Os testes de salto foram utilizados no presente estudo com o intuito de promover o entendimento da manifestação da força relacionada aos indicadores de desempenho na corrida de curta distância e elevada velocidade. A adoção destas estratégias foi fundamentada 1) no fato de ambas as tarefas serem ações em que se faz presente a manifestação do ciclo alongamento-encurtamento (NICOL, AVELA & KOMI, 2006), 2) por serem as estratégias mais utilizadas por treinadores e preparadores físicos na avaliação e monitoramento das respostas induzidas pelo treinamento esportivo (ALMUZAINI & FLECK, 2008; LOCKIE, SCHULTZ, CALLAGHAN & JEFFRIESS, 2014; MACKALA, STODOLKA, SIEMIENSKI & COH, 2013b; MACKALA, STODOLKA, SIEMIENSKI & COH, 2013c; MARKOVIC et al., 2004) e 3) pelas correlações significantes (p<0,05) encontradas entre o desempenho
nestas tarefas (altura de salto e tempo para percorrer uma dada distância) (ALMUZAINI & FLECK, 2008; CHAOUACHI et al., 2009; HENNESSY & KILTY, 2001; SMIRNIOTOU et al., 2008).
No entanto, considerando que distintas estratégias de salto refletem diferentes respostas atreladas a manifestação da força (BOBBERT, HUIJING & VAN INGEN SCHENAU, 1987a; BOBBERT, HUIJING & VAN INGEN SCHENAU, 1987b; NICOL, AVELA & KOMI, 2006), fazendo com que a contribuição dos parâmetros biomecânicos para o desempenho nos saltos e nas tarefas de aceleração seja teste-dependente (ANDRADE et al., 2012a; KOLLIAS et al., 2001; LAFFAYE, BARDY & DUREY, 2007; MEYLAN, MCMASTER, CRONIN, MOHAMMAD, ROGERS & DEKLERK, 2009; MEYLAN, NOSAKA, GREEN & CRONIN, 2009; NICOL, AVELA & KOMI, 2006; SMIRNIOTOU et al., 2008), os atletas foram submetidos a diferentes estratégias de salto. Por além disto, tem sido apontado que a utilização de distintas estratégias são importantes na construção de um modelo que tente explicar as relações de desempenho (ANDRADE, 2009).
Foram adotadas as estratégias de salto vertical, salto vertical de profundidade, salto horizontal e salto horizontal de profundidade.
Ainda, dado que a restrição da livre movimentação dos braços causa prejuízo 1) na capacidade de controlar a rotação excessiva do corpo a frente durante as fases de contramovimento e de vôo, 2) na otimização de utilização do contramovimento e o equilíbrio durante todo o salto, logo 3) no desempenho no salto (CHENG & CHEN, 2005), optou-se por permitir em todas as estratégias de salto (SV, SH, SVP e SHP) a livre movimentação dos braços. Além do mais, tal adoção produz maior proximidade com as ações experimentadas na prática dos treinamentos dos atletas (FLANAGAN, EBBEN & JENSEN, 2008).
5.2.1.1.2.1 Salto vertical (SV)
Para o salto vertical foi utilizado o teste originalmente denominado Vertical Jump (JOHNSON & NELSON, 1974), condição em que o salto vertical é realizado com contramovimento e livre movimentação dos braços (SV).
Para tanto, o atleta voluntário foi posicionado em pé sobre a plataforma de força, mantendo os calcanhares em afastamento bitrocanteriano, pernas estendidas e os braços na posição que julgou mais confortável.
Nesta posição, após receber por parte do avaliador a voz de comando “ATENÇÃO, JÁ”, o voluntário realizou um salto com esforço máximo objetivando a máxima amplitude vertical possível (ver 6.3.4 Parâmetros biomecânicos dos testes de salto).
Não foi permitido realizar ações de saltitar ou qualquer tipo de deslocamento antes da execução do salto, invalidando tal tentativa caso estes viessem acontecer. Nenhum dos atletas teve invalidada qualquer uma das tentativas por este motivo.
5.2.1.1.2.2 Salto horizontal (SH)
Foi considerado para a mensuração dos parâmetros do salto horizontal, a metodologia denominada Standing Board Jump (JOHNSON & NELSON, 1974), condição em que o salto é realizado horizontalmente com contramovimento e livre movimentação dos braços (SH).
Similar ao ocorrido com SV, para a realização do SH o voluntário foi posicionado em pé sobre a plataforma de força, mantendo os calcanhares em afastamento bitrocanteriano, pernas estendidas e os braços na posição que julgou mais confortável.
Uma vez nesta posição, e após ter recebido por parte do avaliador a voz de comando “ATENÇÃO, JÁ”, o voluntário realizou um salto com esforço máximo tentando alcançar a máxima amplitude horizontal possível (ver 6.3.4 Parâmetros biomecânicos dos testes de salto). Não foi permitido realizar ações de saltitar ou qualquer tipo de deslocamento antes da execução do salto, invalidando tal tentativa caso estes viessem acontecer. Nenhum dos atletas teve invalidada qualquer uma das tentativas por este motivo.
