As escalas de opinião constituem um conjunto de enunciados elaborados pelos pesquisadores em que os respondentes são convidados a concordar ou discordar, conforme respostas pré-definidas. As escalas de opinião possibilitam a verificação de atitudes acerca de um assunto específico e são dividias em: escalas de ordenação, graduação e atitude (MAY; WILLIANS, 2010).
Escalas de ordenação
As escalas de ordenação são compostas por uma série de palavras ou enunciados que os entrevistados devem ordenar conforme sua aceitação ou rejeição. As combinações dos pares ocorrem conforme a aceitação do indivíduo, os resultados
sugerem uma ordenação da escala de acordo com cada um dos respondentes (GIL, 2008).
Escalas de graduação
As escalas de graduação apresentam um contínuo de atitudes possíveis quanto ao assunto em questão. Os enunciados são dispostos em graus que medem a atitude em mais ou menos favorável. Para que não percam a conveniência, estas escalas normalmente apresentam cinco graus, sendo que o intermediário é o neutro (GIL, 2008).
2.5.1 Escalas de Atitude
As escalas de atitude ou de distância social mensuram as atitudes em relação a determinados grupos étnicos, religiosos e sociais (GIL, 2008).
2.5.1.1 Escala de Thurstone
Desenvolvida no final da década de 1920 por Thurstone e Chave, a escala proporciona a possibilidade de mensuração de atitudes aplicada a diversos assuntos como, por exemplo, evolução, livre comércio, patriotismo, guerra, censura, entre outros. A escala permite a aplicação para medir atitudes sobre qualquer assunto (CHISNALL, 1980).
Chisnall (1980) sugere o procedimento para o desenvolvimento da escala em que o pesquisador coleta um grande número de frases ou afirmações acerca do assunto do constructo, as quais serão avaliadas por um grande número de pessoas – o júri. As frases serão dividas em grupos e o júri deverá classifica-las entre “mais favorável” até “menos favorável”, em grupo de onze níveis de possibilidade.
Os valores medianos de cada grupo serão calculados para a escolha de cerca de vinte a vinte e cinco frases menos
apoiadas pela maioria, que deverão ser descartadas. As frases escolhidas para permanecerem são apresentadas aleatoriamente aos respondentes para que selecionem as que mais concordam. Os escores totais dos respondentes são calculados pela média ou mediana dos valores medianos na avaliação de cada frase (CHISNALL, 1980).
A escala de Thurstone consiste em uma escala de intervalos para medir atitudes, o desenvolvedor da escala busca a geração de itens que sejam sensíveis a níveis específicos da atitude em questão. Sua utilização se tornou restrita em virtude da dificuldade para sua construção e viés que os julgadores de atitudes podem atribuir à escolha das frases que comporão a escala. Em virtude da distorção proporcionada pela atitude do júri e após o surgimento das escalas tipo Likert a escala Thurstone caiu em desuso (GIL, 2008).
2.5.1.2 Escala Likert
A escala Likert foi baseada na Thurstone, contudo, sua elaboração é mais simples e não mensura as atitudes mais favoráveis ou desfavoráveis. Os enunciados da escala são projetados para medir um aspecto particular foco da pesquisa. A escala Likert é amplamente utilizada como instrumento de mensuração de opiniões, crenças e atitudes (MAY; WILLIANS, 2010).
Desenvolvida em 1932 por Rensis Likert a escala possibilita um método de escala de atitude no qual o pesquisador coleta um grande número de assertivas que sejam relacionadas ao objetivo proposto. As assertivas são direcionadas a um grupo de pessoas que estejam envolvidas com o objeto do estudo (CHISNALL, 1980).
As indagações da escala Likert são realizadas em frases assertivas, seguidas de respostas com opções que indiquem os diferentes graus de acordo com a declaração disposta. O
respondente deve manifestar a concordância ou discordância em relação aos enunciados numa escala de gradação de 5 itens contendo: “concordo totalmente”, “concordo”, “indiferente”, “discordo”, “discordo totalmente” (GIL, 2008; DEVELLIS, 2011).
Após as respostas, ocorre a avaliação dos itens, os itens com respostas mais favoráveis recebem valoração maior, o resultado total é calculado com base na soma dos itens de cada individuo entrevistado. Por fim, as respostas são analisadas por meio de um teste de correlação para verificação de quais itens apresentam forte relação. Os itens de baixa relação ou que possuem pouca representatividade são eliminados da escala final (GIL, 2008; DEVELLIS, 2011).
