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53 Tendo como objetivo levantar à história de vida de Susumo Itimura, a abordagem que atende ao mesmo é a qualitativa; ela possibilita, ao pesquisador, uma conduta participante com relação ao pesquisado, compartilhando tempo e espaço.

A pesquisa qualitativa trabalha com o universo dos significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MYNAYO, 1994, p.22).

Para a coleta de dados o procedimento escolhido foi a “história de vida”; ela foi coletada através da técnica da “entrevista reflexiva”, discutida à frente.

A “história de vida” possibilita a narrativa não só da história pessoal e das interações do sujeito, como de seu projeto de vida. Cumpre salientar esse é um processo de constantes mudanças ou metamorfoses. A coleta da história de vida do sujeito selecionado teve início com uma questão desencadeadora: “Fale-me um pouco de você, de sua vida”.

Segundo Bosi (2009: p 22.), “uma lembrança é um diamante bruto que precisa ser lapidado pelo espírito”. Foi este “diamante” que procurei “garimpar”, trazendo à tona os pensamentos de um idoso que ao mesmo tempo em que é nostálgico, consegue fazer projetos para o futuro.

Além disso, a história de vida encerra um conjunto de depoimentos e, embora tenha sido o pesquisador a escolher o tema, a formular as questões ou esboçar um roteiro temático, é o sujeito que decide o que vai narrar e como narrar. Queiroz (1988) vê na história de vida uma ferramenta muito valiosa por se situar no ponto em que se entrelaçam a vida individual e o contexto social, em outros temos, a biografia e a História.

54 Para Goldfarb (2005, p.125), “Pensar em história de vida significa fazer diferentes leituras do mesmo texto, em épocas diferentes. Sempre acharemos coisas novas e as entenderemos de diferentes maneiras”.

Nessa abordagem metodológica o sujeito pode recontar a sua história quantas vezes achar necessário; pode relatar determinada passagem de sua vida cabendo, ao pesquisador, realizar várias releituras de um “mesmo texto” apresentado pelo sujeito da pesquisa de diferentes maneiras e com novos olhares.

Em Memória Coletiva (2004), Halbwachs lembra que a memória individual caminha sempre ao lado da memória coletiva. Para este autor, “olhar este, que deve sempre ser analisado considerando-se o lugar ocupado pelo sujeito no interior do grupo e das relações mantidas com o meio” (p.14). No caso da presente pesquisa apresento a história de vida do ex-prefeito mais velho do Brasil, uma história permeada por relações familiares e políticas; por meio dessa história pude perceber como a vida é surpreendente e, às vezes, por algum deslize que cometemos, podemos “manchar” uma história que demorou muito para ser construída, como é o caso de nosso sujeito.

Para Trindade,

A entrevista é um processo de profunda interação entre pesquisado e pesquisador, já que o primeiro por meio de relatos, estará organizando sua visão de si e do mundo, revelando percepções, sentimentos e significados. Já o pesquisador traz consigo uma intencionalidade, seu objetivo de pesquisa, suas ansiedades sobre o que o entrevistador irá lhe contar [...] (TRINDADE; 2003; p.39).

A entrevista é, portanto, um momento de vínculo e confiança que o sujeito deposita no entrevistador, revelando situações e memórias muitas vezes desconhecidas pela própria família. O entrevistador deve, por sua vez, ter a sensibilidade para ouvir atentamente os dizeres do entrevistado, tentar

55 reproduzir significados e organizar as reflexões, memórias e sentimentos entrelaçados na entrevista. Outro procedimento metodológico é a entrevista reflexiva que, segundo Szymanski (2000), procura intervir, sintetizar e aprofundar alguns conhecimentos para que ocorra uma conversão dos relatos do sujeito e não se perca ou se afaste o foco do interesse do presente estudo.

De acordo com Szymanski,

A entrevista reflexiva conduz o assunto através de intervenções, efetuando sínteses e introduzindo questões de esclarecimentos, focalizadas e de aprofundamento, de modo a fazer convergir os relatos do sujeito, a fim de que não se afastem do foco do nosso estudo (SZYMANSKI, 2000; p.07).

