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Representa uma grande evolução na concepção do talento a contribuição a Teoria das IM de Gardner (1995) e outras que consideram a inteligência multidimensional e passível de desenvolvimento.

17 O coach media um processo, através de feedbacks frequentes, perguntas face a face e acompanhamento, com o

objetivo de elevar a performance de grupos ou indivíduos em diferentes áreas. Para tanto, utiliza de assessments (avaliações) e técnicas comprovadas (GOLEMAN, 2015).

18 Os Neurônios-espelho disparam tanto quando uma pessoa realiza um determinado ato, como quando observa

outro pessoa realizar uma atividade. Dessa forma, o neurônio imita o comportamento de outro, como se estivesse ele próprio a realizar essa ação (GOLEMAN, 2015).

Apesar da importância dessas classificações e da listagem dos diversos tipos de inteligências, igualmente aplicável para os talentos, para efeito da avaliação educacional diagnóstica, o objetivo dessa identificação não deverá ser classificar e rotular os alunos talentosos em uma respectiva área. Deve-se considerar que o talento é dinâmico e acontece como um processo contínuo em espiral. Assim, poderá haver diversas combinações entre esses tipos supracitados e, inclusive, o aparecimento de outros tipos, relacionados a outros talentos e habilidades, dependendo do contexto social, histórico e cultural. Nos moldes dessa abordagem, em sala de aula, portanto, os estudantes podem evidenciar maior facilidade para linguagem, socialização, liderança, capacidade de conceituação expressiva ou desempenho acadêmico (SEESP/MEC, 2006).

A despeito das vantagens para a listagem de traços, características e a identificação de determinado tipo de talento em blocos estanques, alguns problemas, no entanto, têm sido levantados por determinados autores no que diz respeito a essa classificação (RENZULLI, 1984; ALENCAR, 1986, 2001; ALENCAR, FHEITH, 2001).

Um desses problemas é o fato de não se incluir, junto aos fatores para identificação do talento intelectual, outros fatores como a motivação intrínseca e extrínseca para manifestação do talento, com exceção do Modelo dos Três Anéis de Renzulli (1984), que tem sinalizado essa dimensão como importante em todos os estudos com amostras de pessoas proeminentes. Mesmo assim, a maioria das pesquisas valorizam, sobretudo, o uso de testes psicométricos, principalmente para medir a inteligência e identificar altas habilidades/superdotação. Como a testagem não mede a inteligência como um todo, necessita que seus resultados sejam correlacionados com outros testes sociométricos.

Um segundo problema apresentado concerne à natureza não interativa e relacional dos diversos tipos de talentos, classificados de forma separada um dos outros na definição e identificação das suas respectivas características. Convém assinalar que pode vir a existir uma correlação e até mesmo uma interação entre alguns tipos na prática.

Por exemplo:

[...] uma pessoa pode utilizar o processo de criatividade com relação a uma aptidão específica (como química) ou arte visual (como fotografia). De forma similar, os processos de liderança e inteligência intelectual geral podem ser aplicados em uma área de desempenho como coreografia, que envolve talento artístico (RENZULLI, 1984, p. 22).

Ou seja, um coreógrafo, classificado na área de talento artístico (teatro, dança, música), conforme Renzulli (1984), poderá apresentar também talento de liderança e talento criativo-produtivo, que só acontecem de forma aplicada. Conforme figura:

Figura 4 – Talento de liderança aplicado em várias áreas

Fonte: Adaptado da Secretaria de Educação Especial – SEESP/MEC (2006)

Esse exemplo do talento coreográfico mostra que o talento de liderança e a criatividade só existem quando aplicados em um espaço de atuação específico, nesse caso, no artístico. Esse debate nos leva a refletir que, apesar da importância das classificações dos tipos de talento (GARDNER, 1995; GUENTHER, 2006; SEESP/MEC, 2006), não devemos nos prender as essas categorias como delimitações estanques, se considerarmos que os tipos de talentos classificados como acadêmico e artístico, poderão ser considerados atividades humana nas quais esses indivíduos manifestariam elevado desempenho também em outros aspectos, como processos criativos, produtivos, de liderança, psicomotor, dentre outros. Por outro lado, a criatividade e a liderança, necessitam de uma área de desempenho para serem aplicadas (ALENCAR, 1986, 2001, 2007).

