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5.1 Microscopic assessment of nanobead penetration in fish skin mucus
Conhecer o cancioneiro do concelho de Reguengos de Monsaraz é também conhecer as recolhas anteriores à nossa, realizadas a título individual. Há um número considerável de composições já publicadas (principalmente, pertencentes ao cancioneiro), em obras de âmbito nacional e regional e outras dispersas em vários artigos da imprensa regional. Por publicar, há a recolha pertencente ao Centro de Tradições Populares Portuguesas – Professor Manuel Viegas Guerreiro (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), realizada em contexto académico.
Pesquisámos e coligimos/compilámos o que encontrámos. Assim, mais fácil será obtermos uma visão de conjunto e fazer uma leitura comparativa com o corpus, fruto da nossa recolha, se assim se desejar.
As fontes bibliográficas da antologia que formámos destacam duas figuras de relevo, no contexto da recolha e estudo da Literatura Oral e Tradicional, José Leite Vasconcelos (1958-1941) e J. A. Pombinho Júnior (1898-1983), um pela sua obra de alcance nacional e o segundo pela obra de carácter regionalista.
O Cancioneiro Popular Português (3 volumes, 1975, 1979, 1983), de José Leite Vasconcelos, contém composições de algumas localidades do concelho de Reguengos de Monsaraz, sobretudo quadras, incluindo um pequeno número de quadras encontradas no semanário Terra Alentejana98. Ainda, na obra de Leite Vasconcelos, encontrámos uma quadra recolhida, em Reguengos de Monsaraz, publicada em Etnografia Portuguesa (vol. VI, 1975).
98 Não há a indicação do responsável pela publicação das quadras neste semanário, Terra Alentejana. É
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Por sua vez, J. A. Pombinho Júnior dedicou-se bastante ao cancioneiro alentejano, profano e religioso. Recolheu, coligiu, estudou e publicou, em livro e na imprensa regional, durante largos anos. As suas “Canções e Modas Alentejanas” encontrámo-las
publicadas, no Arquivo Transtagano (Elvas,1934 e 1935) e em Brados do Alentejo (Estremoz, 1947 e 1948). Quanto às quadras e outras composições líricas, encontrámo- -las, em número mais avultado, em “Cantigas Populares Alentejanas (e seu subsídio para
o léxico português)” (publicadas em Terra Alentejana, Évora, 1925 e 1926), “Cantigas Populares Alentejanas” (em Ilustração Alentejana, Évora, 1925), “Retalhos de um Vocabulário” (em Brados do Alentejo, Estremoz, de 1933 a 1952), “Vocabulário
Alentejano (subsídio para o léxico português)” (em Revista Lusitana, vol. XXXIII, 1935), Cantigas Populares Alentejanas e seu subsídio para o léxico português (1936), “Retalhos de um Vocabulário (subsídio para o léxico português)” (em Separata do volume XXXVII
da Revista Lusitana, em 1939), “Cantigas Dobradas” (em Ethnos, 1942) e Achegas para o Cancioneiro Popular Corográfico do Alto Alentejo (1957), Por fim, postumamente, em 2001, foram publicadas as suas Orações Populares de Portel, onde também encontrámos orações recolhidas no concelho em estudo.
Outros autores retêm, nas suas obras e nos seus artigos, exemplares da memória popular do concelho, em número mais reduzido: Alexandre Carvalho da Costa (“Gentílicos e Prolóquios Toponímicos Transtaganos”, Separata do Boletim «Douro
Litoral», 1956), Michel Giacometti (Cancioneiro Popular Português, 1981; com Fernando Lopes Graça, em Antologia de Música Regional Portuguesa, 1965), Ana Eleonora Borges (Provérbios sobre Plantas, 2005), J. A. David de Morais (Ditos e Apodos Colectivos. Estudo de Antropologia Social no Distrito de Évora, 2006), Manuel Joaquim Delgado (A Etnografia e o Folclore do Baixo Alentejo: aspetos vários,
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Reflexões Antropológicas numa Era Global, 2012). Numa obra de responsabilidade “colectiva”, (Com)Viver a Tradição (Recolha de Cultura Popular), há um exemplar, de carácter mágico-religioso recolhido pela Coordenação Concelhia junto dos formandos do Ensino Recorrente em Reguengos de Monsaraz, em 2000.