A história de vida e a entrevista reflexiva surgiram, portanto, como possibilidades metodológicas de reconstrução da existência de um indivíduo. Apesar de diferentes, acreditamos que os dois procedimentos se complementam. A entrevista reflexiva serve mais para focar no problema da pesquisa, tornando mais objetiva, complementando a história de vida do sujeito da pesquisa, permitindo um relato das lembranças e pensamentos do velho e, ao mesmo tempo, refletindo e aprofundando os conteúdos pretendidos pela pesquisadora.

A entrevista reflexiva tem como característica central a transcrição do registro do primeiro encontro e a devolutiva ao sujeito para que este faça correções, alterações e/ou complementos. Após receber a devolutiva, o pesquisador volta para outro encontro (por vezes mais do que um) para aprofundar pontos pertinentes à investigação. Daí seu caráter “reflexivo”, ou seja, propicia ao sujeito a reflexãosobre sua “fala”. Com isto, pesquisador e pesquisado procuraram compreender e construir juntos os relatos obtidos com o objetivo de compreender a história de vida do entrevistado.

56 PROCEDIMENTOS:

A escolha do entrevistado decorreu de um contato pessoal. Seu nome é Susumo Itimura, 93 anos, empresário e cinco vezes prefeito da cidade de Uraí – PR.

Pela idade avançada do mesmo, o contato inicial foi feito por meio de sua filha Denise. As entrevistas foram realizadas na casa do sujeito, em Uraí. Descrevo - as abaixo os momentos que antecederam as entrevistas e a devolutiva foi realizada uma semana após a última entrevista.

Primeira entrevista (realizada em agosto de 2010)

A entrevista foi realizada em sua casa, na sala de jogos. O Sr. Susumo estava sentado, vestindo camisa, calça social e um chinelo; no começo da entrevista parecia meio “frio”, pois ainda não nos conhecíamos; mas no final da entrevista ele já estava todo sorridente e disse “quero que escrevam um livro sobre minha história, que vai virar um Best-seller, pois eu sou um exemplo e todos deveriam ler [...].”

Isto posto comecei a entrevista dizendo “Fale-me um pouco de você, de sua vida”. Tentei não interceder muito na primeira entrevista, para que ele pudesse falar o que lhe vinha à mente.

Ao final, perguntei se poderia usar seu nome na dissertação e ele concordou; depois desta entrevista, perguntou-me se eu não queria um café; mostrou-me um retrato dele com o ex-presidente “Lula” e relatou que o ex- presidente pediu para tirar uma foto com ele, depois de saber que ele era o prefeito mais velho do Brasil.

A transcrição foi feita de forma literal; tive um pouco de dificuldade para entender sua fala; da transcrição foram retiradas apenas as repetições

57 e expressões irrelevantes que poderiam comprometer a leitura e compreensão da narrativa. Como não teve oportunidade de estudar, decidi manter alguns erros de português. Enviei uma cópia por e-mail a ele e aos familiares e, após contatos telefônicos, marcamos a segunda entrevista. A primeira entrevista teve duração de uma hora e dez minutos.

Segunda entrevista (realizada em novembro de 2010)

O encontro aconteceu no mesmo local (na sala), porém desta vez conheci sua esposa, Dona Mariana que me serviu um café. Após uma conversa informal, o Sr. Susumo fez algumas perguntas sobre a minha pesquisa, dizendo que eu “deveria escrever tudo direito” sobre sua vida.

Expliquei que a partir daquele momento procuraria aprofundar temas que não foram abordados na primeira entrevista. Logo em seguida teve início a entrevista que foi gravada e teve 55 minutos de duração.

Entrevista Devolutiva

A entrevista devolutiva aconteceu no mesmo local. Após uma conversa informal expliquei que seria o nosso último encontro. Juntei os dois textos e pedi para que acompanhasse o texto, lembrando que ele poderia discordar, retirar e discutir o que achava importante. Sugeri de antemão retirar algumas passagens repetidas em que ele fala da família dos seus irmãos. A sugestão logo foi aceita. Esboçando alguns sorrisos sobre as suas conquistas, quase não me interrompeu; tentei ler o mais devagar possível, para que o mesmo acompanhasse.

Ao final das entrevistas enviei por e-mail uma cópia para sua filha Denise, para a aprovação do pai, sujeito da investigação.

