Os recursos organizacionais dizem respeito à articulação e estruturação de recursos, de capacidades e de competências internas (BARNEY, 2007).
Schroeder, Bates & Junttila (2002) entendem que a aprendizagem (interna e externa) e os processos próprios de patentes e desenvolvimento de produtos
impulsionam a vantagem competitiva da empresa – os recursos desdobráveis e
específicos deste processo da produção – que atua diretamente em seu
desempenho. A contribuição da VBR se dá pela influência das inovações difíceis de serem imitadas pelos concorrentes.
Neste sentido, Barney (2007) defende que a cultura da organização é a barreira mais eficaz à imitação, porque encoraja a produção de resultados específicos e únicos dificultando a sua reprodução.
John Kay (1996) utiliza a terminologia arquitetura organizacional para identificar uma das quatro competências que define como importantes para a sustentabilidade da vantagem competitiva. A arquitetura comporta o relacionamento entre a empresa e seus diversos parceiros, sejam eles internos ou externos.
Neste contexto, os recursos não podem ser avaliados separadamente (Figura 8), porque o seu valor é definido na interação com as forças do mercado. Um recurso que é valioso em uma determinado segmento ou em um determinado tempo pode não obter os mesmos resultados em outro segmento ou em outro período. Conforme Collis e Montgomery (1995), a maioria das empresas não está posicionada com recursos valiosos de forma competitiva.
Figura 8. Relação entre a heterogeneidade e imobilidade, os recursos e a vantagem competitiva sustentável.
Fonte: Barney (2007), adaptado pelo autor. Heterogeneidade
Imobilidade
Valiosos Raros
Imperfeitamente Imitáveis Condições históricas únicas Ambiguidade causal
Complexidade Social Não Substituíveis
Vantagem Competitiva Sustentável
3 METODOLOGIA
Neste capítulo apresentamos os procedimentos metodológicos para execução e análise da pesquisa de campo. Cooper e Schindler (2004) definem que, para iniciar qualquer plano de pesquisa, é necessário que o pesquisador desenvolva um planejamento específico, que lhe forneça as bases precisas para o trabalho. Neste arcabouço da investigação, o plano inclui um resumo das etapas de pesquisa, identificação dos construtos, levantamento e análise de dados (RICHARDSON et al., 1999).
O planejamento da pesquisa tem como princípio uma estrutura baseada em atividade, tempo e questão de pesquisa. Este plano se orienta para a seleção de fontes e tipos de informação, especificando as relações entre as variáveis do estudo, destacando os procedimentos de cada atividade da pesquisa (COOPER & SCHINDLER, 2004).
3.1 QUESTÕES NORTEADORAS E CONSTRUTOS DA PESQUISA
O problema de pesquisa, apresentado na introdução, gerou as seguintes questões norteadoras:
I - O quanto os princípios da nova Administração Pública favorecem a
implantação e utilização dos conceitos estratégicos de vantagem competitiva?
II - O quanto os usuários (funcionários) percebem a TI (Tecnologia da
Informação) como um importante recurso de valor estratégico na SEFAZ-PE?
III - O quanto a utilização do recurso confirma a sustentabilidade da estratégia através do enquadrando desta VBR (Visão Baseada em Recurso) no modelo VRIO? 3.2. CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA
Os tópicos apresentados no referencial teórico contribuíram com o modelo de entrevista a ser utilizada no processo de coleta de dados, partindo do pressuposto que a abordagem estruturada com perguntas definidas em escala de Likert atende as pretensões estabelecidas na pesquisa.
Conforme Bryman (1989), os métodos mais usados de pesquisa são: estudo de caso (case study), pesquisa experimental (experimental research) e pesquisa de levantamento (survey research).
Segundo Nakano e Fleury (1996), a abordagem quantitativa está presente nos métodos de pesquisa experimental e de levantamento, enquanto que a abordagem qualitativa está presente nos métodos de pesquisa ação (intervenção) e estudo de caso.
Para Yin (2001), o método de pesquisa a ser adotado sofre influência de três condições: tipo de questão apresentada; grau de controle do pesquisador sobre os eventos; foco no contemporâneo em oposição aos eventos históricos. Ele relaciona essas três condições e seus respectivos desdobramentos para alguns métodos de pesquisa.
Com base na explanação de Yin (2001), evidencia-se que o tipo de questão
de pesquisa para este trabalho compõe-se das seguintes perguntas, “quem, o quê,
onde, quantos, quanto”, onde o pesquisador não tem controle sobre os eventos e está focado em fatos contemporâneos. Em decorrência disso, pressupõe-se que a abordagem será a pesquisa de levantamento (Survey).
Gil (2007) advoga que as pesquisas deste tipo têm como característica a interrogação direta dos indivíduos cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente, é solicitado a um grupo significativo de pessoas informações a respeito do problema estudado e, em seguida, mediante análise quantitativa, é possível obter as devidas conclusões dos dados coletados.
