Elaborámos um inquérito por questionário (Anexo E) dirigido às empresas de cerâmica e do vidro (utilitários e decorativos) dos Concelhos de Alcobaça e da Nazaré.
Embora a tradição do fabrico de cerâmica utilitária e decorativa se localize essencialmente no Concelho de Alcobaça, na freguesia de Valado de Frades, pertencente ao Concelho da Nazaré, existiram igualmente numerosas fábricas de cerâmica tradicional da região e existem atualmente ainda algumas, incluindo a SPAL - Sociedade de Porcelanas de Alcobaça, que, embora tenha esta designação, se encontra no Concelho da Nazaré.
Incluímos também no nosso trabalho as empresas de vidro (utilitário e decorativo), apesar da grande concentração de fábricas se verificar no vizinho Concelho da Marinha Grande, dado a fábrica Atlantis de vidro e cristal, de grande importância a nível nacional e internacional, se localizar na freguesia de Coz (ou Cós), pertencente ao Concelho de Alcobaça, assim como um pequeno número de fábricas que se localizam na freguesia de Martingança, pertencente ao mesmo concelho, freguesia que é limítrofe do concelho da Marinha Grande, onde se desenvolveu a indústria do vidro e do cristal.
A lista completa das empresas de cerâmica e do vidro foi extremamente difícil de organizar, dado não existir nenhum organismo público, associação ou outro que a possua.
Um projeto internacional sobre cerâmica em que a Câmara Municipal de Alcobaça participou, designado CeRamICa, incluiu um estudo (2009) sobre as empresas de Cerâmica Utilitária e Decorativa da região de Alcobaça que abrangeu 36 empresas (projeto que referiremos no Capítulo III). Tomámos como ponto de partida essas empresas que incluíam unidades
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produtivas industriais, unidades produtivas artesanais, fornecedores de matérias-primas e exportadores.
Algumas das empresas referidas nesse estudo já não estão em atividade e recorrendo a listas telefónicas e à Internet encontrámos inclusivamente outras empresas. Para confirmar as que estavam ainda em laboração, telefonámos para todas e confirmámos se estavam ou não em funcionamento.
Ao telefonar referimos que íamos enviar um questionário, definimos os objetivos do mesmo e solicitámos a colaboração das empresas respondendo ao questionário. Este foi enviado por correio postal (depois de termos confirmado todos os endereços), juntamente com um envelope de resposta endereçado ao investigador.
Um mês depois do envio foi novamente feito um telefonema a todas as empresas que não tinham respondido reiterando o pedido de resposta ao inquérito.
As empresas às quais enviámos o questionário (ver Anexo F) incluem unidades produtivas industriais de cerâmica, unidades produtivas artesanais de cerâmica, unidades produtivas industriais de vidro, unidades produtivas e/ou de reparação de máquinas para as indústrias de cerâmica e do vidro; uma unidade produtiva de pasta para cerâmica e duas unidades de comercialização de produtos de cerâmica e do vidro (armazenistas).
Foram enviados 44 inquéritos e obtivemos 21 respostas:
unidades produtivas industriais de cerâmica e do vidro: 14; unidades produtivas artesanais de cerâmica: 6;
unidades produtivas e/ou de reparação de máquinas para as indústrias de cerâmica: 1. Nos telefonemas que fizemos para renovar o pedido de resposta ao questionário foi justificada a não resposta principalmente por falta de tempo (“tenho muito que fazer e não tenho tempo para responder”; a funcionária que tem a cargo a resposta está muito ocupada”; “o inquérito está na administração”).
O questionário contém na 1ª página uma carta em que o investigador apresenta : o propósito do questionário;
a garantia de anonimato das respostas;
a razão porque foi escolhido um inquérito postal; o pedido de colaboração e os agradecimentos.
32 A estrutura é a seguinte:
1. Identificação e localização da empresa, ano de fundação e correspondente grupo da CAE – Classificação das Atividades Económicas.
2. Identificação do respondente, da função que desempenha na empresa e da formação que possui.
3. Caracterização Económico-financeira da Empresa: A - Tipo de produtos;
B - Volume de negócios e trabalhadores da empresa;
C - Venda dos produtos, subcontratação, concorrência e cooperação entre empresas; D – Formação dos trabalhadores;
E – Inovação;
F - Situação atual e perspetivas futuras da empresa. 4. Comentários ao inquérito.
Dado as empresas terem características diferentes, os questionários referentes às unidades produtivas industriais de cerâmica e do vidro, às unidades produtivas artesanais de cerâmica; às unidades de fabrico, manutenção e reparação de máquinas para a indústria de cerâmica; à unidade produtiva de pasta para cerâmica e às unidades de comercialização de produtos de cerâmica e do vidro (armazenistas) apresentam diferenças, atendendo a que os questionários tenham sido adaptados aos diferentes tipos de unidades, embora a estrutura se mantenha. Só incluímos no Anexo E os questionários destinados às unidades produtivas industriais de cerâmica e do vidro e às unidades de fabrico, manutenção e reparação de máquinas para a indústria de cerâmica.
Na elaboração do questionário tivemos em conta os objetivos do nosso trabalho e o enquadramento teórico nomeadamente os conceitos de distrito industrial, de cluster e de meios inovadores.
Tivemos em atenção os princípios de elaboração do questionário (Ghiglione e Matalon, 1992 e Moreira, 2004), nomeadamente no que diz respeito a formulação das questões: compreensíveis para os respondentes, sem ambiguidades, em número adequado, incluindo respostas fechadas e respostas abertas para dar ao inquirido a possibilidade de exprimir as suas opiniões.
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O questionário antes de ser enviado foi pré testado de forma a assegurar que todos os inquiridos compreendessem todas as questões da mesma forma e de que a lista de opções de respostas às questões fechadas cobrisse todas as alternativas possíveis. No entanto foi sempre considerada a possibilidade de o inquirido colocar outra ou outras respostas não previstas no questionário.
O pré-teste incluiu primeiramente uma verificação e discussão com o Orientador da dissertação assim como de um pequeno número de pessoas com diferentes formações académicas e profissionais, pedindo-lhes que fizessem comentários e observações de forma a testar a compreensão das questões.
Fizemos o pré-teste do questionário junto de um proprietário-gerente de uma das fábricas de cerâmica e de dois dos entrevistados. Os três disseram que a linguagem era clara e que era necessário cerca de 30 minutos para responder ao questionário. O primeiro sugeriu no entanto alterações nas questões referentes à comercialização dos produtos, que foram introduzidas. Para o tratamento e apresentação dos dados recorreu-se ao programa Excel.
A análise dos dados é apresentada no Capítulo IV.