Para identificação dos componentes tendência, ciclo, sazonalidade e aleatoriedade presentes no padrão básico da série histórica de abate de fêmeas realizou-se a análise de decomposição clássica da série temporal pelo software FPW e foram obtidos os seguintes percentuais relativos a cada componente: Tendência/Ciclo: 95,21%, Sazonalidade: 3,22% e Aleatório: 1,57%, com formação multiplicativa como esperado, uma vez que a série exibe variação não constante em torno da média. Sendo assim, a série temporal de abate mensal dos bovinos fêmeas tem a representação de composição da equação (1),
A presença dos componentes temporais considerou a execução de procedimentos de obtenção das médias móveis para o período de t=12, iniciando no centro do período com t=6, posteriormente, foram eliminados os efeitos da sazonalidade (2) com a obtenção das médias móveis centradas para finalmente efetuar a estimação da tendência da média móvel centrada. A tendência da média móvel centrada foi estimada por regressão linear simples da média móvel centrada em função do tempo (variável independente ).
A tendência da média móvel centrada do abate dos bovinos fêmeas apresentou à reta plotada crescente, o que revelou uma tendência positiva, provocada, provavelmente, pelo
aumento da demanda, da população e do seu poder aquisitivo no período da série e pode ser representada pela equação:
Essa reta explica, aproximadamente, 79% dos dados que compõem a série das médias móveis centradas ( ), o que pode ser considerado um bom nível de explicação.
Figura 13 - Tendência média móvel abate dos bovinos fêmeas, Brasil, 1997-2014
Fonte: Elaborado pela autora a partir de estimativas da pesquisa.
A análise do componente cíclico considerou as variações cíclicas que consistem de flutuações em torno da tendência da média centrada resultantes da maior ou menor intensidade do ciclo econômico. As flutuações foram classificadas quanto ao posicionamento inferior ou superior à expectativa de 100% projetada.
A alternância sistemática de valores menores e maiores do que 100% por intervalos superiores a um ano evidenciaram a existência de dois ciclos com durações distintas.
Percebe-se que o abate das fêmeas apresentou um ciclo histórico esperado de aproximadamente 10 anos, com intervalos alternados de recessão e expansão do abate de bovinos fêmeas de aproximadamente 5 anos. O primeiro ciclo observado ocorreu entre 1998 e 2008, e teve duração aproximada de 10,4 anos. O primeiro intervalo após o primeiro ciclo apresentou recessão nos abates conforme esperado, de forma que a cava ocorre no instante que a fase de recessão dá lugar à de expansão no vértice inferior que ocorreu em 85,5% no mês de abril de 2010. O próximo intervalo apresentou discreta expansão entre outubro de 2012 e novembro de 2013 e teve duração de 14 meses, variação aproximada de 2,1% das flutuações em relação ao abate esperado. A alta esperada para o intervalo não foi sustentada a partir de dezembro de 2013, quando o abate de bovinos fêmeas esperado passou a ser abaixo
do projetado pela tendência, o que leva a crer que o intervalo tinha características de estabilidade. O segundo ciclo iniciou em junho de 2008 e finalizou em novembro de 2013 com duração de 5,5 anos (66 meses). Convém notar que o próximo período apresentou intervalos com durações irregulares e redução no prazo de duração dos dois ciclos de 4,9 anos ou 50% do período. Tais características observadas, a partir de outubro de 2012, diferem das dinâmicas identificadas em períodos anteriores conforme estudos de Medeiros (2006) e Pimentel (2011).
Ao considerar a duração do ciclo plurianual descrita por Pimentel (2011) de que os ciclos tinham duração entre 7 e 10 anos, com a presença de intervalos alternados de altas e baixas e intermediados por fases de estabilidade com duração entre 1 e 3 anos, analisou-se os dados do abate considerando que o primeiro intervalo da série, janeiro de 1998 a agosto de 2003, relacionava-se ao último intervalo de baixa do ciclo anterior.
Neste sentido, no período total analisado, os intervalos tiveram durações menores e apenas um ciclo completo observado com início em setembro de 2003 e término em setembro de 2012 e duração aproximada de 9,08 anos, seguido por um intervalo de estabilidade de 14 meses ou 1,16 anos.
Nesta abordagem, estaria em curso o início do novo ciclo no abate de fêmeas no país. Os resultados das flutuações em torno da tendência foram agrupados em intervalos intercalados que estão demonstrados na Tabela 7.
Tabela 7 - Ciclo série do abate de bovinos fêmeas, Brasil, 1997-2014
Frequência Período Duração Flutuações em torno da tendência (%) Nível do ciclo 1º Intervalo JAN/98 a AGO/03 68 meses 72,3% a 99,6% Baixa de abates 2º Intervalo SET/03 a MAI/08 57 meses 101,6% a 133,4% Alta de abates 3º Intervalo JUN/08 a SET/12 52 meses 85,5% a 99,7% Baixa de abates 4º Intervalo OUT/12 a NOV/13 14 meses 100,0% a 102,1% Alta de abates 5º Intervalo DEZ/2013 a DEZ/14 13 meses 85,2% a 99,3% Baixa de abates Fonte: Elaborado pela autora a partir de estimativas da pesquisa.
Com base nos dados calculados, na observação da tabela 7 concomitante com a Figura 14 que apresenta o desenho da evolução temporal do ciclo da série do abate de bovinos fêmeas, no período de julho de 1997 a dezembro de 2014, infere-se que a situação de mais baixa intensidade do ciclo econômico do abate de bovinos fêmeas ocorreu mais especificamente de julho de 2000 a outubro de 2002. Nesse período, reduziu-se de 15% a até 28%, aproximadamente, o abate de fêmeas projetado pela tendência. A cava do ciclo aconteceu em dezembro de 2001 (72,29%).
O período de mais forte intensidade econômica no abate dos bovinos fêmeas ocorreu de janeiro de 2005 a dezembro de 2006, em que o ciclo variou de 129% a 134% aproximadamente.
O maior pico econômico do abate das fêmeas, instante em que a fase de expansão chegou ao fim e passou à fase de recessão no vértice superior, ocorreu no mês de abril de 2006 (133,4%). Nestes dois anos, o nível de abate das fêmeas ficou entre 29% e 34% maior do que aquele projetado pela tendência para o período.
Figura 14 - Ciclo série de abate de bovinos fêmeas, Brasil, 1997-2014
Fonte: Elaborado pela autora a partir de estimativas da pesquisa.
Conforme dados da literatura, a redução nos abates pode ter ocorrido com retenção de matrizes. Provavelmente o elevado abate de fêmeas iniciadas no final de 2003 até meados de 2008 resultou em indisponibilidade de animais para abate no início de 2010, ou seja, o período de defasagem médio de 30 meses correspondeu ao tempo necessário para terminação do boi gordo.