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Mottak og bosetting

In document Integrasjon og tillit NOU (sider 190-196)

Del II Bakgrunn

10.2 Flyktninger, mottak og bosetting 189

10.2.2 Mottak og bosetting

O FH tem um perfil cada vez mais dinâmico e ativo, promovendo a sua valorização nas equipas médicas, através de diferentes ramos de especialização. Está comprovado por estudos realizados em diversos países, que áreas como a Farmácia Clínica e Farmacocinética, reduzem drasticamente taxas de morbilidade e mortalidade em Hospitais, atribuídas diretamente a medicamentos (Conselho Executivo da Farmácia Hospitalar, 2005). Para isso, são necessários farmacêuticos disponíveis e suporte técnico adequado nestes organismos de Saúde.

5.1. Visita Médica e Uso Responsável do Medicamento

A Farmácia Clínica é o conceito que prevê a intervenção farmacêutica em meio hospitalar, sendo aconselhado um ratio de um farmacêutico clínico por cada sessenta camas (Conselho Executivo da Farmácia Hospitalar, 2005). O papel do FH prima enquanto especialista do medicamento, no acompanhamento e avaliação do doente, prestando apoio contínuo aos Serviços. Desta forma, este deve ter uma postura confiante e ativa na integração destas equipas participando nas visitas médicas. Em diferentes dias da semana, acompanhei farmacêuticos do SFH do CHCB a diferentes visitas médicas, no caso, da UCI, Cirurgias 1 e 2 e UAVC. Neste espaço de tempo, são apresentados e discutidos casos clínicos dos doentes das diferentes camas, dando voz aos profissionais de saúde (médicos, farmacêuticos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes sociais) que os

acompanham, com o fim da melhoria da qualidade da prestação de cuidados de saúde ao doente, numa visão holística do mesmo. Questões como dosagens mais ou menos apropriadas para a terapêutica de determinada patologia, borderlines de parâmetros monitorizados, interações entre medicamentos, e outras, foram vivamente discutidas sob intervenção farmacêutica. Auxiliei na pesquisa para esclarecimento de algumas dúvidas, através de artigos científicos, normas da DGS, plataforma Medscape, Resumo das Características do Medicamento (RCM) e outra bibliografia científica disponível. As questões, na sua maioria, focam-se na forma de administração de medicamentos, no ajuste posológico e em alternativas terapêuticas.

O aumento de microorganismos cada vez mais resistentes resulta da utilização inadequada de Antibióticos (AB) e consequentemente em custos acrescidos para o SNS. O sucesso na redução de infeções nosocomiais depende de intervenções multidisciplinares gerando um compromisso entre partes, no uso responsável de AB (Santos, A., Domingos, S., 2013). Nesta temática, é feita uma gestão do tempo do uso do AB, pelo FH clínico, por forma a evitar exposição prolongada a estes medicamentos, especialmente em ambiente hospitalar onde os microorganismos mais resistentes predominam. Utiliza-se a metodologia DO-D4-D7, sendo que no dia 0 (D0) o doente inicia o AB de forma empírica, no dia 4 são analisados os resultados da cultura pelo Serviço de Patologia Clínica, propondo um escalonamento do AB e consequente direcionamento da sua ação terapêutica e, no dia 7 é emitido um alerta informático de termo de administração do AB ao médico. É ainda sugerido o switch iv-oral do AB, segundo os critérios de inclusão e exclusão propostos.

5.2. Farmacocinética

O objetivo primordial da Farmacocinética Clínica é a correta administração de fármacos através de um controlo de concentrações séricas individualizado, evitando sobredosagem ou subdosagem. O farmacêutico é responsável por estabelecer protocolos dos fármacos a monitorizar, definir critérios para a seleção dos doentes a monitorizar, tratar dados e registá- los para posteriormente informar ao Serviço que posologia recomenda e a hora/data da colheita subsequente (Conselho Executivo da Farmácia Hospitalar, 2005). Existem fármacos de maior relevância neste campo, bem definidos e descritos pela literatura científica, pois assumem-se como fármacos de índice terapêutico estreito, apresentando menor segurança quanto à dose a administrar. No CHCB, quando um doente necessita da administração de um AB inserido nestes casos, como a Gentamicina, Amicacina e Vancomicina, o médico solicita uma colheita de sangue do doente (pré e pós administração) ao Enfermeiro para que o FH monitorize as concentrações séricas e juntos, possam optar pela melhor posologia a administrar ou a melhor velocidade de perfusão. Nestes casos é usual calcular a administração em bólus e a sua manutenção em perfusão, pós-bólus. Por vezes, é o próprio

farmacêutico que, no momento de validação e por iniciativa própria, sugere este seguimento farmacocinético.

