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Multidisciplinary university units with a strong anthropological presence

2. NORWEGIAN SOCIAL ANTHROPOLOGY – A BRIEF HISTORICAL INTRODUCTION

2.3 Histories of the participating institutions

2.3.2 Multidisciplinary university units with a strong anthropological presence

Os sujeitos que participaram realizando os exercícios de completar foram AN, AD e AR e a professora. Dos onze alunos que participavam da aula

somente esses três alunos realizavam essa operação, pois segundo a professora tinham necessidades distintas dos demais. Assim o aluno D não tinha problemas com leitura, mas escrevia tudo junto, já o aluno N tinha um problema com confusão de sílabas e o R, por sua vez, tinha problema de leitura e escrita, não no que diz respeito à compreensão e produção, mas no que diz respeito à produção das palavras, oralmente e por escrito. Essas dificuldades faziam com que esses alunos não se encaixassem no grau de dificuldade do restante da sala e tivessem que fazer uma tarefa diferente.

Os instrumentos utilizados nessa operação eram três: − exercício para colocar as palavras no diminutivo; − palavra cruzada;

− exercício para completar com “c” ou “ç”.

Esses exercícios eram utilizados somente pelos alunos acima mencionados e tinham como objetivo principal sanar seus problemas específicos, problemas de leitura de AD, problemas com sílabas de AN e problemas de leitura e escrita de AR.

A divisão do trabalho se dava pela realização das tarefas por parte dos alunos e pela explicação, solução de dúvidas e correção por parte da professora. Ou seja, a professora conduzia a tarefa e os alunos a realizavam.

A comunidade envolvida nessa ação era a professora, os alunos, eu (como pesquisadora), funcionários da escola, coordenadora, diretora e outros professores.

As regras eram determinadas da seguinte forma: os alunos resolviam os exercícios e a professora os corrigia oralmente com cada um dos alunos. No caso dos diminutivos a professora questionou sobre o tamanho do objeto e da palavra. Então, muitas vezes os alunos não sabiam se o que haviam feito estava certo ou errado, então recorriam à professora em busca de ajuda.

Um dos objetos construídos nessa tarefa relaciona-se com o senso comum pois os instrumentos propostos não proporcionavam espaços para discussão ou questionamento. Além disso, a professora é responsável pela condução do processo, os alunos dependem dela para saber como devem realizar a tarefa e solucionar as dúvidas. O outro objeto, o xingamento, se relaciona com a falta de negociação das regras e o desrespeito para com o colega.

Quando cheguei, os alunos estavam realizando a tarefa de perguntas e respostas do texto. A primeira vez que essa tarefa aparece na aula é quando AN tem uma dúvida e chama a professora - Sora, sora, sora, sora, sora - e a professora pede para esperar um pouco - Daqui a pouquinho eu passo aí tá?- pois está direcionando outra tarefa. Esses procedimentos demonstram que a professora tenta conduzir as diferentes tarefas ao mesmo tempo, conseqüentemente, ora ela pode dar atenção para um grupo, ora para outro.

No momento em que vai atender AN a professora questiona a respeito do tamanho do prego -Aqui é um prego grande ou pequeno?- para tentar auxiliar os alunos quanto ao diminutivo das palavras a professora os questiona a respeito do tamanho do objeto, quando a professora faz uso dessa pergunta ela demonstra o sentido que ela construiu sobre como ensinar diminutivo.

A palavra está descontextualizada.

Apesar de ser uma pergunta e de utilizar o verbo é, o que dá a possibilidade de uma resposta sim ou não o turno é interrompido por um colega que começa a xingar o outro e em seguida a professora inicia outro questionamento com outro aluno.

AL, que apesar de estar fazendo a mesma tarefa dos demais alunos da sala, está sentado com AN, AR e AD xinga o colega AR -É cuzão, é cuzão - então a professora pede que troque de lugar com AR - AL! Vem sentar aqui – e -Senta lá do lado do N, D, D não, R -. O enunciado iniciado por AL não tem continuidade, pois a professora não o questiona ou reprime, muda AR de lugar. Quando a professora muda AL de lugar ela perde a oportunidade de criar uma regra – não xingar o colega – ou – não falar palavrão. O objeto construído nessa situação se relaciona com cidadania na medida em que AL se acha no direito de faltar com o respeito para com o colega e a professora não debate o assunto.

