecto teórico ou conceitual do poder. Seus estudos não se isolam em “castelos acadêmicos” nem se limitam à poeira dos livros e aos arquivos embolorados das bibliotecas das universidades. Por outro lado, seus estudos tampouco se restringem a analisar os mecanismos do poder dito “político”, o poder governamental, relativo ao Estado ou a certo conjunto de instituições que podem ser consideradas “políticas”. Suas investigações procuram percorrer toda a rede social, pois o poder não se encontra em uma “superestrutura”, transcendente às relações sociais, está no cerne da sociedade e de seu emaranhado de relações. Viver em uma sociedade é viver com e sob o poder. Afinal, não existe uma sociedade em que o poder não atue e seu exercício não se dá apenas sob o aspecto político ou governamental, mas em todas as dimensões, em toda relação entre os homens.

Power relations are rooted deep in the social nexus, not reconstituted “above” society as a supplementary structure whose racial effacement one could perhaps dream of. In any case, to live in society is to live in such a way that action upon other actions is possible – and in fact ongoing. A society without power relations can only be an abstraction.191

Portanto, é a partir da verificação das relações de poder – como elas se dão ou se davam – no “mundo real”, que Foucault realiza seus trabalhos. Uma parte importante da sua genealogia, da sua investigação sobre os mecanismos de poder e suas relações, lançou mão de diversas instituições – hospitais, escolas, prisões – que serviram como lugares privilegiados para a

____________; ALCADIPANI, R.; BRESLER, R. O estrangeiro e o mundo organizacional. In: ENEO, 1, 2000, Anais..., Curitiba, 2000.

MAIA, A. Sobre a analítica do poder de Foucault. Tempo Social, v.6, n.1-2, 1995.

191

FOUCAULT, M. in DREYFUS, H. e RABINOW, P. Beyond Structuralism and Hermeneutics. Chicago: The University of Chicago Press, 1983, p. 224

observação dessas relações de poder e suas mais diversas manifestações. Mas sempre com muita cautela, tomando precauções para que a análise das instituições se desse a partir das relações de poder e não o inverso. E por que este cuidado? “Porque a análise do poder circunscrita a determinadas instituições apresenta, segundo Foucault, alguns problemas”192. O primeiro deles é que nestas instituições, os mecanismos de poder têm como objetivo fundamental a conservação da própria instituição e assim sendo, corre-se o risco de analisar as relações de poder pelo seu aspecto – existente, sim, mas não de forma única – “reprodutor”. Outro problema apontado por Foucault é a tendência a se justificar o presente pelo passado, por meio da incessante busca pela causa ou pela origem dos fatos, caindo-se na armadilha de analisar o poder pelo próprio poder. Por fim, como nas instituições o que está em jogo são as regras (implícitas ou explícitas) e o aparelho (ou sistema), há o risco de se privilegiar um ou outro, assumindo as relações de poder somente como meios de coerção ou de lei (que se vale do jogo do lícito / ilícito).

192