Através dos resultados das análises Clínicas, o FH acede aos valores creatinina

e

Proteína C-Reativa (PCR)

,

o que permite acompanhar o estado patológico de cada doente. A monitorização é realizada através do programa informático PKS ABBOTTBASE onde se inserem dados do doente como o diagnóstico clínico, peso, altura, idade, género, valor de creatinina, entre outros. O diagnóstico deve requerer especial atenção pelo farmacêutico que o avalia, enquanto foco de ação do AB. Em casos de discite, por exemplo, a penetração no osso é mais difícil pelo que a dose do AB deve ser ajustada. Por outro lado, quando os doentes são idosos, a sua função renal está naturalmente diminuída e importa, por isso, ter em conta a sobrecarga renal da terapêutica antibiótica a introduzir. Num novo passo, este programa optimiza posologias, pela estimativa Bayesiana, para um steady-state idealizado introduzido, e vice-versa. É possível calcular de forma automática parâmetros como a clearance de creatinina, o intervalo de pico, de vale, tempo de semi-vida e volume de distribuição. Todas estas predições vão de encontro a dados estimados pela população. A colheita de sangue deve ser efetuada antes da toma para verificar os valores do vale, por forma a otimizar a terapêutica. Já valores do pico, após colheita, avaliam uma possível toxicidade. Deve-se ter em conta se se trata de uma posologia convencional, de 12 em 12 horas, ou alargada, em toma única diária.

Após monitorização, o FH deve registar os dados do doente num impresso informático próprio a juntar ao processo do mesmo, por forma a registar todas as propostas de posologia testadas, respetivos picos e vales calculados e as suas recomendações/observações. É ainda anotada a intervenção do FH, enquanto indicador de qualidade, tendo em conta a aprovação da sugestão pelo médico ou não. Cada vez mais se recorre à individualização da terapêutica através de monitorização sérica de fármacos, sendo que este poderá representar um futuro papel do FH. Alguns doseamentos de fármacos menos habituais de monitorizar já foram solicitados ao SFH do CHCB que acompanha com ambição a exigência que um Serviço multidisciplinar de excelência implica.

5.3. Reconciliação terapêutica

O envelhecimento da população duplicou nos últimos 100 anos e o aumento da prevalência de patologias crónicas, apresenta-se como um dado incontornável em Portugal. O conceito de Reconciliação Terapêutica surgiu em 2002, sendo que a partir de 2006, todas as instituições de saúde creditadas pela JCI devem desenvolver protocolos que promovam a sua aplicação. Na prática, a Reconciliação terapêutica é um processo sistematizado de atualização constante da medicação pré-hospitalar de um doente permitindo a identificação de discrepâncias. O principal obstáculo deste tipo de intervenção é a falta de fluxo de

comunicação e informação entre profissionais de saúde (Santos, A., Domingos, S., 2013). Por forma a implementar a reconciliação terapêutica nos doentes internados do CHCB, o SFH adotou um sistema de cartão de medicação onde é apontada uma lista com toda a terapêutica que o doente realizou, enquanto internado, a levantar no seu momento de alta e em consulta hospitalar. Este projeto permite que novos medicamentos sejam adicionados ou outros retirados, através de updates mensais. Constrói-se assim o histórico terapêutico do doente admitindo o seguimento do seu perfil farmacoterapêutico e prevenindo erros de medicação ou RAM, em qualquer um dos níveis de cuidados de saúde. Esta lista incluí a forma de administração dos medicamentos, os objetivos da terapêutica em vigor, principais precauções, dose e duração. É um procedimento fácil e já premiado pela Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares (APFH-Gilead) que motivou a criação do mais recente projeto que visa impulsionar o “Cartão de Medicação” também para o momento de admissão hospitalar.

6. Farmacovigilância

Para doentes que cumpram medicação em regime ambulatório, o FH deve controlar a sua dispensa, através do acompanhamento farmacoterapêutico, promovendo a adesão e monitorizando possíveis efeitos adversos ou alergias. A adesão à terapêutica é avaliada indiretamente através da contagem de comprimidos que sobram ao doente desde a última dispensa em ambulatório ou através do método de entrevista. São métodos fáceis de pôr em prática, mas igualmente fáceis para o entrevistado distorcer a realidade. Tive oportunidade de assistir a alguns casos de dispensa de medicação a doentes com a adesão à terapêutica comprometida e ainda, de preparar medicação individualizada em caixa tornando-a disponível semanalmente, dividida por toma diária, promovendo o cumprimento da prescrição e diminuição de erros. Em casos de medicamentos de monitorização adicional recorre-se à consulta farmacêutica de farmacovigilância ativa em Ambulatório. Tive a oportunidade de assistir a uma consulta farmacêutica deste âmbito. A listagem de todos os medicamentos que o doente toma, incluindo os seus protocolos, deveria estar acessível em qualquer ponto do SNS. A uniformização e integração das diferentes plataformas, seria uma mais valia para a segurança do doente, assim como, a proximidade entre a Farmácia comunitária e hospitalar (Ordem dos Farmacêuticos, 2016).

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