Logo em seguida, a professora retoma o questionamento sobre o tamanho da formiga com AD - E por que a formiga é pequena e a formiguinha é grande?- Novamente a professora demonstra o sentido que construiu sobre como trabalhar com diminutivo.

AN volta a chamar a professora -Sorinhaaa, sorinhaaa-. Enquanto isso os outros alunos continuam a ler a tarefa Perguntas e Respostas do texto em voz alta.

Depois de finalizar a tarefa de perguntas e respostas do texto e direcionar a tarefa seguinte, de Correção do Texto a professora retoma o questionamento a respeito dos diminutivos com AR - Agora você vai me dizer se essa palavra que tem aqui é maior que essa aqui. Mas a palavra e não a formiga - e ele responde – Aumentou -. A professora faz uma pergunta que dá margem para uma única resposta, aumentou ou diminuiu, e especifica que é a

palavra e não o objeto, assim o aluno responde e não há espaço para diálogo.

Então a professora questiona o porquê do aumento - E por que aumentou?- apesar de perguntar por que a professora não deixa o aluno responder dando continuidade a tarefa Correção do Texto.

Nota-se que em nenhum momento a professora explica como se constrói o diminutivo e nem explica ao aluno o porquê de estar fazendo essas perguntas, assim a conversa permanece no senso comum.

Em seguida questiona AR - Quais as modificações feitas nas palavras anteriores -. Nesse trecho a professora faz uma pergunta que tem possibilidade de diálogo utilizando Qual, porém ela não dá espaço para o aluno responder e prossegue com perguntas de completar. Ela chama a atenção do aluno questionando a transformação das palavras - Ó. Amigo você transformou em?- enquanto o aluno responde – Amiguinho. Prego? Preguinho - responde o aluno. A professora retoma algumas palavras que o aluno havia transformado anteriormente para explicar como o aluno deveria realizar a tarefa.

Apesar da professora mostrar ao aluno como ele fez com as palavras anteriores, ela não diz explicitamente que essa é a forma pela qual o diminutivo é construído e mais uma vez o aluno não sabe porque está sendo questionado.

Após questionar o diminutivo, a professora questiona AD - Qual a diferença? Pra essa palavra (prego) e essa palavra preguinho? Essa palavra é maior, a palavra ou o objeto? - e o aluno responde - O objeto -. A professora faz a pergunta, mas ela não dá espaço para que o aluno responda e faz outra pergunta e especifica que quer saber da palavra e não do objeto. Após o aluno responder a professora afirma querer saber da palavra - Mas agora eu quero saber da palavra - e o aluno responde -Essa aqui (apontando para prego) é mais grande-, então a professora retoma o questionamento -Essa é maior? A palavra é maior tem certeza? Mas eu acho que...Por que que ela é maior? - e o aluno responde - Porque um prego é maior -. Nesse trecho

podemos observar que, apesar da resposta ser diferente do que a professora esperava, ela hesita, mas questiona o porquê daquela resposta. Novamente a professora não explica porque está fazendo a pergunta e também não faz relação da pergunta que está fazendo e da forma como o diminutivo é construído. Além disso, a professora não discute com o aluno para que serve aprender diminutivo, ou seja, ela não demonstra qual o significado de aprender diminutivo.

Isso demonstra que há hospitalidade (Brookfield & Preskill, 1999) por parte da professora que não dá a resposta para o aluno, mas o questiona, porém não há hospitalidade por parte do aluno que não sabe o porquê do questionamento.

Ao auxiliar os alunos a fazerem os exercícios de diminutivo a professora questiona sobre a diferença de tamanho do objeto e da palavra quando estão e quando não estão no diminutivo, todavia, não deixa claro qual é seu objetivo com esses questionamentos, não permitindo que os alunos reflitam a respeito de suas perguntas, sendo assim, não há hospitalidade, pois mesmo respondendo as perguntas da professora os alunos nunca realizam o objeto idealizado pela professora através dessas perguntas. Além disso, os questionamentos levantados pela professora, tanto nos trechos acima, quanto nos trechos abaixo não propiciam espaços para que os alunos discutam ou dêem suas opiniões, sendo assim, não há compreensão.

