A temática da promoção da leitura assume nos países da União Europeia uma abordagem significativa, não só pelas políticas promovidas, mas também pela quantidade de projectos elaborados para a melhoria das competências no domínio da leitura.
Muitas políticas têm vindo a generalizar-se em diversos países, reconhecendo a importância das competências da leitura para o desenvolvimento de cidadãos de pleno direito em sociedades democráticas.
Estes estudos evidenciam as desigualdades existentes entre os diversos países, mostrando que o desenvolvimento desta área em Portugal regista os valores mais baixos nos diversos indicadores que são avaliados.
Resultados de estudos sobre literacia: a situação de Portugal relativamente a outros países Europeus:
Retirado de A Literacia em Portugal, Fundação Calouste Gulbenkian
Como existem realidades muito distintas a vários níveis dentro dos países da União Europeia, cada país apresenta os seus próprios projectos, planos, programas, acções e eventos, com objectivos distintos. Desta forma, cada país actua de acordo com as necessidades da sua população.
De acordo com um estudo feito por Neves, Lima e Borges (2007), tendo em conta os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), a promoção da leitura prende-se essencialmente com o trabalho desenvolvido na sala de aula, assim como nas bibliotecas escolares.
Para além disto, as bibliotecas públicas, as acções de animação de leitura (em hospitais, por exemplo), as acções de sensibilização dirigidas aos pais, são também actividades importantes na promoção da leitura. Nestes países, a promoção da leitura também pode abranger a reinserção de reclusos, a integração de imigrantes e o apoio à terceira idade.
Para a promoção da leitura é necessário realizar várias actividades com o intuito de aproximar o público-alvo dos diversos suportes de leitura, criando o gosto de ler, de modo a formar leitores efectivos, melhorando assim os níveis de literacia a médio ou a longo prazo.
Tendo em consideração o estudo realizado pelos autores acima mencionados podemos referir que a maior parte dos países da União Europeia:
• apoiam projectos que se identificam com a leitura de livros; • desenvolvem projectos para a leitura de imprensa;
• visam a socialização precoce da leitura, com o intuito de incentivar os pais e familiares a partilhar livros com as suas crianças desde muito cedo;
• proporcionam a formação de mediadores ou de outros intervenientes na promoção da leitura, tais como formação para bibliotecários, professores, e até mesmo o aconselhamento aos pais e familiares sobre a leitura;
• promovem a articulação entre as bibliotecas públicas e o sistema de ensino; • fomentam o combate ao analfabetismo e à iliteracia de adultos;
• divulgam junto dos pais e professores novas práticas pedagógicas, que desenvolvam nas crianças competências para a leitura, incentivando-as em simultâneo para o gosto de ler;
• contribuem para uma cidadania informada e activa, na medida em que enfatizam a importância da leitura na população adulta, valorizando a sua aprendizagem ao longo da vida;
• facilitam o acesso a livros, proporcionando uma criação de redes entre instituições e entre participantes nos projectos.
A leitura é vista como algo mais funcional e mais prático, sendo seu objectivo que o público-alvo adquira uma competência, mais do que uma prática cultural ligada ao lazer.
Tendo em consideração o breve levantamento de informação retirado do estudo realizado em 2007, convém referir que apesar de tudo o que é feito para a promoção da leitura, Portugal, em comparação com os países da União Europeia mostra uma elevada taxa de analfabetismo, posicionando-se ao lado dos países com níveis de escolaridade mais baixos.
De acordo com os Censos de 2001, e no que diz respeito à educação, nota-se que, na maior parte das famílias, os filhos apresentam um nível de escolarização superior à dos seus pais, devido ao aumento global dos níveis de escolaridade, diminuindo, assim, a possibilidade de acompanhamento familiar na escolaridade obrigatória dos seus filhos.
Desta forma, em Portugal, o papel do sistema educativo na promoção de hábitos de leitura é decisivo, mas também é reconhecida a importância da intervenção de outros sectores que não o educativo.
No que toca à promoção da leitura, fomenta-se o desenvolvimento de competências nos domínios da leitura e da escrita, bem como o alargamento e aprofundamento dos hábitos de leitura, através de dois projectos: o Plano Nacional de Promoção da Leitura da responsabilidade do Ministério da Cultura e o Plano Nacional de Leitura coordenado pelo Ministério da Educação, em articulação com o Ministério da Cultura e o Gabinete do Ministro dos Assuntos Parlamentares.
Em 1997 procedeu-se ao lançamento do Programa Nacional de Promoção da Leitura, sendo o seu responsável, o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas do Ministério da Cultura. Este programa ganhou uma maior extensão com o lançamento do Plano Nacional de Leitura que se concretizou em Setembro de 2006.
Portugal, apesar dos baixos níveis de literacia que apresenta, não é o único a preocupar-se com a promoção de hábitos de leitura na população. Também a Espanha projectou o Plan de Fomento de la Lectura, com o objectivo de trabalhar “la promoción de la lectura como una area común de toda la sociedad, fruto de la colaboración entre los responsables de políticas culturales, sociales, educativas y de comunicación.”
Este plano pretende reflectir e planificar acções que visem contribuir para a melhoria, no dos hábitos de leitura em Espanha, assim como conhecer a situação, os recursos humanos e materiais que existem nas bibliotecas, de forma a melhorá-los.
É objectivo deste plano fazer com que a população espanhola adquira uma consciência social sobre a importância da leitura. Assim, pretende impulsionar a acessibilidade adequada às bibliotecas públicas e escolares, em colaboração com entidades competentes.
Este plano também procura realizar actividades de promoção de leitura em diferentes âmbitos, atendendo à população com mais dificuldades, como os imigrantes, terceira idade, deficientes e reclusos.
É de salientar que os dois planos (O Plano Nacional de Leitura e o Plan de Fomento de la Lectura) são semelhantes em vários objectivos e actividades. Ambos se centram na promoção de hábitos de leitura na população em que estão inseridos, realizando devidas adequações, face às necessidades da sua população.