58 1. Do Sujeito: Susumo Itimura.

Apresento o sujeito da pesquisa Susumo, empresário, amante da pesca e, aos 91 anos foi prefeito pela quinta vez da cidade de Uraí, cidade com cerca de 11490 habitantes (CENSO/2010), localizada no norte do Estado do Paraná.

Boa parte da sua história se entrelaça com a da cidade, como poderá ser visto posteriormente. Quando iniciei minhas pesquisas sobre este idoso, achei interessante o fato de o mesmo ser considerado, em 2008, o prefeito mais velho do Brasil (eleito aos 91 anos); entretanto, segundo o site Uol Notícias de 23/01/2012, tomou posse na cidade de Dom Macedo da Costa na Bahia Edvaldo Oliveira Souza (PSD), aos 94 anos desbancando, portanto, o “título” que tanto orgulhava o sujeito da pesquisa. Como estamos tratando de história de vida, esses fatos demonstram como a vida desse idoso foi dinâmica e surpreendente até os seus últimos momentos de vida (faleceu dia 15/09/2011). Portanto, este é um relato de memórias pós mortem, o que me deixa honrada por contar uma história cheia de conquistas, mas também de situações difíceis vivenciadas pelo idoso. Isso nos mostra como é importante, na história de vida, rememorar, reescrever e repensar a nossa própria história, pois todos nós escrevemos uma história, com múltiplas versões e com finais incertos como a do sujeito da pesquisa.

Infância e Família

Nascido na província de Nigata – Japão, em 1918, seus pais Kotaro Itimura e Massu Itimura e Susumo, com apenas dois anos de idade, vieram para o Brasil em 1920, instalando-se na região Mogiana, no município de Brodóski, trabalhando como colonos de café. Como a maioria dos imigrantes japoneses que chegaram em busca de trabalho em uma terra com costumes e cultura diferentes, seus pais trabalharam duro nas lavouras de café;

59 passaram por Araraquara instalando-se, na década de 30, na cidade de Uraí. Como podemos observar nos seus relatos:

Eu tive muita sorte do meu pai ser pau- d´água, então eu vim pro Brasil, papai veio tão tarde do Japão, ele era filho de família rica, mas pobre porque o pai bebia bastante, se descontrolou e veio para o Brasil , vim com um ano e nove meses para o Brasil, então quando era pequeno tive que trabalhar bastante para sustentar os irmãos, é duro, é duro, tive que trabalhar porque meu pai ficou doente, pois bebia bastante, e fomo chegando e o pessoal da mogiana, fomos para

Araraquara para trabalhar e depois fomos para o

Paraná, sempre tinha vontade de trabalhar, porque para estudar já não dava mais tempo né, eu queria ser

fazendeiro né, então você conversava com o pessoal

assim... (sic)

Como os de tantos outros imigrantes, foram anos duros. Pelo seu relato podemos perceber o sofrimento de uma família desestruturada, com um pai doente e o primogênito da família (no caso Susumo), ter que amadurecer cedo para cuidar da família.

Quando eu era criança foi duro eu ir trabalhar com a minha mãe, mas não tinha nem roupa pra vestir, tudo emendado, pra poder fazer os outros irmãos comer, papai tava doente, eu com uma irmã de nove e dez anos cuidando do pai doente, eu com a mãe ia na porteira assim tinha uma casa de sapé, vai lá ver como ta o pai lá doente, era duro, 10 ou 11 anos ia buscar remédio até Brodóski, ia de cavalo ia com o carro junto com o médico e dela pra cá ia de a pé uns 16 km, aqueles tempo era duro, depois a casa de sapé pegou fogo lá, nois ficamo morando dentro do barraco. Então de vida eu acho que eu cheguei num ponto, hoje assim, vida mais sacrificada que a minha ninguém tem. De não ter o que comer, comer pamonha só (risadas).

60 Nos seus relatos de infância e adolescência, deixa claro que começou a trabalhar cedo, já que era o primogênito da família, não tendo tempo para estudar. Para ele, teve a escola da vida, uma escola que não é ensinada em nenhuma faculdade. Quando criança tinha o sonho de ser fazendeiro. Conseguiu concretizá-lo após um trabalho árduo, desbravando a cidade de Uraí. Comprou 60 alqueires de mata virgem, desbravou e formou um cafezal. Teve várias barreiras no seu caminho - como a malária e a Segunda Guerra Mundial – porém, como era um indivíduo obstinado e com grande capacidade administrativa, conseguiu ser proprietário de 25 fazendas.

