8. Bruksgrensetilstand
8.3 Rissviddekontroll
8.3.1 Minimumsarmering
O letramento informacional esteve, no passado, centrado em habilidades cognitivas relacionadas a capacidades individuais de se processar informação efetivamente. Hoje, no entanto, esse conceito tem sido re-formatado, contemplando tanto o foco individual, quanto o coletivo, no sentido de que a informação é usada em um contexto sociocultural, gerando desenvolvimento para o indivíduo e a comunidade. Como Schroeder e Cahoy (2010) observam, os padrões de letramento informacional “migram de um foco individual para uma agenda baseada em competências, dentro de um enfoque sociocultural, que circunda o aprendizado pleno da comunidade e a inteligência coletiva latente” (ibid, p.2).9
Hepworth e Walton (2009) definem letramento informacional como
um complexo conjunto de habilidades, que capacita o indivíduo a compreender e engajar-se criticamente no mundo em que vive e no ambiente informacional e de conhecimentos, para que possa participar efetivamente nos processos de aprendizagem, tanto fazendo uso da informação existente no ambiente
9Tradução livre da autora desta Tese.
Comportamento Informacional Comportamento de busca de informação Comportamento de recuperação de informação
70
informacional, quanto contribuindo com novas informações para atualizar e incrementar esse ambiente. (Ibid, p.10).10
Dessa forma, é um erro assumir que habilidades para manusear tecnologia de informação (TI) significam o mesmo que letramento informacional. Enquanto a primeira está relacionada ao uso efetivo de recursos tecnológicos, o segundo compreende um conjunto de habilidades desenvolvidas com vista a capacitar o indivíduo a identificar, acessar e usar informação em seu contexto social, para solucionar problemas e tomar decisões. Assim, letramento informacional é um conceito mais amplo, que abrange tanto habilidades para usar recursos tecnológicos, quanto, principalmente, habilidades para acessar e usar efetivamente a informação extraída desses recursos ou de quaisquer outras fontes.
Letramento informacional e aprendizagem
Em sentido mais amplo, letramento informacional está relacionado à aprendizagem, pois indivíduos, por meio da informação, irão desenvolver competências e habilidades para agir criticamente na comunidade onde vivem. A Escola de Aprendizagem para o Novo Século Globalizado (The College Learning for the New Global Century), em um artigo produzido pela Associação de Faculdades e Universidades Americanas (Association of
American Colleges and Unversities), ressalta que a alfabetização informacional é um produto essencial no Século XXI. Por se tratar de um processo no qual o indivíduo aprende a identificar sua necessidade de informação e toma consciência de como acessar e usar essa informação para criar significado útil e relevante em sua comunidade, o letramento informacional pode se tornar um importante instrumento de desenvolvimento individual e coletivo. Segundo Schroeder e Cahoy (2010), o que se busca com letramento informacional é o desenvolvimento das pessoas para que se tornem aprendizes independentes e socialmente responsáveis que contribuam positivamente para o aprendizado da comunidade e da sociedade como todo.
O conceito traz à tona a ideia de que o indivíduo deve ser capaz de se engajar criticamente no mundo, buscando significado para o ambiente complexo que o cerca. Dessa forma, o letramento informacional é um conceito de inclusão mais do que de exclusão e, por essa razão, também não deve se restringir a “saber ler e interpretar a informação”. A despeito
71 de essas habilidades serem importantes, visto que garantem acesso e uso da informação pelas pessoas, elas não podem ser a única forma de cidadãos engajarem-se criticamente em suas comunidades (HEPWORTH e WALTON, 2009).
Assim, os gestores da informação devem estar atentos ao fato de que as comunidades são compostas por um conjunto de diferentes indivíduos e que é necessário conhecê-los a ponto de prover as informações de que eles precisam, no formato em que todos possam acessar e usar. Nesse sentido, conhecer os padrões de comportamento informacional dos indivíduos tem relevância no âmbito do letramento informacional, porque é a partir desse conhecimento que os provedores de informação estarão garantindo, a todos, acesso à informação que os farão desenvolverem habilidades para se engajar na comunidade.