Um jovem com talento de liderança para representar a sua sala de aula, poderá manifestar alto desempenho para liderar em várias áreas. Concordamos, portanto, que é muito importante, quando no processo de identificação de alunos talentosos na área de liderança, por exemplo, não perdermos de vista a perspectiva interativa, dinâmica e relacional de alguns tipos de talentos. O desempenho de um jovem em liderar sua turma na escola acontece aplicado a uma ou a várias áreas da atividade humana, nas quais ele poderá apresentar talentos ou afinidades, contribuindo para seu engajamento e performance elevada em grupos acadêmicos ou artísticos, como na montagem de um espetáculo teatral, na música, dentre outras áreas.

Após essa descrição sobre o talento, suas características e tipos, pode-se inferir que existem diversas manifestações dos talentos humanos, nas mais variadas áreas, como processos que surgem na interação do indivíduo com o meio que o cerca. Contudo, apesar dessa categorização, a mesma não deve ser vista de forma estanque, como uma lista de

definição dos diferentes tipos de talentos para um programa particular. Não se pode perder de vista que um talento pode interagir com outros, sendo indispensável ambientes educacionais favoráveis, diversos e inclusivos em prol da manifestação das múltiplas dimensões do ser humano (ALENCAR; FLEITH, 2001; GUENTHER, 2000, 2009).

Dentre os diversos tipos de talentos, destacamos o talento de liderança, como uma habilidade que se constrói a partir da interação com os outros indivíduos. Nessa perspectiva, a liderança não é um talento que surge de forma solitária, mas na dinâmica e interação contínua ao longo da vida - consigo mesmo, com os ambientes e principalmente com os outros. Requer desenvolver emoções positivas naqueles que você necessita que te apoiem. Talentosos genuínos surgem diante do engajamento na tarefa. Quando a liderança é voltada para a cidadania e o bem-estar social, observamos a vontade consciente de querer ajudar as pessoas, cooperar com o coletivo e oferecer apoio quando o outro necessita (GOLEMAN, 2015). Quando se trata de identificar líderes emergentes, ainda no Ensino Médio ou no Ensino Superior, essas três variedades de foco são importantes: interno, no outro e no ambiente externo.

A identificação dos jovens que apresentam talento de liderança no contexto globalizado se torna relevante, considerando-se que as organizações têm modificado suas estratégias de avaliação do perfil do candidato. Nesse sentido, não basta olhar o histórico, a experiência, a inteligência, as graduações e a capacidade estratégica. As contratações para o trabalho, na atualidade, consideram habilidades pessoais, como: autoconhecimento das próprias emoções, forças e fraquezas; adaptabilidade e otimismo; conhecimento técnico da sua função e de relacionamentos, como capacidade de solucionar problemas e negociação, empatia, resiliência e trabalho em equipe (ARÁOZ, 2010).

Ao término desse tópico, conclui-se que alunos identificados com talento de liderança apresentam habilidade social, convivem bem com variados tipos de pessoas, segundo o pressuposto de que sozinho não se realiza nada de importante. Demonstram sensibilidade e habilidade nas relações humanas com os colegas. Assumem, ainda, posição de líder diante do grupo, resolvendo problemas e mediando conflitos; têm um alto poder de persuasão e de influência no grupo (ARAOZ, 2010; GOLEMAN, 2015; SEESP/MEC, 2006).

Para tanto, o ambiente escolar e todos que nele prestam o serviço educacional, como importante motivador extrínseco, necessitam estar abertos às necessidades pedagógicas dos seus alunos, incentivar a originalidade e a capacidade criativa. Talento reprimido e não incentivado gera bloqueios, agressividade, impetuosidade e passividade. Logo, quando se busca um atendimento multidimensional para esse grupo, devem-se considerar os objetivos de

um programa educacional e a população a que ele deverá atender para depois especificar as características a serem ponderadas no processo de avaliação diagnóstica do talento, assunto do próximo tópico.