3. KULTURBLIKKET
3.6. Den tredje dimensjonen
3.6.1. Medforvalterne, sporet og de andre
A caracterização das entidades ambientais que são capazes de exercer influência na definição do modelo de negócio adotado pela empresa investigada está representada de forma geral através da figura 10.
Figura 10 - Campo organizacional na percepção da empresa Procenge
Na Procenge, foi constatado que dentre as autoridades governamentais, o governo federal e os serviços públicos têm influências significativas sobre a definição e estruturação do modelo de negócio, principalmente, no que diz respeito às leis e aos sistemas associados às empresas prestadoras de serviços.
Com relação às sociedades, associações e federações, foi dada ênfase às associações relacionadas à atividade de desenvolvimento e aos sindicatos de empresas de tecnologia. As instituições educacionais e de pesquisa também apresentam forte influência sobre a estruturação do modelo de negócio. No caso, foram citados as universidades públicas, as fundações e os órgãos patrocinadores de pesquisa como, por exemplo, a UFPE, o FINEP e o CNPQ.
Quando perguntado sobre as entidades do mercado, o respondente citou as empresas inovadoras nacionais líderes de mercado, os arranjos produtivos locais, os clientes, as empresas fornecedoras de tecnologia para desenvolvimento e as instituições financeiras. Outros aspectos condicionantes como, por exemplo, a formação e o background do gestor da empresa e as restrições e gargalos organizacionais foram destacados.
A partir da visão geral apresentada, percebe-se que a empresa mantém relação com um conjunto bastante variado de entidades. Para explicitar aspectos intrínsecos dessas relações e do processo de institucionalização do modelo de negócio da empresa, fez-se necessária uma análise aprofundada de caráter exploratório acerca da importância das entidades supracitadas no processo de estruturação do atual modelo de negócio. Também se justifica um pequeno resgate histórico, tendo em vista a longa trajetória da empresa.
Com dito, a PROCENGE foi fundada em 1972 como uma empresa de engenharia com o propósito de subsidiar a construção da malha ferroviária da Região. Como não existiam profissionais de informática e TI naquela época, eram os engenheiros que trabalhavam com programação e o desenvolvimento de softwares. Desta forma, a empresa foi criada por engenheiros para trabalhar com processamento de dados necessário à expansão da rede ferroviária.
Com o passar dos anos, a empresa incorporou novas opções estratégicas e características estruturais até chegar à atual configuração e modelo de negócio. Hoje é uma empresa voltada para soluções de TI cujo leque de produtos é bastante vasto e com boa participação no mercado regional. Atualmente, a empresa tem por objetivo levar sistemas e soluções para as regiões Sul e Sudeste.
De toda forma, na análise do modelo de negócio atualmente institucionalizado na PROCENGE, foi possível observar que a mesma tem uma particularidade que torna o seu caso bastante interessante. Observou-se que a empresa incorporou o conceito de unidade de negócio, apresentando unidades com configurações e objetivos distintos. Há, na produção e comercialização central de software, uma unidade baseada no modelo de fábrica de software. Mas também, foi definida uma unidade com estrutura que privilegia o desenvolvimento de produtos inovadores com mercados específicos e pouco explorados.
Nós temos na Procenge dois modelos de negócio distintos, sendo o modelo baseado em princípios de fábrica de software o predominante na unidade central. Por outro lado, nós estamos avançando na criação de uma unidade de negócio específica para a pesquisa e o desenvolvimento. Estamos com pessoas da universidade alocadas
nesta unidade, participando de projetos importantes, inclusive com financiamento da FINEP (Informação verbal)50.
Desta forma, pode-se inferir que existe em cada uma das unidades descritas uma estrutura de negócio com focos distintos. Todavia, é percebide que a unidade moldada de acordo com os princípios da fábrica de software representa o principal negócio da empresa, pois é responsável por grande parte do faturamento da PROCENGE. A unidade de inovação tem o papel de subsidiar a PROCENGE com novas ideias e oportunidades que podem passar a ser exploradas em larga escala. De fato esta unidade é responsável por desenvolver atividades de pesquisa e desenvolvimento.
