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A interpretação dos parâmetros geoambientais foi subdividida em dois focos: subsídios do meio físico geológico/geomorfológico e suas implicações no zoneamento geotécnico; processos geoambientais condicionantes do turismo e os seus potenciais impactos.

Para o objetivo específico deste trabalho, considerou-se o meio físico geológico e geomorfológico, como componente da geodiversidade local. Conseqüentemente levaram-se à interpretação os elementos básicos desse meio, que são o solo, a rocha e a água; fatores naturais que originam a vulnerabilidade e a fragilidade das unidades básicas de compartimentação (UBCs) nas rotas turísticas e restringem a capacidade de carga turística nelas quantificada induzindo à geoconservação.

Os subsídios do meio físico geológico/geomorfológico e seus aspectos geotécnicos auferidos no campo como relevantes para o planejamento e gestão ambiental do turismo foram os apontados e analisados a seguir.

4.2.2.1 Subsídios geomorfológicos:

Foram analisados os elementos de topografia e drenagem, hipsometria e declividade.

4.2.2.1.1 Topografia e drenagem:

Analisando o mapa topográfico na escala 1: 100.000 (FIGURA 6), observa-se um maior adensamento de curvas de nível na porção norte, secundado pela porção oeste. Esse adensamento diminui para a porção central do município, sendo menor na porção sudeste.

A altitude varia de um mínimo de 360 m na foz do Rio São Matheus/Capivara (extremo sudoeste) a um máximo de 614 m no espigão divisor entre a Água da Cachoeira e o Rio Sapé (extremo noroeste), onde situa a torre da Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel). A sede municipal tem 506 m de altitude. No centro da cidade passam as coordenadas geográficas: 22°24’53”S e 50°34’35”W (IBGE,

1974). Os espigões divisores principais de drenagens estão nas cotas 560-580 m, na porção norte e 480-500 m, no centro, leste e oeste.

As drenagens são predominantemente de padrão dendrítico (extremo norte) a subdendrítico (extremo oeste); eventualmente, de padrão subretangular (extremo sudeste) ou subparalelo (extremo leste).

A FIGURA 7 apresenta a carta de zoneamento da drenagem de Paraguaçu Paulista (SP), na escala 1: 100.000.

O município integra a UGRHI-Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos nº 17 e o CBH-MP – Comitê da Bacia Hidrográfica do Médio Rio Paranapanema (CPTI, 1999), pertencente à Bacia do Peixe-Paranapanema (SÃO PAULO, 1999). Contém uma das principais unidades hidrográficas dessas bacias, que é o Rio Capivara, um tributário da margem direita do Médio Rio Paranapanema. O Rio Capivara é o principal do município aqui definindo a Sub-bacia Hidrográfica do Alto Capivara – parcial (CPTI, 1999).

As drenagens secundárias principais são: Rio São Matheus (parcial – médio a baixo vale), Rio Sapé (total), Ribeirão Alegre (total), Ribeirão do Cervo (parcial), Água da Cachoeira (total) e Água das Mortes (total).

Também contém as sub-bacias hidrográficas: Antas (parcial), Pouso Alegre (total) e Limoeiro (parcial).

4.2.2.1.2 Hipsometria:

Foram separadas nove classes de variação de altitudes para o relevo de Paraguaçu Paulista: 333-400 m, 401-420 m, 421-450 m, 451-470 m, 471-490 m, 491-500 m, 501-530 m, 531-560 m e 561-620 m.

Como a superfície compreendida entre 401 e 500 m é a que melhor representa o relevo local, foram arbitradas variações na casa dos 10, 20 e 30 m, para destacar essa faixa plani-altimétrica.

Nota-se uma predominância, em área, das classes de 421 a 490 m (três classes), com desnível de 69 m. Depois vem a classe agrupada de 491 a 620 m (quatro classes), com desnível de 129 m e, menos freqüente, a classe agrupada de 333 a 420 m (duas classes), com desnível de 87 m.

As classes nos intervalos de 333 a 490 m (cinco classes), no desnível de 157 m, representam os vales e as encostas ou vertentes das drenagens. As classes nos intervalos de 491 a 620 m (quatro classes), no desnível de 129 m, representam os espigões-divisores de drenagens (interflúvios).

