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Nedre Romerike – en naturlig samarbeidsregion?

5 Metode og gjennomføring

6.7 Nedre Romerike – en naturlig samarbeidsregion?

Na medida em que se deu a imersão no campo de estudo, por meio das visitas e das entrevistas individuais, eram realizados os contatos e as relações voltadas à atenção em saúde mental eram evidenciadas. A ênfase neste momento não era demarcar territórios de atuação da equipe da ESF no aspecto do adoecimento mental, mas extrapolar os limites do aspecto do sofrimento e expandir para a promoção da saúde mental, fosse na comunidade, no serviço, na equipe, nos contatos e relações estabelecidas com os outros.

A saúde mental constitui um campo complexo envolto em inúmeras influências, carecendo de um olhar sensível que contemple aspectos da saúde e da doença mental, identificando os fatores entremeados nessas relações e propondo formas de abordá-la num contexto territorial e próximo dos agentes envolvidos nessa temática (BASAGLIA, 2008).

O acompanhamento das atividades ocorreu de modo espontâneo junto aos agentes comunitários de saúde das duas equipes, ao médico e à enfermeira. Na ocasião das visitas domiciliárias, os agentes ficavam preocupados quanto a necessidade de focalizar as visitas nas residências que tinham demandas de saúde mental. Nesta ocasião, era esclarecido que acompanharíamos as práticas efetuadas sem que houvesse um direcionamento quanto ao que seria encontrado nestas situações.

Em algumas das visitas, mesmo apresentando essa liberdade de atuação, as agentes comunitárias de saúde direcionavam as atividades para espaços onde havia casos de transtorno mental. Nestes momentos, as profissionais mostravam-se com expectativas de lidar de forma adequada com os casos, sabendo do que se tratava e como abordar, que encaminhamentos e orientações poderiam ser dadas. Percebe- se o pouco manejo com casos, em particular em crises, em que as profissionais relatam o medo, o estresse e a ansiedade, já que se trata de algo alheio e desconhecido a eles.

Butti (2008) indica que, para a mudança das relações na comunidade, fazem- se necessárias transformações sobre os modos como a saúde mental é visualizada

no contexto local. A abertura de espaços para a expressão do sofrimento mental na sociedade surge como prioritária por meio de relações territorializadas, democráticas e horizontais que permitam aos usuários, familiares e comunidade o desafio de conhecer a diferença e conviver com ela, contribuindo para a quebra de paradigmas e modos de lidar historicamente constituídos que impedem os avanços de referenciais que promovam a vida num aspecto integral.

Outros casos bastante recorrentes nas visitas foram o uso de psicotrópicos, principalmente entre os idosos. Sua utilização acontece como medida de intervenção para insônia e depressão, havendo o relato freqüente, entre os profissionais, de dependência e resistência para o desuso.

Estudos realizados por equipes matriciais de saúde mental na cidade de Campinas, no Estado de São Paulo, indicam situação semelhante nas Unidades Básicas de Saúde, estando o uso de psicotrópicos como um dos importantes problemas em saúde mental na Atenção Básica. Parte disso relaciona-se à “medicalização” das práticas, elegendo a medicação como alternativa terapêutica prioritária diante do sofrimento mental, contribuindo para reafirmação da cultura de dependência (SANTOS; CAMPOS, 2008). A inclusão de práticas de atenção que explorem outros modos de assistir, como abordagens grupais e o uso de terapias complementares, mostra-se como possibilidade para inclusão do cuidado de base popular, acessível à comunidade e que ensejem maiores impactos sobre a saúde.

Foram identificados alguns casos de deficiência mental, havendo por parte de alguns profissionais a confusão quanto aos conceitos de transtorno e deficiência, ocasionando maiores dúvidas quanto o que fazer diante da demanda. Saraceno, Asioli e Tognoni (1994) orientam no sentido de que a pouca atenção dada ao adoecimento mental fez com que muitas doenças que também estivessem à margem da atenção, como a deficiência mental e a epilepsia, não incluídas como casos de transtorno ligado ao aspecto psi, fossem agrupadas ao rol das situações de estigma. Com isso, houve a exposição destes indivíduos ao sofrimento mental ante a desassistência ofertada a este público. Nesse sentido, a atenção básica deve atuar no campo da cultura a fim de esclarecer as peculiaridades de cada situação de adoecimento e incluir novas formas de lidar perante elas.

No que se refere à promoção da saúde mental, alguns profissionais da equipe o fazem de modo empírico, sem que se tenha a noção dos modos de atuação para promover saúde mental em meio à população assistida pela equipe. Investir em

saúde mental significa trazer à pauta das discussões a valorização dos vínculos, da escuta, o acolhimento, a identificação de situações ou o risco para presença de estressores e ir além do espaço estrutural do serviço, orientando as práticas para a organização da comunidade, a inclusão daqueles excluídos do contexto de vida, destacando o “empoderamento” e autonomia dos sujeitos (OLIVEIRA; VIEIRA; ANDRADE, 2006).

Durante os diálogos estabelecidos entre agentes comunitários de saúde e os moradores da comunidade, percebemos o elo estabelecido entre estes sujeitos, em situações em que há a acolhida e a aproximação que superam a instância meramente profissional, mas que se vincula ao importar-se com, ao envolver-se pela necessidade do outro. Nestes espaços de interlocução, perpassam os aspectos culturais, como a religiosidade, a tradição, os costumes e preceitos morais, além do social, econômico, dentre outros, aspectos importantes para valorização do potencial existente na comunidade (LOYOLA; ROCHA; SILVA FILHO, 2007).