Apesar de não ter sido explicitamente posto, a presença de financiamentos da FINEP leva a pensar que a lógica da unidade de negócio inovadora implantada na empresa permite a Procenge atender aos requisitos especificados nos editais da FINEP que são comumente atendidos por empresas de base tecnológica, como visto no discurso que se segue.
Com relação às instituições de pesquisa, a gente sempre busca incorporar novos projetos aos nossos planejamentos estratégicos. Na verdade esses recursos provenientes de agências de pesquisa são vistos como oportunidades que podem ser exploradas. Todavia, necessitamos realizar adequações e ajustes na empresa para atender as especificações das agências de fomento. (Informação verbal)51.
Outro ponto importante que foi destacado é referente à percepção do entrevistado acerca da influência que o Governo Federal pode ter sobre a definição do modelo de negócio. Através de suas políticas, o governo federal tem influência significativa sobre a institucionalização de características ao modelo de negócio. Percebe-se que a pressão ocorre no ambiente macro ambiental, através de políticas e regulações exercidas pelas entidades do Governo Federal. De fato, o entrevistado acredita que tal influência se dá indiretamente através das estratégias da empresa.
O Governo Federal influencia bastante os nossos modelos através das políticas de desenvolvimento tecnológico e regulação dos mercados de TI. Isso não tem impacto direto, mas influencia, de certa forma, na formulação das estratégias. Outro ponto é
50Entrevista concedida por Otini Cunha, diretor de qualidade da empresa Procenge, em 06 de julho de 2010 51Entrevista concedida por Otini Cunha, diretor de qualidade da empresa Procenge, em 06 de julho de 2010
que as políticas do governo para outras áreas podem levar ao investimento por parte da empresa para desenvolver novos produtos que permitam acompanhar e explorar o crescimento de novos mercados. Por exemplo, as políticas para o agronegócio. Devo dizer que essas são coisas discutidas em alguns períodos da empresa, principalmente associado ao planejamento estratégico (Informação verbal)52.
Tem-se, portanto, uma avaliação das políticas setoriais do governo para uso estratégico da organização. Por se tratar de estratégias, pode-se inferir que há de fato a possibilidade de ocorrer variações no modelo de negócio da empresa em função de redefinições feitas nas opções estratégicas da empresa de acordo com as políticas do Governo Federal, principalmente.
É preciso evidenciar que não se trata, simplesmente, de políticas focadas para o setor de tecnologia, mas também de políticas para outros setores da economia. Como os softwares são aplicados em praticamente todas as atividades econômicas, pode-se concluir que políticas do governo para muitas áreas podem ter implicações nas empresas de desenvolvimento de software e, consequentemente, nos seus modelos de negócios.
Em outra perspectiva, foi evidenciado que os órgãos do governo, sejam em que esfera for, enquanto entidades usuárias de softwares, podem solicitar especificações e requisitos importantes relativos ao órgão para o desenvolvimento de um software por meio de contratos licitados. E isso faz com que empresas façam mudanças nos seus modelos de negócios através da incorporação de tais características exigidas, caso deseje atender ao mercado consumidor de entidades públicas.
Ainda na perspectiva de entidades macro-ambientais, alguns acontecimentos e contextos específicos apresentaram forte influência sobre os modelos de negócios da empresa. Na entrevista, foi observado que a crise vivenciada nos dois últimos anos afetou fortemente a empresa e seu modelo de negócio, ao ponto de ter suas estratégias e estrutura repensadas. De fato, pode-se inferir que a criação da nova unidade de negócio com foco em inovação pode ter tido alguma contribuição da crise vivida. Sabe-se que, em momentos que fogem do que é comumente vivenciado, as empresas tendem a buscar novas configuração para se defender de ameaças ou para explorar oportunidades.
