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The LHC and the ATLAS Experiment

2.4 The ATLAS Experiment

2.4.5 Muon spectrometer

Os resultados mostraram ganhos significativos entre os pais que tiveram contato com a intervenção (GE1 e GE2), entre o pré-teste e o pós-teste, nos seguintes aspectos: (a) freqüência de comunicação com o filho; (b) freqüência de participação nas atividades escolares, culturais e de lazer do filho; (c) número de pais que participavam

nas reuniões escolares do filho e (d) freqüência de participação dos pais nas reuniões escolares do filho.

A maior freqüência de envolvimento paterno, no que diz respeito à comunicação entre pai e filho e na participação do pai nas atividades escolares, culturais e de lazer do filho, na fase de pós-teste, foi apontada pelos pais, mães e crianças. Como se trata da avaliação das mesmas medidas, por três informantes, são indicativos da fidedignidade dos dados coletados (Cozby, 2006).

Essas melhoras se mantiveram na fase de follow-up, sendo que a freqüência de comunicação entre pai e filho aumentou na fase de follow-up, demonstrando ganhos a longo prazo de os pais ou as mães terem participado do grupo de intervenção. Para que houvesse mais comunicação com os filhos, os pais precisariam se interessar mais nas atividades que os filhos realizavam, além de criar estratégias para aumentar o vínculo e a confiança na relação, aspectos estes que necessitavam de tempo e vontade de ambas as partes. Provavelmente, a intervenção mostrou-se eficaz para aumentar a freqüência de interações intrafamiliares, ao nível microssistêmico.

A melhora significativa do envolvimento parental também foi apontada em outros programas de intervenção que trabalharam com pais e/ou mães (Bolsoni-Silva & cols., 2000; Duch, 2005; Fagan & Iglesias, 1999; Freitas, 2005; Marinho, 2005; Pinheiro & cols., 2005). No entanto, ressalta-se que mesmo nos casos em que os pais não tenham participado diretamente da intervenção (GE2), a participação das esposas alcançou resultados positivos, para transmitir aos pais comportamentos mais adequados de envolvimento e a importância dos mesmos para o desenvolvimento dos filhos. Essa aprendizagem de esposa-marido pode ter ocorrido por modelação ou por instrução. É interessante ressaltar que, apesar de os pais e as mães dessa amostra não terem queixa clínica de problemas comportamentais e de desempenho acadêmico dos filhos e de

terem um envolvimento freqüente com os filhos, o grupo (que teve um caráter preventivo) trouxe benefícios para a maximização da qualidade da interação entre pais e filhos, como apontado no estudo de Bolsoni-Silva e cols. (2008).

Quanto à escala de cuidados com o filho, os pais aumentaram a participação (considerando a opinião do pai e/ou da mãe) entre o pré-teste e o pós-teste, nos seguintes aspectos: ingerir alimentos com baixo valor nutricional, educação escolar, controlar horário de lazer/assistir TV (GE1 e GE2); impor horário de deitar, comprar roupas e brinquedos para seu filho (GE1); atender as solicitações do seu filho para comprar coisas inadequadas, controlar círculo de amizades do filho e promover contato com parentes (GE2). Após a intervenção, os pais passaram a ter um maior envolvimento nos cuidados com os filhos, na educação escolar, além do envolvimento em atividades de lazer e social, corroborando com dados da literatura (Cia & Barham, 2005; Cia & cols., 2006; Hawkins & cols., 2006). O maior envolvimento paterno, nas atividades diárias do filho, vem a favorecer a menor sobrecarga de atividades/responsabilidades da esposa, como também, o estabelecimento de um vínculo maior com o filho.

Segundo Silva (2007), o “bom pai” foi caracterizado não por ser o provedor financeiro da família, mas por se envolver em atividades familiares, incluindo cuidados para com os filhos, ajuda nas tarefas de casa, sendo que esses pais estão se preocupando mais do que os pais das gerações anteriores com o bem-estar pessoal/material dos filhos e com o provimento de atividades culturais. Além disso, o papel dos pais torna-se mais importante quando os filhos estão em fases de transição do desenvolvimento, como ocorre com as crianças dessa amostra. Esse papel deve estar relacionado, além da disponibilidade aos filhos, ao apoio e envolvimento ativo na negociação da progressiva independência do filho, antecipando momentos onde tais recursos relacionados à independência devem estar mais disponíveis. Os pais devem discutir com os filhos suas

práticas e os seus valores, negociando as regras estabelecidas. Além disso, devem monitorar os comportamentos dos filhos, prevendo possíveis intercorrências no desenvolvimento dos mesmos (Oliveira & Costa, 2005).

Em se tratando do tempo diário que os pais passavam com os seus filhos, não se pode falar que a participação no programa de intervenção foi eficaz para aumentar tal aspecto. Apesar de o programa de intervenção prezar pela qualidade do relacionamento entre pai e filho, esperava-se que o número de horas que os pais passassem com os filhos aumentasse, já que uma é pré-requisito de outra. No entanto, acredita-se que para os pais dedicarem mais tempo aos seus filhos, não dependeria apenas de fatores intrínsecos, mas de outros fatores externos, como tempo dedicado ao trabalho, tempo dedicado a outras tarefas familiares ou mesmo divisão de tarefas que tem com a esposa, fatores estes que podem dificultar o tempo passado com os filhos. Como aponta Bronfenbrenner (1996), os fatores externos influenciam o desenvolvimento familiar, porque afetam as oportunidades e compromissos dos membros da família.

