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Os relatos apresentados nesse estudo abordaram os mais amplos aspectos da sexualidade da vida das pessoas com deficiência visual, como: suas relações com a família, educação sexual omissa ou superficial, dificuldades psicossociais e não orgânicas em relação às questões da sexualidade, mitos sexuais, percepção de preconceito social, curiosidade, indiferença e questões de gênero.

Evidenciou-se nesses relatos que as pessoas com deficiência visual entendem a sexualidade como qualquer outra pessoa, pois apresentam impedimentos apenas visuais que não restringem o exercício pleno da sua sexualidade. Os relacionamentos afetivos fazem parte de suas vidas com as mesmas expectativas que uma pessoa sem deficiência visual de viver uma vida sexual e amorosa. Este estudo ressalta a forma como os participantes se reconhecem: dotados de sexualidade, percebida de forma ampla, evidenciando sua dimensão como um fenômeno orgânico, psicológico e social.

O que acontece é que essas pessoas acabam desenvolvendo peculiaridades à expressão de sua sexualidade, por terem a visão prejudicada e a mesma ser tão importante para os videntes na paquera e na aproximação. Dessa forma, por ser a sexualidade também um construto social, evidenciaram-se vários mitos e estigmas como o preconceito, curiosidade, indiferença e falta de conhecimento, que interferem no desenvolvimento de relacionamentos com os videntes e no entendimento e respeito ao desenvolvimento de sua sexualidade.

Outra questão destacada foi a fragilidade dos pais e familiares na orientação sobre o assunto. Os participantes relataram dificuldades de informação e orientação sobre sexualidade na infância e adolescência, visto que os pais não conversam sobre o tema, acabando por privá- los de conhecimento tão importante para o desenvolvimento sadio. Isso evidencia a necessidade de orientação a esses pais e familiares que dê subsídios para compreensão de seus filhos e entendimento para conseguirem intervir nesse assunto.

A mulher com deficiência visual também foi destacada, evidenciando que assim como as demais mulheres, ainda sofrem os estigmas de gênero e acrescidos a isso os estigmas da deficiência. Desse modo, são mulheres que precisam de mais destaque quanto a sua condição de vulnerabilidade que ainda é pouco destacada na literatura e pouco priorizada nos serviços de saúde, principalmente nos programas de saúde sexual e reprodutiva.

Foi bastante importante ouvir as pessoas que vivem a deficiência visual em seu cotidiano, pois com base na experiência do sujeito sobre o tema, partilhando sua subjetividade, sua intimidade, suas percepções e concepções de mundo, pôde-se visibilizar as

mudanças e adaptações que ocorrem nas relações sociais e sexuais daquele que é estigmatizado pela deficiência visual e, dessa forma, buscar divulgar e desconstruir entendimentos errôneos sobre o assunto.

A sociedade ainda possui pouco entendimento sobre a sexualidade dessas pessoas, o que interfere no acesso a informações sexuais específicas e adaptadas, conforme os relatos evidenciaram. Os materiais educativos em sua quase totalidade estão impressos em tinta e os existentes não chegam a esse público, além de falta de acesso aos profissionais da saúde para receber orientações sobre o tema. Desse modo, destaca-se a importância desses profissionais de saúde, principalmente o enfermeiro, que está em contato diário com pessoas com deficiência visual em todos os níveis de atenção à saúde, na intervenção em educação sexual junto a essas pessoas e família.

No âmbito da pesquisa, destaca-se a importância do desenvolvimento de mais materiais educativos específicos na área, com o compromisso de que os existentes não fiquem apenas no papel e consigam chegar ao público de interesse, e o incentivo para desenvolvimento, pelos enfermeiros, de mais pesquisas na área da sexualidade e saúde sexual das pessoas com deficiência visual, pois a literatura ainda encontra-se escassa sobre o assunto, principalmente de estudos de intervenção, e as pesquisas em sua maioria são de domínio de outras áreas da saúde.

Pode-se citar como limitação na elaboração deste estudo a quantidade reduzida de literatura disponível sobre a sexualidade da pessoa com deficiência visual, sendo, dessa forma, alguns resultados discutidos com base em estudos próximos ao tema.

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APÊNDICES

APÊNDICE A – INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS PESSOAIS E