A professora retoma com AD novamente afirmando não querer saber do objeto, mas sim da palavra - Não é a palavra é o objeto. Ó eu quero saber da palavra, dessa pra essa, não se o prego é grande ou pequeno. Ta bom? Veja, aqui ó, pingo terminou em? -, o aluno responde – O -, a professora então questiona sobre outra palavra - E aqui, pinguinho, terminou em? - e o aluno responde – Inho -. Novamente a professora faz uma pergunta, mais uma vez especifica que quer saber da palavra e não do objeto e novamente não permite que o aluno responda, faz outra pergunta de completar utilizando palavras que o aluno havia transformado anteriormente para finalizar a realização dessa parte da tarefa.

Pode-se observar que a professora conduz todos enunciados de forma direta entre ela e um aluno, ou seja, não há interação entre os alunos nos questionamentos acima, portanto não há momentos de erros para haver

humildade entre eles. Embora haja diversos momentos nos quais os alunos são questionados, não há humildade (Brookfield & Preskill, 1999) por parte do aluno porque a professora prossegue com a discussão e ele continua sem saber o que está errando, enquanto a professora não explica exatamente o que quer.

A aula foi encerrada com a professora explicando como a tarefa seguinte deveria ser feita - Ó essa aqui é fácil, se você escrever errado não vai dar certo e essa aqui é pra completar com “c” ou “ç” -. para AR sem maiores explicações sobre a discussão do tamanho da palavra/objeto que não é encerrada.

No que diz respeito à participação (Brookfield & Preskill, 1999), embora tenha havido participação de AN, AR, AD e da professora que eram os sujeitos da tarefa exercícios de completar, não houve espaço para troca. Essa participação acontece no sentido de chamar a professora -Sora, sora, sora, sora, sora (AN)- e nos de questionamentos da professora para dar continuidade a tarefa mas não no sentido de participar de uma discussão. Os alunos não discutem entre si e a professora não os questiona para provocar o diálogo.

Também não parece ter havido deliberação (Brookfield & Preskill, 1999), pois não houve discussão entre o grupo para a realização dessa ação exercícios de completar. A professora poderia ter colocado os alunos para realizarem a tarefa em grupo de forma que eles pudessem discutir as possibilidades de formas para completar o exercício.

Assim a apreciação (Brookfield & Preskill, 1999) também poderia ter sido estabelecida através do diálogo entre os alunos, dessa forma, a esperança (Brookfield & Preskill, 1999) seria construída através das diferentes possibilidades de respostas que poderiam surgir e conseqüentemente surgiria a autonomia(Brookfield & Preskill, 1999) de forma que os alunos colocassem suas crenças naquele momento e as crenças fossem descostruindo e reconstruindo ao passo que o diálogo fosse estabelecendo através da mediação da professora para a construção da tarefa.

Dessa forma, através da discussão da tarefa em grupos, os alunos teriam espaço para reformular aquilo que acreditavam, explorar alternativas através dos diferentes modos de pensar existentes e questionar se o que o colega havia colocado era pertinente ou não àquela situação.

O papel da professora então, seria o de mediadora, contextualizando a tarefa para que se assemelhasse o máximo possível da realidade do aluno.

O objeto construído na tarefa exercícios de completar se relaciona com a não transformação crítica da consciência, os alunos não tinham que produzir algo, mas modificar mecanicamente as palavras que estavam fora de um contexto para passar para o diminutivo. Houve modificação das palavras, conforme solicitado nos exercícios, mas não houve transformação da consciência no sentido de compreender como a modificação dessas palavras poderiam transformar a realidade dos alunos de alguma forma.

Além disso, o objeto idealizado pela professora não foi compartilhado com os alunos, sendo assim, pareciam não saber “porque” estavam respondendo as perguntas levantadas, e também não conseguiam identificar o erro cometido.

A partir do que foi discutido, podemos afirmar que o espaço propiciado para a construção da cidadania não foi conjuntamente construído, a professora conduziu os enunciados com perguntas que não davam abertura para discussão. Sendo assim, os alunos reproduziram o que estava pressuposto através da tarefa, mas não ficou claro para eles qual era o sentido daquela tarefa.