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Milgram (1963) Obedience Experiment

METODISKE OVERVEIELSER

No contexto da formulação da Política de Gestão do Conhecimento para a Administração Pública Federal, a segunda fase do processo de elaboração, pela metodologia adotada nesse trabalho, é denominada problematização.8

Nessa fase são identificados e validados os problemas que decorrem da não existência da Gestão do Conhecimento nas organizações públicas federais, com o objetivo de formular corretamente as diretrizes da política.

Levantamentos preliminares dos problemas foram realizados nos Fóruns de GC na Administração Pública (CT-GCIE, 2005) e na pesquisa efetuada pelo IPEA (BATISTA, 2005). Visando validar os dados obtidos nos levantamentos acima citados, foi disponibilizado, em meio eletrônico, no período de 11 a 29 de outubro de 2006, um questionário de validação (Anexo B), para os participantes da comunidade CT-GCIE, formada por representantes de instituições públicas federais. Dezesseis participantes responderam ao questionário. A Tabela 7 mostra os resultados apurados nas questões fechadas e quantitativas (questões 1, 4, 6, 8 e 10). As respostas às perguntas abertas, de caráter qualitativo, foram analisadas e suas manifestações mais significativas, com referência ao tema, estão expressas a seguir, na ordem das questões.

Na identificação dos problemas mais relevantes, provocados pela ausência de Gestão do Conhecimento nas organizações públicas (questão 1), os participantes foram solicitados a escolher cinco problemas, entre onze identificados nos estudos teóricos e pesquisa preliminar.

Os problemas com maiores percentuais de indicações foram:

1. existência de grande massa de informações estratégicas não tratadas e não disseminadas aos tomadores de decisões governamentais (81%);

2. competências individuais e coletivas não exploradas (81%); 3. insuficiente colaboração intraorganizacional (50%);

4. baixa utilização de trabalho em grupo, colaborativo e virtual (50%);

5. dificuldade de se promover o aprendizado coletivo, constituindo-se em uma barreira à capacidade de criação e inovação (43%).

Tabela 7 - Resultados das questões fechadas – Questionário de validação CT-GCIE

Fonte: o autor.

Questões/Alternativas

Questão 1 - Selecione abaixo os 5 problemas que você considera mais relevantes, provocados pela ausência de Gestão do Conhecimento, na sua organização:

(a) Existência de grande massa de informações estratégicas não tratadas e não disseminadas aos tomadores de decisões

governamentais; 13 81,00

(d) Competências individuais e coletivas não exploradas; 13 81,00

(b) Insuficiente colaboração intra-organizacional; 8 50,00

(e) Baixa utilização de trabalho em grupo, colaborativo e virtual; 8 50,00

(j) Dificuldade de se promover o aprendizado coletivo, constituindo-se em uma barreira à capacidade de criação e inovação; 7 43,75 (h) Ausência de mecanismos de compartilhamento de informações e conhecimento; 6 37,50

(i) Falta de incentivos e mecanismos institucionais para compartilhamento e transferência de conhecimento; 6 37,50

(c) Insuficiente colaboração inter-organizacional (entre ministérios e/ou instituições públicas federais); 5 31,25

(f) Dificuldade de localizar informações; 5 31,25

(g) Dificuldade de localizar especialistas; 5 31,25

(k) Necessidade de dotar a alta gerência da APF de ferramentas de trabalho, de comunicação virtual e de informações

estratégicas em tempo real. 4 25,00

Questão 4 - Vários resultados são esperados com a formulação e implementação de uma política pública de Gestão do Conhecimento na APF. Selecione abaixo 5 resultados que são, no seu entendimento, os mais relevantes e que devem ser buscados pela formulação da política.

