• No results found

KAPITTEL 7: AUTOMATISK UTFLATING OG VIDERE UTVIDELSER

7.2 Mulige utvidelser av vår implementasjon

7.2.3 Multikolonne-indeksering

1.2.1. A Gentrificação

Gentrificação (gentrification) é um termo cunhado pela socióloga inglesa Ruth Glass em 1964 para denominar a transformação de bairros operários em bairros de classe média aà idadeà deà Lo d es.à Oà sig ifi adoà ad à daà pala aà lati aà gens ,à deà o eza à ouà a isto a ia ,à gentry àe ài gl s,àa es e tadaà à oç oàdeàu àp o essoàde mutação, de io,àe à ueàaàp ese çaàdeàge teà o e àga haàp otago is o. O conceito foi reeditado e aprofundado por Neil Smith em 1979 e tem sido tema de acirrado debate desde os anos 1980, tornando-se uma das mais importantes questões para o planejamento urbano. Os processos de transformação urbana e a ressignificação dos lugares estão inerentemente relacionados aos processos de enobrecimento, com consequente deslocamento da população original.

A discussão sobre o tema suscita posicionamentos distintos, definidos pela ideologia política e pelos compromissos sociais dos diferentes autores. Pode-se anunciar a existência de duas posições com relação ao tema. Existem aqueles que se opõem a qualquer possibilidade de transferência da população, optando pelo congelamento ou a imobilidade, evitando o confronto, mas também as possibilidades de transformação do território. (BOSI, 2000). No segundo grupo teríamos aqueles que consideram o processo da gentrificação como inerente ao crescimento e desenvolvimento urbano, ou mesmo necessário para o progresso e a construção de cidades melhores. Nesse caso, o problema estaria em buscar soluções que promovam a inclusão e o acolhimento dos moradores desalojados. (FLORIDA, 2001).

A gentrificação pode ser vista como a mais típica consequência dos tradicionais processos de revitalização da cidade que ao se tornar mais atraente e melhorar suas condições de vida, tem sua população ati a àsu stituídaàpo àout a de maior renda. Para alguns autores, o planejamento estratégico nada mais é do que um eufemismo para a gentrificação e a revitalização, reabilitação ou requalificação são apenas sinônimos de gentrificação. (ARANTES, 2002 e ZUKIN, 2010). Esse processo se verifica nas mais diversas escalas, com o enobrecimento de determinadas ruas dentro de um mesmo bairro, ou com a valorização de alguns bairros de uma mesma cidade. Há situações em que o processo de gentrificação chegou a extremos, admitindo até mesmo estratégias com finalidade explicita de excluir-se com todo um grupo social da cidade. Smith (2006) diz que Nova York, ao

enfrentar uma crise financeira, optou por cortar os serviços públicos como medida de economia:

Na primavera de 1995, tendo que enfrentar um déficit de $3,1 bilhões, o prefeito Rudy Giuliani anunciou explicitamente sua intenção de cortar serviços e investimentos. O prefeito disse a um pequeno grupo de jornalistas que através do corte de serviços (públicos), ele esperava incentivar os moradores mais pobres a deixar a cidade. O encolhimento da população pobre seria uma coisa boa para a cidade, sugeriu. Esse não é o detalhe secreto da nossa estratégia. Essa é a nossa estratégia . (SMITH, 2006, p. 225, tradução nossa).

A lógica defendida pela estratégia de Giuliani responde às prioridades socioeconômicas que garantem o sucesso da cidade empreendedora contemporânea. O processo de enobrecimento de uma área tem como objetivo explícito a promoção de melhorias para os habitantes da cidade e aà i teg aç o àe t eàdiferentes grupos e classes sociais que habitam o mesmo espaço. No entanto existem outros objetivos implícitos, que se relacionam ao desenvolvimento econômico e à geração de renda para determinados grupos, em detrimento de outros.

Lance Freeman (2006) discute a questão da gentrificação sob o ângulo do mercado imobiliário, apontando para maiores nuances deste processo complexo. Freeman defende que existem alguns benefícios do processo de gentrificação para a população que, por um motivo ou outro, consegue permanecer no bairro e se beneficiar das melhorias, além dos ganhos que obtém com a valorização de suas propriedades. Florida, seguindo o mesmo raciocínio, acredita que o problema tem origem nas decisões da política urbana e na forma como os governos tomam decisões sobre seu investimento.

Gentrificação e exclusão são sintomas da escassez de um urbanismo de qualidade. E a força que promove esse movimento é o processo mais abrangente de urbanização intensa – impulsionada pelos grandes investimentos públicos e privados que vão desde o transporte, escolas e parques, até centros de pesquisa e a revitalização urbana. (FLORIDA, 2015, tradução nossa).