Na classificação desta pesquisa, usou-se o critério definido por Vergara (2000 p.92), quanto aos fins e aos meios. Quanto aos fins, a investigação classifica-se como do tipo exploratório descritivo. Exploratório, pela pouca matéria acadêmica sobre o valor da TI e sua utilização estratégica na gestão pública, com base nos recursos de valor e sua sustentabilidade. Descritivo porque visa descrever a percepção deste valor através dos funcionários (clientes internos) de TI da SEFAZ- PE. A metodologia utilizada, portanto, baseia-se em pressupostos da pesquisa exploratória e da pesquisa descritiva.
A finalidade da pesquisa exploratória é fornecer um maior conhecimento a respeito dos temas e problemas da pesquisa analisada, proporcionando maior esclarecimento e aprofundamento sobre o assunto (COOPER & SCHINDLER, 2004).
O desenho da pesquisa nos informa como os dados serão adquiridos, analisados e interpretados, relacionando os dados a serem coletados com as respectivas conclusões às questões preliminares do estudo (Yin, 2001).
3.3. UNIVERSO PESQUISADO E AMOSTRA
O universo ou população é o conjunto completo de elementos que possuem determinadas características a respeito das quais desejamos inferir sobre alguns aspectos (RICHARDSON et al., 1999). A amostragem consiste na seleção de alguns elementos da população dos quais tiramos conclusões sobre toda população (COOPER & SCHINDLER, 2004).
Para uma melhor análise dos dados, pretendia-se uma amostra censitária, com todos os participantes do departamento de TI da SEFAZ-PE. Isto, porém, não foi possível em face de fatores diversos ocorridos durante o processo de pesquisa.
Richardson et al., (1999), descreve a dificuldade em se obter informações da totalidade do universo pesquisado, seja pelo número elevado de elementos, pelos custos altos, ou pelo tempo, que atua como agente de distorção, tornando-se indispensável o desenvolvimento de estudos com apenas parte dos elementos que formam a população.
Neste estudo, a população foi composta de um universo total de 107 indivíduos: 5 gerentes, 90 funcionários da empresa em estudo (departamento de TI da SEFAZ-PE/ ATI-PE), e 12 participantes da empresa prestadora de serviços (terceirizados). A amostra obteve o número de 75 respondentes: 4 gerentes, 63 funcionários da empresa em estudo, e 8 participantes da empresa fornecedora de mão-de-obra.
Cooper & Schindler (2004) concluem que são inúmeras as vantagens da amostragem em relação ao censo, incluindo a redução de custos, maior velocidade na coleta de dados, maior acuidade dos resultados e melhor disponibilidade dos elementos da população.
Na pesquisa social são utilizados vários tipos de amostragens. Os elementos da amostra são selecionados com base em probabilidade ou outras formas. A amostragem probabilística “é baseada no conceito de seleção aleatória - um procedimento controlado que assegura que todos os elementos da população
tenham uma chance de seleção conhecida diferente de zero” (COOPER & SCHINDELER, 2004, p. 153). Já a não-probabilística, os autores prosseguem, “é arbitrada (não aleatória) e subjetiva”, não apresentando fundamentos matemáticos ou estatísticos, dependendo do critério adotado pelo pesquisador (GIL, 2006).
Aqui, a amostra foi definida como não-probabilística por conveniência (acessibilidade), o que, segundo Samara e Barros (1994, p. 40), configura uma boa amostra, haja vista que os elementos “são as pessoas que estão ao alcance do pesquisador e dispostas a responder a um questionário”. Esta amostra foi formada pelos usuários (clientes) da TI implantada na STI da SEFAZ-PE que tinham uma relação superior a três meses com o sistema. A decisão de pesquisar este grupo foi em decorrência dos motivos bases da pergunta da pesquisa.
3.4. LOCUS DE INVESTIGAÇÃO
A escolha da instituição, Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco –
SEFAZ-PE, se deu por conveniência, acessibilidade, enquadramento no objeto de pesquisa (administração pública) e para a qual os resultados encontrados foram importantes na gestão dos recursos de forma mais eficiente e eficaz.
Neste estudo, os sujeitos pesquisados são os usuários (funcionários) de TI,
que trabalham na STI – Superintendência de Tecnologia da Informação da SEFAZ-
PE, avaliando e identificando as necessidades, planejando e estruturando a
implantação dos sistemas dos fornecedores na instituição. A pesquisa foi
desenvolvida nas instalações da empresa, no Departamento de Informática. Não foram considerados os demais departamentos e as empresas parceiras ou coligadas.
A escolha desta empresa pública teve como base a sua atuação no mercado, diferencial competitivo através das diversas formas de utilização da TI, desenvolvidas para fins administrativos e operacionais, além da sua posição relevante na administração pública do Estado de Pernambuco.