Quant. %

(e) Promoção da transparência na gestão pública, pelo fornecimento ao cidadão de acesso às informações governamentais e

crescente capacidade para intervir diretamente nas decisões político-administrativas que lhe digam respeito; 13 81,00 (f) Melhoria da gestão e qualidade dos serviços públicos, com redução de custos pela gestão eficaz de processos; 13 81,00

(b) Desenvolvimento de uma cultura de compartilhamento de conhecimento entre governo e sociedade; 11 68,00

(c) Desenvolvimento de uma cultura colaborativa entre áreas governamentais; 11 68,00 (a) Servidores públicos dotados de competências cognitivas para utilizarem, individual ou coletivamente, redes e

equipamentos como meios de produção de conhecimento; 10 62,00

(g) Convergência e integração das redes e sistemas de informações governamentais, entre as três esferas de governo; 8 50,00 (h) Adoção de programas que conduzam à máxima inclusão possível de indivíduos e grupos sociais nas condições

intelectuais e cognitivas exigidas para a produção de conhecimento necessário à geração e distribuição de riquezas na sociedade atual e futura;

8 50,00

(d) Exploração do potencial de rede para a multiplicação dos produtores de conhecimento na sociedade e nas esferas

governamentais; 4 25,00

Fonte: o autor.

Questão 6 - Em relação à capacitação para implementação da política de GC, assinale abaixo as

afirmativas com as quais você concorda totalmente: Quant. %

(a) A política de GC deve contemplar a capacitação dos servidores federais em conceitos e ferramentas de GC; 13 81,00 (b) A política de GC deve contemplar a capacitação da gerência média do governo federal, em conceitos e

ferramentas de GC; 10 62,00

(c) A política de GC deve contemplar a capacitação da alta liderança do governo federal, em conceitos e

ferramentas de GC; 10 62,00

(d) A capacitação deve ter foco na atuação dos servidores/gerentes em redes presenciais colaborativas; 2 12,50 (e) A capacitação deve ter foco na atuação dos servidores/gerentes em redes virtuais colaborativas 3 18,75 (f) A capacitação deve ter foco na atuação do servidores/gerentes em redes mistas colaborativas (virtuais e

presenciais) 15 93,75

Questão 8 - Quanto à implementação da política pública de GC para a APF você acredita que: Quant. %

(a) depende fortemente de uma mudança de atitudes e cultura por parte da alta liderança do governo federal; 13 81,00

(c) depende fortemente de uma mudança de atitudes e cultura por parte dos servidores do governo federal; 11 68,00

(b) depende fortemente de uma mudança de atitudes e cultura por parte da gerência média do governo federal; 9 56,00

Questão 10 - Segundo pesquisa preliminar, a política de GC para a APF deve contemplar alguns elementos, indicados abaixo. Assinale aqueles com os quais você concorda totalmente que devam estar contemplados na formulação da política:

Quant. %

(c) Construção de Banco de Especialistas, formado pelos quadros de pessoal do governo, com caráter interministerial; 13 81,00 (e) Metodologias e ferramentas tecnológicas para capturar e distribuir o conhecimento não documentado existente nas áreas

de governo; 13 81,00

(b) Construção de base de dados interministeriais, com conhecimentos relevantes e acesso amplo para pesquisa, a exemplo

de Banco de Projetos; 11 68,00

(g) Investimento em tecnologias voltadas para facilitar o aprendizado colaborativo nas áreas de governo; 11 68,00 (d) Desenvolvimento das competências, individuais e coletivas, dos quadros de pessoal do governo, necessárias à

consecução das práticas de Gestão do Conhecimento; 10 62,00

(i) Indicadores e sistema de avaliação de impacto das práticas de Gestão do Conhecimento nos resultados das ações do

governo; 10 62,00

(j) Criação formal de unidades de coordenação de Gestão do Conhecimento nas áreas de governo. 10 62,00

(a) Aquisição de conhecimentos relevantes para a execução dos planos de governo; 9 56,00

(f) Infra-estrutura computacional necessária ao compartilhamento de conhecimentos; 9 56,00 (h) Identificação e adoção formal de meios de reconhecimento, individual e coletivo, do compartilhamento de

Na pergunta aberta relacionada à identificação dos problemas (questão 2), os participantes expressaram claramente as dificuldades enfrentadas:

“Há um grande desinteresse da maioria dos servidores para a busca e tratamento do conhecimento. Também há muito desconhecimento ainda do uso correto de ferramentas virtuais. Ficam restritos ao correio eletrônico e Intranet para uso pessoal.” (Participante 1).