A escala Likert se tornou muito popular entre os pesquisadores devido a sua confiabilidade, facilidade de construção e boa informação quanto ao grau de sentimento dos respondentes. Diferente da escala Thurstone, que possibilita somente a opção de concordo e não concordo, a Likert permite que os mesmos tenham maior liberdade em expressar suas opiniões (CHISNALL, 1980).
2.5.1.3 Escala de Guttman
A escala de Guttman consiste em um método de escalas acumulativas que procura definir, mais precisamente, a área neutra de uma escala de atitude, considerando as atitudes dos respondentes em relação aos atributos (CHISNALL, 1980).
Segundo Chisnall (1980), a aplicação do método se inicia com uma série de questões sobre atitudes referentes a um mesmo assunto. Após cada questão, os respondentes são arguidos a respeito da intensidade dos seus sentimentos em relação ao assunto. As respostas são classificadas por nível de intensidade como: concordo fortemente, concordo, indeciso, discordo, discordo fortemente e pontuadas de zero a quatro
pontos, sendo concordo fortemente igual a quatro e discordo fortemente igual a zero.
A pontuação dos respondentes é registrada em um "escalograma", que é um esquema designado para simplificar o processo de análise total. Com esse procedimento, as atitudes são hierarquizadas de forma objetiva sem considerar que há homogeneidade entre as respostas, isso quer dizer que não há garantia de que os estímulos possam ser ordenados (CHISNALL, 1973; DEVELLIS, 2011).
Assim como a escala Likert, na escala de Guttman os respondentes demonstram acordar ou não com as assertivas do objeto proposto. A diferença entre as escalas é que Guttman consiste em uma escala cumulativa, as assertivas são selecionadas conforme as respostas das frases seguintes, em concordância com as respostas dadas à assertiva anterior, formando o escalonamento da escala (CHISNALL, 1980).
2.5.2 Escala Semântica Diferencial
Desenvolvida por Osgood, Suci e Tannenbaum (1957), o diferencial semântico consiste em uma técnica para medir o significado designado a conceitos, ou seja, mede de forma quantitativa o significado sobre dimensões subjetivas. Considerada uma escala de atitudes, possibilita avaliação de conceitos como, por exemplo, pessoas, comportamentos, ideias, etc (MAY; WILLIANS, 2010; GIL, 2008).
A aplicação da escala consiste na apresentação do conceito ao entrevistado, indicando uma série de escalas bipolares de avaliação de sete pontos, em que o entrevistado indicará a valoração que considera assertiva ao item (GIL, 2008).
Os entrevistados são convidados a preencherem quadrinhos entre pares de adjetivos opostos que indiquem os estímulos que consideram favoráveis. A escala fornece
informações sobre opiniões, classificam a imagem que as pessoas possuem sobre determinadas questões, auxiliando em questões de pesquisa de mercado, por exemplo, (MAY; WILLIANS, 2010).
2.5.2.1 Escala Visual Analógica
A escala analógica possibilita a captura de fenômenos sutis que as demais escalas talvez não percebam. Possui uma diferenciação nos escores determinada pelo investigador, que a torna extremante útil na mensuração de fenômenos antes e depois de algum evento ou intervenção, avaliando os resultados do procedimento ocorrido (DEVELLIS, 2011).
Segundo Devellis (2011), a escala visual analógica é bastante utilizada em atendimentos médicos para mensurar o início e o final do procedimento, possibilitando a percepção na evolução do tratamento do paciente, avaliando níveis de dor e a qualidade do atendimento médico.
2.6 VANTAGENS E DESVANTAGENS DAS ESCALAS
No processo de construção das escalas pode haver problemas pela complexidade da constituição do instrumento de natureza quantitativa. Portanto, o primeiro problema que deve ser percebido é a definição dos conceitos de opinião e atitude. A atitude consiste em uma representação consciente e estática, é uma tendência à ação que decorre do ambiente em que se vive, das experiências pessoais e personalidade do indivíduo, que inclina o indivíduo a reagir de forma específica a determinadas pessoas, objetos ou situações. A opinião, por outro lado, diz respeito ao aspecto cognitivo, é o julgamento ou crença em relação a uma pessoa, fato ou objeto. Atitudes e ações são, portanto, duas coisas distintas o que as pessoas dizem que fazem pode ser muito diferente do que realmente