Letramento informacional e empowerment
O letramento informacional é uma ferramenta de empowerment, ao mesmo tempo em que auxilia pessoas a trabalharem de forma colaborativa e participativa.
O fortalecimento do indivíduo é sustentado pelo letramento informacional. A habilidade para aprender efetivamente e independentemente e, ainda, usar conhecimentos, dados e informações do ambiente informacional irá, provavelmente, resultar em pessoas com mais poder de escolha. Se as pessoas têm poder de escolha, significa dizer que estão bem informadas sobre suas situações, podem ver alternativas de forma crítica e sustentável e são capazes de escolher ou criar uma variedade de soluções e estratégias. Isso pode levar as pessoas a terem mais opções para decidirem como participar e interagir socialmente e como usar efetivamente os recursos e serviços informacionais disponíveis ou contribuir para incrementar esses recursos e serviços (HEPWORTH e WALTON, 2009, p.3). 11
Assim, para se desenvolver cidadania, não se pode prescindir do processo de letramento informacional do cidadão. Independente de ele possuir habilidades para manusear recursos tecnológicos ou para ler e escrever, é necessário que possa usar a informação e o conhecimento para ampliar suas oportunidades e desenvolver a comunidade onde vive. É imprescindível que cidadãos sejam bem informados sobre sua situação, sobre as condições de suas comunidades e sobre as alternativas que dispõem para criar estratégias de melhoria e desenvolvimento. Isso se dá a partir do acesso à informação e ao conhecimento. Entretanto, Hepworth e Walton (2009) observam que “muitas pessoas acham difícil acessar e usar
72 informações, por razões relacionadas a condições política, física e do ambiente” (p.3) 12. O
principal desafio para enfrentar essa dificuldade é, provavelmente, tornar as pessoas capazes de gerenciar informações em seus próprios benefícios. Se isso ocorrer de fato, eles serão proprietários da informação e do conhecimento produzido e, mais importante, do processo para produção dessa informação e conhecimento. Em outras ocasiões, quando essas pessoas estiverem diante de novas situações ou problemas sociais, serão capazes de agir e buscar soluções. De acordo com Schroeder e Cahoy, o foco está no “desenvolvimento dos estudantes, no sentido de torná-los aprendizes independentes e pessoas socialmente responsáveis, que contribuem positivamente para a aprendizagem da comunidade e da sociedade” (2010, p.4).
Letramento informacional e cidadania
O cidadão pode se integrar criticamente à sociedade, partindo da premissa de que, para que haja uma integração comprometida e crítica, é necessário que o cidadão seja capaz de acessar e usar informação útil, relevante e tempestiva (VARELA, 2007b). Condensando as ideias dos autores citados nas seções anteriores, pode-se perceber que existe uma tendência em apontar a participação popular na gestão pública como uma alternativa viável para tornar os cidadãos mais ativos em suas comunidades. É necessário, para isso, criar condições e estimular seus cidadãos a trabalharem juntos e colaborativamente em prol da solução de problemas sociais de seu interesse.
O processo de participação popular é incorporado a essa premissa, tanto para criar uma motivação para o trabalho colaborativo, quanto para explorar o conhecimento que já se encontra latente no seio da comunidade. A motivação pode ser obtida quando as pessoas estão diante de uma situação ou problema de interesse comum. Ao serem dadas todas as condições para que os membros da comunidade possam explorar essa situação ou problema, eles serão capazes de identificar, acessar e usar as informações efetivamente.