Aos 29 anos seu pai faleceu. O Sr. Susumo deixa claro que, apesar do problema com o álcool de seu pai, ele deixou muitos “ensinamentos” que o ajudaram a se tornar um empresário de sucesso. Ao falar do pai, se emociona:

Papai sempre falava precisa ser raçudo, risadas, precisa ter qualidade, nós somos todos japoneses ,mas você é diferente dos outros você vai chegar longe, porque tudo é pedra, você é pedra mas não é pedra é diamante, agora tem que ir rolando e lapidando sozinha, quando me vem a palavra assim começa a sair água dos zóio, porque ele era um homem que enxergava o futuro assim o que ele falava, é e a ajuda dele, por exemplo, com o espírito dele tudo (sic).

Quando indagado sobre a influência na sua vida da cultura japonesa, disse que japonês tem pensamento muito limitado e que para ser empresário e vencer na vida precisa ver lá na frente, ver o que ninguém viu. Porém, nos seus relatos de ter raça, qualidade e perseverar são a marca do povo japonês. Para Benedict (2009; p.48), “a hierarquia baseada no sexo, geração e primogenitura, constitui parte da vida familiar”. O respeito era ensinado na família; desde pequenos, os japoneses aprendiam respeitar o pai e o irmão mais velho. Apesar de não se considerar japonês, considerando-se brasileiro de coração, o Sr. Susumo nutria fortes sentimentos da cultura japonesa, como o sentimento da vergonha.

61 Uraí e a Entrada de Susumo na Política

No ano de 1938, após um golpe da sorte em que a família trabalhava na colheita de feijão em Matão (São Paulo), esperando pelo pagamento, ocorreu uma situação inusitada: seu patrão não tinha dinheiro, pagando seu pai Kotaro com um bilhete de loteria. Esse bilhete mudou a vida da família, já que foi premiado, na época, com 200 contos de réis.

Por esse motivo, a família resolveu comprar 60 alqueires de mata virgem, na cidade de Uraí, criada em 193623, tornando-se um dos pioneiros da cidade. Portanto, a história do sujeito da pesquisa está ligada à desta cidade, o que pode explicar seus cinco mandatos como prefeito.

No começo, o desbravamento da fazenda foi difícil; a malária, a falta de estradas, tudo foi muito complicado, mas sua família venceu, trabalhou duro e plantaram um cafezal. Com a capacidade administrativa de seu pai e dele, conseguiram comprar mais fazendas e máquinas de café.

Uraí tornou-se uma cidade apenas em 1947, adquirindo autonomia política e social. Neste mesmo ano seu pai faleceu e, como ele era o primogênito, assumiu o controle das fazendas, trabalhando junto com seus quatro irmãos.

Foi duro, sorte que a mulher ajudou tudo, ajudou barbaridade, não tinha domingo não tinha nada era só trabaia, ela ajuda vixi cuidava e vencemo. Quando o pai faleceu tinha só 60 alqueires antes de dividi eu tinha fazenda em 16 municípios e tinha 4000 alqueires, era grande né, 40 e pouca fazendas, hoje meus irmãos

deu de graçahoje vale muito mais (sic).

23

62 Na década de 60 o Sr. Susumo decidiu entrar na política; foi quando, segundo o jornal Paraná Japonês, concorreu à prefeitura pela primeira vez. Venceu as eleições, exercendo o cargo de 1963 a 1968.

Em 1973, em sessão solene na Câmara Municipal, obteve o título honroso de cidadão honorário de Uraí pelas edificações e benefícios realizados na cidade. Vale ressaltar que nesta época ocupava seu segundo mandato de prefeito, em eleição de candidato único (1973/1976).

