7. Drøfting av forskningsspørsmål og problemstilling
7.1 Drøfting av problemstillingen
7.1.1 New Public Management som et bakteppe for å drøfte problemstillingen
Surgidas no século XII, provavelmente originadas de panfletos, almanaques e livretos, as revistas consagraram-se como repositórios de informações e fontes de experiências confiáveis. Erbauliche Monaths-Unterredungen (‘Edificantes Discussões Mensais’) foi a primeira revista publicada no mundo, em 1663, na Alemanha. Segundo Scalzo (2003, p. 19), Erbauliche só foi “considerada revista porque trazia vários artigos sobre um mesmo assunto – teologia – e era voltada para um público específico” e “propunha-se a sair periodicamente”. A partir daí, publicações semelhantes surgiram na França (Journal des Savants, 1668), na Itália (Giornali dei Litterati, 1668) e na Inglaterra (Mercurius Librarius ou Faithful Account
Foi apenas no início do século XVIII11, na Inglaterra, que o termo magazine (‘revista’) passou a ser utilizado e carregava o sentido de storehouse, um repositório de informações. Durante esse século, as revistas republicavam livros, jornais e outras revistas e, nos Estados Unidos, mantiveram-se intimamente relacionadas a revistas inglesas até o século XIX. A partir de então, as revistas se tornaram o meio de comunicação em massa dominante, o que perdurou até meados do século 20, com o advento da televisão. Scalzo (2003, p. 20) destaca que
com o aumento dos índices de escolarização, havia uma população alfabetizada que queria ler e se instruir, mas não se interessava pela profundidade dos livros, ainda vistos como instrumentos da elite e pouco acessíveis. Com o avanço técnico das gráficas, as revistas tornaram-se o meio ideal, reunindo vários assuntos num só lugar e trazendo belas imagens para ilustrá-los.
Nos Estados Unidos, Mott (1938) e Ohmann (1996) afirmam que as revistas ajudaram a criar uma cultura nacional que compartilhava referências, informações e perspectivas, em especial por terem sido o primeiro local onde propagandas foram veiculadas em nível nacional. A chamada magazine revolution, iniciada nos anos 1890 com três revistas mensais, Munsey’s, Cosmopolitan e McClures, proporcionou edições mais baratas e de circulação em massa, alterando o foco da revista da venda de edições para a venda de propagandas em revistas.
Entre os anos 1920 e 1960, 60% dos americanos liam revistas regularmente (OHMANN, 1996). Revistas surgidas nesse período tiveram grande impacto político. Scalzo (2003, p. 22) destaca que “talvez nada tenha contribuído tanto para o progresso do gênero como o nascimento da primeira revista semanal de notícias”. Villas Boas (1996, p.85) comenta que “nas duas grandes guerras, as revistas
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Em 1702, segundo Scalzo (2003); em 1731, segundo Mott (1938-1966), Ohmann (1996) e Peterson (1964), com o lançamento da revista Gentleman’s Magazine, na Inglaterra.
desempenharam um papel abrangente”, pois “eram as únicas que podiam oferecer aos seus leitores imagens nítidas dos acontecimentos relatados diariamente pelos jornais”. No entanto, a partir dos anos 1950, as revistas passaram a concorrer com a televisão e com o rádio na informação.
Mundialmente, as revistas semanais de maior circulação encontram-se no mercado americano, como se pode observar na Tabela 1 a seguir.