“O aprendizado é quase totalmente feito de maneira individual e por iniciativa pessoal, parecendo não ser um objetivo da instituição como um todo.” (Participante 5).

“O processo de comunicação deficiente na organização dificulta o esclarecimento dos conceitos e benefícios da GC.” (Participante 6).

“Muito retrabalho. Ausência de memória. Dificuldade de formação de identidade e cultura organizacional. Dificuldade de filtrar informações relevantes à tomada de decisões.” (Participante 7).

“Inexistência de preocupação quanto aos problemas apontados, por parte da administração superior.” (Participante 10).

“Falta de integração da informação e conseqüentemente de visão holística dos problemas.” (Participante 13).

“Perda de informações e conhecimentos essenciais ao negócio devido ao alto grau de terceirização e ainda, ao desligamento de funcionários experientes e com uma bagagem (de conhecimentos) riquíssima.” (Participante 16).

Ao atenderem à solicitação feita na questão 3, para citar exemplos dos problemas identificados nas organizações onde atuam, os participantes apontaram os impactos percebidos pela ausência de Gestão do Conhecimento:

“Vários setores desenvolvem trabalhos semelhantes ou complementares sem troca de informação e sem otimização de recursos.” (Participante 1).

“Na elaboração do Plano Estratégico em curso, não foi feito inventário do que se está fazendo. Alguns tomam a paternidade de iniciativas em curso sem envolver os participantes de atividades análogas, também em curso.” (Participante 7).

“Dificuldade de organizar o conteúdo e sua gestão na Intranet e no portal da organização. A departamentalização dificulta a comunicação entre os servidores, muitos nem mesmo conhecem os colegas que trabalham na mesma unidade organizacional, imagine as competências humanas existentes.” (Participante 8).

“Falta de norma de propriedade intelectual. Pouco uso de comunidades virtuais. Não definição do modelo de gestão por competências. Tecnologias não apropriadas para repositórios de conhecimentos.” (Participante 11).

“Na elaboração de cenários não conseguimos localizar os especialistas em determinados assuntos para reuni-los e discutir os temas.” (Participante 12). “Há muitos funcionários com elevada capacitação profissional, que por questões hierárquicas e da estrutura formal têm a sua atuação limitada, ao invés de expandida.” (Participante 14).

Os exemplos citados confirmam os argumentos teóricos que apontam para a necessidade de mudança cultural profunda nas organizações para a efetividade da institucionalização da Gestão do Conhecimento, que traz para o serviço público uma nova forma de gestão e novas práticas de trabalho.

Wiig (1999, p. 9) afirma que é necessário criar uma visão, que deve ser amplamente disseminada, sobre o que a GC pode fazer em cada unidade da administração pública, com foco especial nos benefícios e impactos que podem ser esperados por essas novas práticas. A mudança de cultura e das práticas de trabalho virá pela criação de um ambiente de cooperação sinérgica, dentro de cada unidade do serviço público.

Certamente a atuação da liderança será essencial para a criação desse ambiente, e a maior parte dos respondentes (81%) acredita que essa mudança de atitudes e cultura depende fortemente da alta liderança do governo (questão 8).

Em relação aos resultados esperados com a formulação e a implementação da PGC/APF (questão 4), os participantes selecionaram os cinco mais relevantes e que devem ser buscados na elaboração da política:

promoção da transparência na gestão pública, pelo fornecimento ao cidadão de acesso às informações governamentais e crescente capacidade para intervir diretamente nas decisões político-administrativas que lhe digam respeito (81% das indicações);

melhoria da gestão e qualidade dos serviços públicos, com redução de custos pela gestão eficaz de processos (81%);

desenvolvimento de uma cultura colaborativa entre áreas governamentais (68%); desenvolvimento de uma cultura de compartilhamento de conhecimentos entre governo e sociedade (68%);

servidores públicos dotados de competências cognitivas para utilizar, individual e coletivamente, redes e equipamentos como meios de produção de conhecimento (62%).