Os pais do GE1 apontaram maior número de comportamentos dos filhos que lhes agradavam e os pais do GE1 e GE2 também apontaram menor número de comportamentos dos filhos que lhes desagradavam, na fase de pós-teste, quando comparados com a fase de pré-teste. Os ganhos na percepção dos pais quanto aos comportamentos dos filhos também se mantiveram na fase de follow-up, havendo uma melhora significativa no número de comportamentos que agradavam os pais do GE1 e GE2 na fase de follow-up. Apesar de os filhos não diminuírem o número de comportamentos desagradáveis, segundo a opinião dos pais, na fase de follow-up, eles aumentaram o número de comportamentos agradáveis.

Ao trabalhar com os pais, durante a fase de intervenção, o controle de comportamentos, junto com técnicas de modificação e manutenção de comportamentos,

supõe-se que os mesmos tenham modelado comportamentos mais habilidosos nas interações com seus filhos. Além disso, durante as sessões, era evidente a dificuldade dos pais em apontar bons comportamentos dos filhos, pois se atentavam apenas aos inadequados. De fato, os comportamentos inadequados são os mais punidos socialmente, em diferentes ambientes sociais, por isso, tornam-se mais “visados” pelos pais e são aqueles que os pais querem modificar (Cia & cols., 2006; Del Prette & Del Prette, 2005; Sanders, 2005).

O grupo de intervenção não acarretou em melhorias no repertório de habilidades sociais dos pais, provavelmente porque não foram trabalhadas todas as habilidades sociais, em todos os contextos sociais, mas apenas as que mais se relacionavam ao comportamento parental, como por exemplo, o treino do feedback, da assertividade, empatia, leitura do ambiente social, elogios, entre outras, e sempre no contexto do papel parental. Além disso, as habilidades sociais não foram trabalhadas intensamente, pois em uma mesma sessão abordavam-se vários aspectos do relacionamento familiar.

Analisando as escalas usadas para avaliar o envolvimento paterno, notou-se que, de modo geral, não houve diferenças significativas entre os três grupos quanto à freqüência do envolvimento paterno. Os pais apresentaram uma freqüência de envolvimento similar no pré-teste, pós-teste e follow-up em relação a: comunicação com os filhos, participação nos cuidados com os filhos e participação nas atividades escolares, culturais e de lazer dos filhos. Um envolvimento significativo com os filhos é preditor de maior satisfação do pai quanto ao seu papel familiar, agindo diretamente na dinâmica familiar, pois aumenta a qualidade do relacionamento com a mulher (Carlson, 2006; Coley, 2001; Lamb, 1997; Matta & Knudson-Martin, 2006).

Essas formas de envolvimento podem reverter em uma boa qualidade de interação com os filhos, favorecendo o desenvolvimento infantil, principalmente no que

diz respeito aos aspectos socioemocionais e ao desempenho acadêmico. A interação positiva entre pai e filho é incompatível com práticas coercitivas nocivas para o desenvolvimento infantil (Brancalhone, Fogo & Williams, 2004; Gomide, 2003), sendo característico de mais um fator de proteção para o desenvolvimento da criança (Moreno, 2004). Tal aspecto fica evidente neste estudo, considerando que o envolvimento entre pais e filhos apresentou correlação positiva e significativa com o desempenho acadêmico, o autoconceito e o repertório de habilidades sociais das crianças, assim como, apresentou correlação negativa com os problemas de comportamento apresentados pelas crianças, o que vem a corroborar com os resultados de outros estudos (Atzaba-Poria & cols., 2004; Cia & Barham, 2005; Cia & cols., 2004; Cia & cols., no prelo; Davidov & Grusec, 2006; Duch, 2005; Englund, Luckner, Whaley & Egeland, 2004; Fletcher & cols., 2004; Flouri, 2005; Hill & Taylor, 2004; Hong & Ho, 2005; Overstreet, Devine, Bevans & Efreom, 2005; Scaramella & Conger, 2004; Verschueren & Marcoen, 1999).

Considerando uma análise ao nível mesossistêmico (Bronfenbrenner, 1996), o que pode contribuir para esse alto envolvimento dos pais na educação dos filhos é a escola onde as crianças estudam, pois as três instituições de ensino valorizavam a participação dos pais nas atividades acadêmicas dos filhos (oferecendo horários flexíveis de reuniões escolares e outras atividades para os familiares de seu alunado). Essa alta valorização da escola, quanto à participação dos pais nas atividades escolares das crianças, fica evidente pela postura das diretoras, que apresentaram interesse no desenvolvimento deste estudo e que se mostraram dispostas a auxiliar no mesmo.