Revista Semanal Circulação por edição Ano da 1ª edição
Businessweek 917.568 1929
National Review 190.000 1955
New Republic 53.485 1914
Newsweek 1.972.219 1933
The Nation 158.513 1865
The Weekly Standard 80.664 1955
TIME 3.329.429 1923
U.S. News & World Report 1.269.260 1948 (fusão)
Tabela 1: Circulação por edição das revistas semanais de notícias americanas na primeira metade de 2009. (Ano de referência: 2009 Fonte: eCirc – Audit Bureau of Circulation)
Observa-se que a revista semanal de notícias de maior circulação por edição é a revista TIME. Publicada pela primeira vez em março de 1923, a revista TIME tinha a intenção de se tornar uma revista de notícias que pudesse resumir e organizar as notícias de modo que as pessoas pudessem ser facilmente informadas. Seus criadores, Henry R. Luce e Briton Hadden, tinham como objetivo lançar uma revista que pudesse entregar notícias às massas de uma maneira mais sucinta e organizada do que seus competidores, quebrando as matérias em pedaços de mais fácil leitura, isto é, em seções. A partir de então, TIME tem servido como modelo de diversas revistas de notícias, como para as brasileiras Veja, Isto É e Época.
TIME publicou 4.559 edições, incluindo edições especiais e comemorativas, entre
fevereiro de 1923 e dezembro de 2009. Essencialmente, as histórias noticiadas na revista estão ligadas a eventos diários de interesse local ou internacional, tais como aposentadoria, atentados terroristas, cinema e outros. A escolha de qual assunto de capa fará a capa depende de fatores ligados à ‘noticiabilidade’, ao ‘valor absoluto’ e aos ‘valores-notícia’, os quais serão discutidos oportunamente.
TIME oferece os seguintes dados (Tabela 2) quanto aos assuntos que mais
apareceram nas capas de suas edições:
Assuntos de capa Número de edições
Política 884
Negócios 352
Assuntos militares 341 Saúde & Medicina 258 Presidentes americanos 205 Sociedade 192 Religião 182 Filmes 170 Música 133 Escritores 129
Ciência & Tecnologia 122
Os mais populares 106
Realeza 101
Tabela 2: Revista TIME - assuntos de capa que apareceram mais de 100 vezes de 1923 a 2009
A imprensa escrita - e com ela as revistas – iniciou no Brasil com a chegada da corte portuguesa, no começo do século XIX. Durante esse período, as revistas publicavam histórias de costumes, virtudes morais e sociais, novelas, trechos de livros portugueses e artigos científicos. Por falta de assinantes e de recursos, tiveram pouco tempo de vida e poucas tiragens.
A imprensa brasileira começou a se profissionalizar no início do século XX, devido às transformações científicas e tecnológicas do período. Publicações passaram a lidar com temas amenos, tais como variedades e cultura. A revista O Cruzeiro, um dos fenômenos editoriais do país, surgida em 1928, iniciou a publicação de grandes matérias e o uso mais detalhado e atento do fotojornalismo. Em 1968, surgiu a Veja, a revista semanal de notícias de maior circulação no Brasil, como se pode observar na Tabela 3 a seguir, e a quarta no mundo (Hernandes, 2006).
Revista Semanal Circulação anual Ano da 1ª edição
Carta Capital 73.400i 1994
Época 420.000ii 1998
Isto é 362.307iii 1976
Veja 1.107.050iv 1968
Tabela 3: Circulação anual das revistas semanais de notícias brasileiras.
(Fonte: iBDO Trevisan, referência 2008; ii, iii e ivAssociação Nacional de Editores de Revistas, referência 200912)
Com 2184 edições, Veja foi criada aos moldes da TIME e, por tal razão, pode-se observar uma divisão semelhante ao da revista americana em termos de pauta e tipos de textos disponibilizados em cada edição, incluindo notícias nacionais e internacionais, textos informativos sobre economia, ciência, tecnologia, saúde, educação, esporte, celebridades e sessões escritas por colunistas/jornalistas fixos, tal como Diogo Mainardi, escritor de uma coluna política em Veja desde 1999, e Richard Corliss, crítico de cinema em TIME desde 1980.
Ambas as revistas podem ser classificadas no que Villas Boas (1996) chama de ‘estilo magazine’. Para o autor, cada veículo da mídia possui um estilo específico: o jornalismo de revista “é uma prática jornalística diferenciada” (VILLAS BOAS, 1996, p. 71), na qual se pode observar uma preocupação pelo uso da fotografia, pelo
design e pelo texto – e isso caracteriza o que ele classifica como ‘estilo magazine’.