5.2.1.1.2.3 Salto vertical de profundidade (SVP) e Salto horizontal de profundidade (SHP)
O salto de profundidade é caracterizado pela realização de um salto precedido de uma dada altura de queda, com o menor tempo de contato possível com solo entre as fases excêntrica e concêntrica (BOBBERT, HUIJING & VAN INGEN SCHENAU, 1987a; FLANAGAN & COMYNS, 2008; FLANAGAN, EBBEN & JENSEN, 2008), afim de possibilitar o incremento de energia cinética na fase excêntrica e subsequente incremento da energia cinética na fase concêntrica (KOMI & BOSCO, 1978).
Considerando que esta reposta é dependente da altura de queda utilizada, se fez necessário a identificação da altura ideal de queda para adequada reposta (KOMI & BOSCO, 1978).
Embora exista a relação entre as energias cinéticas negativa e positiva com o deslocamento do centro de gravidade (KOMI & BOSCO, 1978),o que justificaria a identificação da altura ideal de queda como aquela em que o atleta obtém o maior desempenho de salto (KOMI & BOSCO, 1978), optou-se pela determinação desta a partir do índice de força reativa ( ) (FLANAGAN & COMYNS, 2008; FLANAGAN, EBBEN & JENSEN, 2008), uma vez que este índice reflete a magnitude de tensão no complexo músculo-tendíneo durante este tipo de atividade (FLANAGAN & COMYNS, 2008; FLANAGAN, EBBEN & JENSEN, 2008) e apresenta reprodutibilidade conhecida [coeficiente α de Cronbach=0,95 e coeficientes correlações intraclasse >0,95)] (FLANAGAN, EBBEN & JENSEN, 2008; FLANAGAN & HARRISON, 2007).
Por além disto, tem sido apontado que o expressa a altura a partir da qual os saltos de profundidade são otimizados do ponto de vista do desempenho e minimizados quanto aos riscos de lesão (FLANAGAN, EBBEN & JENSEN, 2008).
O foi obtido pela razão entre o desempenho de salto (amplitude vertical para SVP e horizontal para SHP) e o tempo de contato (equação 2) (FLANAGAN & COMYNS, 2008; FLANAGAN, EBBEN & JENSEN, 2008).
=
equação 2Sendo, IFR o índice de força reativa, DS o desempenho de salto (altura para SVP e distância de SHP) e o tempo de contato com o solo após a queda de dada altura
Os parâmetros DS e foram obtidos durante uma sessão preliminar composta por uma série de SVP e SHP realizados a partir de diferentes alturas de queda, e quantificados por um tapete de contato (Smart Jump®; Fusion Sport®, Austrália) com retardo de ligação/desligamento de 0,001 segundo e uma fita métrica inextensível fixada ao solo. Esta sessão de saltos foi realizada em um período de até 1 semana de antecedência a realização dos saltos utilizados como indicadores de desempenho e para determinação dos parâmetros biomecânicos desejados.
Na citada sessão, os atletas executaram 1 (uma) tentativa de SVP e SHP em cada altura de queda, sendo adotado as alturas de queda entre 30 e 60 centímetros, com acréscimo de 10 centímetros (KOMI & BOSCO, 1978). Foi executada 1 (uma)
tentativa para cada altura de salto com o intuito de se evitar possíveis influencias da fadiga nos saltos subsequentes e pelos resultados confiáveis obtidos com esta estratégia (FLANAGAN, EBBEN & JENSEN, 2008). Ainda, as estratégias SHP e SVP foram realizadas de forma randomizada, afim de minimizar possíveis influências no resultado em função da ordem de execução dos testes.
Em todas as tentativas realizadas de SHP e SVP, os atletas voluntários foram posicionados em pé sobre o implemento com a altura desejada, mantendo os calcanhares em afastamento bitrocanteriano, pernas estendidas e os braços na posição que julgou mais confortável. Uma vez nesta posição, e após receber por parte do avaliador a voz de comando “ATENÇÃO, JÁ”, o voluntário projetou um pé à frente deixando, pelo efeito da aceleração gravitacional, seu corpo “cair” sobre o tapete de contato.
Não foi permitido realizar ações de saltitar ou de controle de queda a partir do implemento, invalidando tal tentativa caso estes viessem acontecer. Três atletas tiveram tentativas invalidadas por estes motivos.
Ao tocar o solo (tapete de contato) o atleta voluntário foi orientado a realizar um salto em esforço máximo objetivando a máxima amplitude vertical (SVP) ou horizontal (SHP) possível, assim como produzir o menor tempo de contato entre as fases excêntrica e concêntrica, conforme proposto na literatura (BOBBERT, HUIJING & VAN INGEN SCHENAU, 1987a; FLANAGAN & COMYNS, 2008; FLANAGAN, EBBEN & JENSEN, 2008).
Foi considerada a altura ideal de queda, a altura em que o atleta obteve o maior IFR (FLANAGAN & COMYNS, 2008; FLANAGAN, EBBEN & JENSEN, 2008).
Uma vez estabelecida a altura ideal de queda para SVP e para SHP, e no intervalo máximo de 1 semana, uma nova sessão de saltos foi realizada. Nesta, os atletas executaram os SVP e SHP somente a partir da altura de ideal de queda e sobre a plataforma de força. Os resultados obtidos nesta sessão foram utilizados como indicadores de desempenho e na determinação dos parâmetros biomecânicos desejados.