4. Data analysis: Nationalist narratives and structural violence
4.1.1 National identity
Construir um novo perfil de atuação para os bibliotecários e inseri-los no rol das atividades que impulsionam o moderno mercado da informação exigiu repensar os atributos que por longa data definiram o saber biblioteconômico. Para tanto, tornou-se necessário converter uma área que atende apenas aspectos espirituais do homem em uma profissão que participa
ativamente de todas as facetas do circuito de produção informacional. Neste sentido, e resgatando-se um panorama em permanente evolução histórica:
Discutir perfil profissional do bibliotecário hoje é discutir a função profissional no atual contexto social, que exige que a prática profissional se modifique para atender expectativas novas e diversificadas que emergem da sociedade. Tornam-se necessárias novas competências e atitudes e isto é indissociável da questão da formação profissional, pois os traços almejados para compor o perfil fornecem as diretrizes para o estabelecimento das necessidades básicas de aprendizagem. (MÜLLER, 1989; p.63-64).
Sendo assim, ao inserir-se em um contexto onde a informação adquire força capaz de intervir na construção dos vários contextos sócio-históricos, o Moderno Profissional da Informação (MIP) passa a ser identificado como:
Todos aqueles que estão vinculados, profissional e intensivamente, a qualquer etapa do ciclo vital da informação e, portanto, devendo ser capaz de operar eficiente e eficazmente todas as etapas relativas ao manejo da informação em organizações de qualquer tipo ou em unidades especializadas de informação. (PONJUÁN DANTE, 2000; p.93).
A partir da definição acima apresentada, torna-se possível apreender que aquilo que efetivamente se altera no perfil de bibliotecário humanista anteriormente exposto é o fato de o Moderno Profissional da Informação conjugar o exercício das funções tradicionais que demarcam as rotinas de uma biblioteca com o uso crescente das novas tecnologias informacionais, além de incorporar em seu fazer os novos procedimentos administrativos que configuram a produção e a disseminação da informação.
Embora a biblioteca tenha se constituído historicamente como instituição responsável pela preservação, organização e disseminação das informações concebidas pelos vários estratos culturais humanos, e o bibliotecário se definido como profissional encarregado de concretizar tais funções, nesta nova conjuntura que enfatiza a gestão dos sistemas e suportes informacionais para atender às demandas que ora emergem, estes agentes não mais se posicionam como os únicos profissionais da informação. Isto porque, em virtude da expansão dos segmentos produtores de insumos informacionais a eles somam-se “documentalistas, arquivistas, museólogos, administradores, contadores, analistas de sistemas, comunicólogos, jornalistas, publicitários, estatísticos, engenheiros de sistemas, sociólogos, educadores, dentre outros”. (TARGINO, 2000; p.64-65).
Portanto, o atual modelo de mercado informacional requer um profissional flexível, apto a atuar em situações de trabalho diversificadas e a mobilizar seus conhecimentos em prol das organizações onde se encontram alocados e da satisfação das várias demandas que lhes chegam. Ou seja, em virtude da nova conjuntura político-econômica priorizar a polivalência do universo tecnológico, valorizando suas inúmeras formas de acesso à informação, o Moderno Profissional da Informação:
[...] também passa a ser cobrado a investir em seu aperfeiçoamento contínuo, seja este aperfeiçoamento pela via da educação continuada e/ou por aprendizado autônomo; por sua capacidade de articular e aprofundar conhecimentos que respondam às demandas do setor produtivo, ou por sua capacidade de transferir para o trabalho sua vivência profissional e sociocultural. A qualificação profissional passa a ser um “fator coadjuvante”, mas não determinante do sucesso profissional, uma vez que a estas se aliam à trajetória de vida do profissional (antes mesmo de sua formação acadêmica), suas aptidões culturais, profissionais, políticas e sociais. (ARRUDA; MARTELETO; SOUZA, 2000; p.21).
Com isso, se até recentemente o bibliotecário possuía uma formação voltada para a preservação da cultura humana, para o apoio à educação como suporte ao processo de ensino- aprendizagem, para o estudo, à pesquisa, e para o planejamento e administração dos recursos informacionais, sua nova fundamentação teórico-prática deve ampliar o escopo de conhecimentos necessários ao seu fazer profissional, tendo-se em vista priorizar premissas como: planejamento, gerência e processamento de sistemas de informação, além da concepção e uso das recentes tecnologias da informação e da comunicação - TICs.
Característica que evidencia a seguinte condição: se até este momento os bibliotecários tiveram como foco de suas preocupações o acervo, os Modernos Profissionais da Informação se voltam para o estudo do ciclo informacional como um todo. Ou seja, além de enfatizarem em seus aspectos teóricos, práticos e tecnológicos os processos de coleta, organização e preservação da informação, também devem levar em consideração os fatores que demarcam sua concepção, circulação e acesso, além das conseqüências econômicas, políticas e sociais que influenciam na conformação histórica de uma dada paisagem cultural.
Neste sentido, em paralelo às atividades de coleta, organização e difusão de documentos informacionais, o mercado passou a exigir dos bibliotecários competências e habilidades que os capacitem à:
1. Entender, de maneira ampla, a informação como objeto de seu fazer profissional; 2. Trabalhar de forma globalizada visando acompanhar as tendências mundiais em torno
do desenvolvimento informacional;
3. Conhecer e utilizar as tecnologias da informação e da comunicação – TICs – como ferramentas de trabalho para a seleção, armazenamento, processamento e disseminação da informação;
4. Fazer uso de técnicas administrativas com o objetivo de criar e planejar produtos e serviços informacionais;
5. Trabalhar de forma integrada, relacionando formatos eletrônicos e digitais às tecnologias de telecomunicações, tendo-se em vista possibilitar acesso local ou remoto aos documentos informacionais;
6. Disponibilizar sistemas que permitam a avaliação contínua dos produtos e serviços oferecidos;
7. Efetuar uma disseminação seletiva da informação;
8. Utilizar bases de dados externas e produzir bases de dados comerciais;
9. Organizar o conhecimento por meio de ferramentas lingüísticas e conceituais adequadas, visando sua rápida recuperação;
10.Criar pontos de acesso físico e intelectual para a informação, independente se alocada em bases físicas ou on-line;
11.Construir um quadro de referências acerca das teorias, dos paradigmas e dos aspectos legais da informação.
Por isso, e conforme atesta VALENTIM (2002; p.123-127), constatada a necessidade de se prover uma resposta satisfatória a este quadro de exigências oriundas do mercado de trabalho, a classe bibliotecária definiu, através do documento final da Reunião de Diretores do IV
Encuentro de Directores de Escuelas de Bibliotecología y Ciencia de La Información Del Mercosur, realizado em Montevidéu no ano de 2000, um conjunto de competências e
habilidades para compor o perfil do Moderno Profissional da Informação, são elas: 2
2
É importante ressaltar que embora as competência e habilidades que se seguem tenham sido definidas e sistematizadas no Encuentro de Directores de Escuelas de Bibliotecología y Ciencia de La Información Del