São percebidos alinhamentos de drenagens e de espigões-divisores, predominantemente nas direções nordeste-sudoeste e norte-sul.

Os espigões-divisores norte-sul (quatro classes nas variações de altitudes de 491 a 620 m, desnível de 129 m) se concentram na porção norte da área e marcam um relevo fortemente ondulado.

Porém, o município, em sua maior porção, apresenta um relevo suavemente ondulado com cinco classes nas variações de altitudes de 333 a 490 m e desnível de 157 m.

A FIGURA 8 mostra a carta hipsométrica de Paraguaçu Paulista (SP), na escala 1: 100.000.

4.2.2.1.3 Declividade:

Foram separadas cinco classes de declividade para dar representatividade do desnível topográfico da área estudada. Essas classes representaram as variações de inclinação de: 0-3%, 4-5%, 6-7%, 8-9% e 10-23%.

Como a declividade predominante situa-se na faixa de 4 a 9%, sendo, pois, a que melhor representa a oscilação do relevo local, foram arbitradas variações na casa dos 4 aos 9% para destacar essa faixa de inclinação topográfica.

As classes no intervalo de 0 a 5% predominam na área (em torno de 70%) e se relacionam aos espigões-divisores de drenagens (interflúvios) e aos próprios leitos das drenagens. Têm maior expressão no centro e leste do município.

As classes no intervalo de 6 a 9% ocupam, aproximadamente, 20% da área e se relacionam às vertentes altas das drenagens. Têm maior expressão na porção norte do município.

As classes no intervalo de 10 a 23% dominam em torno de 10% da área e representam as vertentes baixas das drenagens. Têm maior expressão no norte, centro e leste do município.

Os alinhamentos de interflúvios e vertentes de drenagens predominam nas direções norte-sul e leste-oeste.

Os interflúvios de direção norte-sul (3 classes nas variações de 6 a 23% de inclinação, intervalo de 17%) concentram-se na porção norte da área e marcam um relevo relativamente inclinado.

Os interflúvios de direção leste-oeste (2 classes nas variações de 0 a 5% de inclinação, intervalo de 5%) são predominantes na porção central e leste da área e marcam um relevo suavemente inclinado.

A FIGURA 9 apresenta a declividade do relevo e a FIGURA 10, o zoneamento da declividade de Paraguaçu Paulista (SP), ambas na escala 1: 100.000.

O modelo digital do terreno tomando como centro a Cidade de Paraguaçu Paulista (SP) (FIGURA 11) mostra o escarpamento mais acentuado a norte e suavemente ondulado na porção central, gradando de leste para oeste. Mostra também ravinas paralelas nas escarpas do norte e boçorocas, diametralmente opostas, na periferia sudeste e sudoeste, devido à urbanização sem planejamento.

José Reynaldo Bastos da Silva (2008)

MODELO DIGITAL DO TERRENO DE PARAGUAÇU PAULISTA (SP).

REYNALDO BASTOS DA SIL VA TESE DE DOUTORADO GEOCIÊNCIAS E M EIO A MBIENTE IGCE/UNESP (2008) %'

Analisando conjuntamente os elementos de topografia e drenagem, hipsometria e declividade, bem como o modelo digital do terreno, observam-se o condicionamento do relevo e da drenagem obedecendo a um padrão estrutural definido pela predominância das direções nordeste-sudoeste a norte-sul e leste- oeste. E, secundariamente, noroeste, concordante com as estruturas geomorfológicas e geológicas regionais.

As formas de relevo verificadas são de degradação, em planalto dissecado, nas porções centrais, leste e oeste, e de transição, na porção norte da área.

As formas de degradação são do tipo colinoso, ou seja, um relevo onde predominam baixas declividades (iguais ou inferiores a 9%) e amplitudes locais inferiores a 100 m. Os tipos desse relevo colinoso, quanto à amplitude das colinas, são de colinas amplas e médias.

Nas colinas amplas predominam interflúvios com área superior a 4 km², topos extensos e aplainados, vertentes com perfis retilíneos a convexos, drenagem de baixa densidade no padrão subdendrítico, vales abertos, planícies aluviais interiores restritas, presença eventual de lagoas perenes ou intermitentes. Esse tipo de relevo ocupa a porção norte, oeste a sudoeste, os vales dos Rios São Matheus e Sapé.