Além disso, as revistas, por serem mais duráveis que o jornal, possuem estilo gráfico e linguagem que “tendem para uma gramática própria do gênero revista” (VILLAS BOAS, 1996, p. 71), fazendo uso de frases criativas, expressões populares (jargões, neologismos, coloquialismos, etc.), em que “o fato é o pretexto para uma análise mais aprofundada do tema” (VILLAS BOAS, 1996, p.74). O autor propõe uma divisão das revistas em três grupos estilísticos: (1) as especializadas, que podem ser temáticas ou atreladas a um segmento de leitores, (2) as ilustradas, que como o nome sugere têm como foco a imagem e (3) as informativas-gerais, como a TIME, foco deste trabalho, que trazem informação, mas contam também com ilustração.
A interpretação também se destaca como uma das características das revistas informativas-gerais. Villas Boas (1996) menciona a divisão da interpretação em dois momentos: (1) o do jornalismo extensivo, essencialmente informativo, produzido sob pressão de tempo e espaço, típico de jornais; e (2) o jornalismo intensivo, isto é, aquele que depende de reflexão, que transmite a informação de maneira completa e profunda e, como tal, característico de revistas. Neste tipo de jornalismo, observa-se a reportagem individual e investigativa, com textos ágeis e bem redigidos.
Também faz parte do estilo magazine a identificação de notícias de ‘valor absoluto’, que “despertam interesse e importam a todos os leitores” (VILLAS BOAS, 1996, p.78) e as que seguem as seguintes circunstâncias básicas, segundo Beltrão (1976, apud VILLAS BOAS, 1996, p.79): “proximidade no tempo e no espaço, número e qualidade das pessoas envolvidas e valor material e/ou ideológico”. Para obter o efeito esperado no leitor, é preciso que o jornalista saiba lidar com um
“sensacionalismo sem data” (VILLAS BOAS, 1996, p.81), focando em três padrões – sensação, sucesso e relaxamento – e abordando os assuntos de uma maneira espetacular, por meio de um ângulo sensacional, mesmo que a data em que a notícia ocorreu esteja distante daquela da reportagem.
A dificuldade de formação do jornalista atuante nas revistas semanais fez com que muitas delas criassem cursos de formação próprios e manuais de estilo, aos moldes dos grandes jornais. A Editora Abril, responsável por Veja, criou, em 1990, o Manual
de Estilo da Editora Abril, na tentativa de garantir a padronização de seus textos e
usos da Língua Portuguesa em suas revistas. Já a revista TIME faz uso do The New
York Times Manual of Style and Usage, elaborado pelo jornal The New York Times e
usado por outras revistas e periódicos também como referência de estilo e uso da Língua Inglesa (usos da gramática, razões para escolhas lexicais, abreviações, usos de estrangeirismos, questões de ortografia, entre outros) na mídia jornalística. Em nenhum dos casos há informação sobre a estrutura organizacional dos textos jornalísticos.
A própria categorização dos textos jornalísticos em gêneros, feita por jornalistas e por acadêmicos que também atuam como jornalistas, é debatida por estudiosos (MELO, 1985, 2003; PENA, 2005, entre outros), tanto que Pena (2005, p.66) destaca “a dificuldade em estabelecer um conceito unificado de gênero” na área e o fato de que a primeira categorização, sugerida pelo editor inglês Samuel Buckeley no século 18, tenha demorado “quase duzentos anos para ser efetivamente aplicada pelos jornalistas e, até hoje, causa divergências”. O uso do termo ‘gênero’ em Jornalismo difere-se consideravelmente dos seus significados na área da
Linguística. Por essa razão, para os fins desta pesquisa, a categorização de textos em ‘reportagem’, ‘notícia’, ‘resenha’, entre outros, deve ser entendida como uma mera menção de tipos de textos disponíveis no meio jornalístico.
