5. Drøfting av funn
5.1 Myndighet gav mestring
De acordo com os seus estatutos, a PRA2 deveria ter como fonte de sustento as mensalidades e as doações extraordinárias de seus sócios. Neste sentido, os diretores da Rádio Sociedade elaboravam campanhas em jornais e revistas buscando colaboradores dispostos a contribuir mensalmente com a causa da radiofonia.
A Rádio Sociedade do Rio de Janeiro em sua campanha altruísta acceita como sócios, todas as pessoas idôneas, nacionaes ou estrangeiras, pagando apenas a insignificante quantia de 5$000 mensais proporcionando assim horas agradáveis a todos aqueles que concorrem para o engrandecimento do país (O Botafogo, 16/5/1925 apud) .
Nestes empreendimentos, os sócios efetivos transmitiam a idéia de que, associando-se à emissora, as pessoas estavam colaborando com o desenvolvimento não só do rádio no Brasil, mas da própria nação, através das atividades realizadas por meio desse veículo: a pesquisa, a cultura e a educação. No olhar de Carlos Sussekind de Mendonça:
Cultos e incultos, analphabetos e letrados, sãos e doentes, fracos e fortes, sertanejos e litorâneos, cariocas e acreanos, todos vão receber, ao mesmo tempo, a ducha
revigoradora que se lhes vae dar. Mais uma vez condenados a civilização, não ficará como das outras, no dilema de Euclydes da Cunha. Progredirá. Tem de progredir como se deve, pela educação, pela cultura, pelos agentes intelectuaes que, queira ou não queiram são ainda os únicos capazes de fazerem o individuo e reerguerem as nações... (Radio, 11/1923, p.9).
A Rádio Sociedade tinha grande dificuldade em manter seu equilíbrio financeiro. Não era necessário ser sócio da PRA2 para desfrutar das suas irradiações e serviços. As campanhas em busca de associados também utilizavam como argumento a dependência das colaborações em espécie para a sobrevivência da emissora:
Si todos os de qualquer forma, se valem das irradiações da Radio Sociedade fossem seus associados, se lhes dessem a insignificante contribuição de uma mensalidade, a instituição que lhe presta serviços teria a situação que merece e, ainda, o que é mais natural; poderia benfecial-os proporcionando-lhe programmas cada vez melhores. Porque, e é preciso notar isso, todos os recursos da Radio Sociedade, mas todos sem excepção, são destinados aos seus serviços de programmas e aparelhagem técnica. Uma simples questão de reciprocidade de forças e convenhamos, fácil tão pouco onerosa para os que nos ouvem e que tanto recebem de nós.
Os problemas financeiros sempre acompanharam a PRA2. À medida que o
broadcasting se desenvolvia, as despesas com manutenção da aparelhagem
aumentavam. A programação também necessitava de investimentos, razão pela qual, com o passar do tempo, não foi mais possível elaborá-la apenas graças a benesses de colaboradores. Foram contratados músicos, cantores e speakers. A solução encontrada foi a publicidade. Nos primeiros tempos, a propaganda só poderia ser executada mediante a autorização prévia do Ministério de Viação e Obras Públicas. Para os diretores da emissora, a publicidade era um derradeiro recurso para enfrentar as dificuldades que se acumulavam.
A campanha pela causa do Broadcasting, publicada em Rádio, ilustra as variadas estratégias de convencimento utilizadas pela PRA2 em busca de contribuições.
(Radio, junho de 1924, p.39)
Em primeiro plano, são conclamados os amadores. Os pioneiros do rádio chamavam de amadores todos aqueles que, de alguma forma se dedicavam à transmissão e ou à recepção de sinais da radiofonia. Estes amadores considerados essenciais ao desenvolvimento do broadcasting pertenciam, em geral, a uma elite intelectual e financeira: apenas os mais ricos podiam ter acesso aos aparelhos de rádio,
pois estes eram caros. Além desse fator, a instalação exigia conhecimentos sobre física, para que se ajustasse a posição da antena, dos fios, das baterias... Os dirigentes da Rádio Sociedade acreditavam que esta elite deveria ter um compromisso com o progresso intelectual do povo, sendo vista como a única classe capaz de conduzir o desenvolvimento da nação. O popular é posto como passivo, o incapaz, que necessita da ação e da orientação de uma classe mais consciente e culta. Em outros artigos de
Radio, é possível perceber o apoio à radiofonia colocado junto à classe dominante como
um dever patriótico:
Ninguém ignora os compromissos que prezam sobre a Radio Sociedade. Ella os assumio sem medo, na certeza de que o patriotismo brasileiro não a deixará sosinha no beneficio formidável que vae prestar ao pais. Mas é preciso que todos nós, brasileiros saibamos, a esta confiança tornando certa essa certeza.