Vem ao encontro ás ideias de Wilson (1997a), quando afirmou que a necessidade de informação é uma necessidade básica, visto que surge em decorrência desta. Significa dizer que as pessoas não têm necessidades fixas e determinadas de informação e, ainda, não sabem, antecipadamente, que tipo de informações precisam. A necessidade de informação muda, por
73 exemplo, de acordo com variáveis básicas biológicas, culturais, ambientais e educacionais e, por essa razão, não é possível prever as deficiências de informação de cada membro de uma determinada comunidade.
Nicholas e Herman (2009) afirmam que as pessoas não têm suas necessidades de informação identificadas por si só, visto que tais necessidades somente se tornam claras quando as pessoas estão diante de um novo problema, nova dificuldade ou sob algum novo tipo de pressão que não sabem como gerenciar. Nesse momento, as pessoas podem identificar necessidades cognitivas e/ou emocionais facilmente, porque a necessidade de informação torna-se parte do contexto que estão vivenciando.
Brookfield (1987) afirma que a situação, o fenômeno, a questão ou o problema provêm apenas motivação para que os participantes possam trabalhar juntos e de forma colaborativa. Nessa perspectiva, o aprendizado emerge por meio do compartilhamento de conhecimento e experiências. Por sua vez, Bates afirma que “80% de todo o nosso conhecimento é absorvido, talvez, pelo simples fato de a pessoa estar alerta e consciente de seu contexto social e ambiente físico” (BATES, 2002, p.04)13. Além disso, o cidadão é, em tese, o sujeito que melhor conhece sua comunidade e os problemas sociais relacionados a ela. Quando bem orientado, ele ainda é capaz de analisar criticamente situações/necessidades/problemas sociais e tomar decisões em seu próprio benefício, contribuindo para o desenvolvimento da comunidade.
É nesse sentido que o letramento informacional tornar-se uma proposta de interação social, por meio da comunicação da informação, que dá espaço para a reflexão e conscientização críticas (VARELA, 2007b). Os participantes irão engajar-se em suas comunidades e, mais importante, irão desenvolver habilidade para manusear informações em seu benefício e no de suas comunidades. Gasque (2010, p. 90) complementa:
“o letramento constitue-se no processo de aprendizagem necessário ao desenvolvimento de competências e habilidades específicas para buscar e usar informação. Há fortes evidências de que tal processo é crucial na sociedade atual, submetida a rápidas e profundas transformações devido à grande produção de conhecimentos científicos e tecnológicos (...) No contexto contemporâneo, o indivíduo precisa ser “informacionalmente” letrado para atuar como cidadão crítico e reflexivo, dotado de autonomia e responsabilidade e, desse modo, colaborar na superação dos graves problemas de toda ordem que atingem hoje a humanidade”
74 Os membros da comunidade devem ser capazes de identificar problemas, acessar e usar informações, analisar e tomar decisões, monitorar ações e propor correções no processo de execução. O primeiro passo seria, portanto, tornar as pessoas eficientes e eficazes no processo de busca e uso de informações, o que torna essas pessoas bem informadas e aptas a enxergar e analisar criticamente alternativas e soluções. Ressalta-se que os membros da comunidade são aqueles que mais conhecem os problemas sociais, além de cultura, hábitos, deficiências e limitações da própria comunidade. Com a informação correta e tempestiva, eles seriam capazes de tomar decisões mais assertivas e de proporau soluções que realmente resolveriam problemas.
