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3. L UNG COMPLICATIONS ASSOCIATED WITH HIV INFECTION

3.5. Methods to assess airway abnormalities

A data da concessão de crédito permite contextualizar o cenário econômico e as condições internas da instituição financeira quando da realização da operação de empréstimo. Nesse sentido, a época em que o crédito foi concedido pode influenciar a probabilidade de que a obrigação de pagar não seja cumprida pela empresa tomadora de crédito.

Simon (1965) reconhece que os limites da racionalidade nas decisões são obtidos a partir da visão panorâmica das alternativas de ações, da análise das consequências de cada escolha e da decisão baseada em um sistema hierárquico de valores. Desse modo, a decisão de concessão de crédito pode estar relacionada às políticas de crédito das instituições financeiras vigentes à época, assim como as decisões estratégicas dos bancos em relação à atuação no mercado de crédito. Por exemplo, a decisão de expandir a carteira de crédito, voltada a maior rentabilidade e a maior risco, pode interferir na exposição à inadimplência durante a maturidade dos empréstimos realizados.

Além disso, o comportamento não racional dos agentes financeiros pode fazer com que a avaliação das características e do valor de ativos (como o valor de uma empresa ou o valor de uma operação financeira) se desvie do “esperado”, com base nas teorias financeiras tradicionais (KAHNEMAN e TVERSKY, 1979). Neste sentido, o fenômeno comportamental do excesso de confiança, vinculando sempre os bons resultados às habilidades próprias, pode influenciar a exposição de determinado agente financeiro (VARIAN, 2006).

Na linha das teorias comportamentais e de racionalidade limitada, Berger e Udell (2004)85, citados por Linardi (2008), defendem que uma explicação para o comportamento procíclico do sistema financeiro, entendido como uma expansão de crédito nos períodos de crescimento econômico e de retração do crédito nas recessões, seria um comportamento excessivamente otimista por parte dos concessores de crédito durante a expansão, de modo a subestimar os riscos, tornando os padrões de concessão menos rígidos (o que aumentaria a alavancagem e a extensão das perdas no caso de uma recessão).

85 BERGER, A.; UDELL, G. The institutional memory hypothesis and the procyclicality of bank lending

A teoria da agência reconhece os conflitos decorrentes da separação entre a propriedade e o controle do capital e identifica a carência de condições de controle e de acompanhamento dos proprietários do trabalho desenvolvido pelos funcionários86 (JENSEN e MECKLING, 1976). Neste sentido, em instituições financeiras decisões de concessão de crédito podem ser realizadas de forma a atingir os interesses dos agentes, como o alcance de metas, em detrimento dos interesses dos principais, como a agregação de valor e o aumento da rentabilidade das operações ponderadas pela relação risco-retorno.

Linardi (2008, p. 8) apresenta interessante percepção quanto às consequências dos problemas de agência no ambiente de concessão de crédito, in verbis:

O comportamento de manada (herding behaviour) também pode explicar porque os gerentes bancários financiam projetos com valor presente líquido negativo. Problemas de agência entre gerentes e os donos do banco podem incentivá-los a comportarem-se como seus companheiros, adotando padrões de concessão de crédito menos rígidos para mascarar os problemas emergentes, e agindo de forma contrária somente quando as condições de crédito tenham se deteriorado consideravelmente. Além disso, os participantes do mercado podem perceber que as penalidades impostas serão menos severas se os problemas forem comuns a todo sistema bancário.

Em perspectiva similar, Zendron (2006) argumenta que em momentos de incerteza os agentes econômicos tendem a relativizar as próprias projeções e optam por acompanhar as perspectivas de outros agentes do mercado, acreditando que estes possuem maiores informações sobre a trajetória de preços, o que resulta em uma convergência de opiniões e em um comportamento de manada que impacta bruscamente os movimentos de preços.

Dessa forma, a concessão de crédito em períodos de grande expansão de crédito, ligada à subestimação dos riscos decorrentes de excessivo otimismo, e a atuação de agentes com base nos próprios interesses, ligados a recompensas financeiras e não financeiras, podem influenciar a probabilidade de inadimplência de uma operação de crédito realizada. Conforme reconhece Bonfim (2009), a maior parte dos riscos incorridos pelos bancos é construída durante períodos de expansão econômica, quando os padrões de concessão de crédito

86A noção de incentivos para controle de comportamentos de outros agentes, mediante a criação de sistema de

recompensa, vinculado aos objetivos estabelecidos pelos principais (proprietários), pode ser utilizada como forma de minimizar os problemas de agência, uma vez que a informação e a medição do trabalho são de difícil aplicação (PINDYCK e RUBINFELD, 1999).

adotados são menos rigorosos, sendo que a materialização desses riscos ocorre apenas nos períodos de recessão econômica, resultando em maiores taxas de inadimplência.87

Em relação à recuperação de crédito, o impacto da data da concessão ocorre de forma indireta. A qualidade do crédito concedido, em relação a outros aspectos contratuais, individuais e de relacionamento, como a existência de garantias, o tempo de relacionamento com a instituição e o endividamento com outras instituições financeiras, tende a impactar o resultado das ações de cobrança definidas pela política de crédito no momento da inadimplência. Importante atenção deve ser dada ao momento do ciclo econômico em que o crédito é concedido, uma vez que se pode ter uma expectativa de menores recuperações de crédito quando a concessão ocorre em períodos próximos ao início de retrações econômicas, já que a situação de inadimplência se materializará em momento econômico de crise (ALTMAN et al., 2005).

2.3.2.2. Produto financeiro

Os produtos financeiros desenvolvidos pelas instituições financeiras são delimitados e dirigidos a perfis específicos de empresas, consolidando diversas características das operações financeiras a partir da predeterminação de taxas, intervalos de prazos e tipos de garantias, por exemplo (SOUZA, 2006). Dessa forma, os produtos financeiros podem representar a reunião da influência de diversos aspectos discutidos nesta seção sobre variáveis contratuais.

Assim, as definições dos componentes de operações e do perfil de cliente a ser atingido por um produto específico é que determinam a maior ou menor probabilidade de inadimplência, assim como de sua recuperação de crédito. Deve-se ressaltar que um produto é definido com base em um único ou em poucos componentes da operação financeira, podendo ser utilizado como proxy.

Becker et al. (2014) identificaram em estudo realizado em dois bancos comerciais gaúchos que as operações dos produtos voltados ao capital de giro, destinados especificamente a suprir

87 Entretanto, Bonfim (2009) indica que, diferentemente da análise obtida quando, tendo em vista a

inadimplência de forma agregada, o impacto da expansão da economia nas empresas em nível individual não é positivo quando defasado por alguns períodos. Desse modo, apesar de a análise em nível agregado sugerir que os desequilíbrios de crédito ocorrem em momentos de forte crescimento econômico, quando controlados pelas características individuais tais resultados não persistem. Assim, aparentemente, isso reflete a existência de um comportamento assimétrico entre as empresas durante diferentes fases do ciclo de crédito.

necessidades de liquidez das empresas, possuíam grandes percentuais de participação na inadimplência. Quanto aos estudos empíricos de recuperação de crédito, verificou-se uma carência de pesquisas em torno do tipo de produto.

Por fim, é importante destacar que o produto financeiro pode ser utilizado como fator base para agrupar os objetos de estudo (Cluster Analysis). Sua aplicação com este objetivo apresenta-se como mais adequada para a realidade de estimações de risco de crédito.