Quanto à formação musical do professor Leonardo Meira, é bacharel em violão pela mesma universidade, mas é interessante notar que durante a entrevista, ao descrever sua formação ele destaca, com muito orgulho e alegria, suas experiências musicais anteriores à entrada no curso de graduação, experiências como ensaios, apresentações e estudos com amigos e familiares. Paralelamente, participou de festivais e de workshops diversos. Também estudou teoria musical no conservatório Anthenor Navarro, do Estado da Paraíba.
Assim, Meira destaca que, no início, não tinha guitarra e ganhou um antigo órgão e que nele aprendeu só a tirar pequenas melodias de ouvido. Mais tarde começou a dedilhar um cano de PVC com cordas improvisadas, na tentativa de tocar algo e enquanto não ganhava uma guitarra de verdade. Até que
quando eu ganhei a guitarra ai foi um impacto muito grande, porque na aula que eu fui ter, que era com um cunhado de Gledson [irmão do professor], eu não pegava muito no instrumento. O instrumento ficava muito na mão dele [do professor]. O meu era o cano, ai quando eu tentava ver alguma coisa, eu tentava no violão. Então, quando eu ganhei a guitarra mesmo, eu estranhei, porque não saia, então eu guardei ela embaixo da cama e ela passou um ano parada. Ai depois de um ano eu fui ver um ensaio
de uma banda e encontrei Valter [amigo] tocando demais e eu disse:
caramba, vou estudar esse instrumento. (MEIRA, 2011).
Mais tarde, este professor conseguiu algumas “revistinhas” e pode aprender acordes e composições de bandas de rock nacional dos anos 1980 e depois foram outras revistas com elementos teóricos sobre escalas e formação de acordes. Essas revistas fizeram o professor descobrir que existiam muitos elementos a serem estudados e que, por isso, ele devia procurar por aulas, mesmo que particulares, em suas palavras:
[...] então, a partir dai, eu diria que foi o primeiro contato onde eu disse “caramba, eu to estudando música”. Com orientação, com alguém acompanhando, mas que também não havia um planejamento. Você sentia que ele [professor particular] levava um material sem saber muito o que fazer (MEIRA, 2011).
O entrevistado demonstra que sempre teve muita consciência da necessidade de estudar música de maneira séria e comprometida, buscando se especializar, mesmo que isso não fosse uma característica sua de quando jovem. Essa vontade surgiu como uma necessidade do profissional no qual o mesmo se transformou. Também é presente, na fala de Meira, sua constante atualização, solitária, utilizando livros e revistas especializadas. E mesmo hoje, continua promovendo sua auto-formação, especialmente, dedicando-se a ler livros de harmonia e arranjo. Por outro lado afirma não ter investido muito em vídeo aulas, outra prática comum entre muitos guitarristas.
Comecei a correr atrás de livros. Eu nunca dei muita atenção a vídeo, na época tinha uma educação de vídeo-aula, e eu tive duas experiências fortes com vídeo-aula, mas, no final eu acabei ficando meio frustrado porque eu repeti tudo o que eu peguei. Quando eu me deparei com a educação do livro, que você questiona, eu optei por isso, comprar, tirar copias de livros. Mas sem essa orientação direta. Sozinho! Esse período foi o que eu mais estudei na minha vida, onde eu me tranquei mesmo! E eu lia muito e, logo em seguida, passava ‘pro’ instrumento ‘pra’ não ficar a teoria sem a prática
(MEIRA 2011).
Por fim, é destacado que a formação em violão não foi algo de fato proveitoso pelo professor e, durante o período na graduação neste instrumento, o que teve maior importância para sua formação, foram as outras disciplinas, como contraponto e histórias da música, além do diploma que possibilitou a participação no concurso publico para o cargo de professor, no qual foi aprovado e contratado. Durante muitos anos, no Brasil, vários guitarristas se graduaram em violão para conquistar um diploma de nível superior, mesmo não sendo este seu instrumento principal.
Depois de anos e anos, foi que eu busquei a universidade, pois havia até um certo preconceito da minha parte, pois era muito erudito. Mas eu vi que eu teria que ter o diploma, então eu me formei em violão. Não fui um bom aluno do instrumento em si. E isso eu avisei desde a primeira aula pois não dava mais pra mim, pois, como eu ainda tenho muita coisa a estudar na guitarra, eu não quis arriscar [estudo de dois instrumentos], e não ocupei os horários da guitarra com o violão. Estudei, inclusive, as peças de violão na guitarra, o que não funciona muito (MEIRA, 2011).
Esse professor começou a ministrar aulas por acaso, durante uma visita a uma escola de música de uma amigo, acabou sendo chamado para ser professor deste local. Naquele momento, suas aulas eram baseadas unicamente em sua experiência e com a utilização de um “pôster grande com um guitarrista de um lado e do outro era a aula com todas as
pentatônicas. Então ali passou a ser meu material, era em cima daquilo que eu fazia as aulas” (MEIRA, 2011), logo, suas as aulas eram praticamente de técnica, ou repertório.
Antes de passar no concurso para professor da UFPB, Meira foi professor substituto do IFPB e, no instituto, aprendeu como lidar com os diários e disciplinas de modo formal, especialmente na questão dos planos de aula e de curso. Meira afirma que já fazia isso empiricamente, uma “fichinha”, como diz, de controle com informações sobres seus alunos e as aulas ministradas a cada sujeito, e, o mais que precisou aprender, realmente, foram os termos técnicos, como o significado de metodologia, ementa, recursos didaticos, etc.
No momento da entrevista e das observações, além da disciplina instrumento (guitarra), Meira também ministra aulas de Instrumento Complementar (guitarra), Edição de Partituras e Técnicas de Gravação. É coordenador da Studio Escola além de atuar profissionalmente em estúdios de gravação, principalmente fazendo a direção musical de artistas locais e em performances como sideman. Também, estava em fase de pré-produção de seu primeiro disco solo.