No entanto, a teoria da gentrificação enquanto promotora da integração entre diferentes grupos sociais e culturais se desfaz ao observar-se que a falta de investimento e a obsolescência de áreas urbanas, muitas vezes minuciosamente planejada como diz David Harvey (2001), é invariavelmente seguida da inevitável expulsão dos menos favorecidos, econômica ou etnicamente.

Além das posições já referidas aqui, encontram-se inúmeros estudos, com abordagens marxistas que condenam as injustiças do processo de gentrificação, assim como estudos com viés neoliberal, que se concentram nas consequências positivas do processo

para a economia da cidade. Outra abordagem, ainda de cunho mais quantitativo do que qualitativo, surge recentemente, ao se verificar que as áreas mais afetadas pelos processos de gentrificação não são as áreas habitadas pelas classes de menor renda, mas sim pelas que se encontram no meio do caminho . (SAMPSON & HWANG, 2014, tradução nossa). O estudo aponta que diferencial pode ser composto por outras características, tais como o potencial cultural da área e as relações sociais ali presentes. No caso norte-americano, a composição racial ou étnica de seus habitantes é o fato que compõe esse diferencial:

Existe um limite para onde a mudança está ocorrendo e é por isso que nós temos bairros que persistem na pobreza. Se pensarmos nos bairros como parte de uma hierarquia social, os que estão no topo, continuam no topo, enquanto os que estão embaixo, tipicamente ali permanecem. Os que estão no meio poderiam ir em qualquer direção, mas isso depende de sua composição racial e étnica. (HWANG & SAMPSON, 2014, tradução nossa).

Quaisquer que sejam os critérios que se use para compreender o fenômeno da gentrificação, nota-se que o processo afeta todos os setores da economia, pois o enobrecimento de algumas áreas, proporcionando ali melhor qualidade de vida, é sempre acompanhado da transferência e aumento de zonas de pobreza em outras partes da cidade. Utilizando-se do planejamento estratégico, ou não, os projetos de revitalização são historicamente identificados com os processos de gentrificação. Nos Estados Unidos, em várias regiões, a revitalização dos tradicionais centros urbanos – que tinham como base a indústria não mais presente – busca reocupar e interromper o ciclo de progressivo esvaziamento populacional das cidades. O processo se inicia com a designação de áreas obsoletas, desabitadas ou improdutivas, que estarão sujeitas a transformação.

Surge então a questão de como classificar uma eaà o soleta ,à desa itada ou improdutiva. Áreas desabitadas são o que o nome diz: vazias de residentes, sem moradores fixos. No entanto, historicamente verifica-se que áreas urbanas classificadas como vazias de fato são ocupadas, porém de maneira que não interessa ao poder público ou ao mercado. A definição, na prática, passa por alianças entre os interesses de mercado e as demandas das classes consumidoras do espaço urbano, além dos governos que unem forças com a finalidade de recuperar os espaços da cidade, devolvendo a sua vitalidade econômica. (FRIEDEN & SAGALYN, 1991).

No Brasil, temos inúmeras experiências de criação da obsolescência que de fato não existe. Em entrevista à Gazeta de Pinheiros sobre a revitalização do Largo da Batata em São Paulo, Ferreira (2014) explica que:

[...] a deterioração de um espaço urbano é, antes de tudo, um termo ideológico. Ele força uma interpretação negativa daquele espaço, que é considerado deteriorado para quem tem outros interesses na área. O Brasil é um país que produz cidades segregadas. Essa forma de vida urbana renega a cidade, a rua e toda a riqueza da interação cultural e social que a cidade permite.

Quando a Faria Lima passou a ter suas extremidades sob a mira do mercado imobiliário, com Operações Urbanas, a natureza popular do Largo da Batata, da sua feira e de seu comércio, passou a incomodar os objetivos de valorização. A ideia de requalificar , revitalizar essa área começou a ser cada vez mais ouvida, apesar da incrível e rica vitalidade que a área já tinha. (FERREIRA para A Gazeta de Pinheiros, 17/01/2014).

No caso norte-americano a situação se repete. A classificação dos slums (assentamentos com habitações precárias) por exemplo, é também determinada pela localização destes, mais do que por suas condições de fato. Nos anos 1970, de acordo ainda com Frieden e Sagalyn (1991), 98% das áreas condenadas não poderiam ser consideradas como slums, pois na realidade se tratavam de bairros consolidados. O setor imobiliário us a aàoà blight that s right ,àouàseja,àoàasse ta e toàp e ioà ueàest àe àlo alàdesejadoà pelo mercado. Além disso, as áreas escolhidas eram invariavelmente aquelas ocupadas pelas minorias, com 63% da população desalojadas compondo-se de não-brancos e de 94% que qualificariam para habitação social (devido a sua baixa renda).

