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Kapittel 7 Evaluering av estimert levetid for knutepunktet

7.5 Samlet vurdering

7.5.2 Global spenningskonsentrasjonsfaktor

Para compreendermos os aspectos subjetivos e objetivos do trabalho do homem como elementos que dão existência ao psiquismo faz-se necessário proceder a uma análise dos processos internos e dos determinantes externos das atividades, se acreditamos que as mesmas sejam o principio - motor da constituição do psíquico, da consciência, da personalidade e da subjetividade.

De acordo com Brugnera (1998), [...] numa perspectiva antropológica [...] Aristóteles apresenta a escravidão como algo próprio da natureza, isto é, é a natureza que cria alguns homens livres e outros escravos e, nestes últimos, o que há de melhor é a sua subordinação” pp.6-10). Se nos ativermos um pouco mais nas questões ‘naturalizantes’ e associacionistas que perpassam as várias áreas de estudo, incluindo a Psicologia poderemos entender como o fenômeno da escravidão negra tornou-se um acontecimento ideológico. Em várias literaturas sobre o tema (Aristóteles, 1992,1997; Davis, 2001; Meltzer, 2004) há o registro de que a escravidão do homem pelo homem teria surgido nas primeiras lutas, originária de guerras, da demonstração de força, muitas vezes sem conotação racial para a sua existência e, no decorrer da história foi tomando corpo e sendo espalhada entre as famílias, as tribos e, por fim, entre os estados e nações.

Neste sentido podemos pensar que a nova forma de escravidão de africanos foi uma imitação de antigos modos escravizadores que cresceu, envolveu grandes potências marítimas, como Inglaterra, França, Espanha, Portugal e outras que viam a possibilidade de obter mão-de-obra barata e perspectivas de engajamento no mercantilismo da época, tornando-se uma instituição. A África tornou-se um grande mercado para o tráfico, sendo fortalecido pelas bênçãos da Igreja, que via o africano como um ser sem alma – primitivo-

e, por isso, sendo retirado do lugar que era onde viviam primitivamente, receberia uma alma cristã, sinônimo de evolução.

Nos escritos de Brugnera (1998) “ a escravidão não será reduzida a um mero estatuto funcional, revelando, ao contrário uma peculiar concepção do humano, de suas hierarquias, desde a referencia a uma ‘natureza humana’ alcançando os aspectos sócio-culturais que definem as formas de vida”.(pp.76 e 77) Essa concepção era dada pelo entendimento de que o ser humano se fazia como participante da Pólis, garantidora do ser do Logos e do ser Político. Conforme A Política de Aristóteles isto não se referia aos escravos, uma vez que eram espólio de guerras, inferiorizados por nascimento ou capturados durante viagens marítimas e outras situações como aquelas pelas quais os gregos foram escravizados pelos romanos.

No caso da escravidão dos negros, o desenvolvimento da economia açucareira foi o grande negócio dos europeus, no qual o negro foi inserido por meio do tráfico, trazido em grande número da África. O escravo negro foi, em algumas regiões, a mão-de-obra exclusiva desde os primórdios da colonização. Nesse período, a história do trabalho é, sobretudo, a história do escravo que trabalhava nos canaviais, nas minas de ouro, nas fazendas ou na cidade, era ele o principal instrumento de trabalho.

Para o negro, a relação com o trabalho era pura obrigação e, numa pequena parcela, uma escassa parte de sobrevivência nos casos em que lhes era permitido plantar e criar alguns animais domésticos para comer. O negro é tratado como uma peça da engrenagem econômica dos senhores de engenho. O próprio trabalho é corrompido no regime escravista, pois se torna o resultado da opressão, da exploração. O trabalho é concebido como escravidão e não como o elemento de distinção e referenciação na sociedade, unindo os

homens em colaboração, passa a ser, no sistema escravista, desagregador, desonroso, humilhante, torturante, por que a idéia de trabalho carregava consigo um indício de degradação, inferioridade, fortalecendo a naturalização do lugar a eles atribuído. Conforme Munanga (1996) “em beneficio do branco, o negro é alienado tanto do produto e forma de seu trabalho, como na sua pessoa. Para isto o sistema econômico que produziu o escravo, produziu também a maneira de produzir escravos biologicamente e socialmente” (p.56).

Ser livre significava não ter que trabalhar. Castro (1995) observou que as atividades exercidas pelas pessoas eram classificadas e qualificadas de vários modos, conforme tais pessoas fossem escravas ou livres. A autora registrou que os escravos apareciam sempre associados aos serviços (roça, carpintaria, doméstico) que desenvolviam e que os homens livres se sustentavam por meio de seus bens e lavouras, de seu oficio ou de agenciamentos de escravos.