Relatos presentes em um livro que conta a história de Uraí 24 revelam que Susumo não via na política um meio de ganhar fortuna, como tantos outros políticos que, infelizmente, usam o poder político, os altos salários e os benefícios dos cargos benefícios para enriquecer. Em todos os mandatos exercidos, Susumo abdicava do salário de prefeito e do carro oficial da cidade; orgulhava-se em lembrar que pensou em ser prefeito por tantas vezes na mesma cidade, com o objetivo de melhorá-la e vê-la crescer. Como não teve escola, mas teve a escola da vida, soube muito bem enriquecer e tinha visão empresarial, comprando fazendas e mais fazendas, sendo assim queria o mesmo para a cidade como podemos observar no relato abaixo:

Candidatei a primeira vez não pensava assim, comecei a pensar no pessoal pobre tudo, ajudei bastante, sempre candidatei só pensando em prefeitura só porque eu queria só ajudar Uraí, queria fazer alguma coisa diferente (sic).

Em 1975 ocorreu uma geada muito forte no norte do Paraná, devastando os cafezais e as plantações de rami, planta desconhecida na época, mas muito valorizada pela indústria têxtil. Esta planta tomou conta da cidade, que ficou conhecida como a capital do rami.

24

63 Segundo o jornal Folha de Londrina, edição de 23/06/1996, “Susumo Itimura apesar de recusar o título de rei do rami, que segundo o idoso detinha cerca de mil alqueires com a planta”. O plantio do rami trouxe prosperidade, não só para nosso sujeito, como para toda a população uraiense. No entanto, a Segunda Guerra Mundial atrasou o cultivo da planta na cidade, já que os bens dos imigrantes japoneses foram confiscados pelo governo brasileiro na época da guerra.

O rami, foi duro naquele tempo não tinha dinheiro eu memo ia lá plantar muda, guiava caminhão, plantava, no inicio foi duro, depois começou a ganhar, todo mundo queria plantar, ai acho que tinha rami em mais de 50 municípios da cidade do Paraná e a gente comprava a maioria, então naquele tempo eu dominava a América, ganhava a vontade, aquele tempo ganhava, com rami e com café (sic).

Em 2008 Susumo, na busca pelo quinto mandato, resolveu candidatar-se pela última vez à prefeitura de Uraí. Estava com 90 anos e foi novamente eleito prefeito. À época, era o prefeito mais velho do Brasil em exercício. Perguntava-se se o eleitorado iria votar em um homem de 90 anos; para sua surpresa o fato aconteceu. Quando indagado se a idade avançada interferia no comando da prefeitura foi claro:

Me candidatei para melhorar a cidade de Uraí, queria mostrar que não é só novo que manda, velho também, que velho faz melhor do que novo, tem que mostrar né, só que pra isso tem que fazer (sic).

Quanto à interferência da idade no comando dos seus negócios pessoais o mesmo respondeu:

64 A idade não interfere, o dia que a cabeça falhar eu paro, mas hoje ainda não eu que administro tudo, olha pra cá, olha pro lado, conversa com os filhos tudo né, vou pro Paraguai, tenho uma fazenda muito boa no Paraguai, tava vendo a turma toda querendo ir para o Japão, ai eu pensei eu acho que vou para o Paraguai, naquele tempo eu comprei 4000 alqueires, 10000 hectares, hoje deve ter 3500 alqueires lá né, tem 2500 alqueires de soja (sic).

A idade avançada não era um empecilho para que executasse seu trabalho como administrador agrícola, com um gerenciamento patriarcal, típico da cultura japonesa; seus filhos cuidavam de determinados setores e recebiam salário o que representava, para ele, uma forma de ensiná-los a sempre trabalharem juntos e em equipe, além de ensinar o verdadeiro valor do dinheiro. Além disso, como relatou, ia todo mês ao Paraguai, fazer o pagamento dos funcionários e ver pessoalmente o andamento das colheitas.

Podemos observar que no momento da última entrevista realizada (novembro de 2010), fazia planos pessoais e para a prefeitura. Tinha alguns problemas de saúde, mas todos estavam controlados.

Com relação a seu último mandato relatou:

Tive cinco mandatos, mas esse mandato é o melhor, quer dizer que todo mandato foi para ajudar, só que toda vez foi errado porque, eu quando fazia uma coisa mais ou menos, saía da prefeitura entrava outro e o outro só gastava, então poxa vida 4 anos que teve, ele não quer saber da cidade ele quer fazer a vida dele passear é assim que pensa. Vou passar quatro anos de

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