• No results found

Kapittel 6 Med blikk for yrket

7.3 Mulige veier videre?

Serão explicados abaixo alguns conceitos considerados relevantes para se compreender a interação dos processos constituintes da personalidade.

O primeiro deles é chamado de compensação e, segundo Jung (1991), significa “equilibração ou substituição” (p. 398). É a compensação que propicia o equilíbrio entre os componentes opostos da personalidade, impedindo-a de tornar-se neuroticamente desequilibrada. Dessa forma, se a Extroversão é a atitude predominante do consciente, o inconsciente compensará, desenvolvendo a atitude da Introversão.

A compensação deve suprir os elementos que permaneceram subliminares por conta de fatores repressores ou porque eles eram, simplesmente, muito fracos para atingir o consciente. Em situação normal, a compensação é inconsciente, ou seja, atua de forma inconscientemente reguladora sobre a atividade consciente, como por exemplo, por meio de sonhos. Os sonhos são produtos psíquicos do sono que ocorrem espontaneamente sem motivação consciente.

O papel geral dos sonhos, segundo Jung, é tentar estabelecer a balança psicológica produzindo um material onírico que reconstitui o equilíbrio psíquico total: “O inconsciente dá (...) no sonho, todos os conteúdos constelados para a situação consciente, mas inibidos pela seleção consciente, cujo conhecimento seria indispensável para a consciência adaptar-se plenamente.” (JUNG, 1991, p. 400).

O conceito de diferenciação está relacionado à função ou habilidade de discriminar um conteúdo do outro ou o sujeito do objeto. O inconsciente não é diferenciado. Quanto menos diferenciada é a consciência, mais a vida é vivida como se fosse uma mera sequência de fatos. Nesses estágios, que ocorrem em crianças pequenas ou em indivíduos que vivem em estado de consciência arcaico, a relação do indivíduo com os fatos da vida é muito superficial,

já que ele só tem noção de que tais fatos ocorrem com ele ou com o outro, mas não conseguem reagir a nada.

Outro conceito importante é o da oposição. Segundo Jung (1991), a oposição existe em qualquer parte da personalidade, relacionando a função inferior (a menos diferenciada ou desenvolvida das funções) à função principal. O conflito entre os opostos não cessa nunca, pois, segundo Jung, sem as tensões geradas pelos elementos em conflito não há energia e, sem energia, não há personalidade.

A tipologia junguiana deve ser interpretada adotando-se uma concepção de dimensões contínuas das possibilidades de adaptação do indivíduo à realidade, uma vez que as funções opõem-se entre si aos pares, em um continuum no qual um dos opostos tende a se desenvolver mais, constituindo-se em função principal, auxiliado por uma das funções que também se desenvolveu mais do que sua oposta. As demais funções tendem ao subdesenvolvimento, tornando-se funções inferiores, no sentido de subdesenvolvidas, e tendem a permanecer mais próximas das camadas inconscientes.

Persona e sombra são dois conceitos muito empregados por Jung. A persona, que representa a personalidade pública, intermedeia o ego e o mundo real. Tal conceito é derivado da palavra latina equivalente à máscara, e se refere às máscaras usadas pelos atores no teatro grego para dar significado aos papéis que representavam. O primeiro passo no processo de Individuação (que resulta na formação do Self) é o desnudamento da Persona, pois, embora esta tenha funções protetoras importantes, ela é também uma máscara que esconde o Self e o inconsciente (JUNG, 1991).

A sombra é o centro do inconsciente pessoal, o núcleo do material que foi reprimido da consciência. A sombra inclui as tendências, desejos, memórias e experiências que são rejeitadas pelo indivíduo como incompatíveis com a persona e contrárias aos padrões e ideais sociais.

De acordo com Jung (2000), a sombra é uma parte viva da personalidade e, por essa razão, quer comparecer de alguma forma. Não é possível anulá-la argumentando, ou torná-la inofensiva por meio da racionalização. Esse problema é extremamente difícil, pois não desafia apenas o homem total, mas também o adverte acerca do seu desamparo e impotência.

A sombra usa as funções do julgamento e da percepção de modo relativamente infantil e primitivo, sem permissão da consciência. Justamente por isso, as ações realizadas pela sombra sempre geram arrependimento ou indignação: “Por que eu fiz isso? Eu não tinha a intenção...”. (MYERS e MYERS, 1995, p. 84). Tal manifestação explica algumas

contradições curiosas no comportamento das pessoas. Se um indivíduo costuma agir de modo condizente com seu Tipo Psicológico e, algumas vezes, demonstra um comportamento atípico, provavelmente houve interferência da sombra.

Jung também se refere frequentemente à anima e ao animus. O primeiro termo caracteriza o depósito de todas as experiências da mulher na herança psíquica do homem, enquanto animus é o depósito de todas as experiências do homem na herança psíquica da mulher. Isso implica que o sexo oposto, até certo ponto, é inerente a cada sexo, conforme relata Jung (2000):

Na mesma medida em que um homem é dominado pelo inconsciente (coletivo), sua esfera do instinto torna-se menos inibida, e também se manifesta um certo caráter feminino, que eu chamei de anima. Por outro lado, se uma mulher é subjugada pelo inconsciente, emerge o lado mais escuro de sua natureza feminina, ligado a traços fortemente masculinos. Estes são compreendidos pelo conceito de animus. (JUNG, 2000, p. 241)

A anima nasce de experiências pessoais do indivíduo com a mãe ou com outras mulheres. Quando o indivíduo menos espera, a anima, como uma figura arquetípica, se manifesta por meio de uma atração compulsiva por uma pessoa do sexo feminino, do tipo “amor a primeira vista”, ou resulta em uma introjeção12, levando o indivíduo a adotar um comportamento próprio da mulher, como a hipersensibilidade. Uma relação madura com a anima a mantém como uma figura interior, trazendo equilíbrio para a parte racional do homem.

Diferente da anima, que geralmente aparece isoladamente, o animus tende a se manifestar sob a forma de uma multiplicidade de figuras. Ele nasce da experiência pessoal da mulher com o pai ou com outros homens. O animus relaciona a mulher ao princípio do logos, ou da razão. O desenvolvimento do animus e do inconsciente pessoal leva a um despertar espiritual.

Finalmente, tem-se a união dos opostos, ou das funções que se opõem: Extroversão x Introversão, Sensação x Intuição e Sentimento x Pensamento. De acordo com Jung, não se trata de “desprender ou redimir a função inferior, mas fazer com que ela seja levada em conta; que haja (...) um entendimento com ela para se chegar, de modo natural, a uma conciliação dos opostos.” (JUNG, 1991, p. 86). O mecanismo pelo qual a união dos opostos se realiza é denominado por Jung de função transcendente. Conforme explica Kuri (2004), essa função é dotada da capacidade de unir todas as tendências opostas e de trabalhar para a meta ideal: o equilíbrio e a harmonia da personalidade.

12

Introjeção se refere à assimilação inconsciente de um conteúdo, enquanto projeção refere-se a um processo de dissimilação ou expulsão de um conteúdo para ou na direção de um objeto (JUNG, 1991, p. 430).