Nas colinas médias predominam interflúvios com áreas de 1 a 4 km², topos aplainados, vertentes com perfis convexos a retilíneos, drenagem de média a baixa densidade no padrão sub-paralelo a sub-retangular, vales abertos a fechados, planícies aluviais interiores restritas, presença eventual de lagoas perenes ou intermitentes. Ocupa a porção central a sudeste do município, ou seja, do espigão divisor do Rio Sapé e Capivara até o médio vale do Córrego do Cervo.

O relevo de transição local é marcado por encostas não escarpadas, ou seja, aquelas onde predominam declividades médias (de 10 a 23%) e amplitudes maiores que 100 m. Essas encostas são sulcadas por vales subparalelos, desfeitas em interflúvios lineares de topos angulosos a arredondados, vertentes de perfis retilíneos, drenagem de média densidade, padrão dendrítico, vales fechados. Observam-se algumas feições subordinadas de relevo de cristas assimétricas ou escarpadas. Ocupa o extremo norte da área do município, se estendendo pelo vizinho Município do Borá (SP), nas cabeceiras do Ribeirão Alegre e seus afluentes, Água da Cachoeira e Água das Mortes.

Foram analisados os elementos: solos, rochas (unidades litoestratigráficas aflorantes) e águas (unidades aqüíferas aflorantes).

4.2.2.2.1 Solos:

Os solos encontrados em Paraguaçu Paulista (SP) podem ser classificados em três grandes grupos (PRADO, 1999): latossolo vermelho eutroférrico (LV32), nitossolo vermelho eutrófico (NV7) e argissolo vermelho eutrófico (PVA80).

O latossolo vermelho eutroférrico (LV32) predomina amplamente em área, atingindo aproximadamente 65% do terreno municipal. Apresenta-se como um solo arenoso de textura média com predomínio de areia fina, que se desenvolveu na faixa de relevo plano ou suavemente ondulado, nas superfícies mais velhas ou estáveis da paisagem, onde se instala um alto grau de intemperismo. Todos os horizontes geralmente estão presentes, predominando o horizonte A e ocorrendo dessilicatização no horizonte B.

O nitossolo vermelho eutrófico (NV7) tem ocorrência freqüente por todo o vale do Rio Capivara e localmente no baixo vale do Rio São Matheus, ocupando aproximadamente 15% do terreno total do município. Trata-se de um solo de textura argilosa ou muito argilosa, quando evolui para a chamada “terra roxa estruturada”. Todos os horizontes geralmente estão presentes, predominando o horizonte B.

O argissolo vermelho eutrófico (PVA80) tem ocorrência freqüente na faixa norte da área, ocupando aproximadamente 20% do terreno do município. É um solo de textura arenosa média, sendo anteriormente conhecido pela denominação de podzol. Nem sempre o horizonte A está presente, devido à intensa lixiviação quando desnudo e ocorrendo em vertentes ravinadas. Freqüentemente, observa-se acúmulo de argila compacta no horizonte B textural, sendo assim praticamente impermeável esse horizonte.

Localmente, observa-se gleissolo ou organossolo, de origem hidromórfica e textura argilosa, em baixios de nascentes de drenagens. A FIGURA 12 apresenta o mapa, na escala 1: 100.000, dos grandes grupos de tipos de solos que ocorrem em Paraguaçu Paulista (SP). Nota-se a mesma condicionante estrutural do relevo, ou seja, a predominância dos alinhamentos nordeste-sudoeste a norte-sul e leste-oeste.

4.2.2.2.2 Unidades litoestratigráficas aflorantes:

As unidades litoestratigráficas aflorantes no Município de Paraguaçu Paulista (SP) são: Formação Vale do Rio do Peixe, Formação Serra Geral e Formação Marília.

