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os dados baseados em avaliação e percepção linguísticas podem se tornar centrais para a argumentação teórica.

Para a devida descrição e análise, o capítulo está assim estruturado: na 1ª seção, serão descritos os dados obtidos da aplicação da Ficha Sociodemográfica dos juízes-ouvintes; já na 2ª seção, descrevem-se e analisam-se os dados das atitudes subjetivas acerca das quatro variantes em discussão - [ʎ, l, j, Ø]; na 3ª seção, apresenta-se a análise do conjunto de resultados envolvendo as variantes em exame e retoma-se a proposta feita anteriormente quanto à Escala Gradacional de Aceitação (Cf. figura 2); e finalmente, na 4ª e última seção, apresentam-se as conclusões deste capítulo.

A seguir, descrevem-se os dados colhidos da aplicação da Ficha Sociodemográfica dos juízes-ouvintes.

6.1 DESCRIÇÃO DOS DADOS DA FICHA SOCIODEMOGRÁFICA DOS JUÍZES- OUVINTES

Após terminado o período de aplicação do Instrumento na plataforma digital utilizada, por meio do link http://www.surveygizmo.com/s3/2692112/Teste-de-percep-o-2, constatou-se que 61 (sessenta e um) juízes-ouvintes participaram do experimento, contudo, sendo que 42 (quarenta e dois) preencheram de forma adequada e por completo o teste, enquanto que o total restante, 19 (dezenove) avaliadores, só entraram na plataforma, mesmos sem responder nada foram automaticamente registrados por meio da geração de um arquivo, e/ou quando fizeram, foi por incompleto, e assim, optou-se por descartá-los da análise geral dos dados.

Entende-se que a taxa de avaliadores que foi descartada não inviabiliza os resultados e/ou a aplicação do teste. Reconhece-se que os que participaram ativamente do experimento foram sinceros e honestos, uma vez que também poderiam ter não respondido. Contudo,

responderam e os resultados colhidos são naturais, frutos da escolha e da liberdade dos juízes- ouvintes participantes.

A tabela 28 exibe de forma sumarizada o perfil sociocultural dos 42 (quarenta e dois) juízes-ouvintes selecionados para esta pesquisa.

Tabela 28: Perfil Sociocultural dos juízes-ouvintes

Quantidade de avaliadores Sexo

Masculinos / Porcentual Femininos / Porcentual

15 / 36% 27 / 64%

Faixa etária

Jovens = 6 / 14%

Adultos = 10 / 24% Adultos = 23 / 55% Jovens = 3 / 7% Local de origem

Urbano = 12 / 29%

Rural = 4 / 10% Urbano = 25 / 60% Rural = 1 / 2% Profissão Estudantes = 4 / 10% Professor = 8 / 19% Outros = 2 / 5% Estudantes = 6 / 14% Professor = 12 / 29% Outros = 10 / 24% Identificação com a variedade linguística analisada

Sim = 15 / 36%

Não = NO Sim = 24 / 57% Não = 3 / 7%

Total / Percentual 42 / 100%

(Fonte: Própria do autor).

Como se pode ver na tabela 28, o experimento foi realizado com 42 (quarenta e dois) juízes-ouvintes da fala paraibana e que estão inseridos em diferentes categorias sociais. Inicialmente, verifica-se que ocorre o predomínio de avaliadores do sexo feminino. Parece que isto está relacionado com a maior “recepção/aceitação” que essa categoria demonstrou em relação ao comportamento negativo de alguns falantes do sexo masculino.

Já, com relação à faixa etária, constata-se que os testes foram realizados por juízes- ouvintes adultos (33 avaliadores dessa faixa etária), seguidos por jovens (9 avaliadores) e nenhum idoso. Essa realidade está vinculada possivelmente ao fato de o instrumento ter sido realizado em uma plataforma digital, o que requer o uso de habilidades espontâneas e o domínio de ferramentas digitais.

No que diz respeito ao local de origem, ou permanência dos avaliadores, os resultados indicam que o instrumento foi realizado predominantemente por avaliadores oriundos da zona urbana, totalizando a soma de 37 (trinta e sete) avaliadores contra 5 (cinco) pertencentes à zona rural. Como a disponibilidade de ferramentais digitais se concentra mais nos centros urbanos, justifica-se a predominância dos urbanos.

Ao se considerar o tipo de profissão dos avaliadores, percebe-se que ocorreu a predominância de avaliadores pertencentes à categoria de professores, no total de 20 (vinte) avaliadores; seguida por profissionais de outras profissões: 12 (doze) avaliadores e, finalmente, vêm os estudantes com 10 (dez) participações.

Assim, de um lado, verifica-se que se deu a participação de um público bem específico que conhece aspectos da relação língua/sociedade e desse modo, pôde realizar avaliações e julgamentos bem precisos; e de outro lado, há a participação de outros juízes-ouvintes leigos, como recepcionistas, profissionais da saúde, vendedores autônomos, etc.

Finalmente, ao serem perguntados se se identificam com a fala paraibana, percebe-se que quase a totalidade dos avaliadores afirma que se identifica com a variedade falada na Paraíba, já que são 39 (trinta e nove) respostas favorecendo o sim contra apenas 3 (três) indicando o contrário. Três avaliadores do sexo feminino efetuaram avaliação negativa, sendo um professor e os outros dois de outras profissões. Isso indica claramente que a fala paraibana é avaliada positivamente, e isso tem repercussão sobre os usos sociais dessa variedade linguística.

Na próxima seção, serão descritos e analisados os achados obtidos da aplicação do experimento da avaliação, percepção e atitude linguísticas. Esses dados serão analisados seguindo a metodologia especificada no item 3.3.3, deste trabalho, que para fins de análise numérica, adotou-se uma escala semântica de sete pontos, sendo vinculado diretamente ao adjetivo mais positivo do par na escala o valor 7 (sete), e o 1(um) ao seu oposto, conforme assinalou Fasold (1996) para descrição e análise das escalas semânticas envolvendo cada variante examinada; e o valor de percentual simples69 para as questões, do Instrumento, que não

foram alvo de uso da escala semântica. Assim, o ponto favorecedor de avaliação positiva será a taxa igual ou superior 5.0, caso contrário, será entendido como índice desfavorecedor.

Por fim, registra-se que foram encontradas dificuldades para operar este Instrumento, sobretudo, no que se refere aos fatores alegados pelos juízes-ouvintes contatados, como por exemplo, localizar avaliadores que se dispunham em participar ativamente da pesquisa. Questões relacionadas ao tempo foram as mais ocorrentes. Muitos juízes-ouvintes alegaram que só participariam da pesquisa se tivessem “tempo.”

69 Para tanto foram utilizadas as planilhas do Excel 2013 e as frequências das respostas foram tabuladas e