Algumas das categorias de escravo às quais os africanos e afro-descendentes foram assujeitados são: da fazenda (do eito e domésticos), da rua, de ganho ou urbanos, alugados, dentre outros (Carneiro,1985; Silva, 1988; Neves 2002).

Os escravos urbanos ou de ganho trabalhavam fora da casa vendendo alguma coisa (jornais, frutas, comidas), como barbeiros, carregadores ou, eventualmente, sendo mulheres, no exercício da prostituição (Carneiro, 1985; Neves 2002). De acordo com Silva (1988, p. 87) o escravo de ganho poderia ser tido como um “autônomo”, porque poderia com o seu ganho sustentar a si mesmo e ainda dar ao seu proprietário uma parcela dos rendimentos. Já os escravos de aluguel tinham os seus serviços alugados por seus donos, os

quais estabeleciam tanto os tipos de trabalhos a serem feitos quanto os valores a serem recebidos como pagamento.

Curioso é sabermos (Silva, 1988) que “era comum entre os proprietários ensinar ao escravo alguma arte ou oficio, aumentando assim a jornada recebida pelo seu aluguel” (p. 90). Acreditamos ser significativo anotar a atualidade desse tipo de atividade lembrando- nos dos meninos, das meninas4 e até mesmo adultos que encontramos vendendo produtos nos faróis de várias cidades brasileiras, os quais são intermediados por aqueles que são os “distribuidores” da mercadoria- os próprios pais, ou pessoas que são donos dos produtos e também, das empregadas domésticas que ‘alugam” o seu trabalho e que na maioria dessas atividades o perfil encontrado são de afro-brasileiros.

Os escravos domésticos “não tinham acesso ao dinheiro. Eram íntimos da casa, o que fazia com que sua alforria dependesse, exclusivamente, das boas relações que podia estabelecer com os senhores”. (Costa, 1998, p.34)

Os escravos alugados exerciam as suas funções como empregados domésticos, artesãos, amas de leite, governantas, cozinheiros, carpinteiros, sapateiros e outras modalidades possíveis. Em alguns casos, o seu ganho era apresentado ao senhor e somente uma pequena parcela era de sua posse. Outra modalidade desse trabalho era desenvolvida por meio de um contrato de serviço, pautado em ficções jurídicas com o seu alugador, que lhe emprestava o dinheiro da alforria em troca de certo número de anos de trabalho (Carneiro,1985; Silva 1988; Neves 2002) .

4 sobre a inserção de crianças no cotidiano das fazendas, seus papéis, podemos ver em Priore, M. Del. (Org). (2000). A Historia da criança no Brasil.

Mesmo tendo o seu trabalho como forma de ganho, ambos – escravo de rua/ganho ou o escravo alugado não tinham o reconhecimento de assalariado por estarem, como os outros (eito, domésticos) inseridos na estrutura escravagista, as atividades por eles exercidas eram desvalorizadas, conformando a ideologia. Freyre (1977), no livro Sobrados e Mocambos apresenta o negro de rua ou de ganho

“como um animal de carga [que ]transitavas pelas ruas mal cheirosas e esburacadas da cidade conduzindo cargas das mais variadas procedências. Desde pessoas transportadas em cadeirinhas, ao café do porto para os navios, até excrementos dos sobrados para serem jogados nas praias”.(p.500)

Os escravos do eito exerciam as funções de agricultores e, às vezes, de acordo com os donos das fazendas, o seu sustento era feito de duas formas: a) o senhor provia os escravos com rações de carne seca, peixe seco, farinha de mandioca e; b) o escravo cultivava uma agricultura de subsistência: mandioca, feijão, milho, aos sábados, domingos e dias santificados, também criavam galinhas, porcos; alguns tinham cavalos, os quais alugavam para outros escravos. Para esses escravos era difícil guardar alguma economia para comprar sua alforria (Carneiro, 1985; Neves, 2002; Scisínio, 1997). Esses escravos também recebiam em troca do trabalho: duas camisas e dois pares de calções por ano, dois chapéus de palha, uma esteira para dormir, uma peça de baeta5 para se cobrir a noite. Era o escravo quem mobiliava a sua choça. As economias desses escravos não lhes pertenciam por direito, uma vez que não eram considerados capacitados civilmente. Portanto, tudo o que possuíam pertencia ao seu dono, apesar de indícios registrados afirmarem que essa propriedade era reconhecida de fato. Por ser escravizado o negro não possuía direitos e era

considerado juridicamente uma coisa, portanto a lei que valia era a do senhor (Carneiro,1985, Neves, 2002).