A Formação Serra Geral constitui o arcabouço sobre o qual se assentam as formações Vale do Rio do Peixe e Marília, respectivamente da base para o topo da coluna estratigráfica local. Ocupa, aproximadamente, 10% da área, aflorando como rocha sã na Pedreira Siqueira e nos vales dos rios Capivara, São Matheus e baixo Sapé, médio a baixo vale dos ribeirões Alegre e Grande, bem como nos córregos Pouso Alegre e do Cervo. Ocorre também sustentando morrotes tabulares simétricos nos interflúvios do Rio Capivara com o Rio Sapé e no vale do Córrego Roseta. Apresenta espessura aflorante de até 15 m na bancada da frente de lavra da Pedreira Siqueira, mas atinge 910 m no poço das Thermas (PETROBRAS, 1961).

É formada por sucessivos derrames vulcânicos que ocorreram durante o Cretáceo Inferior. No poço das Thermas foram detectados 24 derrames superpostos com espessuras variáveis da ordem de 10-20 m a 60-80 m. Na base faz contato erosivo com a Formação Botucatu, localmente observado nesse poço. No topo faz contato erosivo com a Formação Vale do Rio do Peixe, o que pode ser muito bem observado na Pedreira Siqueira, no Vale do Rio Capivara e no eixo da barragem do Grande Lago. Nesses contatos observam-se conglomerados basais, compostos por cascalhos e seixos de quartzo, ágata e arenito silicificado.

A Formação Serra Geral apresenta-se composta essencialmente por basalto compacto com textura afanítica, coloração cinza escura a preta, localmente contendo intercalações de arenitos finos a médios, intertrapeanos, bem como apresentando os termos vesiculares ou vesículo-amigdaloidais de topo e base de derrame. Textura vítrea e fratura conchoidal também são verificadas em afloramentos do topo do derrame.

O basalto apresenta-se fraturado segundo as direções principais N50E e N60W, sendo marcante a primeira e concordante com o alinhamento estrutural predominante do Rio Capivara. As direções de fraturas NS e EW também são

freqüentes. Marcam o alinhamento geral dos tributários do Rio Capivara, dos rios São Matheus e Sapé, bem como dos ribeirões Alegre e Grande.

Existe uma relação marcante entre as direções do fraturamento do basalto nessas drenagens e o alinhamento geral da Formação Serra Geral, supostamente indicando que elas foram os planos de extravasamento das lavas vulcânicas da fase final do vulcanismo mesozóico da Bacia do Paraná. A uniformidade e extensão dos derrames e a raridade de produtos piroclásticos reforçam essa interpretação e indicam também que os basaltos se originaram do extravasamento rápido de lavas muito fluidas, através dessas geóclases ou falhas menores. Essa hipótese pode ser aventada também pela presença de estruturas de fluxo na forma de marcas onduladas na superfície superior do derrame, observadas na Pedreira Siqueira e evidenciando movimentação da lava vulcânica.

Estruturas de resfriamento magmático são notadas em quase todos os afloramentos visitados. São as disjunções colunares, sobre as quais se instalaram as cachoeiras e saltos, como se verificou no Rio Capivara, no Córrego Roseta e no Rio Sapé. Nesses pontos, na Pedreira Siqueira e nas proximidades da Roseta, observam-se corrugamentos em espelhos de falhas denunciando falhas de gravidade com abatimento escalonado para nor-noroeste certamente relacionadas, juntamente com a própria formação das cachoeiras, aos eventos neotectônicos que ocorreram a partir do Mioceno. Essas quedas d’água têm cristas geralmente alinhadas na direção EW cortando drenagens de direção NE e NW forçando-as a fortes curvas em formato de cotovelo, evidenciando que os eventos neotectônicos provavelmente se sucederam reativando o mega-alinhamento de direção EW do Rio Paranapanema, definido por Fulfaro (1974).

A Formação Vale do Rio do Peixe (FERNANDES; COIMBRA, 2000) ocupa, aproximadamente, 90% da área. Aflora como rocha relativamente preservada nas boçorocas das Thermas, Vila Fercon, nas vertentes do Ribeirão Alegre, localizadas no eixo da barragem do Grande Lago e na Estância Brinco de Ouro, em local de empréstimo para construção civil. Apresenta espessura máxima da ordem de 100 m, a nordeste da cidade de Paraguaçu Paulista (SP).