Ademais, foi possível identificar a presença de pressões sociais e culturais no ambiente da empresa investigada. Chamou atenção, a crença do respondente de que os aspectos sociais e culturais são muito importantes para a definição de qualquer negócio. Porém, é possível que, em curtos espaços de tempo, tais aspectos aparentemente não
influenciem. Isso pode ser inferido pelo fato das mudanças associadas aos fatores sociais e culturais acontecerem, na maioria dos casos, lentamente, sendo assim, a mudança pouco perceptível. De toda sorte, essas pequenas variações sociais e culturais são captadas pelas empresas e ocasionam mudanças nas organizações e, consequentemente, em seus modelos de negócio
Com relação às entidades setoriais, percebe-se que algumas instituições exercem pressões sobre a modelagem do negócio. No caso, a SOFTEX, a ASSESPRO e o Porto Digital foram destacados como entidades que ajudam a compreender a dinâmica do mercado de desenvolvimento de software, bem como aprimorar a competência das empresas e do ator organizacional com implicações diretas na estruturação do modelo de negócio da empresa. Todavia, um fato relacionado ao Porto Digital chamou atenção na entrevista.
Eu acho que o Porto Digital é um instrumento de interação muito importante para fortalecer as empresas de TI, sejam de pequeno, médio ou grande porte. Mas acho que a interação ainda é restrita a um pequeno grupo de empresas, principalmente, nos encontros formais promovidos pela entidade. Os eventos sempre são frequentados por alguns gatos pingados, o que restringe a contribuição do Porto (Informação verbal)53.
Como visto anteriormente em outros casos, a interação e a troca de informações é o ponto fundamental para explicar a forma como tais entidades setoriais exercem pressão no processo de institucionalização de características e modelos de negócios das empresas de software. Também, pode-se inferir que a interação e a troca de informação são proporcionais ao número de eventos promovidos e à quantidade de entidades e de indivíduos que participam de cada um dos eventos. Portanto, a pressão e a influência que cada uma dessas entidades exerce podem ser catalisadas por meio da ampliação do grupo de empresas participantes e da frequência com que as interações acontecem.
Por sua vez, a universidade foi apresentada como uma entidade com duplo papel junto às empresas de desenvolvimento de software. No primeiro caso, a universidade pode atuar como parceiro no processo de desenvolvimento de inovações. O segundo diz respeito à formação que a mesma proporciona ao pessoal que compõe o quadro de colaboradores de uma empresa. No caso da PROCENGE, foi explicitamente apresentado que, com o
aperfeiçoamento dos funcionários, a empresa acaba recebendo uma pessoa mais reflexiva e com conhecimentos que passam a ser aplicados na empresa em todos os seus aspectos.
Contudo, deve-se destacar que essa pressão isomórfica acaba sendo mais aplicada à estrutura operacional, mas não descarta a possibilidade de provocar mudanças em aspectos estratégicos da empresa, podendo acarretar mudanças na sua dinâmica de negócio. Tudo vai depender de alguns aspectos como, por exemplo, o foco do conteúdo transmitido, a posição (dentro da empresa), as habilidades e atitudes da pessoa que recebeu o treinamento, o caráter participativo da gestão e a estrutura de poder da empresa.
Outro aspecto interessante relacionado ao modelo de negócio da empresa está no relacionamento que a empresa mantém com as incubadoras. Antes de possuir a unidade de negócio voltada à inovação, a empresa buscava as incubadoras para desenvolver projetos inovadores, pois a estrutura de fábrica de software da empresa não era propícia e nem legitimada pelas agências de fomento para esse fim. Assim, a PROCENGE buscava as entidades incubadoras para desenvolver projetos específicos, atendendo aos requisitos necessários. Esse tipo relação interoganizacional, talvez, seja uma forma de a empresa responder ao desenvolvimento demandado por mercados específicos através de produtos inovadores sem precisar de modificações em seu modelo de negócio.
Também presentes no ambiente setorial, as empresas líderes de mercado podem fornecer subsídios para o processo de estruturação de modelos de negócios.
Empresas líderes de mercado são sempre alvo merecedor de observação, principalmente, se estas forem nossos concorrentes. É preciso buscar conhecer o que está sendo feito de bom por eles. Eu vejo muito o pessoal da área de desenvolvimento de produto da nossa empresa falando que lá (se referindo à empresa concorrente), eles trabalham assim ou assado. E passam a nos questionar o porquê da gente não fazer da mesma forma. Assim, a gente acaba incorporando alguma coisa. Mas, da mesma forma que a gente olha para outros, tenho certeza que tem gente olhando para a gente, principalmente os menores (Informação verbal)54.
