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Narrative theory

In document ‘I`ll make a damn good nurse’ – (sider 34-40)

Quando se iniciou a exposição relativa às relações de amizade distinguimo-las da aceitação pelo grupo de pares. O facto de a criança ter problemas de aceitação pelo grupo não significa, à partida, a inexistência de uma relação de amizade mútua e satisfatória (Parker & Asher, 1993); os autores postulam que o mal-estar emocional das crianças com baixa aceitação social poderá ser atenuado se a criança estabelecer uma relação de amizade gratificante. Se, por um lado, há esta necessidade de perceber como a amizade se relaciona com o nível de aceitação da criança pelo seu grupo, também é crucial conhecer quais os aspectos qualitativos que participam na relação de amizade.

Actualmente as avaliações das relações de amizade envolvem novos instrumentos, estes não limitam o número de escolhas tendo em consideração o carácter recíproco da amizade, bem como as variáveis quantitativas e qualitativas presentes nas relações de amizade (Parker et ai, 1995).

Parker e Asher (1993) realizaram um estudo que, entre outros objectivos, pretendeu conhecer as diferenças relativamente aos aspectos qualitativos das relações de amizade em crianças com baixa e elevada aceitação pelos pares. Este estudo integrou uma amostra de 881 alunos, do 3o ao 5o anos de escolaridade. Os principais resultados

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indicaram que é significativa a distinção entre o nível de aceitação social e a amizade; nem todas as crianças com um estatuto social elevado têm amigos ou um "melhor amigo", pois cerca de um terço destas crianças altamente aceites não têm um colega que nomeiem como o seu "melhor amigo". Contrariamente, também algumas crianças com baixa aceitação, não a maioria, têm amigos. É pois incorrecto caracterizar todos os alunos com baixa aceitação social como não tendo amigos. São importantes as diferenças existentes entre os diversos níveis de aceitação social relativamente aos seguintes aspectos qualitativos das relações de amizade: validação e cuidado; ajuda e orientação; resolução de conflitos; intimidade; e conflito e traição. Nas crianças com baixa aceitação social as suas relações de amizade são mais problemáticas em cada um destes aspectos qualitativos.

O nível de ajustamento da criança nos dois domínios, da aceitação social e da amizade, não deve ser minimizado. As crianças mais aceites estão provavelmente mais envolvidas em relações de amizade diádicas e específicas do que as menos aceites. Na verdade, crianças com um nível de aceitação médio a elevado têm duas vezes mais probabilidade de terem um "melhor amigo" do que as crianças menos aceites. A literatura argumenta que as relações de amizade e de aceitação pelo grupo de pares contribuem, por percursos distintos, no processo de socialização da criança e na promoção da sua competência social. O contexto de intimidade nas relações de amizade permite que a criança explore os seus comportamentos e atitudes. A natureza voluntária destas relações é uma faceta importante na compreensão das habilidades e exigências da relação, da responsabilidade pessoal e da lealdade. Podemos encontrar, ainda, nas relações de amizade uma forma de satisfação de necessidades específicas da criança como sejam a intimidade, o suporte social, a ajuda instrumental e uma aliança fiel. A aceitação pelos pares é um pré-requisito, fundamentalmente, na promoção de comportamentos assertivos e de liderança permitindo satisfazer as necessidades da criança ao sentir-se integrada na sua comunidade; no entanto, estes aspectos não são desenvolvidos pelas relações de amizade.

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5. SÍNTESE

Este capítulo pretendeu conceptualizar a competência social na infância mediante dois critérios: o social e o desenvolvimental. O contexto abordado foi o escolar. A análise da literatura da especialidade permitiu-nos perceber que o constructo de competência social é reflexo de duas linhas de investigação: a aceitação social e as relações de amizade da criança, embora os investigadores tenham dado, até hoje, mais atenção à primeira linha de investigação; contudo é indiscutível a contribuição que ambas prestam ao desenvolvimento da competência social na criança.

A abordagem da aceitação social da criança pelos pares tem por base um conjunto de dados sociométricos, comportamentais e do processamento da informação sócio-cognitiva de modo a compreender o aparecimento, o desenvolvimento e a manutenção dos diversos níveis de aceitação social da criança. Caracterizou-se o método de avaliação mais utilizado, o método nominal, e os cinco estatutos sociais que este determina. Analisaram-se as características comportamentais associadas aos estatutos sociais, cuja conclusão geral é a de que um elevado nível de aceitação social se relaciona com os comportamentos de cooperação e pró-sociais, enquanto que a agressividade e o comportamento disruptivo se associam à rejeição social. Abordou-se a contribuição dos processos sócio-cognitivos recorrendo-se a vários modelos de processamento da informação social. Examinou-se o modo como a criança pode interpretar os acontecimentos sociais, gerar e executar estratégias, bem como avaliar os resultados sociais e, ainda, a importância de se incluir o papel das expectativas nos modelos de processamento da informação. Concluiu-se que existem défices no processamento sócio-cognitivo em crianças com um baixo nível de aceitação social e que as suas expectativas prévias interferem nas suas interacções. No entanto, a investigação é limitada porque a maioria dos estudos são de natureza correlacionai e ainda não se conhece a influência de certas variáveis na relação entre cognição social e nível de aceitação social.

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As relações de amizade são afectivas, recíprocas, diádicas e específicas distinguindo-se de um nível de aceitação geral pelo grupo. A amizade desempenha importantes funções no desenvolvimento sócioemocional da criança, embora estas variem com o decurso do desenvolvimento. O processo de selecção de amigos, no contexto escolar, caracterizou-se de forma a entender-se como é que a proximidade, a idade, as semelhanças entre os colegas e as características dos contextos influenciam ou, por vezes, até determinam este processo de selecção. Sucintamente expuseram-se o conjunto de relações entre a amizade e o nível de aceitação social pelo grupo.

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