3 Personer i utkanten av arbeidsmarkedet
3.4 Mottakere av helserelaterte stønader stønader
A natureza multifacetada, interdisciplinar e complexa do turismo conduz a que seja alvo de abordagens diversas por parte das ciências sociais e dos estudiosos da matéria (Echtner e Jamal, 1997; Harill, 2004). Esta realidade tem dado origem a uma diversidade de definições de turismo que refletem a formação académica e a perspetiva pessoal dos investigadores, bem como a uma abordagem disciplinar enfatizada em cada investigação e no tipo de estudo empreendido (McIntosh e Goeldner, 1990; Smith, 1989). Ryan (1991) realça que o turismo pode ser definido de acordo com vários pontos de vista pois a sua natureza interdisciplinar conduz a que cada disciplina científica enfatize aspetos particulares no estudo do turismo.
Para a economia, o turismo é a indústria dos serviços, sendo este analisado do ponto de vista da oferta e da procura, da relação entre o custo e o lucro (Archer, 1996; Fletcher, 1989). Por sua vez os ecologistas e os ambientalistas (Farrel e Runyan, 1991) e Ryan (1991),entendem o turismo como uma atividade humana que ocorre num meio ambiente, analisam os impactos ambientais provocados num contexto de desenvolvimento sustentável, preocupando-se com as relações entre os stakeholders e entre estes e o ambiente (Farrel e Runyan, 1991). A geografia foca-se no estudo do espaço e da presença humana nesse espaço, na deslocação de pessoas entre lugares, no estudo dos movimentos dos turistas, nos processos de desenvolvimento turístico e nas suas implicações nos territórios (Gunn, 1994; Mitchell e Murphy, 1991). Já a sociologia encara o turismo como uma prática e fenómeno social contemporâneo,7 inserido no tempo de lazer8 do indivíduo, dedicando-se ao estudo dos turistas e dos impactos do fenómeno turístico nos destinos e nos que neles residem (Cohen, 1988; Dann e Cohen, 1991; Giddens, 2000; Gunn, 1994; Mitchell e Murphy, 1991; Urry, 1990).
A antropologia entende o turismo como um fenómeno complexo, baseado na experiência de alteridade de turista e residente. Estuda a hospitalidade, o encontro dos locais com os visitantes, dos produtores com os consumidores de bens turísticos (Echtner e Jamal, 1997; Nash e Smith, 1991). Como refere, o turismo pode ser entendido como uma nova forma de aculturação.
Para a psicologia a principal preocupação são os processos individuais de entendimento e vivência do turismo (Plog, 1977) e, para Boyer (1972), citado por Joaquim (1994:17), “o turismo é um ato de mobilidade que pretende satisfazer, no contexto do lazer, as necessidades culturais da civilização industrializada”.
7O conceito de contemporâneo refere-se aos fenómenos que ocorrem no momento atual em que o sujeito vive. O conceito acarreta
alguma subjetividade na medida em que, dependendo da rapidez ou lentidão com que se operam modificações a nível social se pode referir a acontecimentos ocorridos num determinado ano, década ou século.
8 A distinção entre turismo e lazer é relevante no contexto do estudo do turismo e particularmente no presente trabalho que se centra
nos residentes e na sua dinâmica quotidiana no espaço turístico, incluindo a utilizações de espaços e atividades em comum com os turistas. O lazer pode ser definido de forma restrita como o tempo disponível depois de cumpridas as obrigações diárias, tais como o trabalho, cuidados da casa, compras, etc. Num sentido mais lato pode ser considerado um estilo de vida marcado pelo voluntarismo, autodeterminação, prazer e autorrealização que eventualmente pode estar presente nas obrigações diárias e ausente no tempo livre. Nem todo o lazer é turismo, o turismo insere-se numa das possíveis atividades a praticar no sentido de lazer e este pode resultar também de atividades praticadas em casa, na zona de residência e inclusivamente durante o dia de trabalho ou a semana. Para Dumazedier (1962) o lazer surge como sendo uma força determinante da vida humana na sociedade moderna, assunção válida para as viagens de lazer, o que já Krippendorf (1989) reitera ao afirmar que o turismo é uma forma de escape face à sociedade atual, que ajuda a manter a própria sociedade.
Como Félix Martins (2000) refere, ao citar Echtner e Jamal (1997), a fragmentação teórica constitui uma barreira à melhoria da investigação e educação em turismo, bem como à sua legitimação enquanto corpo de conhecimento. Félix Martins (2000) reforça que, tendo em conta a perspetiva de Kuhn (2009), a constituição do turismo como uma disciplina distinta é, de alguma forma, improvável e, por isso, sugere uma matriz interdisciplinar. Contudo, alguns autores, a propósito de uma melhor aproximação ao estudo do turismo, defendem que este se deve constituir como uma ciência distinta e independente das restantes (Leiper, 1983), enquanto outros argumentam precisamente o contrário, que o turismo deve ser entendido como uma área de investigação. Jafari (2001) afirma que a investigação em turismo deve basear-se nas disciplinas existentes mas recomenda, simultaneamente, uma plataforma baseada no conhecimento, numa abordagem holística.