Além de demonstrar que empresas concorrentes que são líderes de mercados apresentam forças isomórficas, também é possível identificar uma rede informal que gera um fluxo de informação capaz de explicar algumas mudanças ocorridas na organização. Ou seja, existem muitas entidades exercendo influência sobre as empresas desenvolvedoras de software, mas os canais de interação podem ser tanto formais quanto informais. Também,
pode-se dizer que não há empresas puramente passivas ou ativas. Existe, realmente, um fluxo bilateral entre as entidades o que demonstra a capacidade que a empresa tem de influenciar e ser influenciada na institucionalização dos modelos de negócio.
Nessa entrevista, foi observado que a relação estabelecida com empresas filiais e revendedoras pode conter aspectos relevantes, pois a mesma é considerada uma extensão da empresa e pode apresentar informações importantes obtidas nas transações com os clientes finais da empresa. Mesmo sendo, na maioria dos casos, informações referentes aos produtos e serviços prestados pela empresa, em algumas circunstâncias, pode haver a comunicação de informações que leve a mudanças mais significativas na empresa e no modelo de negócio. Pelo fato de estarem em um contexto diferente, as empresas revendedoras podem captar e transmitir pressões isomórficas de outras entidades através de demandas e condições ambientais que jamais seriam percebidas pela empresa matriz.
Com relação às instituições financeiras, percebeu-se um fato novo que, até então, não tinha sido observado.
Existe um aspecto do nosso modelo de negócio que pode estar diretamente relacionado com as instituições financeiras. Por exemplo, se a empresa pretende se desenvolver utilizando capital próprio ou de terceiro esse é um ponto importante a ser analisado e que necessariamente tem influência das instituições financeiras e de suas políticas sobre o modelo de negócio. Devo ressaltar que, às vezes, trabalhamos com capital de terceiro proveniente de agências de fomento à pesquisa e nesses casos, devemos nos adequar para atender as exigências e especificações dadas por elas. Da mesma forma que precisamos de redefinição para buscar recursos das agências, pode ser que o mesmo aconteça com a capitação de recursos em instituições financeiras (Informação verbal)55.
Portanto, pode-se inferir que para ter acesso a recursos financeiros, as empresas devem atender aos requisitos da fonte financiadora que pode ser uma agência para fomento de tecnologia, como também pode ser uma instituição financeira qualquer. Contudo, não se tem evidências se os requisitos de instituições financeiras podem ter implicações no modelo de negócio estruturado.
Com relação ao paradigma e a metodologia de desenvolvimento, percebe-se a existência de uma metodologia classificada como sendo pertencente ao paradigma ágil de desenvolvimento de software, qual seja: SCRUM. Evidencia-se que há forte relação da
metodologia empregada com o processo de certificação voltado à qualidade dos softwares produzidos, bem como com entidades e pessoas envolvidas no processo de desenvolvimento.
Com os investimentos em qualidade através da certificação ISO em 2003, uma série de melhorias no processo de desenvolvimento foi incorporada. Nesses últimos três anos, entramos de vez na melhoria da qualidade de software com a implantação do CMMI e do MPS.BR. Com isso a gente vai fazendo uma network com outras empresas e pessoas e, até mesmo, com a universidade que acaba trazendo ideias que são incorporadas na base de conhecimento da empresa. E foi assim que o SCRUM foi incorporado (Informação verbal)56.
Do trecho supracitado, pode-se verificar que o processo de certificação expõe a empresa a uma série de fatores externos com potencial para condicionar alguns aspectos do processo de desenvolvimento estruturado na empresa. Dependendo dos padrões propagados pelas empresas apoiadoras do processo de certificação, uma estrutura de desenvolvimento é incorporada. Deve-se destacar que, antes de buscar as entidades apoiadoras, as empresas e os atores organizacionais podem ter certas preferências e ideias formadas a priori que são de vital importância para definição da rede de contato e, consequentemente, para a estrutura do processo produtivo.