Igualmente, consultámos a imprensa local: Jornal de Reguengos (Reguengos, 1899 e 1931), Folha Nova (Reguengos, 1910), O Guadiana (Reguengos, 1928 e 1929) e O Eco de Reguengos – II Série (Reguengos, 1947). Aqui recuperámos, principalmente,
alguns exemplares de quadras e provérbios.
De âmbito local, é, identicamente, uma recolha da responsabilidade de Luísa Róis, publicada em 2004, intitulada Conversa com versos. Colectânea de Poesia Popular. Projecto para a Inclusão e Cidadania do Concelho de Reguengos de Monsaraz.99
Terminamos, aqui, o elenco da bibliografia consultada (textos divulgados através de publicações) para a constituição da antologia.
Contudo, acrescentamos que encontrámos duas composições100 recolhidas em Reguengos de Monsaraz, numa publicação de Viale Moutinho, Terra e Canto de Todos.
99 O trabalho de recolha foi efectuado, em 2003, coordenada por Luísa Róis, da escola EB 2, 3 de
Reguengos de Monsaraz e o tratamento do texto foi da responsabilidade de Maria Guilhermina Varela, do Ensino Recorrente. Também Fátima Reis e Inês Fialho colaboraram, na recolha, realizada na Santa Casa da Misericórdia como recolectoras. Segundo a Equipa Concelhia de Ensino Recorrente de Reguengos de Monsaraz, na introdução da obra, o projecto teve como principal objectivo “articular as actividades da Fundação com as do Ensino Recorrente, focalizando a intervenção na valorização do património cultural do concelho e na transmissão inter-geracional de saberes. O plano de acção definido continha, entre outros aspectos, uma recolha associada à tradição oral, nomeadamente à poesia popular.” (Róis [2004], pág. 1). É de grande valor o trabalho levado a cabo pelas instituições envolvidas; a obra é um pilar importante, para a construção da nossa memória colectiva. Além disso, tem o mérito de ter sido a primeira obra a ser publicada que coligisse poesia oral e tradicional do concelho de Reguengos de Monsaraz. Até à data da sua publicação, a poesia oral e tradicional do concelho apenas tinha surgido publicada, em obras mais generalistas e em artigos dispersos em jornais e revistas.
100 Ó moças, não há tempo
como é o de vindimar: de dia escolhe-se a uva
e à noite é namorar. (José Viale Moutinho [2008], Terra e Canto de Todos. Vida e Trabalho no Cancioneiro Popular Português, Vila Nova de Gaia, Editora 7 Dias 6 Noites, 2008, pág. 212; cf. José Leite de Vasconcelos [1975], Cancioneiro Popular Português, vol. I, Coimbra, Por Ordem da Universidade, 1975, pág. 259; na antologia que formámos, a quadra tem o código de identificação [CAP 189])
(…)
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Vida e Trabalho no Cancioneiro Popular Português (2008).101 Viale Moutinho colige cerca de 1700 quadras, que selecciona em diversas fontes, todas elas subordinadas aos temas da vida e trabalho do povo português. Verificámos que as quadras foram publicadas, numa das fontes acima enunciadas, o Cancioneiro Popular Português, de José Leite de Vasconcelos.
Também encontrámos duas quadras,102 na obra Ricos e Pobres no Alentejo (Uma Sociedade Rural Portuguesa) de José Cutileiro (ed. de 2004) que, de igual modo, não integrámos no corpus secundário, devido ao facto de, na obra, não se assumir que o estudo antropológico, nela apresentado, se passa em Monsaraz, vila medieval do concelho, em estudo. Monsaraz aparece com o pseudónimo de Vila Velha.
Em Cancioneiro Alentejano de Victor Santos, não existe publicação de composições recolhidas, no concelho de Reguengos de Monsaraz, apesar de publicar quadras recolhidas em dois concelhos vizinhos, Redondo e Mourão. Apenas há uma quadra, sem indicação de local de recolha, que é usada para exemplificar os casos de metátese, no falar alentejano, nomeadamente, em Reguengos, como afirma o próprio autor.103
se juntaram em campanha, com martelos e turqueses,
pra matarem uma aranha. (José Viale Moutinho [2008], Terra e Canto de Todos. Vida e Trabalho no Cancioneiro Popular Português, Vila Nova de Gaia, Editora 7 Dias 6 Noites, 2008, pág. 248; cf. José Leite de Vasconcelos [1975], Cancioneiro Popular Português, vol. I, Coimbra, Por Ordem da Universidade, 1975, pág. 251. na antologia que formámos, a quadra tem o código de identificação [OP 68]).