1.2.2 A Cidade Empreendedora

áàpa ti àdosàa osà ,à uitasàdasà easà es aziadas 31 das grandes metrópoles são

lentamente re-ocupadas pelos que se costumam cha a à deà pio ei os ,à a uelesà ueà buscam a aventura, o lugar diferente e que ofereça preços acessíveis. Osà seeders :àa tistas,à indivíduos da comunidade LGBT, músicos, escritores se instalam nessas áreas em busca de alugueis baixos e espaço para desenvolver seu trabalho. A essa primeira fase de reocupação, seguem-se os primeiros empreendedores que veem nessas áreas novas oportunidades de lucro. A estes últimos seguem-se mais investimentos e essas áreas se transformam, se to a à p oduti as,à i a tes à eà esmo espetaculares. Na competição entre diferentes áreas da cidade e entre cada cidade, a espetacularização do espaço é ferramenta importante pa aàaà iaç oàdoà luga ,à ueàa olheàoà o su ido ,à o oàe pli aàDe o dàaàsegui .à

O espetáculo é ao mesmo tempo parte da sociedade, a própria sociedade e seu instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, o espetáculo concentra todo o olhar e toda a consciência. Por ser algo separado, ele é o foco do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza não é outra coisa senão a linguagem oficial da separação generalizada.

Sob todas as suas formas particulares de informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto do entretenimento, o espetáculo constitui o modelo presente da vida socialmente dominante. Ele é a afirmação onipresente da escolha já feita na produção, e no seu corolário — o consumo. A forma e o conteúdo do espetáculo são a justificação total das condições e dos fins do sistema existente. O espetáculo é também a presença permanente desta justificação, enquanto ocupação principal doàte poà i idoàfo aàdaàp oduç oà ode a .à DEBO‘D,à ,àp.à àeà .

A construção da cidade-espetáculo, nas mais diferentes escalas, sustenta em boa parte, a teoria do desenvolvimento da cidade criativa, que cria:

[...] espaços onde a articulação eficiente entre atividades sociais e artísticas, industrias culturais e governo foi capaz de produzir uma efervescência cultural que desenvolve, atrai e retém talentos, promove diversidade social, aumenta a oferta de empregos, gera maior conhecimento entre cidadãos, aumenta o potencial criativo de empresas e instituições, atrai mais turistas e, assim, contribui significativamente para a economia da cidade e qualidade de vida de seus cidadãos. 32 (Rio Cidade Criativa, S/D).

Em projetos recentes de renovação dos polos comerciais norte-americanos exemplificados neste estudo pelos casos em Miami e Filadélfia, o planejamento estratégico é utilizado de forma explícita por empreendedores dotados dos poderes estabelecidos pelo sistema político social em pauta e pelo sistema legislativo e financeiro vigentes. Em outros casos, exemplificado nesta pesquisa pelo caso da Vila Madalena, temos projetos em que o desenvolvimento dos polos de comércio é considerado orgânico , no sentido de não terem sido objetos de um processo sistemático e abrangente de projeto e gestão do espaço físico e dos negócios.

Seguindo os conceitos da cidade criativa,àdes itosàpo à‘i ha dàFlo ida,àe à Cities and the Creative Class à à eà Cha lesà La d à e à The Creative City: A Toolkit for Urban I o ato s (1995), com as devidas reformulações locais, a renovação das cidades têm incluído com maior frequência em seus planos e seus projetos os conteúdos criativos. Desde os grandes projetos urbanos até os projetos aisàpo tuaisàdeà a upu tu aàu a a 33 vê-se

ueà a recriação de lugares ao mesmo tempo singulares e universais vem a atender uma demanda planetária dirigida e particular à CO“Tá,à àat a sàdaàp o oç oàdaà e o aç oà de áreas urbanas. Assim se traduzem os significados originais dos espaços históricos e das

32 Auto definição do grupo Rio Cidade Criativa, 2015.

33 Conceito desenvolvido pelo arquiteto-artista finlandês Marco Casagrande, trazido ao Brasil por Jaime Lerner. A Acupuntura Urbana promove o investimento em projetos pontuais, que então progressivamente teriam o potencial de propagar seus efeitos para toda a cidade.

atmosferas culturais urbanas, reordenando esses elementos na produção de espaços diferenciados, que possam competir no mercado das cidades empreendedoras.

Hoje, a cidade empreendedora apropria-se do ideário da economia criativa em seu benefício, procurando re-criar a identidade local a fim de promovê-la de maneira global. Veremos ao longo desta pesquisa como se desenvolve tal processo.

1.3 O COMÉRCIO E A TRANSFORMAÇÃO URBANA