No topo, faz contato gradual com a Formação Marília, sendo que na rodovia Paraguaçu Paulista (SP)-Borá (SP), nas proximidades de Borá, pode ser observado

um corte na margem da rodovia exibindo esse contato de forma interdigitada e apresentando estrutura tabular típica, em camadas de espessura sub-métrica.

É composta por arenitos finos a muito finos, intercalados com siltitos ou lamitos arenosos, de coloração marrom-clara a alaranjada, localmente com cimentação de calcário. Atribuiu-se um ambiente essencialmente eólico para essa formação, provavelmente ocorrido no Cretáceo Superior (FERNANDES, 2004).

Ocorrem algumas cachoeiras com cristas N60E cortando esses arenitos, como verificado na Água da Cachoeira e no Córrego Lajeadinho, cujas drenagens estão alinhadas N30W. Comparando-as com as cachoeiras sobre basalto, leva-se a crer numa sucessão de eventos tectônicos na ordem cronológica N30W, N60E e EW.

A Formação Vale do Rio do Peixe apresenta-se, geralmente, intemperizada, dando origem ao latossolo vermelho eutroférrico (PRADO, 1999), que evolui para o argissolo vermelho eutrófico (PRADO, 1999), quando se aproxima do contato com a Formação Marília, no extremo norte da área.

A Formação Marília, representada pelo Membro Echaporã, tem ocorrência restrita no extremo norte da área. Ocorre na parte superior de espigão sustentando planalto escarpado. Apresenta-se na forma de estratos tabulares de aspecto maciço (de 1 até 2,5 m de espessura) de cor bege a rosa.

Compõe-se por arenitos finos a médios, imaturos, com frações grossas e grânulos, com cimentação e nódulos carbonáticos marcantes envolvendo essa matriz grosseira. Formou-se em ambiente de leques aluviais em suas porções distais acumuladas por fluxo em lençol, também no Cretáceo Superior (FERNANDES, 2004).

A FIGURA 13 mostra o mapa, na escala 1: 100.000, das unidades litoestratigráficas aflorantes em Paraguaçu Paulista (SP).

4.2.2.2.3 Unidades aqüíferas aflorantes:

Os aqüíferos aflorantes em Paraguaçu Paulista (SP) pertencem a três unidades principais, na seguinte ordem de expressão areal: Bauru, Serra Geral e Guarani (SILVA, 1983).

Apresentam as seguintes características distintivas, de acordo com a localização, a natureza litológica e as propriedades hidráulicas (SILVA, 1983):

AB – Aqüífero Bauru:

Pode ser encontrado em quase todo o território municípal, ocupando uma área de, aproximadamente, 90% da área total.

Compõe o sistema sedimentar, permeável por porosidade granular, com recarga direta pelas chuvas e linhas de fluxo convergentes para as calhas dos rios.

Os gradientes hidráulicos são da ordem de 8 a 10 m./km nas áreas de montante das bacias e de 3 a 5 m/km a jusante. Neste domínio, existiam grandes barramentos para finalidades turísticas. A confluência das três barras, ou seja, das águas do Ribeirão Alegre com as águas de seus tributários Água das Mortes (margem esquerda) e Água da Cachoeira (margem direita), formava o complexo turístico do Grande Lago. Também ocorriam barramentos para turismo de pesca na Água das Mortes, formando o parque aquático da Estância Brinco de Ouro.

ASG – Aqüífero Serra Geral:

Situa-se nas porções oeste, leste e central da área, ocupando cerca de 10% da área municipal.

Pertence ao sistema cristalino, permeável por fraturamento que, neste caso, se desenvolve nos basaltos. Caracteriza-se por apresentar porosidade de fratura, com circulação de água nas zonas de contato entre as estruturas condicionantes, nas descontinuidades verticais e horizontais de origem primária dos derrames e nas zonas de fraturamento secundário intenso. O caráter aleatório das descontinuidades presentes nos derrames origina heterogeneidade e anisotropia elevadas, próprias deste sistema de aqüífero. As linhas de fluxo convergem para as calhas das drenagens principais. O principal barramento deste sistema ocorre no Córrego Pouso Alegre, formando a represa de Cardoso de Almeida.