Particulares, industriaes, comerciantes, educadores, militares todos temos o dever de agir neste sentido, de cooperar de qualquer modo para a obra gigantesca que a Radio Sociedade collocou sobre os hombros.
E esta acção e esta cooperação devem ser feitas já.
Nós temos, todos, uma facilidade doentia de esquecer. Tão grande como a de nos enthusiasmarmos. Amanhã, quando a nova estação estiver assentada, com o seu funcionamento normal, regular, definitivo, talvez já seja tarde para querer do povo o que seu enthusiasmo, muito justo de agora, promette sinceramente... (Radio, n16,1924, p.5)
A convocação dos comerciantes nos dois textos mostra a importância da propaganda como fonte de renda para a causa da radiofonia. Embora a programação com caráter comercial fugisse aos preceitos dos idealizadores da PRA2, eles reconheciam que, sem o patrocínio das empresas, o funcionamento da emissora se tornaria inviável. Desta forma, ao contribuir com o rádio, os comerciantes impulsionavam a nação rumo ao progresso. É importante destacar que os anunciantes não deveriam interferir na elaboração das atrações, e que a recompensa deveria se restringir à divulgação do produto.
Na década de 1920, o mundo vivia as consequências da Primeira Guerra Mundial. Uma das questões que atormentavam os homens de ciência era o uso da tecnologia para prejudicar a humanidade, como ocorrera com a dinamite e com o avião. O próprio sistema de radiotelefonia era visto como uma arma de guerra, pois serviu à troca de informações para ataques e à divulgação de idéias subversivas ao governo.
Neste contexto, a Rádio Sociedade organizou campanhas que enfatizavam a capacidade do rádio de amenizar alguns problemas da humanidade, tanto os físicos,
como a doença, quanto os psicológicos, como a solidão. Essa é uma possibilidade muito difundida pelos próprios cientistas em suas pesquisas:
Os desertos sáfaros das regiões polares devem ser transformados em terreno útil? Um sopro de húmus fertilizante, resultante das agitações scientificas.
Chegou a esse provecto cultor da sciencia a conclusão e proclama em alto e bom som, de que em seu futuro bem próximo enviar-se-a ao pólo norte, graças aos recursos da T.S.F. o calor sufficiente capaz de transformar essa inhospita safara região, esse deserto de gelo em terreno fértil e perfeitamente habitavel.
Prediz ainda esse mesmo sábio que mediante o emprego dos raios electricos, chegar- se-a as chuvas e de forma que ellas se preciptem precisamente no pátio onde se tornem mais desejadas.
A prodigiosa evolução da T.S.F. Tantas as maravilhas na esphera da radioeltricidade, que não será nada impossível que conformar theorica e praticamente mais essa inestimável descoberta scientifica do notável mestre britânico – A. M. Low. (Jornal, 09/09/1925,p.7)
(Electron, outubro de 1926, p.3)
Em outubro de 1926 a Rádio Sociedade lançou a Campanha Alegria para os
solitários, instrucção para os necessitados e conforto para os infelizes. Esta tinha o
objetivo de adquirir rádios para os hospitais, presídios, asilos e orfanatos. Baseada em pesquisas realizadas na Inglaterra, esta mobilização se amparava na perspectiva de que a radiofonia, por meio de sua programação, era capaz de proporcionar conforto moral para quem estava vivendo uma situação de isolamento.
A campanha se estendeu por vários meses, conclamando as pessoas a contribuir em espécie para a compra dos equipamentos. A capa de Electron de outubro de 1926, ilustra a etapa em que os recursos eram direcionados aos hospitais. O rádio era visto como uma terapia complementar em situações de doenças, que faziam com que pessoas passassem meses no leito. Neste caso, o aparelho deveria ser individual, com fones para que o som não perturbasse aqueles que desejassem simplesmente descansar.