Na presente investigação, adota-se esta última perspetiva por se considerar que é a que melhor contribui para o conhecimento do fenómeno em si mesmo e porque, simultaneamente, é a que melhor permite o desenvolvimento das ciências sociais, devido aos desafios que o estudo de um fenómeno particularmente complexo como o turismo lhes coloca conceptual e metodologicamente.
Considera-se ainda que, independentemente de se defender que o turismo seja ou caminhe para se constituir como uma disciplina científica, o fenómeno recebe um contributo particularmente importante dos autores que o definem como um sistema (Gunn, 1994; Inskeep, 1994; Leiper, 1979; Maitheson e Wall, 1982; Mill e Morrison, 1992; Moscardo, 2011; Poon, 1993), uma vez que estes enfatizam a interdependência entre os diversos atores locais. Neste contexto, o modelo de Leiper (1979) oferece uma abordagem bastante clara e adaptável à interdisciplinaridade do fenómeno turístico uma vez que incorpora diferentes elementos (humano, organizacional e geográfico), interligando-os entre si. O autor identifica os turistas, como o elemento humano característico da procura, e associa a indústria turística, que representa a oferta, às regiões de destino e de trânsito.
Uma abordagem que pode ser útil ao entendimento das questões relacionadas com a definição de turismo é, como Beni (1997) refere, a sua distinção em dois grupos: as definições técnicas e as definições holísticas.
As definições técnicas são sobretudo propostas por organizações governamentais e têm como principais objetivos, não apenas definir o que se entende por turismo, do ponto de vista teórico, mas também encontrar forma de, objetivamente, o caracterizar e medir, de forma comparável em termos internacionais. Neste sentido, a definição que até hoje mais consenso reúne, quer para técnicos da área do turismo, quer para investigadores em diversas áreas científicas, é a proposta pela Organização Mundial de Turismo (CEC et al., 2001: 1):
Tourism is defined as the activities of persons travelling to and staying in places outside their usual environment for not more than one consecutive year for leisure, business and other purposes not related to the exercise of inactivity remunerated from within the place visited.9
As definições holísticas, por sua vez, procuram, como a própria designação sugere, abranger de forma global ou total o fenómeno. Assim, segundo Hunziker e Krapf (1942), citados por (Holloway, 1995: 1) o turismo é definido como: “...the sum
of the phenomena and relationships arising from the travel and stay of non-residents, in so far as they do not lead to permanent residence and are not connected to any earning activity”. (Jafari, 2005) afirma, a este propósito, que o turismo diz respeito, por um
lado, ao estudo daqueles que viajam e que estão fora do seu ambiente habitual de residência e, por outro lado, à indústria e aos impactos dos turistas e da indústria nos destinos (em termos sociais, económicos, culturais e ambientais). Para Baptista (1997) , o turismo é o fenómeno humano e social que consiste na deslocação de pessoas, de forma provisória por um tempo limitado, não implicando, por isso, transferência do local habitual de residência. Maitheson e Wall (1982) afirmam que o turismo se caracteriza pela deslocação temporária de pessoas para destinos que se situam fora do seu local normal de trabalho e residência, as atividades desenvolvidas durante a sua estada e as facilidades criadas para responder às suas necessidades”.
9
O turismo é visto por Sharpley (1994) como um fenómeno social da modernidade, que envolve o movimento de pessoas para vários destinos e a sua permanência nos mesmos, possuindo ainda, segundo o autor, as seguintes características: (i) normalmente é visto como uma atividade de lazer e geralmente é associado a uma fuga ou mudança, por um período de curta duração, em relação à rotina diária; 10 (ii) é socialmente determinado. O seu processo evolutivo comprova-o, nomeadamente o fenómeno da sua democratização;11 (iii) a indústria turística internacional é diversificada, fragmentada e multissetorial. A diversificação vertical e horizontal resulta no domínio da indústria por um pequeno número de multinacionais, maioritariamente sediadas nos países industrializados que são também os países geradores; (iv) está dependente dos atributos físicos, sociais e culturais do destino que são comercializados para os turistas, atuais ou potenciais, associados a promessas de excitação, autenticidade, exotismo; (v) é uma atividade comercial baseada nos encontros entre os turistas e as populações locais, atua como um catalisador do desenvolvimento e da hospitalidade comercializada e como um agente de mudança social; (iv) é um setor do mercado de lazer, que é mais amplo, e reflete tendências e mudanças das sociedades geradoras.