Quanto à comunicação, nota-se que os pais apresentaram alta freqüência de diálogo com o filho, nas três fases de coleta de dados. A comunicação entre pais e filhos é importante para o estabelecimento de uma relação segura entre ambos e para os

relacionamentos futuros da criança (Feldman & Klein, 2003; Schneider, Atkinson & Tardif, 2001). O envolvimento dos pais na educação dos filhos torna-se mais importante diante das demandas específicas da fase de transição - em que as crianças desta amostra se encontravam (início do Ensino Fundamental). Nessa fase, o desempenho acadêmico, o ajustamento ao ambiente escolar, o relacionamento com os companheiros e a adesão às regras de comportamento moral e o comportamento socialmente habilidoso, constituem as principais tarefas adaptativas de desenvolvimento e requerem muitas e diversificadas habilidades da criança (Marturano, 2008), sendo fundamental a assistência dos pais nesse processo.

Nos cuidados com os filhos, os pais mostraram alta participação na educação escolar, em passear com o filho, controlar o círculo de amizades do filho e em promover contato com parentes. De fato, os pais são caracterizados como agentes socializadores dos filhos, havendo uma divisão razoavelmente estruturada entre o papel materno e o paterno (Hawkins & cols., 2006; McDowell & Parke, 2005; Ozgun & Honing, 2005; Parke, 2004). As mães costumam ter mais responsabilidade pelos cuidados diários e pela educação dos filhos e os pais pelas atividades de lazer, lúdicas e sociais (Bertolini, 2002; Cia & cols., 2006; Hawkins & cols., 2006; Verschueren & Marcoen, 1999; Wagner, Predebon, Mosmann & Verza, 2005).

Em relação à participação dos pais nas atividades escolares dos filhos, comportamentos tais como incentivar os filhos a assumir responsabilidades por tarefas escolares, valorizar as conquistas acadêmicas, auxiliar os filhos nas lições de casa, acompanhar o progresso escolar dos filhos, além de participar e se interessar pelas atividades dos filhos, têm sido identificados como preditores do sucesso escolar por parte dos filhos (Cia & cols., 2004; Cia, Pamplin & Williams, 2008; Soares, Souza &

Marinho, 2004) e motivadores dos filhos para com os estudos (Gomide, 2004; Tiba, 2006).

Os pais também foram questionados quanto ao tempo que passavam com os filhos, por dia, realizando alguma atividade. Notou-se que os pais do grupo controle passavam menos tempo com os filhos, quando comparados com os pais do grupo experimental 1 e experimental 2. Essa diferença pode ser explicada pela alta porcentagem de pais neste grupo, quando comparados com os demais, que trabalhavam no período noturno, o que impediu, em muitos casos, que os mesmos participassem do programa de intervenção.

Pais que trabalham à noite não têm horários normativos com o restante da família, pois normalmente dormem durante parte do dia, dificultando, por exemplo, que realizem refeições com os filhos, saiam para fazer compras junto à família, que acompanhem as atividades sociais ou se envolvam nas atividades da vida diária dos filhos (Cia, 2005; Cia & Barham, 2005; Fischer, 2004; Perry-Jenkins, Goldberg, Pierce & Sayer, 2007; Strazdins & cols., 2004). Num momento quando as expectativas e as normas sociais, em relação à freqüência e à abrangência de participação de homens no ambiente familiar estão ampliando, trabalhar à noite representa uma desvantagem importante para cumprir este novo papel paterno, que ajuda a conquistar uma série de vantagens para o desenvolvimento socioeomocional dos pais e para o bem-estar e desenvolvimento de seus familiares.

Os pais, independente do grupo e da fase de coleta de dados, conversavam com os filhos ou pediam desculpas, quando percebiam que tinham agido errado. Ao admitirem seus erros e pedirem desculpas, os pais ensinam os filhos, por modelação, a emitirem esses comportamentos também (Bolsoni-Silva & Del Prette, 2002). No entanto, esses pais apontaram que conversavam, castigavam ou batiam, quando os filhos

faziam algo que os desagradassem. A disciplina severa e inconsistente, as práticas educativas punitivas e autoritárias para com os filhos têm sido apontadas como um dos principais fatores de risco para o aparecimento de problemas de comportamento nas crianças (Anselmi & cols., 2004; Carlson, 2006; Conte, 2001; Dunn & cols., 2004; Gomide, 2004; Lansford & cols., 2003; Pacheco & cols., 2005; Patterson & cols., 2005).

Por fim, os pais dos três grupos, nas três fases de coleta de dados, apresentaram um bom repertório de habilidades sociais, o que vem a favorecer o desenvolvimento social e o desempenho acadêmico dos filhos, uma vez que, provavelmente, pais habilidosos estimulem os relacionamentos sociais dos filhos e valorizam os comportamentos socialmente habilidosos dos mesmos, os quais são importantes para o desenvolvimento infantil. Tais práticas vêm a favorecer o desempenho acadêmico das crianças, uma vez que o mesmo está diretamente relacionado com o desenvolvimento social.

Crianças

1- Impactos da intervenção com pais sobre o desempenho acadêmico, o