Atualmente, informação é um recurso que as pessoas consideram difícil de ser acessado e usado. O desafio seria, então, capacitar essas pessoas para acessarem e usarem a informação em seu próprio benefício, para que possam agir criticamente sobre problemas reais e específicos e, consequentemente, possam comprometer-se melhor com o processo de solução de problemas. Nesse sentido, letramento informacional é um processo de aprendizagem que pode contribuir para a construção da cidadania. É, ainda, uma alternativa para transferir ou compartilhar poder. Hepworth e Walton (2009) acrescentam que:
Essa é uma alternativa para diminuir a voz do poder dominante, da mídia ou dos ‘experts’ – como os consultores – que tradicionalmente acreditam que são as fundações do conhecimento e da inteligência, mesmo quando não têm experiência direta com o problema. Em outras palavras, pessoas na comunidade ou práticos – que regularmente estão desenvolvendo alguma atividade na comunidade – podem ter soluções pertinentes e mais valiosas que aquelas vindas dos consultores externos. Entretanto, com o objetivo de gerenciar a melhoria do ambiente, as pessoas em uma comunidade teriam provavelmente benefícios no uso da informação vinda tanto de fora da comunidade quanto aquelas originadas de seus próprios conhecimentos e experiências (Ibid, p.20).14
Nesse sentido, a ênfase do letramento informacional está no processo de aprendizagem, mais que nos resultados propriamente ditos. O objetivo não é tão somente conhecer os padrões de comportamento informacional do cidadão ou que decisão foi tomada (resultado), mas, principalmente, descobrir, por meio do processo conduzido para chegar ao resultado, como o indivíduo pode gerenciar informação e conhecimento para melhorar sua condição de vida. Mais importante que isso, o aprendizado que leva o indivíduo a gerenciar informação conduz a uma comunidade de aprendizado, porque seus membros serão capazes
75 de transformar conhecimento e experiências tácitos em informações úteis para tomar decisões e solucionar problemas.
O acesso a descrições, histórias, explanações e outras informações habilita-nos a sentir e entender as experiências de outras pessoas, mesmo sem as ter vivido diretamente. Fazer isso ajuda-nos a estar familiarizado com o ambiente de aprendizagem e a capitalizar o conhecimento existente efetivamente e conscientemente (HEPWORTH e WALTON,2009, p7). 15
Esse processo pode levar as pessoas a terem mais opções. Elas estarão mais informadas e desenvolverão competências, habilidades e atitudes que as tornarão aptas a agir ativa e criticamente em suas comunidades. A Figura 11, a seguir, apresenta o modelo de letramento informacional de Hepworth e Walton, adaptado para esta pesquisa.
Figura 11 - Modelo de Letramento Informacional adaptado de Hepworth e Walton (2009, p.32)
O modelo de letramento informacional de Hepworth e Walton mostra a relação entre aprendizes, seus contextos sociais e o ambiente informacional externo. Os padrões de comportamento informacional são levantados mediante análise de contexto e da estrutura cognitiva das pessoas. A participação e a aprendizagem, ambas com base na solução de problemas, são processos noas quais as pessoas são estimuladas a buscarem informações em repositórios externos, bem como compartilhar conhecimentos e experiências, tudo isso com o objetivo de tomar alguma decisão ou solucionar um problema. Ao analisar situações e/ou problemas e tomar decisões com base em informações, as pessoas alteram sua estrutura
15Tradução livre da autora desta Tese.
Contexto
(normas, regras,
leis e cultura) Padrões de comportamento
informacional
(que informação ele necessitam e como eles acessam e usam a
informação) Estrutura cognitiva das pessoas (conhecimento tácito e explícito) Repositório da informação (dados, informação e conhecimento armazenados externamente) 1 5 4 3 2 Busca informação para solucionar um novo problema social (PRA e aprendizagem com base em questões) PRA mudando a estrutura
cognitiva das pessoas Novo contexto (mudança do contexto
em benefício da comunidade)
76 cognitiva (segunda arena de uso da informação de Choo) e mudam o contexto do lugar onde vivem (terceira arena de uso da informação de Choo). Isto porque estas aprendem com a informação (formam-se e informam-se), adquirindo e internalizando novos conhecimentos, que os habilita a propor novas regras, leis e comportamentos voltados para o desenvolvimento social. Em outras palavras, letramento informacional tem como foco o processo de fortalecimento (empowerment) dos indivíduos mediante aprendizagem.
2.2.7 A Gestão da informação em comunidades para desenvolvimento de cidadania