Na resposta aberta à questão sobre que outros resultados devem ser alcançados com a PGC/APF (questão 5), ressalta-se a “produção de inteligência conjunta, ou seja, o governo deve ser capaz de estudar e articular estratégias de forma ampla e coordenada, para que não existam órgãos e comitês com sobreposições de funções e atividades. Tem que agir como um só governo e não como diversas partes desarticuladas.” (Participante 15).

No que se refere à capacitação e desenvolvimento de competências para implementação da política de GC (questão 6), 94% dos participantes concordam totalmente que ela deva ter foco na atuação dos servidores/gerentes em redes mistas colaborativas (presenciais e virtuais) e 81% concordam totalmente que a política deva contemplar a capacitação dos servidores em conceitos e ferramentas de GC.

Ressalte-se que na questão aberta, sobre o mesmo tema, foram levantadas duas situações a serem contempladas nesse aspecto:

“Antes da capacitação o servidor deve ter esclarecimentos claros dos objetivos a serem alcançados e os benefícios que ele terá na participação desse processo.” (Participante 6).

“A simples capacitação é insuficiente para enfrentar o problema. Temos um problema anterior ligado à falta de uma atitude básica de cooperação e compartilhamento de conhecimento.” (Participante 10).

Na questão 10 foram apresentados aos participantes alguns aspectos, identificados em pesquisa preliminar, que deveriam ser contemplados na formulação da política, e foi solicitado que assinalassem aqueles com os quais concordassem totalmente. Todos os aspectos tiveram indicações em total igual ou superior a 50% dos respondentes. (Tabela 8).

Tabela 8 – Aspectos que devem ser contemplados na formulação da política de GC para a Administração Pública Federal.

Fonte: o autor.

Outros aspectos a serem contemplados na formulação da política de GC (questão 11), apontados pelos participantes são:

“Definição de metodologias de apresentação de informações governamentais e disponibilização de serviços via Internet, relacionados a órgãos públicos. padrões de ontologias para sítios ministeriais. Políticas de incentivo à sociedade, para participação em comunidades virtuais de práticas, dos vários órgãos do governo federal. Valorização da sociedade nas tomadas de decisões públicas.” (Participante 6).

“Diretrizes sobre compartilhamento de conhecimentos intra e inter- organizações públicas.” (Participante 8).

“Adoção de mecanismos pertinentes à propriedade intelectual e classificação de informação, com vistas a promover o compartilhamento de conhecimento considerando estes elementos.” (Participante 11).

“Desenvolvimento de metodologias de trabalho matricial e por projetos entre os órgãos da APF.” (Participante 15).

Aspectos a serem contemplados na política

Percentual de concordância

total

Construção de Banco de Especialistas, formado pelos quadros de pessoal do governo, com caráter

interministerial 81%

Utilização de metodologias e ferramentas tecnológicas para capturar e distribuir o conhecimento não

documentado existente nas áreas de governo 81%

Construção de base de dados interministeriais, com conhecimentos relevantes e acesso amplo para pesquisa, a

exemplo de Banco de Projetos 68%

Investimento em tecnologias voltadas para facilitar o aprendizado colaborativo nas áreas de governo 68% Desenvolvimento das competências individuais e coletivas, dos quadros de pessoal do governo, necessárias à

consecução das práticas de GC 62%

Definição de indicadores e sistema de avaliação de impacto das práticas de Gestão do Conhecimento nos

resultados das ações do governo 62%

Criação formal de unidades de coordenação de Gestão do Conhecimento nas áreas de governo 62% Implantação de infra-estrutura computacional necessária ao compartilhamento de conhecimentos 56% Aquisição de conhecimentos relevantes para a execução dos planos de governo 56% Identificação e adoção formal de meios de reconhecimento, individual e coletivo, do compartilhamento de