De acordo com a Organização Mundial de Turismo, considera-se turista qualquer pessoa que passe, pelo menos, 24 horas fora da sua residência habitual ou pernoite noutro local, no próprio país ou no estrangeiro, por outros motivos que não o exercício de uma atividade remunerada permanente no destino visitado (UNWTO, 1994)
Tabela 2.2 – Definições de turismo e de turista Autores e ano da
publicação
Abordagem
teórica Definições de turismo/ turista
Baptista (1997: 40) Procura
O turismo é o fenómeno humano e social que consiste na deslocação de pessoas, de forma provisória por um tempo limitado, não implicando por isso transferência do local habitual de residência.
Bull (1996) Oferta O turismo é a oferta organizada de bens e serviços aos visitantes num destino. Herman von Schulland
(1910) em Ignarra (2003:12)
Economia - Procura
Soma das operações, fundamentalmente de natureza económica, diretamente relacionadas com a entrada e o movimento de estrangeiros dentro de um determinado país, cidade ou região.
Hunziker e Krapf (1942) em Holloway
(1995:1)
Procura
O turismo é a soma dos fenómenos e das relações que resultam da viagem e da permanência de todos os indivíduos que, não sendo residentes num determinado território, nele permanecem e não exercem atividade remunerada.
Jafari em Beni
(1997:36) Oferta/procura
O turismo diz respeito ao estudo daqueles que viajam e que estão fora do seu ambiente habitual de residência, à indústria turística e aos impactos dos turistas e indústria nos destinos (em termos sociais, económicos, culturais e ambientais).
Leiper (1979) Oferta
O turismo é um setor que é constituído por empresas, organizações e equipamentos que satisfazem necessidades específicas dos turistas, através do fornecimento de bens e serviços.
Mathison e Wall
(1992) Procura
Turismo é a deslocação temporária de pessoas para destinos fora do seu local normal de trabalho e residência, as atividades desenvolvidas durante a sua estada e as facilidades criadas para responder às suas necessidades.
Mcintosh e Goeldner
(1990) Oferta O turismo é entendido como um setor fragmentado em partes e atividades. Murphy e Watson
(1995) Oferta
A oferta de turismo é altamente fragmentada (vários tipos de negócio e níveis de industrialização) com a finalidade de satisfazer o visitante.
Nash (1981:462) Procura The activity of person at leisure who also travels. Tourism is presented as an antithesis to work activities.
Unwto (1994) Procura
Turismo diz respeito as atividades praticadas pelos indivíduos durante as suas viagens e permanências em locais situados fora do seu ambiente habitual por um período contínuo que não ultrapasse um ano, por motivos de lazer, negócios e outros.
Smith (1988) Oferta
Bens e serviços utilizados pelos visitantes, sendo que alguns desses bens e serviços são destinados exclusivamente aos visitantes e outros podem ser utilizados por visitantes e residentes.
Smith (1989:1) Procura Um turista é a pessoa que temporariamente e de forma voluntária visita um lugar for a do seu local de residência, com o objetivo de experimentar uma mudança.
Neste estudo, assumem particular importância as definições holísticas, enfatizando as perspetivas das áreas disciplinares centrais desta investigação,12 como as que a suportam teoricamente. As definições técnicas, não deixando de ser relevantes para o entendimento do sistema turístico e da sua relação com os residentes, são menos desenvolvidas e exploradas, uma vez que não se pretende um estudo na perspetiva de mercado.
A abordagem sistémica, e em particular o modelo de Leiper (1979), são um contributo importante para a definição de turismo neste estudo. No entanto, este modelo adota uma abordagem que enfatiza a dinâmica oferta - procura, privilegiando a perspetiva do turista, como o principal elemento humano no sistema turístico, o que, no caso deste estudo, não é a perspetiva adotada. Interessa por isso definir e explorar o fenómeno turístico de um ponto vista sistémico mas especificando as particularidades que este fenómeno apresenta para os residentes. Por esse motivo se têm em consideração abordagens assentes no conceito de “tourism community approach” que pressupõe o envolvimento da comunidade nos processos de desenvolvimento turístico.
Neste sentido, é importante para a definição do conceito de turismo, atender à perspetiva de autores como (Murphy, 1985) que afirma que os destinos são os locais de ligação entre os turistas e as comunidades locais, sendo neles que os impactos negativos do turismo são sentidos de forma mais intensa e onde a ação corretiva é necessária (Murphy, 1985: 1) refere que:
A community emphasis would temper the economic concerns with environmental and social considerations. The spatial impact of national policies and individual developments can be traced though a nation, thanks to the multisscale interpretation and interlinkage of the term “community”. Finally, the importance of community survival, as a permanent home in which to live, work and play can be acknowledged in addition to the focus on its tourism potential.
Tal como Murphy refere, considera-se neste estudo indispensável a ênfase nos residentes e, por isso, a sua perspetiva sobre os impactos do turismo na sua qualidade de vida e no seu espaço de vivência e pertença permanente.