Existem várias classificações de textos jornalísticos ao redor do mundo. Invariavelmente, há adaptações dos tipos de textos as realidades distintas de imprensa. A classificação norte-americana, por exemplo, sugerida por Fraser Bond, divide os textos em dois grandes blocos: (1) noticiário, que abarca notícia,
reportagem, entrevista e história de interesse humano; e (2) página editorial, que
abarca editorial, caricatura, coluna e crítica (MELO, 1985, 2003; PENA, 2005).
Para o jornalismo brasileiro, Melo (1985 e 2003) propõe uma classificação dos textos considerando os seguintes itens: (1) finalidade ou intencionalidade do texto; (2) estilo; (3) modos de escrita ou morfologia; (4) natureza do tema ou topicalidade; e (5) articulações interculturais. Desse modo, Melo (1985 e 2003) sugere uma divisão dos textos em dois tipos de jornalismo: (1) informativo, que inclui nota, notícia,
reportagem e entrevista; e (2) opinativo, que inclui editorial, comentário, artigo, resenha, coluna, crônica, caricatura e carta. Melo (2003, p.65) destaca que enquanto
a nota é um relato de um acontecimento em processo, sendo característica do rádio e da TV, “a notícia é o relato integral de um fato que já eclodiu no organismo social”. A reportagem, por sua vez, “é o relato ampliado de um acontecimento que já repercutiu no organismo social” (MELO, 2003, p.65). Em mais uma classificação, Corrêa (2003) enumera seis tipos de reportagem: (1) do perfil, (2) de fatos, (3) polêmica, (4) monotemática, (5) de ação e (6) documental, enquanto que Lage
(2001) relata três tipos: (1) investigativa, (2) interpretativa e (3) novo jornalismo, que aplica técnicas literárias.
Kauffmann (2005) corrobora a ideia de que a reportagem está entre os textos mais frequentes na mídia impressa. Em seu estudo, destaca onze tipos de textos como os mais comuns, considerando a tiragem semanal de um jornal impresso, muitos dos quais também podem ser facilmente encontrados em revistas: (1) artigo, (2) carta, (3) chamada, (4) comentário, (5) crítica, (6) crônica, (7) editorial, (8) entrevista, (9) coluna de notas, (9) noticia, (10) reportagem e (11) resenha.
Uma notícia de capa em revista semanal, por exemplo, pode figurar um número de tipos de textos jornalísticos, dependendo do meio e do acontecimento. No entanto, ao considerar o ‘valor absoluto’ e os assuntos mais frequentes em capas de revista tais como Veja e TIME, observa-se que textos de capa tendem a concentrar-se em
noticiário, segundo a classificação de Bond (1959), e em informativo, segundo a
classificação de Melo (1985 e 2003), excetuando-se a nota.
Neste momento, parece ser relevante destacar o termo noticiabilidade. Wolf (2002) apresenta o termo para justificar porque alguns fatos tendem a virar notícia enquanto outros não. Essa capacidade é verificada por valores-notícia, uma medição que depende de cinco categorias, originadas a partir da sugestão feita por Bond (1959, apud PENA 2005, p.72):
(1) Categorias substantivas: importância dos envolvidos, quantidade de pessoas envolvidas, interesse nacional, interesse humano, feitos excepcionais;
(2) Categorias relativas ao produto: brevidade – no caso de jornais, atualidade, novidade, organização interna da empresa, qualidade e equilíbrio;
(3) Categorias relativas ao meio de informação: acessibilidade à fonte, formatação prévia, política editorial;
(4) Categorias relativas ao público: identificação de personagens, interesse público, protetividade; e
(5) Categorias relativas à concorrência: exclusividade ou furo, gerar expectativas, modelos referenciais.
Tais categorias, transformadas em ‘valores-notícia’, podem ser aplicadas na definição de uma pauta de uma revista ou de um jornal, assim como ser usado na escolha de um assunto de capa ou de primeira folha.