101 Na sua apresentação na obra, as quadras surgem numeradas e com a indicação do local onde foram
recolhidas. Contudo, junto de cada quadra, o autor não indica a fonte bibliográfica das quadras que apresenta.
102 Eu já fui a Val de Vargo
Fazer uma diligência. Às vezes faço-me de parvo Mas é para minha conveniência. (…)
Lá porque fui à igreja Chamaste-me cabeça oca. Tu meteste-te na cerveja
Gastaste a jorna toda. (José Cutileiro [2004], Ricos e Pobres no Alentejo (Uma Sociedade Rural Portuguesa), Lisboa, Livros Horizonte, 2004, pp. 277 e 306.
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Por fim, a antologia, que formámos com as composições pertencentes às fontes acima enumeradas, está disponibilizada, no anexo III, sem alterações ou correcções à grafia usada na sua transcrição. Indicámos, também, junto da composição, a indicação do local de recolha, sempre que, na fonte bibliográfica de origem, isso também aconteça. Nas outras composições, a origem é facultada através de títulos, explicações ou notas de rodapé dos recolectores.
No anexo III, também está uma segunda antologia de textos, que foram recolhidos por nós, em trabalho de grupo com Sandra Silva, na localidade de Reguengos de Monsaraz, em 1999, num trabalho académico, solicitado pelo professor João David Pinto- -Correia, quando frequentávamos a disciplina de Literatura Oral Tradicional, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Esta recolha, actualmente, faz parte dos arquivos do Centro de Tradições Populares Portuguesa Professor Manuel Viegas Guerreiro. Portanto, consideramo-la como mais um contributo, para o conhecimento da poesia oral tradicional do concelho de Reguengos de Monsaraz.
Os critérios de ordenação e de classificação, que utilizámos para compor as duas antologias, repetem as orientações científicas que utilizámos para o corpus que formámos com as composições recolhidas, durante o “trabalho de campo”, e que serão explicadas, nos próximos capítulos.
Para dar uma visão dos vários subgéneros contemplados, nesta parte do trabalho, e para quantificar as composições que os representam, elaborámos duas fichas de demonstração, a ficha de demonstração de textos de literatura oral e tradicional publicados, entre 1899 e 2012, e a ficha de demonstração da recolha CTPP (1999), as quais apresentamos a seguir.
É um cantar inolente;
Acorda quem ‘ta ‘dromindo’,
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Ficha de Demonstração de textos de literatura oral e tradicional publicados, entre 1899 e 2012
Nº de Composições
Composições de carácter lírico 541
1. Práticas de carácter prático-utilitário 45
1.1.Práticas de intenção mágica e religiosa 17
1.1.1. Orações 15
1.1.2. Ensalmos 1
1.1.3. Esconjuros 1
1.2.Práticas de sabedoria 28
1.2.1. Provérbios 28
2. Composições de carácter lúdico 496
2.1. Cantigas de todos os dias 495
2.1.1. Cantigas amorosas 264 2.1.2. Cantigas às Cantigas 21 2.1.3. Cantigas Conceituosas 32 2.1.4. Cantigas Toponímicas 70 2.1.5. Outras 91 2.1.6. Cantigas ao Despique 2 2.1.7. Canções e Modas 15 2.2. Cantigas Religiosas 1 2.2.1. Cantigas de Reis 1
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Ficha de Demonstração da Recolha CTPP (1999)
Nº de Composições
Composições de carácter lírico 98
1. Práticas de carácter prático-utilitário 49
1.1.Práticas de intenção mágica e religiosa 19
1.1.1. Orações 15 1.1.2. Benzeduras 2 1.1.3. Ensalmos 1 1.1.4. Esconjuros 1 1.2.Práticas de sabedoria 20 1.2.1. Provérbios 17
1.2.2. Ditos / expressões estereotipadas 3
2. Composições de carácter lúdico 49
2.1.Rimas infantis 1
2.1.1. Lengalengas 1
2.2. Cantigas de todos os dias 48
2.2.1. Cantigas amorosas 22
2.2.2. Cantigas às Cantigas 3
2.2.3. Cantigas Conceituosas 3
2.2.4. Cantigas Toponímicas 6
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