AG – Aqüífero Guarani:

É captado em um poço tubular com 3.663 m de profundidade total, obturado de 1.250 a 974 m de profundidade. Localiza-se no centro do município, a sudoeste da Cidade de Paraguaçu Paulista (SP), no local denominado Thermas de Paraguaçu.

Compõe o sistema sedimentar permeável por porosidade granular; mas é confinado e tem recarga a partir da Província Geomorfológica das Cuestas Basálticas (SÃO PAULO, 1981a).

Está confinado entre os basaltos da Formação Serra Geral (topo) e os argilitos da Formação Corumbataí (base), tendo como hospedeira a Formação Botucatu, localmente com 276 m de espessura, essencialmente arenosa, com arenitos médios a finos, bem selecionados, de origem eólica. Segundo Silva (1983), a fração areia ocupa 80 a 94% de sua composição e a permeabilidade média aparente é da ordem de 0,02 mm/s, considerada muito elevada. Quimicamente, é água mineral alcalina, catatermal na fonte (T = 52° C), do tipo bicarbonatada sódica a cloro-sódica, fluoretada (SILVA, 2004).

A FIGURA 14 mostra o mapa, na escala 1: 100.000, das unidades aqüíferas aflorantes em Paraguaçu Paulista (SP).

4.2.2.2.4 Zoneamento geotécnico:

Com base nas características físicas dos elementos constituintes do meio físico geológico/geomorfológico, anteriormente analisado, foi estabelecida a compartimentação fisiográfica do terreno e a codificação pelos níveis hierárquicos desses elementos, resultando na definição das unidades básicas de compartimentação (UBCs) e no zoneamento geotécnico aplicado à gestão ambiental, segundo Vedovello (2000).

Cada unidade foi definida em sua nomenclatura e respectiva simbologia mediante o seguinte critério:

Primeira letra: refere-se aos litotipos e suas origens petrogenéticas a partir da decomposição das rochas definidoras das unidades litoestratigráficas aflorantes. São elas:

-Basalto Serra Geral:

S = litotipos argilosos G = litotipos argilo-arenosos -Arenito Vale do Rio do Peixe:

V = litotipos areno-argilosos R = litotipos arenosos finos X = litotipos arenosos médios -Arenito Marília:

L = litotipos arenosos grossos

Segunda letra: refere-se ao aspecto geomorfológico das formas de degradação do relevo, predominantemente colinoso, quanto à amplitude das colinas, assim definidas:

-A = colinas amplas (interflúvios com área maior que 4 km²). -M = colinas médias (interflúvios com área de 1 a 4 km²).

Algarismos: referem-se à codificação pelos níveis hierárquicos dos elementos geomorfológicos e morfométricos de relevo e drenagens, a saber:

-1 = drenagem dendrítica, declividade (10-23%), hipsometria (501-620 m). -2 = drenagem sub-dendrítica, declividade (6-9%), hipsometria (501-620 m). -3 = drenagem sub-paralela, declividade (4-5%), hipsometria (333-500 m). -4 = drenagem sub-retangular, declividade (0-3%), hipsometria (333-500 m). Tais níveis hierárquicos refletem, nessa ordem, o grau crescente de maturidade geotécnica dos terrenos locais frente às solicitações da demanda, na gestão ambiental do turismo.

O mapa (escala 1: 100.000) da FIGURA 15 mostra as unidades básicas de compartimentação (UBCs) de Paraguaçu Paulista (SP) e a FIGURA 15, a compartimentação fisiográfica/codificação pelos níveis hierárquicos dessas unidades.

LA1

XM1

XA1

RA3

GA3

VA4

VA3

SM4

SM3

VM4

GM4

RA4

GA4

RM2

GM2

SM2

Arenosos Grossos Arenosos Médios Arenosos Médios Arenosos Finos Arenosos Finos Arenosos Finos Argilo-arenosos Argilo-arenosos Argilo-arenosos Argilo-arenosos Areno-argilosos Areno-argilosos Areno-argilosos Argilosos Argilosos Argilosos Amplas Amplas Amplas Amplas Amplas Amplas Amplas Amplas Médias Médias Médias Médias Médias Médias Médias Médias Dendrítica Dendrítica Dendrítica Subparalela Subparalela